Progesterona injetável em óleo: progestógeno natural intramuscular para amenorreia, sangramento uterino anormal e reprodução assistida

Resumo rápido

  • A progesterona injetável em óleo é o hormônio natural a 50 mg/mL em óleo de gergelim, só para uso intramuscular; nos EUA, só há versões genéricas.
  • Pela bula americana, é indicada na amenorreia e no sangramento uterino anormal por desequilíbrio hormonal; o suporte da fase lútea na reprodução assistida não está na bula, mas a diretriz da ESHRE aceita qualquer via não oral.
  • No ensaio de Devine, com embrião congelado em ciclo programado, a taxa de nascido vivo foi de 44% com a forma intramuscular diária e de 27% só com a progesterona vaginal.
  • Não há advertência em destaque (boxed warning); é contraindicada com trombose atual ou prévia, doença do fígado, câncer de mama ou genital, sangramento vaginal sem diagnóstico, aborto retido e alergia ao gergelim.
  • No Brasil, a forma oleosa não tem registro, e a subcutânea de 25 mg (Prolutex) não foi comercializada em 2025; cápsulas e gel vaginal são vendidos no país. A oleosa depende de importação com receita, em nome do paciente.

O que é a progesterona injetável em óleo?

É a progesterona, hormônio produzido pelo ovário, dissolvida em óleo de gergelim (50 mg/mL), com álcool benzílico a 10% como conservante, em frasco multidose de 10 mL, para injeção intramuscular. Nos EUA, todas as versões levam o nome genérico: a de referência, da Actavis (NDA 017362, de 11/05/1978), saiu do mercado sem motivo de segurança ou eficácia, segundo a FDA, e hoje há as da Fresenius Kabi, Hikma, Eugia, Xiromed e Accord. O Lubion, às vezes tido como equivalente, é outra formulação: solução aquosa de 25 mg.

A progesterona no ciclo e na reprodução assistida

Na fase lútea, a progesterona torna o endométrio secretor e receptivo ao embrião e, após a implantação, ajuda a manter a gestação; sua falta pode causar irregularidades menstruais. Na fertilização in vitro (FIV), os níveis de progesterona ou de hCG ficam baixos, e a fase lútea é suplementada; na transferência de embrião congelado em ciclo programado, o endométrio é preparado com hormônios administrados à paciente.

Mecanismo de ação

A progesterona converte o endométrio proliferativo em secretor e, nas doses usuais, inibe as gonadotrofinas da hipófise, impedindo a maturação do folículo e a ovulação. Após 10 mg intramusculares, o pico (média geométrica de 7 ng/mL) vem em cerca de 8 horas, e o nível fica acima do basal por cerca de 24 horas; com 25 e 50 mg, os picos foram de 28 e 50 ng/mL.

Indicações

Estados Unidos (FDA)

Amenorreia e sangramento uterino anormal por desequilíbrio hormonal, sem doença orgânica, como mioma submucoso ou câncer do útero; em crianças e acima de 65 anos, segurança e eficácia não foram estabelecidas. O suporte da fase lútea não consta da bula; nos EUA, as progesteronas com indicação em reprodução assistida são vaginais: o gel Crinone 8% e o inserto Endometrin, que já tem genéricos; pela bula de 07/2026, o Endometrin é indicado a mulheres inférteis com menos de 35 anos, por até 10 semanas.

Europa e Reino Unido

Nenhuma progesterona tem autorização centralizada da EMA. No Reino Unido, a solução aquosa de 25 mg da IBSA, o Lubion, é indicada em adultas para o suporte da fase lútea na reprodução assistida quando não podem usar ou não toleram preparações vaginais; no Espaço Econômico Europeu, chama-se em geral Prolutex (Pleyris na Itália, Progiron na França).

Brasil (ANVISA)

Não há progesterona oleosa intramuscular registrada; há cápsulas moles, gel vaginal e a solução subcutânea de 25 mg (Prolutex), registrada em 09/2023 e hoje da Besins Healthcare Brasil.

Evidências clínicas

A bula americana não traz estudos clínicos; na reprodução assistida, a evidência vem de revisões e ensaios.

Suporte da fase lútea na FIV: Cochrane e ESHRE

Na revisão Cochrane de 2015 (94 ensaios, 26.198 mulheres), a progesterona associou-se a mais nascidos vivos ou gestações em curso do que placebo ou nada (razão de chances 1,77; IC 95% 1,09 a 2,86; evidência de qualidade muito baixa). A via intramuscular teve razão de 1,24 (IC 95% 1,03 a 1,50) contra a vaginal ou retal, com heterogeneidade alta, e os autores concluíram que a via não se associa a melhores resultados. A diretriz da ESHRE, atualizada em 2025, recomenda a progesterona após FIV ou ICSI e admite qualquer via não oral, iniciada entre a noite da punção e o terceiro dia e mantida ao menos até o teste de gravidez.

Embrião congelado: ensaio de Devine

O NCT02254577, de fase 4, randomizou 1.125 mulheres para 50 mg diários de progesterona intramuscular, 200 mg vaginais (Endometrin) duas vezes ao dia mais 50 mg intramusculares a cada três dias, ou só a vaginal. Em 1.060 transferências de blastocisto vitrificado, a taxa de nascido vivo foi de 27% só com a vaginal, contra 44% com a intramuscular e 46% com a combinação, não inferior à intramuscular diária; metade das gestações do braço só vaginal terminou em aborto.

Progesterona aquosa subcutânea

Em dois ensaios de fase 3 da IBSA, 25 mg diários sob a pele foram não inferiores às formas vaginais: nos EUA (NCT00828191; 800 mulheres), a gestação em curso foi de 41,6% contra 44,4% com o Endometrin (diferença de −2,8 pontos; IC 95% −9,7 a 4,2); na Europa (NCT00827983; 683 mulheres), de 27,4% contra 30,5% com o gel Crinone 8% (diferença de −3,09; IC 95% −9,91 a 3,73).

Posologia e administração

Pela bula americana, a aplicação é só intramuscular e, ao contrário de outros esteroides, irrita o local da injeção; conservar entre 20 °C e 25 °C.

  • Amenorreia: 5 a 10 mg por 6 a 8 dias seguidos; com atividade ovariana suficiente, espera-se sangramento de privação 48 a 72 horas após a última dose.
  • Sangramento uterino funcional: 5 a 10 mg ao dia, por seis doses; espera-se que o sangramento pare em até seis dias. Com estrogênio, a progesterona começa após duas semanas dele.
  • Rim e fígado: cautela e monitoramento na insuficiência renal; doença do fígado contraindica.
  • Reprodução assistida (fora da bula): a ESHRE cita 50 mg ao dia como dose usual intramuscular.
  • Forma aquosa (Lubion): 25 mg ao dia desde a punção, em geral até 12 semanas de gestação confirmada; subcutânea na seringa, e o frasco admite também a via intramuscular.

Segurança

As bulas americanas não têm advertência em destaque (boxed warning). Contraindicam o uso com tromboflebite, tromboembolismo ou AVC, atuais ou prévios; doença do fígado; câncer de mama ou genital, conhecido ou suspeito; sangramento vaginal sem diagnóstico; aborto retido; e sensibilidade ao produto. As da Eugia, Hikma e Xiromed somam a alergia ao óleo ou à semente de gergelim. Entre as reações estão sangramento de escape, inchaço, variação de peso, dor nas mamas, icterícia colestática, dor e vermelhidão no local, urticária, acne, depressão e sonolência.

Advertências principais

  • Trombose: suspender de imediato diante de tromboflebite, AVC, embolia pulmonar ou trombose da retina; perda súbita da visão, visão dupla ou enxaqueca pedem suspensão até o exame.
  • Pneumonia eosinofílica aguda: descrita com a progesterona em óleo de gergelim, com febre, falta de ar e infiltrados nos pulmões, em geral 2 a 4 semanas após o início; suspender de imediato.
  • Outros cuidados: retenção de líquido (epilepsia, enxaqueca, asma, coração, rins), história de depressão e diabetes; exame prévio de mamas e pelve, com Papanicolau.

Interações, gravidez e amamentação

Inibidores do CYP3A4, como o cetoconazol, podem aumentar a biodisponibilidade da progesterona (dado de laboratório, de relevância clínica desconhecida); pelo resumo britânico do Lubion, indutores como rifampicina e carbamazepina podem reduzi-la. A bula americana não tem seção de gravidez e informa que progestógenos passam ao leite, com efeito desconhecido no lactente; o resumo do Lubion considera inconclusivos os dados sobre anomalias congênitas e orienta não usá-lo na amamentação.

Situação regulatória e como funciona o acesso

Nos dados abertos da ANVISA de 13/10/2026, não há progesterona oleosa intramuscular registrada, mas há outras formas, resumidas abaixo com a Lista CMED de 09/10/2026. A progesterona não está na Portaria SVS/MS nº 344/1998 (RDC nº 999/2025 e RDC nº 1.036/2026). Cápsulas e gel vaginal se compram no país; a oleosa exige importação.

Forma Situação no Brasil
Oleosa intramuscular (50 mg/mL) Sem registro
Aquosa subcutânea (25 mg) Prolutex (1.8759.0014, Besins), sem comercialização em 2025
Cápsulas moles (100 e 200 mg) Utrogestan (1.8759.0001), Gynpro (1.3564.0008) e Junno (1.0390.0201), comercializados em 2025
Gel vaginal a 8% Crinone (1.0089.0365, Merck), comercializado em 2025

No SUS e nos planos de saúde

A progesterona natural não consta da Rename 2024, e a Lei nº 8.080/1990 (art. 19-T) veda ao SUS dispensar medicamento sem registro. A Lei nº 9.656/1998 exclui da cobertura obrigatória dos planos a inseminação artificial (art. 10, III), os medicamentos importados não nacionalizados (art. 10, V) e os de uso domiciliar, salvo antineoplásicos orais (art. 10, VI); pelo Tema 1.067 do STJ, sem previsão no contrato, os planos não são obrigados a custear a FIV. Para as formas registradas, a negativa é questão de custeio, não de importação.

Importação da forma oleosa

Pela RDC nº 81/2008 e pelo manual de importação por pessoa física (versão 1.2, de 25/02/2026), o paciente pode importar medicamento sem registro para uso próprio, sem comércio, em quantidade compatível e com receita e relatório médicos; a unidade de saúde pode pedir importação excepcional de produto sem registro e indisponível, para uso exclusivo (RDC nº 488/2021). Na Justiça, pelo Tema 500 do STF, a regra é não fornecer medicamento sem registro; a exceção exige mora irrazoável da ANVISA, pedido de registro no Brasil, registro em agência estrangeira renomada e falta de substituto registrado, e as formas registradas de progesterona pesam contra o pedido. Pelo Tema 990 do STJ, planos não são obrigados a fornecê-lo. Cada caso pede orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.

Como a Medicsupply conduz a importação

Vale só para quando não houver oferta da progesterona injetável em óleo no Brasil, hoje sem registro, ou do Prolutex, se faltar no país. A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos, sempre em nome do paciente e a partir da receita médica: faz a conversa inicial com um especialista, orienta sobre as normas da ANVISA e os documentos, apoia a documentação, conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem e medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha tudo até a entrega. O prazo médio depende da origem:

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
  • Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul; sem cadeia fria, pois a bula americana manda conservar entre 20 °C e 25 °C.

Perguntas Frequentes

A progesterona injetável em óleo tem registro na ANVISA?

Não. Estão registradas cápsulas, gel vaginal e a solução subcutânea Prolutex, esta sem comercialização em 2025.

Progesterona em óleo e Prolutex são a mesma coisa?

Não. A oleosa é intramuscular, a 50 mg/mL em óleo de gergelim; o Prolutex (Lubion no Reino Unido) é solução aquosa de 25 mg, aplicada em geral sob a pele.

A bula autoriza o uso na fertilização in vitro?

Nos EUA, não; o suporte da fase lútea com a forma intramuscular segue diretrizes, como a da ESHRE.

O plano de saúde cobre a progesterona da FIV?

Não é obrigatório: a lei exclui a inseminação artificial e os medicamentos de uso domiciliar, e o STJ desobriga o custeio da FIV sem previsão no contrato.

Conclusão

A progesterona injetável em óleo tem bula americana para amenorreia e sangramento uterino anormal e é usada, com respaldo de diretriz, no suporte da fase lútea; com embrião congelado em ciclo programado, superou a progesterona só vaginal. Pede atenção a trombose, alergia ao gergelim e pneumonia eosinofílica. No Brasil, a forma oleosa não tem registro e depende de importação com receita; a indicação cabe à equipe médica.

Fontes

  1. FDA — Progesterona injetável USP (50 mg/mL, óleo de gergelim), bula vigente: ANDA 210965, Eugia US LLC (padrão de referência); DailyMed, versão 7, de 12/09/2023; bulas da Hikma (ANDA 091033), Xiromed (ANDA 215634) e Fresenius Kabi (ANDA 075906).
  2. FDA, Drugs@FDA — NDA 017362 (Actavis Labs UT): aprovação em 11/05/1978, descontinuado sem motivo de segurança ou eficácia; ANDAs 075906, 091033, 210965, 215634 e 217707 (Accord) em comercialização.
  3. FDA — Bulas do Crinone (NDA 020701; DailyMed, versão 11, de 21/05/2024) e do Endometrin (NDA 022057, Ferring; versão 27, de 29/07/2026); Drugs@FDA: insertos genéricos (ANDAs 218391, 216363 e 219588).
  4. EMA — Lista de medicamentos de autorização centralizada (30/10/2026): sem progesterona.
  5. MHRA — Lubion 25 mg (IBSA Farmaceutici Italia): resumo das características (PL 21039/0082, de 08/05/2024) e folheto do frasco (PL 21039/0026, de 09/2024), com os nomes por país.
  6. ESHRE Guideline Group on Ovarian Stimulation; Ata B et al., Hum Reprod, 2026;41(4):498-514. PMID 41732035.
  7. van der Linden M et al., Cochrane Database Syst Rev, 2015;(7):CD009154. PMID 26148507.
  8. Devine K et al., Fertil Steril, 2021;116(3):633-643. PMID 33992421 (ClinicalTrials.gov NCT02254577).
  9. Baker VL et al., Hum Reprod, 2014;29(10):2212-2220. PMID 25100106 (ClinicalTrials.gov NCT00828191).
  10. Lockwood G et al., Fertil Steril, 2014;101(1):112-119.e3. PMID 24140033 (ClinicalTrials.gov NCT00827983).
  11. ANVISA — Dados abertos de medicamentos (13/10/2026) e Lista CMED de 09/10/2026: Prolutex 1.8759.0014, Utrogestan 1.8759.0001, Gynpro 1.3564.0008, Junno 1.0390.0201 e Crinone 1.0089.0365; RDC nº 999/2025 e nº 1.036/2026 (Portaria 344/1998).
  12. ANVISA — RDC nº 81/2008, Manual de importação por pessoa física (LI/LPCO), versão 1.2, de 25/02/2026, e RDC nº 488/2021.
  13. Ministério da Saúde — Rename 2024; Lei nº 8.080/1990, art. 19-T; Lei nº 9.656/1998, art. 10; STJ, Tema 1.067 (REsp 1.822.420/SP).

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