A aprovação do lemborexante pela Anvisa marca um novo capítulo no tratamento da insônia no Brasil. O medicamento, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e comercializado como Dayvigo, tem despertado interesse pela proposta de atuar de forma distinta dos hipnóticos tradicionais. A substância utiliza um mecanismo que bloqueia sinais de vigília, estratégia que especialistas consideram promissora e potencialmente associada a menor risco de dependência. A expectativa é significativa, embora ainda não haja data definida para sua chegada às farmácias nem valor estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.
Atualização (outubro de 2026): a Eurofarma, responsável pela comercialização no Brasil, prevê o lançamento do Dayvigo até o início de 2027. Enquanto ele não chega às farmácias, veja como ter acesso ao Dayvigo no Brasil.
Um mecanismo de ação do Lemborexante que desperta atenção
O lemborexante integra uma classe terapêutica diferente das medicações comumente usadas desde a década de 1960 para tratar distúrbios do sono. Em vez de suprimir de forma ampla a atividade cerebral, ele age diretamente nos mecanismos que mantêm o estado de alerta. Estudos citados na avaliação brasileira sugerem que essa abordagem pode reduzir a probabilidade de dependência observada com benzodiazepínicos e drogas Z, medicamentos largamente prescritos para insônia.
Pesquisadores de Oxford examinaram 36 tratamentos para distúrbios do sono em uma revisão publicada na revista The Lancet. Nesse levantamento, o lemborexante se destacou por reunir boa eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade. Embora o resultado gere otimismo, especialistas recomendam cautela, já que os efeitos relacionados ao uso prolongado ainda precisarão ser avaliados no cotidiano clínico.
Avaliação científica e expectativas clínicas do Lemborexante
A neurologista Dalva Poyares observa que a nova classe pode oferecer mais segurança, mas reforça que o acompanhamento contínuo será fundamental para confirmar esse potencial. Para ela, o risco de abuso parece menor, embora apenas o uso ao longo do tempo permita conclusões definitivas.
Profissionais do sono ressaltam que a novidade é bem-vinda. Luciana Palombini, pesquisadora do Instituto do Sono, lembra que medicamentos tradicionais carregam histórico de efeitos adversos conhecidos, como prejuízo cognitivo e risco de dependência quando utilizados por períodos extensos. Já o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, da USP, avalia que o lemborexante pode suprir uma necessidade ao oferecer alternativa que não costuma exigir desmame rigoroso, embora destaque que outras opções, como a ezopiclona, também apresentam perfis de segurança favoráveis.
Doses aprovadas e indicações regulatórias do Lemborexante
De acordo com o parecer da Anvisa, a dose inicial recomendada é de 5 mg, administrada pouco antes de dormir, desde que o paciente disponha de pelo menos sete horas de sono previstas. Conforme resposta clínica, o valor pode ser ajustado para 10 mg. A autorização engloba apenas adultos, e ainda não há data para início das vendas. A definição do preço depende da análise da CMED, etapa que antecede a comercialização no país.
Nos Estados Unidos, onde o medicamento foi aprovado em 2019, uma caixa com 30 comprimidos custa em média 300 dólares. Esses valores, no entanto, não estabelecem referência para o mercado brasileiro, pois a regulação local segue regras próprias.
Expectativa para a chegada do Lemborexante ao mercado brasileiro
A Eisai informou que está em fase de preparação para disponibilizar o lemborexante no Brasil. A empresa ainda não divulgou cronograma de lançamento nem valores estimados. Enquanto isso, médicos e pacientes aguardam a conclusão dos trâmites regulatórios, motivados pela possibilidade de contar em breve com uma terapia que reúne eficácia e menor propensão à dependência.
A aprovação representa avanço relevante no campo da medicina do sono, área que há décadas convive com limitações terapêuticas. Para especialistas, ampliar o arsenal de tratamentos é essencial, especialmente diante da crescente prevalência de insônia e do impacto que o distúrbio exerce sobre a saúde física, cognitiva e emocional.
A chegada do lemborexante ao Brasil, ainda pendente de definição de preço e calendário de comercialização, representa uma alternativa promissora no manejo da insônia. Seu mecanismo de ação inovador e o potencial de reduzir o risco de dependência despertam expectativa entre especialistas. O acompanhamento contínuo e o uso adequado serão determinantes para compreender o papel do medicamento no cenário terapêutico brasileiro.
Com informações de Conselho Federal de Farmácia — https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/16/09/2025/novo-medicamento-contra-a-insonia-aprovado-pela-anvisa-promete-menor-risco-de-dependencia-lemborexa
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