Resumo rápido
- O Tivdak (tisotumabe vedotina) é um conjugado anticorpo-fármaco: um anticorpo contra o fator tecidual leva o quimioterápico MMAE à célula tumoral, em infusão na veia a cada 3 semanas.
- É indicado a adultas com câncer do colo do útero recorrente ou metastático que progrediu durante ou após a quimioterapia, nos EUA (aprovação regular em 29/04/2024), ou a terapia sistêmica, na União Europeia (desde 28/03/2025).
- No estudo de fase 3 innovaTV 301, com 502 pacientes, a sobrevida global mediana foi de 11,5 meses, contra 9,5 com quimioterapia (30% menos risco de morte).
- O rótulo americano tem advertência em destaque (tarja) para toxicidade ocular e exige colírios, compressas frias e exame oftalmológico antes de cada um dos 9 primeiros ciclos.
- Sem registro na ANVISA, o acesso é por importação em nome da paciente, com receita médica e cadeia fria, para aplicação em serviço de oncologia.
O que é Tivdak (tisotumabe vedotina)?
Tivdak é a marca do tisotumabe vedotina (tisotumab vedotin-tftv, nos EUA), conjugado anticorpo-fármaco: o tisotumabe, anticorpo monoclonal humano IgG1-kappa contra o fator tecidual, carrega em média 4 moléculas de monometil auristatina E (MMAE). Vem em pó liofilizado, em frasco-ampola de 40 mg. O titular é a Seagen Inc., da Pfizer, nos EUA (BLA 761208, com comercialização junto à Genmab US); a Genmab A/S, na União Europeia; e a Genmab K.K., no Japão.
O câncer do colo do útero recorrente ou metastático
Ligado à infecção persistente pelo HPV, presente em mais de 99% dos casos, o câncer do colo do útero teve cerca de 17 mil casos novos estimados por ano no Brasil entre 2023 e 2025, segundo a Conitec. É recorrente quando volta depois de responder ao tratamento, e metastático quando se espalha para além do colo do útero. Nos casos avançados, o SUS costuma começar pela quimioterapia com cisplatina ou carboplatina e paclitaxel ou gencitabina; o Tivdak é indicado depois, quando a doença progride.
Mecanismo de ação
O fator tecidual é uma proteína de superfície que inicia a via extrínseca da coagulação e, pela bula europeia, aparece em níveis elevados em vários tumores sólidos. Ao se ligar a ele, o conjugado é internalizado, e proteases cortam o ligante, liberando o MMAE, que desorganiza os microtúbulos das células em divisão e as leva à morte por apoptose. Os rótulos não pedem teste do fator tecidual.
Indicações
Estados Unidos (FDA)
Pelo rótulo vigente (11/2025), é indicado a adultas com câncer do colo do útero recorrente ou metastático com progressão durante ou após a quimioterapia; em crianças, segurança e eficácia não foram estabelecidas. A aprovação de 20/09/2021 foi acelerada, pelas respostas do innovaTV 204, e passou a regular em 29/04/2024, com o ganho de sobrevida do innovaTV 301.
União Europeia (EMA)
Autorizado em 28/03/2025 (EMEA/H/C/005363), em monoterapia, para adultas com a mesma doença e progressão durante ou após terapia sistêmica. A autorização, emitida à Pfizer Europe MA EEIG, foi transferida em 2025 à Genmab A/S.
Japão (PMDA)
Aprovado em 27/03/2025, em nome da Genmab K.K., para o câncer do colo do útero avançado ou recorrente que progrediu após quimioterapia.
Evidências clínicas
| innovaTV 301 | Tisotumabe vedotina | Quimioterapia |
|---|---|---|
| Sobrevida global mediana | 11,5 meses | 9,5 meses |
| Sobrevida livre de progressão mediana | 4,2 meses | 2,9 meses |
| Resposta confirmada | 17,8% | 5,2% |
| Eventos adversos de grau 3 ou mais | 52,0% | 62,3% |
innovaTV 301: fase 3 contra quimioterapia
O innovaTV 301 (NCT04697628), aberto e randomizado, comparou o tisotumabe vedotina à quimioterapia escolhida pelo investigador (topotecana, vinorelbina, gencitabina, irinotecano ou pemetrexede) em segunda ou terceira linha; 64% das pacientes já tinham usado bevacizumabe, e 27%, imunoterapia anti-PD-1 ou anti-PD-L1. Na sobrevida global, desfecho principal, a razão de risco (RR) foi de 0,70 (IC de 95%: 0,54 a 0,89; p = 0,004); na sobrevida livre de progressão, de 0,67 (IC de 95%: 0,54 a 0,82; p < 0,001). Pela publicação, 14,8% pararam o tisotumabe por toxicidade. O estudo listou nove centros no Brasil, como o INCA e o A.C.Camargo.
innovaTV 204: o estudo da aprovação acelerada
No innovaTV 204 (NCT03438396), de fase 2 e braço único, 101 pacientes já tratadas com quimioterapia à base de platina receberam o tisotumabe em 35 centros da Europa e dos EUA: a resposta confirmada por comitê independente foi de 24% (IC de 95%: 16% a 33%), com 7% de respostas completas e duração mediana de 8,3 meses.
Posologia e administração
Pelo rótulo americano e pela bula europeia, a infusão na veia dura 30 minutos e se repete a cada 3 semanas, até progressão ou toxicidade inaceitável:
- Dose: 2 mg/kg, com teto de 200 mg a partir de 100 kg; nunca em bolus, com filtro de 0,2 µm na linha.
- Reduções: 1,3 mg/kg e depois 0,9 mg/kg; sem tolerar 0,9 mg/kg, suspende-se de vez.
- Dose esquecida: pela bula europeia, aplica-se o quanto antes e reajusta-se o calendário para manter o intervalo.
- Fígado: nos EUA, evitar na insuficiência hepática moderada ou grave.
- Conservação: geladeira, de 2 °C a 8 °C, na embalagem original, sem congelar nem agitar.
Cuidados com os olhos em cada aplicação
| Cuidado | Rótulo americano | Bula europeia |
|---|---|---|
| Exame oftalmológico | Antes do início, antes de cada um dos 9 primeiros ciclos e se indicado | Antes da 1ª infusão e se indicado; a equipe inspeciona os olhos a cada infusão |
| Colírio de corticoide | Antes de cada infusão e 3 vezes ao dia por 72 horas | 3 vezes ao dia, de 1 dia antes a 3 dias depois |
| Colírio vasoconstritor | Logo antes de cada infusão | Logo antes de cada infusão |
| Compressas frias | Durante a infusão | Do início até 30 minutos após a infusão |
| Colírio lubrificante | Durante o tratamento e por 30 dias depois | Durante o tratamento e por 30 dias depois |
Lentes de contato são evitadas durante todo o tratamento, salvo orientação do especialista.
Segurança
O rótulo americano tem advertência em destaque (tarja) para toxicidade ocular grave, com alteração da visão, inclusive perda grave da visão, e úlcera de córnea: exige exame oftalmológico e os cuidados com os olhos, e o tratamento é suspenso, reduzido ou interrompido conforme a gravidade. Até 04/2024, a tarja pedia exame antes de cada dose. O rótulo americano não lista contraindicações; a bula europeia contraindica o uso em caso de hipersensibilidade ao princípio ativo ou aos excipientes.
Advertências principais
Pelo rótulo americano, em 425 pacientes com câncer do colo do útero tratadas nos estudos:
- Olhos: reações em 55% (conjuntivite 32%, olho seco 24%, ceratopatia 17%), de grau 3 em 3,3%; ceratite ulcerativa grave em 1,2%; interrupção definitiva em 6%. No innovaTV 301, 3,2% tiveram reações mais de 30 dias após parar.
- Nervos: neuropatia periférica em 39%, de grau 3 em 6%.
- Sangramentos: em 51%, sobretudo nasal (33%), de grau 3 em 4%; o pulmonar ou do sistema nervoso central leva à interrupção definitiva.
- Pulmão e pele: pneumonite em 0,9% e reações cutâneas graves, como a síndrome de Stevens-Johnson, em 1,6%, cada uma com um caso fatal.
Também foram comuns queda da hemoglobina (45%), náusea (37%), cansaço (36%), aumento das enzimas do fígado (AST 33%, ALT 30%) e queda de cabelo (31%).
Gestação, amamentação e interações
Pode causar dano ao feto: descarta-se gravidez antes do início, com contracepção durante o uso e por 2 meses após a última dose (mulheres) ou 4 meses (homens com parceira que possa engravidar), e não se amamenta durante o uso nem por 3 semanas depois. Inibidores fortes da CYP3A4, como itraconazol, claritromicina e ritonavir, podem aumentar a exposição ao MMAE e pedem vigilância.
Situação regulatória e como funciona o acesso
Nos dados abertos de medicamentos da ANVISA (consulta em 16/10/2026), não há registro de tisotumabe vedotina em nenhuma forma, nem da marca Tivdak, e a Lista CMED de 09/10/2026 não traz apresentação; no DOU, a ANVISA só o cita em atos de pesquisa clínica. O fármaco não consta das listas da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026). O acesso passa pela importação para uso próprio, em nome da paciente, com receita médica, a partir dos EUA, da União Europeia ou do Japão, com cadeia fria de 2 °C a 8 °C até a entrega no serviço de oncologia que fará a infusão.
Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça
No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.
Há medicamentos registrados no país usados nessa situação, como os quimioterápicos do grupo de comparação do innovaTV 301, e o pembrolizumabe (Keytruda) é registrado para a doença persistente, recorrente ou metastática com quimioterapia, se o tumor expressa PD-L1 (CPS de 1 ou mais). Isso pesa contra o pedido, e o relatório médico precisa mostrar os tratamentos já feitos, a progressão e por que essas opções não atendem à paciente. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.
Como a Medicsupply conduz a importação
A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos, sempre em nome do paciente e a partir da receita médica: faz a conversa inicial com um especialista, orienta sobre as normas da ANVISA e os documentos, apoia a documentação, conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem e medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha tudo até a entrega. O prazo médio depende da origem:
| Origem | Prazo médio |
|---|---|
| EUA (FDA) | 10 dias |
| Canadá (Health Canada) | 17 dias |
| Europa (EMA) | 16 dias úteis |
| Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul; cadeia fria quando o medicamento exige refrigeração.
Perguntas Frequentes
O Tivdak tem registro na ANVISA?
Não. Nos dados abertos da ANVISA de 16/10/2026, não há registro de tisotumabe vedotina nem do Tivdak, e a CMED não lista apresentação; o acesso é por importação em nome da paciente, com receita médica.
Por que o tratamento exige tantos cuidados com os olhos?
Porque houve reações oculares em 55% das pacientes, algumas graves. Colírios, compressas frias e exames servem para reduzir esse risco, e olho seco ou irritado, secreção ou visão embaçada devem ser avisados logo à equipe.
Quem já fez imunoterapia pode usar o Tivdak?
No innovaTV 301, 27% das pacientes já tinham recebido imunoterapia anti-PD-1 ou anti-PD-L1; as indicações não excluem esse grupo e exigem progressão durante ou após a quimioterapia (EUA) ou a terapia sistêmica (União Europeia). A decisão é do oncologista.
O SUS ou o plano de saúde são obrigados a fornecer o Tivdak?
Pela Lei 8.080/1990 (art. 19-T), salvo exceções legais, o SUS não pode dispensar nem pagar medicamento sem registro na ANVISA, e, pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecê-lo. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF e exigem orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.
Conclusão
No innovaTV 301, o tisotumabe vedotina prolongou a sobrevida de pacientes com câncer do colo do útero recorrente ou metastático já tratadas com quimioterapia, com cuidados oculares rigorosos a cada aplicação. Sem registro na ANVISA, o acesso passa pela importação em nome da paciente, com receita, cadeia fria e aplicação em serviço de oncologia; a Medicsupply pode assessorar esse processo.
Fontes
- FDA — Tivdak, bula vigente: BLA 761208, Seagen Inc. (Pfizer) e Genmab US; DailyMed, versão 10, de 21/11/2025; setid c9fe3f32-4219-466e-acb9-3f609b4f4df1.
- FDA — Drugs@FDA, BLA 761208: aprovação acelerada (20/09/2021) e suplementos S-007 (aprovação regular, 29/04/2024) e S-010 (12/11/2025).
- EMA — Tivdak, EPAR EMEA/H/C/005363 (EU/1/25/1911/001), Genmab A/S; transferência EMA/T/0000267043; informação do produto de 05/06/2026.
- PMDA — Lista de medicamentos aprovados (04/2004 a 02/2026): Tivdak 40 mg, Genmab K.K., 27/03/2025.
- Vergote I et al., N Engl J Med, 2024;391(1):44-55. PMID 38959480 (innovaTV 301; ClinicalTrials.gov NCT04697628).
- Coleman RL et al., Lancet Oncol, 2021;22(5):609-619. PMID 33845034 (innovaTV 204; ClinicalTrials.gov NCT03438396).
- ANVISA — Dados abertos (16/10/2026) e Lista CMED de 09/10/2026: sem tisotumabe vedotina; registros de pembrolizumabe e dos quimioterápicos citados.
- ANVISA — Resoluções-RE nº 4.222/2021, nº 399/2024 e nº 1.157/2025 (DOU): pesquisa clínica com tisotumabe vedotina.
- ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização nº 101 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
- Conitec — Relatório para a Sociedade nº 712 (04/2026): pembrolizumabe no câncer do colo do útero.
- MSD — Keytruda (pembrolizumabe, registro 1.0171.0209), bula para profissionais, versão de 08/2026.
- Planalto — Lei nº 8.080/1990, art. 19-T, incluído pela Lei nº 12.401/2011.
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