Resumo rápido
- O Invega Sustenna (palmitato de paliperidona) é um antipsicótico atípico injetável de liberação prolongada, aplicado no músculo, uma vez por mês na manutenção; tem registro ativo na ANVISA (INVEGA, 1.1236.3398, Janssen-Cilag).
- Nos Estados Unidos, é indicado para adultos com esquizofrenia e com transtorno esquizoafetivo; na União Europeia, apenas na esquizofrenia.
- O início tem duas injeções no deltoide, nos dias 1 e 8; os 234 mg de palmitato do rótulo americano equivalem a 150 mg de paliperidona, a unidade usada no Brasil.
- O rótulo americano traz quadro de advertência em destaque: idosos com psicose relacionada à demência tratados com antipsicóticos têm risco aumentado de morte, e o medicamento não é aprovado para esse uso.
- Não foi incorporado ao SUS federal (Portaria SCTIE/MS nº 15/2013), mas Goiás e Paraná o oferecem; exige Receita de Controle Especial (Lista C1), e a aquisição é nacional.
O que é Invega Sustenna (palmitato de paliperidona)?
Invega Sustenna é o nome comercial do palmitato de paliperidona da Janssen, suspensão aquosa injetável de liberação prolongada em seringa preenchida de dose única, só para uso intramuscular. Também é comercializado como Xeplion, na União Europeia, no Reino Unido e no Japão. A paliperidona, antipsicótico atípico do grupo dos benzisoxazóis, é o principal metabólito ativo da risperidona, o fármaco de origem, mas as duas não são sinônimos.
A FDA aprovou o Invega Sustenna em 31/07/2009 (NDA 022264); a União Europeia, o Xeplion, em 04/03/2011. No Brasil, a bula da Janssen-Cilag se chama Invega Sustenna, e o registro na ANVISA, INVEGA, reúne a versão mensal e a trimestral, o Invega Trinza. Não confundir com o Invega em comprimidos, de paliperidona oral, outro produto que também usa o nome INVEGA no Brasil.
Mecanismo de ação
A paliperidona pertence aos antipsicóticos atípicos, que, em geral, agem sobre a sinalização da dopamina e da serotonina no cérebro para reduzir sintomas psicóticos, como delírios e alucinações. O diferencial é a formulação: o palmitato, um éster da paliperidona, em suspensão de liberação prolongada, é liberado aos poucos a partir do músculo, o que permite aplicações mensais. Segundo o rótulo americano, a paliperidona pode ser detectada no plasma até 126 dias após uma dose única.
Indicações
Na FDA e na EMA, o uso é em adultos, e abaixo de 18 anos eficácia e segurança não foram estabelecidas. No Brasil, o protocolo de Goiás prevê o medicamento na esquizofrenia, e o do Paraná, também no transtorno esquizoafetivo.
Estados Unidos (FDA)
Pelo rótulo atual (revisão de 02/2025), esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo em adultos, este em monoterapia ou como adjuvante de estabilizadores de humor ou antidepressivos. A esquizofrenia foi aprovada em 2009, para tratamento agudo e de manutenção, e o transtorno esquizoafetivo, em 12/11/2014. Psicose relacionada à demência nunca foi aprovada.
União Europeia (EMA)
Como Xeplion, é indicado na manutenção da esquizofrenia em adultos estabilizados com paliperidona ou risperidona; em adultos selecionados que já responderam a uma delas por via oral, pode ser usado sem estabilização oral prévia se os sintomas forem leves a moderados e houver necessidade de injetável. A bula europeia não inclui o transtorno esquizoafetivo, desaconselha o uso para controle imediato de agitação ou de psicose grave e informa que eficácia e segurança acima de 65 anos não foram estabelecidas.
Evidências clínicas
Esquizofrenia: crise aguda e prevenção de recaída
No PSY-3007 (NCT00590577), de fase 3, duplo-cego, com 13 semanas, 652 pacientes com esquizofrenia em exacerbação aguda receberam placebo ou 234 mg no dia 1 seguidos de doses fixas de 39, 156 ou 234 mg (de palmitato). As três doses superaram o placebo na escala PANSS (p≤0,034), com diferenças de −5,1 (IC 95% −9,01 a −1,10), −8,7 (−12,62 a −4,78) e −9,8 (−13,71 a −5,85); no PSY-3003, a dose de 78 mg não superou o placebo.
O PSY-3001 (NCT00111189), de fase 3, com retirada randomizada e 410 pacientes, foi interrompido na análise interina por eficácia: a recaída ocorreu em 10% contra 34% no placebo e, na análise final, a razão de risco do placebo em relação ao medicamento foi de 3,60 (2,45–5,28), com um esquema de início anterior ao atual.
Transtorno esquizoafetivo
O SCA-3004 (NCT01193153), de retirada randomizada com 15 meses de fase duplo-cega, randomizou 334 pacientes estabilizados com transtorno esquizoafetivo para seguir com o medicamento ou passar ao placebo. A recaída foi de 15,2% com o palmitato de paliperidona contra 33,5% com placebo (razão de risco do placebo em relação ao medicamento de 2,49; 1,55–3,99; p<0,001), de 3,38 em monoterapia e de 2,03 como adjuvante; o funcionamento pessoal e social (escala PSP) também favoreceu o medicamento (p=0,014).
Comparações com outros tratamentos
No PRIDE (NCT01157351), de fase 4, aberto, com comitê cego de eventos, 444 pacientes com histórico de encarceramento usaram o palmitato de paliperidona ou antipsicóticos orais: o tempo mediano até a falha do tratamento foi de 416 contra 226 dias (razão de risco 0,70; 0,53–0,92, não constante ao longo do estudo), e a falha ocorreu em 39,8% contra 53,7%.
No ACLAIMS (NCT01136772), com 311 participantes, não houve diferença em relação ao decanoato de haloperidol, o injetável de longa ação do protocolo do SUS, na falha de eficácia (33,8% contra 32,4%; razão de risco 0,98; IC 95% 0,65–1,47), e o grupo da paliperidona teve mais ganho de peso e mais elevação de prolactina.
Posologia e administração
A aplicação é intramuscular, só por profissional de saúde, com a seringa agitada por pelo menos 10 segundos. O rótulo americano expressa as doses em miligramas de palmitato; entre parênteses, a equivalência em miligramas de paliperidona, unidade usada no Brasil e na União Europeia (as seringas brasileiras vão de 50 a 150 mg).
- Antes de começar: em quem nunca usou paliperidona ou risperidona, a tolerância é confirmada com uma delas por via oral.
- Início: 234 mg (150 mg) no dia 1 e 156 mg (100 mg) no dia 8, ambas no deltoide; a segunda dose admite 4 dias de variação, para mais ou para menos.
- Manutenção: a partir da 5ª semana, mensal, no deltoide ou no glúteo, com janela de 7 dias: 117 mg (75 mg) na esquizofrenia, na faixa de 39 a 234 mg (25 a 150 mg), e de 78 a 234 mg (50 a 150 mg) no transtorno esquizoafetivo; no máximo 234 mg (150 mg) por mês.
- Atrasos e trocas: se a segunda dose atrasar mais de 7 semanas, ou a manutenção mais de 6 meses, o início é refeito; de outro injetável de longa ação, troca-se na data da próxima injeção, sem a dose de início.
- Rim e fígado: na insuficiência renal leve (depuração de creatinina de 50 a menos de 80 mL/min), 156 mg (100 mg) no dia 1, 117 mg (75 mg) no dia 8 e 78 mg (50 mg) por mês, no máximo 156 mg (100 mg); abaixo de 50 mL/min, não é recomendado. Sem ajuste na insuficiência hepática leve ou moderada; a grave não foi estudada.
Apresentações no Brasil e versões de 3 e 6 meses
No Brasil, as seringas mensais (100 mg/mL) têm 50, 75, 100 e 150 mg, e as trimestrais do Invega Trinza (200 mg/mL), 175, 263, 350 e 525 mg. Nos Estados Unidos, o Invega Trinza (NDA 207946, de 18/05/2015) só entra após pelo menos 4 meses de Invega Sustenna, de preferência com as duas últimas doses iguais, e é aplicado a cada 3 meses. O Invega Hafyera, suplemento S-010 da mesma NDA (30/08/2021), exige pelo menos 4 meses da versão mensal ou um ciclo da trimestral, com troca a partir das doses de 156 ou 234 mg ou de 546 ou 819 mg, respectivamente, e é aplicado a cada 6 meses, só no glúteo. Os dois são indicados apenas na esquizofrenia.
Segurança
O rótulo americano tem um único quadro de advertência em destaque (tarja): idosos com psicose relacionada à demência tratados com antipsicóticos têm risco aumentado de morte, e o Invega Sustenna não é aprovado para esse uso. A contraindicação é a hipersensibilidade à paliperidona, à risperidona ou aos componentes da fórmula, com relatos de anafilaxia e angioedema.
As reações mais comuns (5% ou mais e ao menos o dobro do placebo) foram no local da injeção (até 10% contra 2%), sonolência (até 7% contra 3%), tontura (até 6% contra 1%), acatisia (até 6% contra 3%) e transtorno extrapiramidal (até 5% contra 1%); o ganho de peso de 7% ou mais chegou a 13,1%, contra 3,3% com placebo.
Advertências principais
- Sistema nervoso: síndrome neuroléptica maligna, discinesia tardia, convulsões, prejuízo cognitivo e motor e maior sensibilidade na doença de Parkinson e na demência com corpos de Lewy; AVC em idosos com demência.
- Coração e metabolismo: prolongamento do QT, hipotensão ortostática, síncope e quedas; alterações metabólicas e hiperprolactinemia, que pode reduzir a fertilidade feminina de forma reversível.
- Sangue e outros: leucopenia, neutropenia e agranulocitose (suspender se os neutrófilos caírem abaixo de 1.000/mm³); disfagia, priapismo e desregulação térmica.
- Interações: depressores do sistema nervoso central, medicamentos que baixam a pressão e levodopa; evitar indutores fortes de CYP3A4/P-gp, como carbamazepina, rifampicina e erva-de-são-joão. O valproato não exige ajuste, e a interação com lítio é improvável.
- Gravidez e amamentação: a exposição no terceiro trimestre pode causar sintomas extrapiramidais ou de abstinência no recém-nascido, e os dados não estabeleceram risco de malformação; a paliperidona passa ao leite, e o lactente deve ser observado quanto a sedação, ganho de peso insuficiente e sintomas extrapiramidais.
Como funciona o acesso no Brasil
Há registro ativo na ANVISA (dados abertos, consulta em 02/10/2026): o INVEGA (1.1236.3398), da Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda., com vencimento em 05/2036, e dois da Adium, Palmitato de Paliperidona (1.2214.0135) e Vegapali (1.2214.0136). Na lista de preços da CMED de 23/09/2026, as apresentações do Invega constam como comercializadas em 2025; as da Adium, não. O acesso não passa por importação: a aquisição é nacional, e a questão é quem paga.
A paliperidona está na Lista C1 da Portaria SVS/MS nº 344/1998 (item 147 do Anexo I vigente, atualizado pela RDC nº 1.036/2026), com Receita de Controle Especial em duas vias; a aplicação é feita por profissional de saúde.
No SUS
No âmbito federal, a Conitec recomendou não incorporar o palmitato de paliperidona para esquizofrenia (Relatório nº 40, abril de 2013), e a Portaria SCTIE/MS nº 15/2013 formalizou a decisão. O protocolo clínico da esquizofrenia (Portaria SAS/MS nº 364/2013) não inclui a paliperidona e, para má adesão, indica o decanoato de haloperidol; o do transtorno esquizoafetivo (2021) e a RENAME 2024 também não a trazem. As alternativas do SUS incluem risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, clozapina, haloperidol e clorpromazina.
Há oferta estadual: em Goiás, o protocolo complementar de esquizofrenia (novembro de 2023) prevê as versões mensal e trimestral para adultos com falha ou intolerância ao injetável de longa ação do SUS; no Paraná, o elenco complementar (Deliberação CIB-PR nº 654/2025; Resolução SESA nº 911/2026) inclui a versão mensal de 50 a 150 mg para esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo.
Planos de saúde e negativas
Havendo negativa, do plano de saúde ou do serviço público, a discussão, administrativa e, se preciso, judicial, é de custeio, não de importação; ajudam a negativa por escrito, um relatório médico com diagnóstico, tratamentos anteriores, adesão e justificativa do injetável e orientação jurídica individualizada, sem garantia de resultado.
Perguntas Frequentes
Invega Sustenna e Xeplion são o mesmo medicamento?
Sim: é o palmitato de paliperidona mensal da Janssen. Mudam a unidade de dose (234 mg no rótulo americano equivalem a 150 mg de paliperidona) e as indicações: o transtorno esquizoafetivo está no rótulo americano, não na bula europeia.
De quanto em quanto tempo a injeção é aplicada?
Depois das doses dos dias 1 e 8, uma vez por mês, com janela de 7 dias. Após pelo menos 4 meses de versão mensal, o médico pode avaliar a trimestral, o Invega Trinza, também registrado no Brasil.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Reação no local da injeção, sonolência, tontura, acatisia (inquietação motora) e sintomas extrapiramidais, como tremor e rigidez. O rótulo também registra ganho de peso e adverte para a hiperprolactinemia.
Preciso importar a paliperidona injetável?
Em regra, não. O Invega tem registro ativo e foi comercializado em 2025, nas versões mensal e trimestral; a dificuldade costuma ser o custeio, já que o SUS federal não o fornece e a oferta pública depende de programas estaduais, como os de Goiás e do Paraná.
Conclusão
O palmitato de paliperidona é um antipsicótico injetável mensal que reduziu sintomas na esquizofrenia em crise e recaídas na manutenção; nos Estados Unidos, também é aprovado no transtorno esquizoafetivo, e diante do decanoato de haloperidol não mostrou vantagem. Pede atenção a peso, prolactina, movimentos involuntários e ao risco em idosos com demência. No Brasil, a aquisição é nacional, com receita de controle especial; fora dos programas estaduais, a questão é o custeio, particular ou discutido com o plano de saúde.
Fontes
- FDA, rótulo de Invega Sustenna (palmitato de paliperidona) (DailyMed), Janssen Pharmaceuticals, Inc., revisão 02/2025; setid 1af14e42-951d-414d-8564-5d5fce138554.
- FDA, Drugs@FDA — NDA 022264 (Invega Sustenna), aprovação em 31/07/2009; suplementos S-013 e S-014, 12/11/2014.
- EMA — Xeplion, EPAR, EMEA/H/C/002105.
- ANVISA — Dados abertos de medicamentos: INVEGA (palmitato de paliperidona), registro 1.1236.3398, Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda., ativo, vencimento 05/2036; Palmitato de Paliperidona e Vegapali, Adium S.A., ativos; consulta em 02/10/2026.
- Ministério da Saúde — Portaria SCTIE/MS nº 15/2013: não incorporação do palmitato de paliperidona ao SUS (Relatório de Recomendação nº 40 da Conitec, abril de 2013).
- Ministério da Saúde — Portaria SAS/MS nº 364/2013: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Esquizofrenia.
- Secretaria de Estado da Saúde de Goiás — Protocolo complementar de Esquizofrenia, novembro de 2023.
- Secretaria de Estado da Saúde do Paraná — Elenco Complementar (Deliberação CIB-PR nº 654/2025; Resolução SESA nº 911/2026).
- Pandina GJ et al., J Clin Psychopharmacol, 2010;30(3):235-244. PMID 20473057 (PSY-3007; ClinicalTrials.gov NCT00590577).
- Hough D et al., Schizophr Res, 2010;116(2-3):107-117. PMID 19959339 (PSY-3001; ClinicalTrials.gov NCT00111189).
- Fu DJ et al., J Clin Psychiatry, 2015;76(3):253-262. PMID 25562685 (SCA-3004; ClinicalTrials.gov NCT01193153).
- Alphs L et al., J Clin Psychiatry, 2015;76(5):554-561. PMID 25938474 (PRIDE; ClinicalTrials.gov NCT01157351).
- McEvoy JP et al., JAMA, 2014;311(19):1978-1987. PMID 24846035 (ACLAIMS; ClinicalTrials.gov NCT01136772).
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