Resumo rápido
- O Raxone, da Chiesi, é a idebenona em comprimidos revestidos de 150 mg, um antioxidante da família das benzoquinonas de cadeia curta.
- Na União Europeia, onde é autorizado desde 08/09/2015, é indicado no tratamento da deficiência visual na neuropatia óptica hereditária de Leber (LHON) a partir dos 12 anos; também é autorizado no Reino Unido e na Suíça.
- Não é aprovado nos Estados Unidos: em 27/02/2026, a FDA enviou à Chiesi uma carta de resposta completa (CRL) sobre o pedido da idebenona na LHON.
- A evidência é modesta: o estudo de fase 2 RHODOS não atingiu o desfecho primário, e os dados favoráveis vêm de análises posteriores, do estudo aberto LEROS e do programa de acesso expandido.
- A dose é de 900 mg por dia, com alimento. Sem registro na ANVISA nem protocolo no SUS, o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
O que é Raxone (idebenona)?
Raxone é a marca da idebenona, antioxidante da família das benzoquinonas de cadeia curta. Vem em comprimidos revestidos de 150 mg, em frasco com 180 unidades, com validade de 5 anos e sem exigência especial de conservação. Na União Europeia, o titular é a Chiesi Farmaceutici S.p.A., que recebeu a autorização da Santhera por decisão da Comissão Europeia de 19/10/2023. Sérum ou creme com idebenona (no rótulo de cosméticos, “Hydroxydecyl Ubiquinone”) não é o medicamento.
A neuropatia óptica hereditária de Leber
A LHON tem herança materna, pelo DNA mitocondrial, e causa perda indolor e subaguda da visão central, que atinge um olho e depois o outro, tipicamente em 2 a 4 meses; cerca de 97% dos pacientes chegam a acuidade de 20/200 ou pior nos dois olhos em até 1 ano. A prevalência estimada fica entre 1 em 15.000 e 1 em 50.000 pessoas, sobretudo homens adultos jovens (início médio entre 18 e 35 anos). Na União Europeia, as mutações m.11778G>A (ND4), m.14484T>C (ND6) e m.3460G>A (ND1) respondem por mais de 90% dos casos. Nem todo portador adoece (penetrância incompleta), e a m.14484T>C é conhecida pela recuperação espontânea.
Mecanismo de ação
Na LHON, as três mutações primárias comprometem o complexo I da cadeia respiratória, etapa da produção de energia nas mitocôndrias. A idebenona leva elétrons diretamente ao complexo III e, assim, contorna o complexo I. Embora lembre a coenzima Q10, é outra molécula, de cadeia mais curta.
Indicações
União Europeia (EMA), Reino Unido e Suíça
Pela bula europeia, o Raxone é indicado no tratamento da deficiência visual em adolescentes e adultos com LHON. Adolescente significa 12 anos ou mais; abaixo disso, segurança e eficácia não foram estabelecidas. A indicação não se limita a uma mutação específica. O Raxone (EMEA/H/C/003834) foi autorizado em 08/09/2015 sob circunstâncias excepcionais (quando não é possível reunir dados completos), com reavaliações anuais; a autorização foi renovada em 25/06/2025, e o medicamento deixou de ser órfão em setembro de 2025, ao fim dos 10 anos de exclusividade. No Reino Unido, a indicação é a mesma (PLGB 08829/0204, Chiesi Ltd); na Suíça, a Swissmedic aprovou o Raxone em 01/03/2024, a partir de 12 anos.
Estados Unidos (FDA)
A idebenona não é aprovada nos Estados Unidos: em 02/10/2026, o Drugs@FDA não tinha aprovação da substância. A base de cartas de resposta completa (CRL) da FDA registra uma carta à Chiesi Farmaceutici S.p.A. em 27/02/2026, sem nomear o produto; segundo comunicado da Chiesi de 05/03/2026, ela se refere ao pedido de aprovação da idebenona na LHON. De acordo com a empresa, a FDA pediu dados clínicos de estudos adequados e bem controlados e atualizações de química, fabricação e dados não clínicos, apontou pendências num arquivo mestre de fármaco (DMF) e não identificou nova preocupação de segurança clínica.
Evidências clínicas
RHODOS: estudo de fase 2 controlado por placebo
No RHODOS (NCT00747487), estudo duplo-cego, 85 pacientes de 14 a 66 anos (86% homens), com até 5 anos de doença e uma das três mutações primárias, foram sorteados na proporção de 2 com idebenona para 1 com placebo, por 24 semanas. Na escala logMAR, valores menores indicam visão melhor. No desfecho primário, a melhor recuperação da acuidade visual (82 pacientes analisados), o resultado foi de −0,135 logMAR com idebenona e de −0,071 com placebo: diferença de −0,064 (cerca de 3 letras; IC 95% −0,184 a 0,055; p = 0,291), sem significância estatística. Em análise feita depois do estudo (post hoc), nos 30 pacientes com acuidade diferente entre os olhos, a diferença no desfecho primário foi de −0,285 (p = 0,011); nos que tinham acuidade parecida, não houve diferença significativa. Em outra análise posterior, responderam 30,2% com idebenona (16 de 53) e 10,3% com placebo (3 de 29).
LEROS e programa de acesso expandido: dados sem placebo
O LEROS (NCT02774005), estudo aberto de fase 4, incluiu 199 pacientes com até 5 anos de doença, para 24 meses de tratamento, e os comparou com 372 não tratados de registros históricos (controle externo). No desfecho primário (olhos tratados no primeiro ano de doença, avaliados aos 12 meses), houve benefício relevante em 42,3% (60 de 142), contra 20,7% (40 de 193): OR 2,29 (IC 95% 1,35–3,88; p = 0,002), sobretudo por estabilização da visão. Na fase crônica, foram 50,3% contra 38,6% (p = 0,009). O benefício foi consistente na m.11778G>A e, na fase crônica, na m.14484T>C; na m.3460G>A, não houve benefício, e os autores recomendam aconselhar o paciente na fase subaguda antes de iniciar o tratamento. O estudo não foi randomizado.
No programa de acesso expandido, a bula registra resposta em 30,6% de 62 tratados aos 6 meses, contra 19,1% de 94 não tratados. Na publicação do programa (Catarino e colaboradores, 2020), 87 pacientes com até 1 ano de doença, tratados em média por 25,6 meses, tiveram recuperação relevante em 46,0%; o estudo é retrospectivo, sem grupo de controle e com coautores da Santhera.
Posologia e administração
Pela bula europeia, o uso é por via oral, em comprimidos revestidos:
- Dose: 900 mg por dia: 300 mg (2 comprimidos de 150 mg) 3 vezes ao dia, no café da manhã, almoço e jantar.
- Tomada: sempre com alimento, que aumenta a absorção em 5 a 7 vezes; engolir inteiro, com água, sem partir nem mastigar. A dose esquecida é pulada, sem dobrar a seguinte.
- Grupos especiais: sem ajuste em idosos; na insuficiência hepática ou renal, não há dose recomendada, e o uso exige cautela.
- Acompanhamento: por médico com experiência em LHON, com acuidade visual medida antes do início e nas consultas regulares; não interromper sem falar com o médico.
A bula não fixa duração nem critério de parada; há dados de uso contínuo por até 24 meses, período que, no LEROS, maximizou a recuperação. Na dose padrão, um frasco dura 30 dias.
Segurança
Não há quadro de advertência em destaque (tarja): o Raxone não tem bula da FDA, e a bula europeia não traz advertência em destaque nem exige exames do fígado de rotina; o acompanhamento segue a prática clínica local. O medicamento tem o triângulo preto (▼) de monitorização adicional. A única contraindicação é a hipersensibilidade à idebenona ou a qualquer excipiente.
Advertências e reações adversas
- Fígado e rins: cautela na insuficiência hepática ou renal, porque eventos adversos já levaram a interromper ou suspender o tratamento.
- Cromatúria: a urina pode ficar castanho-avermelhada, alteração inofensiva e sem sangue, mas que pode mascarar doença dos rins ou do sangue.
- Excipientes: contém lactose (quem tem intolerância hereditária rara à galactose, deficiência total de lactase ou má absorção de glicose-galactose não deve usar o Raxone) e o corante E110, que pode causar alergia.
Na bula, as reações muito frequentes são nasofaringite e tosse, e as frequentes, diarreia leve a moderada e dor lombar; entre as de frequência desconhecida, que incluem o uso em outras doenças, estão agranulocitose, hepatite e convulsão.
| Estudo | Achados de segurança |
|---|---|
| RHODOS (24 semanas) | Eventos adversos em 89% com idebenona e 87% com placebo |
| LEROS (198 pacientes) | Eventos graves em 13,6% e suspensão por evento adverso em 5,1% |
| PAROS (224 pacientes, exposição média de 765 dias) | Eventos adversos em 58,0%, graves em 11,2% e suspensão em 15,2%; nenhum sinal de segurança novo |
Interações, gravidez e amamentação
A idebenona inibe levemente a CYP3A4: com o midazolam, o pico de concentração foi 28% maior e a exposição total (AUC), 34% maior. Pede-se cautela com medicamentos de margem terapêutica estreita metabolizados pela CYP3A4, como ciclosporina, tacrolimo, sirolimo, fentanil, alfentanil, pimozida, quinidina e ergotamina; também pode inibir a glicoproteína P, com possível aumento da exposição a dabigatrana, digoxina e alisquireno. Na gravidez, a segurança não foi estabelecida, e o uso só se justifica se o benefício superar o risco; na amamentação, é preciso escolher entre amamentar e tratar.
Situação regulatória e como funciona o acesso
Nos dados abertos de medicamentos da ANVISA (consulta em 02/10/2026), não há registro de idebenona, nem pela substância nem pela marca Raxone, e não há protocolo clínico (PCDT) do SUS para a LHON. A idebenona não consta de nenhuma lista da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026), ou seja, não é substância controlada. O acesso passa pela importação para uso próprio, em nome do paciente, com receita médica, a partir da Europa; os comprimidos não exigem refrigeração.
Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça
No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.
Na LHON, doença rara, o relatório médico detalhado é central: diagnóstico com a mutação, tempo de doença, evolução da visão e justificativa do tratamento, inclusive quanto a substituto registrado. Cada caso exige orientação jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.
Como a Medicsupply conduz a importação
A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos. O processo corre sempre em nome do paciente e começa pela receita médica. O prazo médio depende da origem do produto:
| Origem | Prazo médio |
|---|---|
| EUA (FDA) | 10 dias |
| Canadá (Health Canada) | 17 dias |
| Europa (EMA) | 16 dias úteis |
| Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.
Perguntas Frequentes
O Raxone tem registro na ANVISA?
Não. Nos dados abertos da ANVISA de 02/10/2026, não há registro de idebenona nem da marca Raxone; o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
O SUS ou o plano de saúde são obrigados a fornecer a idebenona?
Não há protocolo do SUS para a LHON, e, pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecer medicamento sem registro na ANVISA. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF e exigem orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.
A idebenona recupera a visão?
Não há garantia. No RHODOS, o desfecho primário não teve diferença estatisticamente significativa; os dados favoráveis vêm de análises posteriores e de estudos sem placebo, e no LEROS o ganho veio sobretudo da estabilização da visão. A expectativa deve ser discutida com o neuro-oftalmologista.
Por quanto tempo se usa a idebenona?
A bula não fixa duração. Há dados de uso contínuo por até 24 meses, e a interrupção deve ser decidida com o médico.
Conclusão
O Raxone (idebenona) é autorizado na União Europeia, no Reino Unido e na Suíça para a deficiência visual da LHON a partir dos 12 anos, com evidência modesta e sem aprovação nos Estados Unidos. Sem registro na ANVISA, o acesso passa pela importação em nome do paciente, com receita e acompanhamento de médico com experiência em LHON; a Medicsupply pode assessorar esse processo.
Fontes
- EMA — Raxone (idebenona), EPAR, EMEA/H/C/003834: relatório de avaliação EMA/480039/2015 e resumo do plano de gestão de risco.
- EMA — Raxone, informação do produto (bula, Anexo II e folheto), EU/1/15/1020/001, Chiesi Farmaceutici S.p.A.
- MHRA (Reino Unido) — Bula do Raxone, PLGB 08829/0204, Chiesi Ltd.
- Swissmedic (Suíça) — Relatório público (SwissPAR) do Raxone, nº 68063.
- FDA — openFDA: Drugs@FDA e base de cartas de resposta completa (carta à Chiesi Farmaceutici S.p.A., 27/02/2026); consulta em 02/10/2026.
- Chiesi Global Rare Diseases — comunicado de 05/03/2026 sobre a carta de resposta completa da FDA para a idebenona na LHON.
- Klopstock T et al., Brain, 2011;134(Pt 9):2677-2686. PMID 21788663 (RHODOS; ClinicalTrials.gov NCT00747487).
- Yu-Wai-Man P et al., Cell Rep Med, 2024;5(3):101437. PMID 38428428 (LEROS; ClinicalTrials.gov NCT02774005).
- Catarino CB et al., J Neuroophthalmol, 2020;40(4):558-565. PMID 32991388 (programa de acesso expandido).
- ANVISA — Dados abertos de medicamentos: nenhum registro de idebenona (substância e marca Raxone); consulta em 02/10/2026.
- ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização nº 101 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
- Ministério da Saúde — Lista de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).
- Comissão Europeia — Base CosIng: Hydroxydecyl Ubiquinone.
Sobre a Medicsupply
Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.
Precisa de mais informações sobre este medicamento?
Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp
Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.
