Etoxin (etossuximida): anticonvulsivante para crises de ausência (pequeno mal) em crianças e adultos

Resumo rápido

  • O Etoxin (etossuximida) é um antiepiléptico da classe das succinimidas, em xarope de 50 mg/mL de uso oral, com registro ativo na ANVISA (1.0118.0141, Apsen Farmacêutica), o único de etossuximida.
  • Nos Estados Unidos, a indicação única é a epilepsia de ausência (pequeno mal); no SUS, o protocolo prevê o uso nas ausências a partir de 3 anos e, como adjuvante, em algumas epilepsias mioclônicas.
  • No ensaio CAE (453 crianças), 53% ficaram livres de falha terapêutica em 16 semanas com etossuximida, 58% com valproato (diferença não significativa) e 29% com lamotrigina; a disfunção de atenção foi menor com etossuximida que com valproato.
  • A bula americana não tem quadro de advertência em destaque, mas alerta para discrasias sanguíneas, reações graves de pele e DRESS; a retirada abrupta pode precipitar estado de mal de ausência.
  • Está na Lista C1 (Receita de Controle Especial em duas vias) e é fornecida pelo SUS no Componente Especializado; em regra, o acesso não passa por importação.

O que é Etoxin (etossuximida)?

Etoxin é o nome comercial, no Brasil, da etossuximida, antiepiléptico da classe das succinimidas. No exterior, leva as marcas Zarontin, nos Estados Unidos; Suxilep e Petnidan, na Alemanha; e Emeside, no Reino Unido. O registro 1.0118.0141, da Apsen Farmacêutica S/A, está ativo, vence em 02/2028 e é o único de etossuximida na ANVISA.

A FDA aprovou a etossuximida em 02/11/1960 (NDA 012380, cápsulas de 250 mg), como nova entidade molecular. Na União Europeia, não há autorização centralizada pela EMA: cada país aprova os próprios produtos.

No Brasil, a lista de preços da CMED de 23/09/2026 traz uma única apresentação: o Etoxin xarope de 50 mg/mL, em frasco de vidro âmbar de 120 mL com dosador. Não há cápsula de etossuximida na lista.

Mecanismo de ação

As crises de ausência, também chamadas de pequeno mal, são lapsos de consciência associados a uma atividade elétrica em ponta-onda de 3 ciclos por segundo. Segundo a bula americana, a etossuximida suprime essa atividade; a bula alemã descreve a inibição de canais de cálcio do tipo T, sobretudo em neurônios tálamo-corticais.

Pela bula alemã, a absorção oral é praticamente completa e não há ligação a proteínas do plasma. A meia-vida é de 38 a 67 horas em adultos e de cerca de 25 a 42 horas em crianças; o equilíbrio no sangue é atingido em 8 a 10 dias. De 10% a 20% da dose são excretados inalterados, e 4 horas de hemodiálise removem de 39% a 52% da dose.

Indicações

Estados Unidos (FDA)

Pela bula americana (revisada em 06/2023), a indicação única é o controle da epilepsia de ausência (pequeno mal). A etossuximida pode ser associada a outros anticonvulsivantes quando outras formas de epilepsia coexistem com as ausências. Abaixo de 3 anos, segurança e eficácia não foram estabelecidas.

Alemanha e Reino Unido

A bula alemã inclui as ausências picnolépticas, complexas e atípicas e, só se outros medicamentos falharam ou não foram tolerados, o pequeno mal mioclônico-astático e as crises mioclônicas juvenis. A britânica inclui as ausências, inclusive quando complicadas por grande mal, e as crises mioclônicas, que não constam da bula americana.

Brasil (PCDT da Epilepsia)

O protocolo do SUS prevê a etossuximida nas crises de ausência a partir de 3 anos e, como adjuvante, nas mioclonias negativas, nas crises astáticas e em certas epilepsias mioclônicas.

Uso FDA Alemanha Reino Unido PCDT (Brasil)
Crises de ausência Indicação única Picnolépticas, complexas e atípicas Inclusive quando complicadas por grande mal A partir de 3 anos
Crises mioclônicas Não consta Após falha ou intolerância a outros medicamentos Consta Como adjuvante

Evidências clínicas

Ensaio CAE: etossuximida, valproato e lamotrigina

O CAE (NCT00088452), de fase 3 e duplo-cego, incluiu 453 crianças com epilepsia de ausência infantil recém-diagnosticada (156 com etossuximida, 148 com valproato e 149 com lamotrigina). Em 16 semanas, ficaram livres de falha terapêutica 53%, 58% e 29%, respectivamente. Valproato e etossuximida não diferiram de forma significativa (razão de chances 1,26; IC 95% 0,80–1,98; p=0,35); contra a lamotrigina, a razão de chances foi de 2,66 (IC 95% 1,65–4,28) para a etossuximida e de 3,34 (IC 95% 2,06–5,42) para o valproato, com p inferior a 0,001. As interrupções por eventos adversos não diferiram, mas a disfunção de atenção foi maior com valproato (49% contra 33%; razão de chances 1,95; IC 95% 1,12–3,41; p=0,03).

Aos 12 meses (446 crianças na coorte de eficácia), estavam livres de falha 45% com etossuximida, 44% com valproato e 21% com lamotrigina (razão de chances de 3,08; IC 95% 1,81–5,33, etossuximida contra lamotrigina). Só 37% do total seguiam livres de falha com o primeiro medicamento, e a disfunção de atenção maior com valproato persistiu (p inferior a 0,01). Para os autores, a etossuximida é a monoterapia inicial empírica ótima.

Revisão Cochrane: para quem é a primeira escolha

A revisão Cochrane de 2021 reuniu 8 ensaios randomizados (691 participantes), nenhum novo desde 2019 e nenhum controlado por placebo para etossuximida ou valproato; não houve meta-análise. Com base sobretudo no CAE, conclui que a etossuximida é a monoterapia inicial ótima para crianças e adolescentes com ausências. Se houver também crises tônico-clônicas, prefere-se o valproato, porque a etossuximida provavelmente é ineficaz contra elas.

Posologia e administração

A etossuximida é de uso oral e contínuo. No Brasil, é usada em xarope de 50 mg/mL (5 mL equivalem a 250 mg). A dose sobe aos poucos, até o controle das crises com o mínimo de efeitos adversos.

  • Protocolo do SUS: início com 250 mg por dia, aumentos de 250 mg por dia a cada semana e máximo de 1.500 mg por dia, em 2 ou 3 tomadas.
  • Bula americana: início com 250 mg por dia de 3 a 6 anos e com 500 mg por dia a partir de 6 anos, com aumentos de 250 mg por dia a cada 4 a 7 dias; a dose ótima para a maioria das crianças é de 20 mg/kg por dia, e doses acima de 1,5 g por dia, divididas, só sob a supervisão mais estrita.
  • Bula alemã: início com 5 a 10 mg/kg por dia e aumentos de 5 mg/kg a cada 4 a 7 dias; manutenção de 20 mg/kg por dia em crianças e de 15 mg/kg por dia em adultos (teto de 40 e 30 mg/kg por dia, respectivamente), em 2 ou 3 tomadas, durante ou após as refeições; abaixo de 6 anos, forma líquida.
  • Nível no sangue: faixa terapêutica de 40 a 100 mcg/mL; há relatos de até 150 mcg/mL sem toxicidade, e a relação entre nível e toxicidade não foi estabelecida.
  • Retirada: a dose deve ser aumentada e reduzida lentamente; a suspensão abrupta pode precipitar estado de mal de ausência.

Segurança

A bula americana não tem quadro de advertência em destaque, e sua única contraindicação é a hipersensibilidade às succinimidas. A bula britânica acrescenta as porfirias, e a alemã, a hipersensibilidade ao corante amarelo-alaranjado S (E110), presente na cápsula.

Advertências principais

  • Sangue: discrasias sanguíneas, inclusive fatais, pedem hemogramas periódicos. Desde 28/10/2021, a bula americana inclui a trombocitopenia imune induzida pelo medicamento (início em 1 a 3 semanas; nos casos com contagem informada, plaquetas de 2.000 e 3.000/mm³ no ponto mais baixo), que exige suspender o medicamento e não retomá-lo.
  • Pele: reações graves, como a síndrome de Stevens-Johnson, em geral nos primeiros 28 dias, e DRESS (reação com eosinofilia e sintomas sistêmicos), por vezes fatal; o medicamento é suspenso à primeira erupção na pele.
  • Fígado e rins: extrema cautela em doença hepática ou renal, com exame de urina e testes de função hepática periódicos.
  • Outros alertas: lúpus eritematoso sistêmico; pensamentos e comportamento suicidas, alerta comum aos antiepilépticos (risco relativo ajustado de 1,8 na análise da classe, cerca de 1 caso adicional a cada 530 tratados); aumento das crises de grande mal quando usada sozinha na epilepsia mista; e prejuízo à direção.
  • Gravidez: atravessa a placenta, e há relatos de malformações; anticonvulsivantes usados contra crises maiores não devem ser suspensos, pelo risco de estado de mal epiléptico.
  • Amamentação: passa para o leite. A bula americana admite o uso só se o benefício superar claramente o risco; na alemã, o leite atinge até 94% do nível no sangue da mãe, e a orientação é não amamentar; a britânica considera melhor evitar.

Na bula americana, sem percentuais, as reações gastrointestinais são frequentes: perda de apetite, desconforto no estômago, náuseas, vômitos, cólicas, dor abdominal, perda de peso e diarreia. Também cita sonolência, dor de cabeça, tontura, soluços, irritabilidade, hiperatividade, cansaço, falta de coordenação (ataxia), distúrbios do sono, terrores noturnos e dificuldade de concentração; psicose paranoide e depressão com intenção suicida são raras.

Exames e interações

As bulas britânica e alemã detalham o acompanhamento: hemograma mensal e, após 12 meses, semestral; redução ou suspensão da dose se os leucócitos caírem abaixo de 3.500/mm³ ou os granulócitos abaixo de 25%; e enzimas do fígado regularmente.

A etossuximida pode elevar o nível de fenitoína; o valproato já aumentou e já reduziu os níveis de etossuximida, e a carbamazepina aumenta a sua depuração. Num estudo retrospectivo de 2024 (209 pacientes), a etossuximida se associou a níveis de lamotrigina 37% menores em crianças e adolescentes e 14% menores em adultos, interação que não consta da bula americana. O álcool deve ser evitado.

Como funciona o acesso no Brasil

O Etoxin tem o único registro de etossuximida na ANVISA (1.0118.0141, Apsen Farmacêutica S/A), ativo e com vencimento em 02/2028, segundo os dados abertos consultados em 02/10/2026; a lista da CMED gerada em 23/09/2026 registra a comercialização do xarope em 2025. O acesso não passa por importação: a aquisição é nacional, e a questão é quem paga.

Em qualquer caminho, vale a regra da Lista C1 da Portaria SVS/MS 344/98 (item 69 do Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026): prescrição em Receita de Controle Especial, em duas vias.

No SUS

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia vigente (Portaria Conjunta SAS/SCTIE nº 17, de 21/06/2018) inclui a etossuximida em xarope de 50 mg/mL. Na RENAME 2024 (Portaria GM/MS nº 6.324, de 26/12/2024), ela está no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), Grupo 2: financiamento, aquisição e dispensação cabem às Secretarias Estaduais de Saúde, tendo o protocolo como documento norteador. Não faz parte do Componente Básico, e a disponibilidade deve ser confirmada com a secretaria do estado.

Planos de saúde e negativas

Fora do SUS, o xarope é comprado em farmácia, com a Receita de Controle Especial. A Lei 9.656/1998 exclui da cobertura obrigatória dos planos o fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar, com ressalva para os antineoplásicos orais (art. 10, VI); a etossuximida é de uso oral em casa e não é antineoplásico. Se o pedido for negado, no plano ou no SUS, a discussão, administrativa e, se preciso, judicial, é de custeio, não de importação; ajudam um relatório médico com o tipo de crise e os medicamentos já usados e orientação jurídica individualizada, sem garantia de resultado.

Perguntas Frequentes

Preciso importar a etossuximida?

Em regra, não. O Etoxin tem registro ativo, foi comercializado em 2025 segundo a CMED e é fornecido pelo SUS no Componente Especializado; a dificuldade, quando existe, costuma ser o custeio.

A etossuximida controla crises tônico-clônicas?

Provavelmente não. A revisão Cochrane a considera provavelmente ineficaz nessas crises e prefere o valproato quando elas coexistem com as ausências; pela bula americana, usada sozinha na epilepsia mista, pode aumentar as crises de grande mal.

Por que a receita é de controle especial?

Porque a etossuximida está na Lista C1 da Portaria SVS/MS 344/98, de outras substâncias sujeitas a controle especial. A prescrição é feita em Receita de Controle Especial, em duas vias, exigida tanto na compra em farmácia quanto na retirada pelo SUS.

Pode parar o remédio quando as crises somem?

Não por conta própria. A retirada abrupta pode precipitar estado de mal de ausência, e a bula americana orienta reduzir a dose lentamente; qualquer mudança é decidida com o neurologista.

A partir de que idade pode ser usada?

Pela bula americana, abaixo de 3 anos, segurança e eficácia não foram estabelecidas, e o protocolo do SUS prevê o uso nas ausências a partir de 3 anos. Para menores de 6 anos, a bula alemã indica a forma líquida.

Conclusão

Para a revisão Cochrane, a etossuximida é a monoterapia inicial ótima em crianças e adolescentes com crises de ausência sem crises tônico-clônicas; no CAE, teve resultado semelhante ao do valproato, com menos disfunção de atenção. Pede hemogramas periódicos, atenção à pele e retirada gradual. No Brasil, o Etoxin tem registro ativo e está no SUS (CEAF); a aquisição é nacional, e as negativas são questão de custeio.

Fontes

  1. FDA, rótulo de Zarontin (etossuximida) cápsulas de 250 mg (DailyMed), Parke-Davis/Pfizer, revisão 06/2023; setid 0e008f33-70a1-4bc6-b3a0-d45214418ab6.
  2. FDA, Drugs@FDA — NDA 012380 (Zarontin cápsulas), aprovação em 02/11/1960; suplemento S-037, aprovado em 28/10/2021.
  3. Alemanha — Fachinformation de Suxilep 250 mg cápsulas duras, Trommsdorff, 08/2021 (autorização nº 3000414.00.00).
  4. Reino Unido — eMC, SmPC de Emeside 250 mg/5 mL xarope, Essential Pharma, PL 41871/0006, revisão 09/2024.
  5. ANVISA — Dados abertos de medicamentos: Etoxin (etossuximida), registro 1.0118.0141, Apsen Farmacêutica S/A, ativo, vencimento 02/2028; consulta em 02/10/2026.
  6. CMED/ANVISA — Lista de preços de medicamentos, gerada em 23/09/2026: Etoxin 50 mg/mL xarope, comercializado em 2025.
  7. Ministério da Saúde — Portaria Conjunta SAS/SCTIE nº 17, de 21 de junho de 2018: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia.
  8. Ministério da Saúde — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) 2024, 2ª edição (2025), Portaria GM/MS nº 6.324, de 26 de dezembro de 2024.
  9. ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998 (etossuximida na Lista C1, item 69).
  10. Glauser TA et al., N Engl J Med, 2010;362(9):790-799. PMID 20200383 (CAE; ClinicalTrials.gov NCT00088452).
  11. Glauser TA et al., Epilepsia, 2013;54(1):141-155. PMID 23167925 (CAE, análise de 12 meses).
  12. Brigo F et al., Cochrane Database Syst Rev, 2021;1(1):CD003032. PMID 33475151.
  13. Hagemann A et al., Epilepsia, 2024;65(6):e73-e78. PMID 38606683.

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.

Precisa de mais informações sobre este medicamento?

Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.


💬 Fale pelo WhatsApp

Fale com nossa equipe pelo WhatsApp

Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.

Preencha os campos para liberar

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Etoxin (etossuximida): anticonvulsivante para crises de ausência (pequeno mal) em crianças e adultos

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

DEIXE UM COMENTÁRIO

Rolar para cima