Resumo rápido
- O Hiprex é o hipurato de metenamina em comprimidos de 1 g, antisséptico urinário que libera formaldeído na urina ácida e é usado para prevenir a infecção urinária de repetição.
- Pela bula americana (NDA 017681), é indicado na profilaxia ou supressão de infecções urinárias frequentes quando se considera necessária terapia prolongada, depois de eliminada a infecção: 1 g duas vezes ao dia acima de 12 anos e 0,5 a 1 g, também duas vezes, dos 6 aos 12.
- Não foi inferior ao antibiótico diário no estudo ALTAR (240 mulheres) e, no ImpresU, reduziu em 25% os tratamentos com antibiótico contra placebo em mulheres a partir de 70 anos, com mais tratamentos após a suspensão.
- Sem tarja na bula americana, é contraindicado na insuficiência renal, na insuficiência hepática grave, na desidratação grave e com sulfonamidas.
- Sem registro do hipurato de metenamina na ANVISA (hoje, a metenamina só aparece em associações, como Sepurin e Cystex), o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
O que é Hiprex (hipurato de metenamina)?
Hiprex é a marca do hipurato de metenamina (DCB nº 5765), sal do ácido hipúrico com a metenamina (hexametilenotetramina), em comprimidos orais de 1 g. Nos EUA, foi aprovado em 09/09/1976 (NDA 017681), hoje em nome da Esjay Pharma; no Reino Unido, a autorização (PL 46302/0200) é da Viatris. Mais de 90% da metenamina sai pela urina em 24 horas após 1 g.
A infecção urinária de repetição
A diretriz da EAU (2026) define cistite recorrente como pelo menos três episódios por ano ou dois em seis meses, com diagnóstico por urocultura. Nas mais jovens, associa-se a relação sexual, espermicida e novo parceiro; após a menopausa, a incontinência urinária e atrofia vaginal por falta de estrogênio. A prevenção começa por orientação e medidas não antimicrobianas, grupo em que a EAU inclui a metenamina; o antibiótico vem depois.
Mecanismo de ação
Pela bula americana, a metenamina se decompõe em formaldeído na urina ácida, e o ácido hipúrico ajuda a manter a urina ácida. O fármaco costuma agir contra Escherichia coli, enterococos e estafilococos; o Enterobacter aerogenes em geral é resistente, e bactérias que degradam a ureia, como Proteus e Pseudomonas, só são inibidas com urina suficientemente ácida.
Indicações
Estados Unidos (FDA)
A bula da NDA 017681 (versão de 24/10/2025) indica o tratamento profilático ou supressivo de infecções urinárias que se repetem com frequência, quando se considera necessária terapia prolongada, e só depois de eliminada a infecção com outro antimicrobiano adequado. Traz doses a partir de 6 anos e nenhuma para menores de 6.
Reino Unido (MHRA)
O RCM britânico (outubro de 2025) é mais amplo: manutenção após tratar infecção aguda com antibiótico, prevenção prolongada da cistite recorrente, supressão da infecção com sonda de demora, prevenção em procedimentos instrumentais e bacteriúria assintomática. Não é recomendado abaixo de 6 anos.
União Europeia
A base da EMA (23/10/2026) não tem metenamina: não há autorização centralizada, só nacionais, como a sueca (nº 8762, Viatris AB, desde 1973), para profilaxia prolongada da infecção urinária recorrente, profilaxia curta em sondagem e procedimentos instrumentais e bacteriúria assintomática com sonda.
Evidências clínicas
ALTAR: metenamina contra antibiótico em dose baixa
No ALTAR (ISRCTN70219762), estudo aberto de não inferioridade no Reino Unido, 240 mulheres com infecção urinária de repetição receberam por 12 meses hipurato de metenamina 1 g duas vezes ao dia ou antibiótico diário (nitrofurantoína, trimetoprima ou cefalexina). Na análise principal (205 participantes), houve 1,38 infecção tratada com antibiótico por pessoa-ano com metenamina e 0,89 com antibiótico: diferença de 0,49 (IC 90%: 0,15 a 0,84), abaixo da margem de 1 episódio. Reações adversas, em geral leves: 28% e 24%.
Ressalvas: as quatro internações por infecção urinária e as seis participantes com febre eram do grupo da metenamina; a E. coli do períneo resistente a algum antibiótico foi menos comum com metenamina aos 6 ou 12 meses (56% contra 72%), mas a multirresistência foi maior aos 18 meses (20% contra 5%; p = 0,06).
ImpresU: contra placebo a partir dos 70 anos
No ImpresU (NCT04077580), de fase 4 e triplo-cego, em quatro países europeus, 289 mulheres a partir de 70 anos com infecção urinária de repetição (281 na análise) receberam hipurato de metenamina 1 g ou placebo duas vezes ao dia por 6 meses, com mais 6 de seguimento:
| Período | Tratamentos com antibiótico, metenamina × placebo (razão de taxas) |
|---|---|
| Uso | 0,75 (IC 95%: 0,57 a 1,0); p = 0,049 |
| Após a suspensão | 1,7 (IC 95%: 1,3 a 2,3); p < 0,001 |
Revisão Cochrane e a questão da resistência
A revisão Cochrane de 2012 (13 estudos, 2.032 participantes) teve estimativas gerais não interpretáveis, pela heterogeneidade; por subgrupos, sugeriu menos infecções sintomáticas sem alterações do trato urinário (risco relativo de 0,24; IC 95%: 0,07 a 0,89), mas não pareceu funcionar com essas alterações nem na bexiga neurogênica. Um estudo de laboratório de 2026 achou, em amostras do ALTAR, E. coli que crescem com formaldeído acima de 1 mM (5,8% dos isolados): para os autores, a metenamina também traz risco de resistência.
O que dizem as diretrizes
A EAU (2026) recomenda, com grau forte, o hipurato de metenamina para reduzir a cistite recorrente em mulheres sem alterações do trato urinário. A NICE (NG112, atualizada em 12/12/2024) sugere considerá-lo como alternativa ao antibiótico diário em mulheres não grávidas, depois de outras medidas, e revisar o uso em até 6 meses e depois a cada 12.
Posologia e administração
Pela bula americana, o uso é oral:
- Adultos e maiores de 12 anos: 1 g duas vezes ao dia, de manhã e à noite.
- De 6 a 12 anos: 0,5 a 1 g duas vezes ao dia.
- Urina ácida: restringir alimentos e remédios que alcalinizam a urina e, se o pH urinário e a resposta clínica indicarem, acidificá-la; a eficácia é monitorada com uroculturas repetidas.
- Reino Unido: até 1 g três vezes ao dia com sonda; pode ser triturado e tomado com leite ou suco.
Segurança
A bula americana não tem advertência em destaque (tarja). Contraindica o uso na insuficiência renal, na insuficiência hepática grave e na desidratação grave, e com sulfonamidas, porque algumas formam precipitado insolúvel com o formaldeído na urina. O RCM britânico contraindica ainda hipersensibilidade, disfunção hepática, infecção do parênquima renal, acidose metabólica e gota, mas admite o uso na insuficiência renal leve a moderada (filtração de 10 a 50 mL/min).
Advertências e reações adversas
- Doses altas: 8 g por dia por 3 a 4 semanas causaram irritação da bexiga, micção dolorosa e frequente, albuminúria e hematúria macroscópica.
- Fígado: num estudo, as transaminases subiram levemente em poucos casos e normalizaram durante o uso; convém checar a função hepática periodicamente.
- Tartrazina: o comprimido americano tem esse corante, que pode causar reações alérgicas, inclusive asma brônquica, mais frequentes em quem tem hipersensibilidade à aspirina.
- Reações adversas: leves, em menos de 3,5% dos tratados: náusea, desconforto no estômago, dor ao urinar e erupção na pele.
Interações, gravidez e amamentação
Além das sulfonamidas, como o sulfametoxazol, devem ser evitados sachês alcalinizantes de citrato de potássio ou de sódio, que reduzem o efeito (NICE), e a acetazolamida (RCM britânico). Pode alterar exames de urina, como os de estriol, esteroides e catecolaminas, conforme o método. Na gravidez, a bula americana diz que a segurança no início não está estabelecida e, no último trimestre, é sugerida, mas não comprovada; o RCM britânico prefere evitar o uso por precaução. Na amamentação, a quantidade no leite é insignificante para o bebê, e amamentar é possível (RCM britânico).
Situação regulatória e como funciona o acesso
Nos dados abertos da ANVISA de 23/10/2026, não há registro de hipurato de metenamina nem da marca Hiprex; com registro ativo, a metenamina só aparece em associações: Sepurin (Laboratório Gross; metenamina 120 mg e cloreto de metiltionínio 20 mg; 1.0444.0066), Cystex (1.0235.0283) e Cystex Duo (1.0235.1376), da EMS, também com cloreto de metiltionínio. Os dois primeiros constam como comercializados em 2025 na Lista CMED de 09/10/2026. A metenamina não está na Portaria SVS/MS nº 344/1998 (Anexo I da RDC nº 1.036, de 09/07/2026).
São outros produtos: a bula do Sepurin (22/12/2025) indica-o na cistite e na prevenção em quem usa sonda ou tem infecções frequentes, mas com 2 comprimidos 3 a 4 vezes ao dia “até consulta médica”, e o ALTAR e o ImpresU usaram o hipurato de metenamina 1 g. O acesso ao Hiprex é pela importação para uso próprio, em nome do paciente, com receita médica, a partir dos EUA ou do Reino Unido, onde é aprovado.
Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça
No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.
Há alternativas registradas e comercializadas no Brasil em 2025: antibióticos usados na profilaxia, como nitrofurantoína, fosfomicina trometamol e cefalexina; estrogênio vaginal em creme (estriol, promestrieno) após a menopausa; e as associações Sepurin e Cystex. Esses substitutos pesam contra o pedido, e o relatório médico detalhado precisa explicar por que eles não atendem ao paciente. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.
Como a Medicsupply conduz a importação
A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos, sempre em nome do paciente e a partir da receita médica: faz a conversa inicial com um especialista, orienta sobre as normas da ANVISA e os documentos, apoia a documentação, conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem e medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha tudo até a entrega. O prazo médio depende da origem:
| Origem | Prazo médio |
|---|---|
| EUA (FDA) | 10 dias |
| Canadá (Health Canada) | 17 dias |
| Europa (EMA) | 16 dias úteis |
| Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul; sem cadeia fria, pois a bula indica conservação entre 20 °C e 25 °C.
Perguntas Frequentes
O Hiprex tem registro na ANVISA?
Não. Não há registro de hipurato de metenamina nos dados abertos de 23/10/2026; Sepurin, Cystex e Cystex Duo têm metenamina em associação, com outra composição. O acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
O Hiprex é um antibiótico?
É um antibacteriano urinário, mas a NICE o classifica como profilaxia antisséptica, à parte dos antibióticos: o efeito vem do formaldeído liberado na urina ácida.
Preciso tomar vitamina C junto?
O ALTAR não avaliou o valor de acidificar a urina, embora alguns médicos prescrevam vitamina C para isso; a bula americana prevê acidificação se necessário, conforme o pH urinário e a resposta clínica.
O SUS ou o plano de saúde cobrem o Hiprex?
Sem registro na ANVISA, a Lei 8.080/1990 (art. 19-T) veda, como regra, ao SUS dispensá-lo, e, pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecê-lo. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF e exigem orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.
Conclusão
O Hiprex (hipurato de metenamina) é uma opção estudada para prevenir a infecção urinária de repetição sem antibiótico diário, com não inferioridade no ALTAR e benefício contra placebo em mulheres idosas enquanto usado. Depende de urina ácida e tem contraindicações renais e hepáticas. Sem registro na ANVISA, o acesso passa pela importação em nome do paciente, com receita e acompanhamento médico; a Medicsupply pode assessorar esse processo.
Fontes
- FDA — Hiprex (hipurato de metenamina), bula vigente: NDA 017681, Esjay Pharma; DailyMed, versão 2, de 24/10/2025.
- FDA — Drugs@FDA: NDA 017681 (Hiprex), aprovação em 09/09/1976, titular Esjay Pharma.
- MHRA — Hiprex 1 g, RCM: PL 46302/0200, Viatris Products Limited; revisão de outubro de 2025.
- EMA — Base de medicamentos (23/10/2026): sem metenamina; Läkemedelsverket (Suécia) — Hiprex 1 g, autorização nº 8762, Viatris AB, RCM de 30/06/2025.
- Harding C et al., BMJ, 2022;376:e068229. PMID 35264408 (ALTAR; ISRCTN70219762).
- Heltveit-Olsen SR et al., Clin Microbiol Infect, 2025;31(11):1873-1879. PMID 40669691 (ImpresU; ClinicalTrials.gov NCT04077580).
- Lee BS et al., Cochrane Database Syst Rev, 2012;10(10):CD003265. PMID 23076896.
- Hodgkinson NC et al., PLoS Pathog, 2026;22(3):e1014081. PMID 41875198.
- EAU — Diretrizes de infecções urológicas, edição de 2026, seção 3.5 (cistite recorrente).
- NICE — Diretriz NG112 (infecção urinária recorrente), atualizada em 12/12/2024.
- ANVISA — Dados abertos de medicamentos (23/10/2026) e Lista CMED de 09/10/2026: sem hipurato de metenamina; Sepurin (1.0444.0066, Laboratório Gross), Cystex (1.0235.0283) e Cystex Duo (1.0235.1376, EMS); bula do Sepurin de 22/12/2025.
- ANVISA — Lista consolidada de DCB (versão de agosto de 2024): hipurato de metenamina, nº 5765.
- ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998 (atualização nº 101), sem metenamina.
Sobre a Medicsupply
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