Bavencio (avelumabe): imunoterapia anti-PD-L1 no carcinoma de células de Merkel e no câncer renal avançado

Resumo rápido

  • O avelumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia a PD-L1, proteína que ajuda células tumorais a escapar do sistema imunológico. É comercializado como Bavencio.
  • Tem registro na ANVISA, com bula da Merck S/A. No Brasil, as indicações aprovadas são o carcinoma de células de Merkel metastático em monoterapia e, em associação com axitinibe, o carcinoma de células renais avançado em primeira linha.
  • Nos Estados Unidos, o escopo aprovado é mais amplo e inclui o carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático.
  • A dose é de 800 mg por infusão intravenosa durante 60 minutos, a cada duas semanas — dose fixa, independente do peso.
  • É aplicado em hospital ou clínica, sob supervisão de médico experiente, com pré-medicação nas primeiras infusões.

O que é o avelumabe

O avelumabe é um anticorpo monoclonal que se liga à PD-L1, uma proteína presente na superfície de células tumorais. A PD-L1 funciona como um freio: ao se acoplar a receptores nas células de defesa, ela sinaliza que aquela célula não deve ser atacada.

Ao bloquear a PD-L1, o avelumabe retira esse freio e permite que o sistema imunológico reconheça e ataque as células tumorais. É por isso que a classe recebe o nome de inibidores de ponto de controle imunológico.

O medicamento é desenvolvido pela Merck KGaA e pela Pfizer, e comercializado no Brasil pela Merck S/A.

Para que é indicado

As indicações aprovadas diferem entre as agências, e a distinção importa.

No Brasil, a bula aprovada pela ANVISA traz duas indicações: monoterapia no tratamento de pacientes adultos com carcinoma de células de Merkel metastático, e associação com axitinibe no tratamento de primeira linha de pacientes adultos com carcinoma de células renais avançado.

Nos Estados Unidos, além dessas, a bula aprovada pelo FDA inclui o carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático em duas situações: como tratamento de manutenção em pacientes cuja doença não progrediu após quimioterapia de primeira linha com platina, e em pacientes com progressão durante ou após quimioterapia com platina.

A indicação americana no carcinoma de células de Merkel abrange adultos e pacientes pediátricos a partir de 12 anos, e foi concedida por aprovação acelerada, com base em taxa de resposta e duração da resposta. A bula brasileira registra que o medicamento não foi estudado em menores de 18 anos.

Evidência

No carcinoma de células de Merkel metastático, a base foi o JAVELIN Merkel 200 (NCT02155647), estudo que avaliou o avelumabe em pacientes com doença refratária à quimioterapia.

Na manutenção do carcinoma urotelial, o estudo de fase 3 JAVELIN Bladder 100 (NCT02603432) comparou avelumabe somado ao melhor cuidado de suporte contra o cuidado de suporte isolado, em pacientes cuja doença não havia progredido após quimioterapia de primeira linha com platina. A sobrevida global mediana foi de 21,4 meses no braço com avelumabe, com ganho de 7,1 meses em relação ao comparador.

No carcinoma de células renais avançado, o JAVELIN Renal 101 avaliou avelumabe associado a axitinibe contra sunitinibe em 886 pacientes não tratados previamente, independentemente da expressão de PD-L1.

Posologia

A dose recomendada é de 800 mg, administrada por infusão intravenosa durante 60 minutos, a cada duas semanas. A ANVISA aprovou em 2020 a mudança para dose fixa, independente do peso do paciente — antes o esquema era calculado em miligramas por quilo.

Na associação para carcinoma renal, o avelumabe é administrado no mesmo esquema, junto com axitinibe 5 mg por via oral duas vezes ao dia, com intervalo de 12 horas, com ou sem alimentos.

Durante pelo menos as quatro primeiras infusões, o paciente recebe paracetamol e um anti-histamínico antes da aplicação, para reduzir o risco de reações relacionadas à infusão. A duração do tratamento é definida pelo médico assistente.

Segurança

Por retirar um freio do sistema imunológico, o avelumabe pode provocar reações imunomediadas em diferentes órgãos. As descritas incluem inflamação de pulmões, fígado, rins, intestino e coração, além de alterações em glândulas endócrinas — tireoide, hipófise, adrenais e pâncreas.

Reações relacionadas à infusão também são descritas, e é por isso que se faz a pré-medicação nas primeiras aplicações. Entre os eventos mais comuns estão erupção cutânea, prurido, pele seca, mialgia, astenia, calafrios e quadro semelhante ao da gripe, além de alterações em exames laboratoriais.

A bula brasileira contraindica o uso em caso de hipersensibilidade ao avelumabe ou a qualquer excipiente, e durante a amamentação. O medicamento pode causar dano fetal e não deve ser usado na gravidez sem orientação médica.

Um ponto que a bula destaca: os sintomas de reações imunomediadas podem ser tardios e aparecer depois da última dose. Qualquer alteração deve ser comunicada à equipe.

Situação no Brasil e acesso

O Bavencio tem registro na ANVISA, com bula da Merck S/A. A apresentação é de solução para diluição para infusão a 20 mg/mL, em frasco-ampola de 200 mg com 10 mL. A conservação é sob refrigeração, entre 2 °C e 8 °C, protegida da luz e sem congelar.

É medicamento de aplicação hospitalar ou em clínica especializada, sob supervisão médica. Por ter registro nacional, o acesso ocorre pelos canais regulares no país, e a aquisição é institucional — não é produto de compra individual pelo paciente.

Sendo terapia oncológica de alto custo, pode haver discussão de custeio junto a plano de saúde ou ao sistema público, sobretudo quando a indicação pretendida não coincide com o escopo aprovado no Brasil. Nesses casos, o caminho inicial é a revisão administrativa com laudo médico detalhado, e a orientação sobre medidas judiciais cabe a advogado.

Perguntas frequentes

Bavencio tem registro no Brasil?

Sim. O Bavencio tem registro na ANVISA, comercializado pela Merck S/A, para carcinoma de células de Merkel metastático e, com axitinibe, para carcinoma de células renais avançado.

Serve para câncer de bexiga?

Nos Estados Unidos, sim: a bula do FDA inclui o carcinoma urotelial, tanto na manutenção após quimioterapia com platina quanto após progressão. No Brasil, essa indicação não consta das aprovadas na bula. A conduta é do médico assistente.

Qual é a dose?

800 mg por infusão intravenosa durante 60 minutos, a cada duas semanas, em dose fixa independente do peso.

Pode ser usado em crianças?

A bula brasileira registra que o medicamento não foi estudado em menores de 18 anos. A bula americana inclui pacientes a partir de 12 anos na indicação de carcinoma de células de Merkel.

É quimioterapia?

Não. É imunoterapia: em vez de atacar diretamente a célula tumoral, o avelumabe atua sobre o sistema imunológico para que ele reconheça o tumor.

Fontes

  1. FDA — BLA 761049 (Bavencio, avelumabe, EMD Serono): aprovação inicial em 23 de março de 2017; indicações em carcinoma de células de Merkel metastático, carcinoma urotelial e, com axitinibe, carcinoma de células renais avançado.
  2. ANVISA — bula do Bavencio (avelumabe), Merck S/A: indicações aprovadas no Brasil, apresentação de 20 mg/mL, contraindicações e condições de conservação.
  3. ANVISA — aprovação da alteração posológica para dose fixa de 800 mg a cada duas semanas, publicada no Diário Oficial da União de 3 de agosto de 2020.
  4. ClinicalTrials.gov — NCT02155647 (JAVELIN Merkel 200): avelumabe em carcinoma de células de Merkel metastático.
  5. ClinicalTrials.gov — NCT02603432 (JAVELIN Bladder 100): avelumabe como manutenção no carcinoma urotelial, com sobrevida global mediana de 21,4 meses.
  6. Kaufman HL, Russell J, Hamid O, et al. PMID 32414862 — resultados do JAVELIN Merkel 200.
  7. Powles T, Park SH, Voog E, et al. PMID 32945632 — resultados do JAVELIN Bladder 100.

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