Resumo rápido
- Alteplase é um trombolítico usado em emergência hospitalar para dissolver coágulos. No Brasil é comercializado como Actilyse; nos Estados Unidos, como Activase.
- As indicações aprovadas são infarto agudo do miocárdio, embolia pulmonar aguda maciça e acidente vascular cerebral isquêmico agudo.
- Tem registro vigente na ANVISA sob o número 1.0367.0049, com uso restrito a estabelecimentos de saúde.
- No AVC isquêmico agudo, as diretrizes nacionais e internacionais recomendam administração dentro da janela de até 4,5 horas do início dos sintomas, em pacientes que preencham os critérios clínicos e radiológicos.
- É medicamento de aplicação intravenosa exclusivamente hospitalar. Não é produto de uso domiciliar nem de aquisição pelo paciente.
O que é a alteplase
A alteplase é a forma recombinante do ativador do plasminogênio tecidual humano, conhecido pela sigla rt-PA. É uma protease que se liga à fibrina do coágulo e converte o plasminogênio ali retido em plasmina, iniciando a dissolução local do trombo e restaurando o fluxo sanguíneo na área afetada.
Por ser fibrinoespecífica, precisa da ligação com a fibrina para ser ativada — característica que a distingue de trombolíticos mais antigos. A meia-vida plasmática é curta, de poucos minutos, e a metabolização é principalmente hepática.
A alteplase é comercializada como Actilyse pela Boehringer Ingelheim no Brasil e na Europa, e como Activase pela Genentech nos Estados Unidos.
Para que é indicada
A bula brasileira do Actilyse traz três indicações, todas de uso exclusivo hospitalar:
- Infarto agudo do miocárdio — dissolução do trombo coronariano na fase aguda.
- Embolia pulmonar aguda maciça — nos quadros com instabilidade hemodinâmica.
- Acidente vascular cerebral isquêmico agudo — desde que preenchidos os critérios clínicos e de imagem.
A bula americana do Activase registra as mesmas três indicações, com uma ressalva no infarto: em pacientes de baixo risco de morte por causa cardíaca, o risco de AVC pode superar o benefício.
Como é administrada
A administração é intravenosa e conduzida por equipe hospitalar. Os esquemas variam conforme a indicação e o peso do paciente.
No AVC isquêmico agudo, a bula americana recomenda 0,9 mg/kg, sem ultrapassar 90 mg no total, com 10% da dose em bolus intravenoso durante um minuto e o restante em infusão por 60 minutos. A administração deve começar o quanto antes após o início dos sintomas.
No infarto agudo do miocárdio, a bula brasileira descreve o esquema acelerado de 90 minutos, quando o tratamento começa em até seis horas do início dos sintomas: para peso igual ou superior a 65 kg, 15 mg em bolus intravenoso, seguidos de 50 mg em infusão por 30 minutos e mais 35 mg nos 60 minutos seguintes. Para peso abaixo de 65 kg, 15 mg em bolus, seguidos de 0,75 mg/kg — máximo de 50 mg — em 30 minutos, e 0,5 mg/kg — máximo de 35 mg — nos 60 minutos seguintes.
Na embolia pulmonar, a bula americana traz 100 mg em infusão intravenosa por duas horas, com anticoagulação parenteral instituída ao final ou logo após a infusão.
A dose total não deve ultrapassar 100 mg em nenhum esquema. Nenhum outro medicamento pode ser adicionado à solução de infusão, que é incompatível com solução glicosada. O esquema aplicado é sempre decisão do médico responsável, conforme o quadro individual.
Segurança e contraindicações
A reação adversa mais frequente é o sangramento, esperado pelo mecanismo de ação. Reações de hipersensibilidade também são descritas, sendo o angioedema a mais comum — risco que pode ser maior na indicação de AVC isquêmico e em pacientes que usam inibidores da enzima conversora de angiotensina, como captopril, enalapril e lisinopril.
A bula americana lista como contraindicações o sangramento interno ativo, cirurgia intracraniana ou intrarraquidiana recente, traumatismo craniano grave recente, condições intracranianas que aumentem o risco de sangramento, diátese hemorrágica e hipertensão grave não controlada. Para o AVC isquêmico, somam-se hemorragia intracraniana em curso, hemorragia subaracnóidea e história de AVC recente.
A bula brasileira acrescenta a hipersensibilidade conhecida à alteplase, à gentamicina ou a qualquer componente da fórmula, e alerta que o risco de sangramento pode aumentar em caso de dengue ou associação com outros medicamentos que potencializem o efeito hemorrágico.
Situação no Brasil
O Actilyse tem registro vigente na ANVISA sob o número 1.0367.0049, importado e registrado pela Boehringer Ingelheim do Brasil e fabricado pela Boehringer Ingelheim Pharma, na Alemanha. As apresentações são de pó liofilizado injetável em frasco-ampola de 10 mg, 20 mg ou 50 mg, sempre acompanhado de diluente.
O uso é restrito a estabelecimentos de saúde e a venda ocorre sob prescrição médica. Trata-se de medicamento de emergência, aplicado em ambiente hospitalar com monitorização — não é produto de aquisição individual pelo paciente nem de uso domiciliar.
Nas indicações de urgência, o fator determinante não é a via de aquisição, e sim o tempo até o atendimento. No AVC isquêmico agudo, as diretrizes recomendam a administração dentro da janela de até 4,5 horas do início dos sintomas, e o benefício é maior quanto mais cedo o tratamento começa.
Perguntas frequentes
Actilyse e Activase são o mesmo medicamento?
São o mesmo princípio ativo, a alteplase, sob marcas diferentes: Actilyse é a marca da Boehringer Ingelheim no Brasil e na Europa; Activase é a marca da Genentech nos Estados Unidos.
Tem registro no Brasil?
Sim. O Actilyse é registrado na ANVISA sob o número 1.0367.0049, com uso restrito a estabelecimentos de saúde.
Qual a janela de tempo no AVC?
As diretrizes nacionais e internacionais recomendam a administração em até 4,5 horas do início dos sintomas, em pacientes que preencham os critérios clínicos e radiológicos. A avaliação é do serviço que recebe o paciente.
O paciente pode comprar ou importar?
Não é esse o cenário de uso. A alteplase é aplicada por via intravenosa em ambiente hospitalar, em situação de emergência, sob monitorização. A aquisição é institucional, feita pelo serviço de saúde.
Existe alternativa?
Outro trombolítico usado no Brasil é a tenecteplase, com registro e esquema de administração próprios. A escolha entre eles é do médico assistente, conforme a indicação e o protocolo do serviço.
Fontes
- FDA — BLA 103172 (Activase, alteplase, Genentech, Inc.): indicações em AVC isquêmico agudo, infarto agudo do miocárdio e embolia pulmonar maciça aguda; aprovação inicial nos Estados Unidos em 1987.
- DailyMed — bula do Activase (alteplase), Genentech: posologia de 0,9 mg/kg até o máximo de 90 mg no AVC isquêmico, 100 mg em duas horas na embolia pulmonar, contraindicações e reações adversas.
- ANVISA — bula do Actilyse (alteplase), registro MS 1.0367.0049, Boehringer Ingelheim do Brasil: indicações, apresentações de 10 mg, 20 mg e 50 mg, e uso restrito a estabelecimentos de saúde.
- Boehringer Ingelheim — informação profissional do Actilyse: esquema acelerado de 90 minutos no infarto agudo do miocárdio e janela de até 4,5 horas no AVC isquêmico agudo conforme diretrizes.
- Grupo NINDS rt-PA. N Engl J Med. 1995;333(24):1581-1587. PMID 7477192 — ensaio que estabeleceu o benefício da alteplase no AVC isquêmico agudo.
- Hacke W, Kaste M, Bluhmki E, et al. N Engl J Med. 2008;359(13):1317-1329. PMID 18815396.
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