Vyloy (zolbetuximabe): anticorpo anti-claudina 18.2 para o câncer gástrico ou da junção esofagogástrica irressecável ou metastático

Resumo rápido

  • O Vyloy (zolbetuximabe) é um anticorpo monoclonal quimérico contra a claudina 18.2 (CLDN18.2), em infusão venosa, indicado nos EUA, na União Europeia e no Brasil, com quimioterapia com fluoropirimidina e platina, na primeira linha do adenocarcinoma gástrico ou da junção esofagogástrica irressecável ou metastático, HER2-negativo e CLDN18.2 positivo, em adultos.
  • É positivo o tumor com 75% ou mais das células com coloração moderada a forte da CLDN18 na membrana, à imuno-histoquímica: 38,4% dos triados nos estudos.
  • Nos estudos de fase 3 SPOTLIGHT e GLOW, a sobrevida global mediana passou de 15,5 para 18,2 meses e de 12,2 para 14,4 meses frente ao placebo.
  • Sem advertência em destaque (tarja) no rótulo americano; náusea e vômito chegam a 82% e 67% e pedem antieméticos antes de cada infusão.
  • Registro ativo na ANVISA (1.7717.0012, Astellas), de uso restrito a estabelecimentos de saúde, mas sem comercialização em 2025 na CMED e fora do SUS; sem oferta, a importação em nome do paciente pode ser avaliada com o serviço de infusão.

O que é Vyloy (zolbetuximabe)?

Vyloy é o nome comercial do zolbetuximabe (zolbetuximab-clzb, nos EUA), anticorpo monoclonal quimérico (IgG1 de camundongo e humano) contra a claudina 18.2, em pó liofilizado para infusão venosa, da Astellas nos três mercados. A União Europeia o autorizou em 19/09/2024, e a FDA, em 18/10/2024 (BLA 761365). No Brasil, foi registrado como produto biológico novo pela Resolução-RE nº 4.620, de 12/12/2024, só no frasco de 100 mg, produzido na Alemanha.

O adenocarcinoma gástrico e da junção esofagogástrica

O adenocarcinoma responde por mais de 90% dos tumores malignos do estômago. Pela proposta de Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde de 2026, com dados do INCA, são mais de 21 mil casos novos de câncer gástrico por ano no país (estimativa para 2023 a 2025). Com metástases e indicação de quimioterapia, o tumor deve ser testado para HER2, e platina com fluoropirimidina é o esquema padrão. A CLDN18.2, proteína das junções entre as células, existe na mucosa normal do estômago e se mantém em parte dos tumores: nos estudos, foi positiva em 38,4% dos triados, mais no tipo difuso, com frequência semelhante no estômago e na junção.

Mecanismo de ação

O zolbetuximabe se liga seletivamente à CLDN18.2 e elimina as células que a expressam por citotoxicidade celular dependente de anticorpo e por citotoxicidade dependente do complemento. Quimioterápicos aumentaram a expressão da CLDN18.2 em células de câncer humanas e potencializaram esse efeito; em camundongos, a combinação com quimioterapia foi mais ativa que cada um isolado.

Indicações

Nas três agências, a indicação é a mesma: com quimioterapia com fluoropirimidina e platina, primeira linha em adultos com adenocarcinoma gástrico ou da junção esofagogástrica localmente avançado irressecável ou metastático, HER2-negativo e CLDN18.2 positivo (75% ou mais das células tumorais com coloração imuno-histoquímica membranosa moderada a forte da CLDN18). Em crianças, segurança e eficácia não foram estabelecidas. Muda o teste exigido:

Agência Teste e observações
Estados Unidos (FDA) Teste aprovado pela FDA; sem indicação nova desde a aprovação
União Europeia (EMA) Teste com marcação CE ou, na falta, outro validado; prescrição por médico experiente em terapias contra o câncer
Brasil (ANVISA) “Teste validado” (bula de 08/09/2026); o dos estudos, VENTANA CLDN18 (43-14A) RxDx Assay, da Roche, tem registro (Resolução-RE nº 3.686/2023)

Quem é candidato

Os estudos incluíram adultos sem tratamento prévio para a doença avançada, com ECOG 0 ou 1, e excluíram obstrução da saída do estômago, metástases no sistema nervoso central, HIV, hepatite B ou C ativa e doença cardiovascular significativa.

Evidências clínicas

SPOTLIGHT e GLOW: resultados principais

Os dois estudos de fase 3, duplo-cegos, sortearam 1.072 pacientes com tumor CLDN18.2 positivo, confirmado em laboratório central, para zolbetuximabe ou placebo, somados a mFOLFOX6 (oxaliplatina, ácido folínico e fluoruracila) no SPOTLIGHT (NCT03504397), com 565 pacientes de 20 países, inclusive o Brasil, e a CAPOX (capecitabina e oxaliplatina) no GLOW (NCT03653507), com 507, 62% da Ásia. O desfecho principal foi a sobrevida livre de progressão, avaliada por comitê independente. Pelo rótulo da FDA (p unilateral):

Desfecho SPOTLIGHT GLOW
Sobrevida livre de progressão, mediana 10,6 contra 8,7 meses; razão de risco 0,751 (IC 95% 0,598 a 0,942); p=0,0066 8,2 contra 6,8 meses; 0,687 (IC 95% 0,544 a 0,866); p=0,0007
Sobrevida global, mediana 18,2 contra 15,5 meses; 0,750 (IC 95% 0,601 a 0,936); p=0,0053 14,4 contra 12,2 meses; 0,771 (IC 95% 0,615 a 0,965); p=0,0118
Resposta objetiva confirmada 40,3% contra 39,7% 32,3% contra 31,2%

Na análise final (EMA), somados os estudos, a sobrevida global mediana foi de 16,4 contra 13,7 meses (razão de risco 0,774; IC 95% 0,672 a 0,892).

Em análises exploratórias, o benefício foi maior em asiáticos (razão de risco de morte de 0,636 no SPOTLIGHT e 0,710 no GLOW) que em brancos (0,940 e 0,805), cujos intervalos de confiança incluíram a ausência de efeito (EMA). Noutra análise exploratória, náusea ou vômito levaram a dose insuficiente ou interrupção precoce em 9,9% com zolbetuximabe, contra 0,6% com placebo, mais em brancos (15,4%) que em asiáticos (4,7%).

Posologia e administração

Pela bula brasileira e pelos rótulos da FDA e europeu: só infusão venosa, nunca em bolus, até progressão ou toxicidade inaceitável.

  • Esquema: 800 mg/m² na primeira dose e depois 600 mg/m² a cada 3 semanas ou 400 mg/m² a cada 2 semanas, conforme o ciclo da quimioterapia; o de 2 semanas veio de modelagem e simulação, não dos estudos.
  • Infusão: em no mínimo 2 horas (bula brasileira e resumo europeu), mais lenta nos primeiros 30 a 60 minutos; no dia da quimioterapia, o zolbetuximabe vem antes.
  • Antes de cada infusão: antieméticos combinados, como bloqueadores de NK-1 e/ou 5-HT3; náusea ou vômito devem estar em grau 1 ou menos antes da primeira dose. Na Europa, pode-se somar corticoide, sobretudo na primeira infusão.
  • Sem redução de dose: o manejo é pela velocidade, pausa ou suspensão; pela bula brasileira e pelo resumo europeu, náusea ou vômito de grau 2 ou 3 pedem pausa até o grau 1 e retomada mais lenta, e vômito de grau 4, suspensão definitiva.
  • Populações: sem ajuste para idosos e insuficiência renal leve ou moderada ou hepática leve; dados limitados ou ausentes nas formas mais graves.

Segurança

O rótulo americano não tem advertência em destaque (tarja) nem contraindicações; no resumo europeu e na bula brasileira, a contraindicação é a hipersensibilidade ao princípio ativo ou aos excipientes. No Brasil, é de venda sob prescrição (tarja vermelha). Pelo rótulo da FDA, no SPOTLIGHT, houve náusea em 82% contra 61% com placebo, vômito em 67% contra 36% e queda da albumina em 78% contra 47%; o zolbetuximabe foi suspenso por reação adversa em 20% (19% no GLOW).

Advertências principais

  • Náusea e vômito: graves (grau 3) em 16% cada com mFOLFOX6 e em 9% e 12% com CAPOX, mais no primeiro ciclo; durante e após a infusão, antieméticos ou reposição de líquidos.
  • Hipersensibilidade: 18%, grave em 2%, inclusive anafilaxia (FDA); vigiar durante e por ao menos 2 horas após a infusão. Grau 3, 4 ou anafilaxia: suspensão definitiva; grau 2: pausa, infusão mais lenta e anti-histamínico nas próximas.
  • Reações à infusão: 3,2%, graves em 0,4%, com casos fatais nos estudos (FDA); sinais como náusea, vômito, dor abdominal, febre, calafrios e pressão alta.
  • Estômago: após a comercialização, gastrite e gastroenteropatia com perda de proteínas (bula brasileira).

Interações, gravidez e amamentação

Sem estudos formais de interação; eliminado por catabolismo, não deve ter interações metabólicas (EMA). Não há dados em gestantes; em camundongos, atravessou a placenta, sem toxicidade ao embrião. Na gravidez, só se o benefício superar o risco; na Europa, mulheres férteis devem usar contracepção eficaz. Não se recomenda amamentar durante o uso e, pela FDA, até 8 meses após a última dose.

Situação regulatória e como funciona o acesso

O Vyloy tem registro ativo na ANVISA (1.7717.0012, Astellas Farma Brasil Importação e Distribuição de Medicamentos Ltda., vencimento em 12/2034; dados abertos de 23/10/2026). Na Lista CMED de 09/10/2026, a única apresentação, 100 mg em frasco-ampola, consta sem comercialização em 2025 e com restrição hospitalar; a bula restringe o uso a estabelecimentos de saúde. Não é controlado pela Portaria SVS/MS nº 344/1998 (RDC nº 1.036/2026). Havendo oferta, a compra é nacional, pelo serviço que aplica, e a questão é quem paga.

No SUS

Não incorporado: até 23/10/2026, o Diário Oficial não trazia decisão de incorporação do zolbetuximabe, e a proposta de PCDT do adenocarcinoma de estômago (Consulta Pública SCTIE/MS nº 85/2026) não o inclui. Pedidos judiciais de medicamento registrado e não incorporado seguem as teses do STF nos Temas 6 e 1.234.

Nos planos de saúde

Pela RN nº 465/2021 da ANS (art. 18, IX), o plano ambulatorial cobre a quimioterapia oncológica ambulatorial: medicamentos para o câncer que, qualquer que seja a via ou a classe, precisem ser administrados sob supervisão direta de profissionais em estabelecimento de saúde, caso da infusão do Vyloy. Não há DUT para o zolbetuximabe; na internação, vale a Lei nº 9.656/1998 (art. 12, II, “d”). Negativa é discussão de custeio, não de importação, e cada caso pede orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.

Sem comercialização em 2025

Sem comercialização em 2025 na CMED, o serviço de oncologia pode não encontrar o Vyloy no país; nesse caso, a importação com receita, em nome do paciente, pode ser avaliada a partir dos EUA ou da Europa, combinada com o serviço que fará a infusão. Registro sem comercialização não é falta de registro: o pedido judicial segue sendo de custeio, e é comum a ação trazer orçamentos de fornecedores; a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.

Como a Medicsupply conduz a importação

Vale só para quando não houver oferta do Vyloy no Brasil. A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos, sempre em nome do paciente e a partir da receita médica: faz a conversa inicial com um especialista, orienta sobre as normas da ANVISA e os documentos, apoia a documentação, conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem e medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha tudo até a entrega. O prazo médio depende da origem:

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
  • Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul; exige cadeia fria, de 2 a 8 °C.

Perguntas Frequentes

O Vyloy tem registro na ANVISA?

Sim: 1.7717.0012, da Astellas Farma Brasil, válido até 12/2034, mas sem comercialização em 2025 na CMED.

Preciso importar o Vyloy?

Em regra, não: havendo oferta, o serviço de saúde compra no país, e a questão é o custeio; sem oferta, a importação em nome do paciente pode ser avaliada.

Como saber se o tumor é CLDN18.2 positivo?

Pela imuno-histoquímica do tumor: 75% ou mais das células com coloração moderada a forte da CLDN18 na membrana; o Vyloy exige ainda HER2 negativo.

O SUS ou o plano cobrem o Vyloy?

O SUS não o incorporou; nos planos, a infusão se enquadra na quimioterapia oncológica ambulatorial da RN nº 465/2021, e negativas são questão de custeio.

Conclusão

Com quimioterapia com fluoropirimidina e platina, o zolbetuximabe prolongou a sobrevida livre de progressão e a global na primeira linha do adenocarcinoma gástrico ou da junção esofagogástrica irressecável ou metastático, HER2-negativo e CLDN18.2 positivo, com náusea e vômito frequentes. No Brasil, tem registro, mas não teve comercialização em 2025 nem está no SUS; a importação só entra se faltar oferta. A indicação cabe à equipe médica.

Fontes

  1. FDA — Vyloy (zolbetuximabe), bula vigente: BLA 761365, Astellas Pharma US, Inc.; DailyMed, versão 5, de 03/09/2026.
  2. FDA, Drugs@FDA — BLA 761365: aprovação de 18/10/2024 (novo princípio ativo, revisão prioritária) e suplemento S-003, de 06/06/2025.
  3. EMA — Vyloy, EPAR, EMEA/H/C/005868, Astellas Pharma Europe B.V.: resumo das características do medicamento, atualizado em 11/09/2026.
  4. ANVISA — Vyloy 100 mg, bula para o profissional de saúde (Astellas Farma Brasil), registro 1.7717.0012, aprovada em 08/09/2026.
  5. ANVISA — Dados abertos de medicamentos (23/10/2026): Vyloy 1.7717.0012, ativo; Resoluções-RE nº 4.620/2024 e nº 3.686/2023; RDC nº 758/2022 (DCB nº 12711) e RDC nº 1.036/2026 (Portaria 344/1998).
  6. CMED/ANVISA — Lista de preços de medicamentos (PMC) de 09/10/2026: Vyloy 100 mg, sem comercialização em 2025, com restrição hospitalar.
  7. Conitec — Relatório preliminar do PCDT do Adenocarcinoma de Estômago (agosto de 2026); Consulta Pública SCTIE/MS nº 85, de 14/08/2026.
  8. ANS — RN nº 465/2021, art. 18, e Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexos I e II (RN nº 681/2026); Lei nº 9.656/1998, art. 12.
  9. Shitara K et al., Lancet, 2023;401(10389):1655-1668. PMID 37068504 (SPOTLIGHT; ClinicalTrials.gov NCT03504397).
  10. Shah MA et al., Nat Med, 2023;29(8):2133-2141. PMID 37524953 (GLOW; ClinicalTrials.gov NCT03653507).
  11. Shitara K et al., Gastric Cancer, 2024;27(5):1058-1068. PMID 38954176 (prevalência de CLDN18.2 no SPOTLIGHT e no GLOW).
  12. Shitara K et al., ESMO Open, 2026;11(2):105931. PMID 41741112 (náusea e vômito no SPOTLIGHT e no GLOW).

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.

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