Resumo rápido
- Intuniv é a guanfacina em comprimidos orais de liberação prolongada, um agonista alfa-2A-adrenérgico que não é estimulante do sistema nervoso central.
- FDA (aprovação em 2009): no rótulo vigente, TDAH em monoterapia ou como adjuvante aos estimulantes, com eficácia estabelecida de 6 a 17 anos.
- EMA (autorização em 2015): TDAH de 6 a 17 anos quando os estimulantes não são adequados, não são tolerados ou se mostraram ineficazes.
- Principais riscos: queda de pressão e de frequência cardíaca, desmaio, sonolência e hipertensão rebote na suspensão abrupta; o rótulo da FDA não traz advertência em caixa.
- No Brasil, nenhum medicamento com guanfacina tem registro ativo localizado na base de medicamentos da ANVISA (consulta em 18/09/2026); o acesso se dá por importação para uso próprio, com receita médica.
O que é Intuniv (guanfacina)?
Intuniv é a marca da guanfacina em comprimidos de liberação prolongada de 1, 2, 3 e 4 mg, de uso oral uma vez ao dia. A Takeda é a titular dos registros nos EUA (NDA 022037) e na União Europeia. No Brasil, a substância consta da lista de Denominações Comuns Brasileiras (DCB) como cloridrato de guanfacina.
A guanfacina é um anti-hipertensivo conhecido, com primeira aprovação nos EUA em 1986; sua versão de liberação imediata não é intercambiável com o Intuniv miligrama por miligrama.
Mecanismo de ação
A guanfacina é um agonista seletivo dos receptores alfa-2A-adrenérgicos centrais, com afinidade 15 a 20 vezes maior por esse subtipo do que pelos subtipos alfa-2B e alfa-2C. Segundo o rótulo da FDA, não é estimulante do sistema nervoso central, e seu mecanismo no TDAH não é conhecido; a EMA descreve a hipótese de ação sobre a transmissão de sinais no córtex pré-frontal e nos núcleos da base, regiões ricas nesses receptores. Ao reduzir os impulsos simpáticos para o coração e os vasos, também diminui a resistência vascular periférica e a frequência cardíaca.
Indicações
FDA (EUA): TDAH, em monoterapia e como adjuvante aos estimulantes. A eficácia foi estabelecida de 6 a 17 anos; abaixo de 6 anos, segurança e eficácia não foram estabelecidas.
EMA (União Europeia): TDAH de 6 a 17 anos quando os estimulantes não são adequados, não são tolerados ou se mostraram ineficazes, dentro de um programa terapêutico abrangente (medidas psicológicas, educacionais e sociais), com início por especialista em transtornos de comportamento da infância e da adolescência.
| Item | FDA (EUA) | EMA (União Europeia) | ANVISA (Brasil) |
|---|---|---|---|
| Situação | Aprovado em 02/09/2009 (NDA 022037) | Autorizado em 17/09/2015 (EMEA/H/C/003759) | Sem registro ativo localizado (18/09/2026) |
| Uso no TDAH | Monoterapia ou adjuvante aos estimulantes | Quando estimulantes não são adequados, tolerados ou eficazes | — |
Evidências clínicas
O rótulo da FDA se apoia em sete estudos controlados por placebo, de 6 a 17 anos; nos de curto prazo, o desfecho principal foi a escala de sintomas de TDAH aplicada pelo clínico (ADHD-RS-IV). Destaques de fase 3:
- Dose fixa (NCT00152009): 345 pacientes; redução média de 16,18, 16,43 e 18,87 pontos com 2, 3 e 4 mg, contra 8,48 com placebo (Biederman et al., 2008).
- Dose fixa de 1 a 4 mg (NCT00150618): 324 pacientes; todas as doses superaram o placebo, com tamanhos de efeito de 0,43 a 0,62 (Sallee et al., 2009). Nesses dois estudos, com cerca de 25% de adolescentes, o efeito foi significativo só no subgrupo de 6 a 12 anos.
- Adolescentes (NCT01081132): 314 jovens de 13 a 17 anos, com doses otimizadas de 1 a 7 mg/dia; redução de 24,55 pontos, contra 18,53 com placebo (tamanho de efeito 0,52; p < 0,001), sem diferença significativa nos domínios escolar e familiar de uma escala funcional respondida pelos pais (Wilens et al., 2015).
- Com estimulantes (NCT00734578): 461 crianças e adolescentes com resposta parcial ao estimulante; a guanfacina pela manhã ou à noite superou o placebo, ambos somados ao estimulante (p = 0,002 e p < 0,001) (Wilens et al., 2012).
- Manutenção (NCT01081145): 316 respondedores foram randomizados; houve falha de tratamento em 49,3% com guanfacina e em 64,9% com placebo (p = 0,006) (Newcorn et al., 2016).
Posologia e administração
Resumo do rótulo da FDA; a dose é sempre definida e ajustada pelo médico.
- Via e horário: oral, uma vez ao dia, de manhã ou à noite, no mesmo horário aproximado.
- Início e ajuste: 1 mg/dia, com aumentos de no máximo 1 mg por semana, até a faixa-alvo de 0,05 a 0,12 mg/kg/dia (1 a 7 mg por dia). Doses acima de 4 mg/dia não foram avaliadas de 6 a 12 anos, nem acima de 7 mg/dia de 13 a 17 anos.
- Como tomar: engolir inteiro, sem triturar, mastigar ou partir; não tomar com refeição rica em gordura, que aumenta a exposição.
- Interações: com inibidores fortes ou moderados do CYP3A4 (como cetoconazol), metade da dose; com indutores fortes ou moderados (como carbamazepina), considerar até o dobro.
- Suspensão: reduzir no máximo 1 mg a cada 3 a 7 dias, com controle de pressão e pulso.
Segurança
O rótulo da FDA não traz advertência em caixa. A contraindicação é o histórico de hipersensibilidade ao Intuniv, a seus componentes inativos ou a outros produtos com guanfacina (erupção cutânea e coceira foram relatadas). Advertências principais:
- Hipotensão, bradicardia e síncope: medir pressão e frequência cardíaca antes do início, após aumentos de dose e periodicamente; evitar desidratação e superaquecimento.
- Sedação e sonolência: frequentes; cautela com outros depressores do sistema nervoso central e ao dirigir ou operar máquinas; evitar álcool.
- Condução cardíaca: pode agravar disfunção do nó sinusal e bloqueio atrioventricular.
- Hipertensão rebote: a suspensão abrupta pode elevar a pressão de forma persistente, com relatos de encefalopatia hipertensiva; crianças com vômitos que impeçam as doses podem ter risco maior.
As reações mais comuns nos estudos de dose fixa foram hipotensão, sonolência, fadiga, náusea e letargia. Na gravidez, décadas de uso não identificaram risco de malformações maiores, aborto ou desfechos maternos e fetais adversos, mas esse uso foi pouco frequente. Não há dados sobre a presença no leite humano; bebês expostos devem ser observados quanto a sedação, letargia e dificuldade de alimentação.
Situação regulatória e como funciona o acesso
Como nenhum medicamento com guanfacina tem registro ativo localizado na base de medicamentos da ANVISA (consulta em 18/09/2026), o acesso se dá por importação para uso próprio, em nome do paciente, a partir da receita médica. A Medicsupply atua como assessoria de importação e não vende o medicamento. Na ausência de registro vigente, pacientes também podem buscar o custeio ou o fornecimento pela via judicial (compra judicial), sempre com orientação médica e jurídica.
Prazos, modalidades e documentos
| Origem | Autoridade | Prazo médio |
|---|---|---|
| EUA | FDA | 10 dias |
| Canadá | Health Canada | 17 dias |
| Europa | EMA | 16 dias úteis |
| Ásia (Índia, China, Japão) | CDSCO, NMPA, PMDA | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; não há prazo garantido para um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa (courier), na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Preço: formado pelo preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete, comparado à tabela CMED quando há equivalente nacional.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; sem canal na América do Sul.
Perguntas Frequentes
O Intuniv é estimulante?
Não. O rótulo da FDA informa que a guanfacina não é estimulante do sistema nervoso central; a escolha do tratamento cabe ao médico.
Pode ser usado com estimulantes?
Nos EUA, sim: o rótulo prevê o uso adjuvante, e doses acima de 4 mg/dia não foram estudadas nessa associação. Na União Europeia, a indicação vale quando os estimulantes não são adequados, tolerados ou eficazes.
A guanfacina de liberação imediata substitui o Intuniv?
Não na mesma dose: com a mesma quantidade em miligramas, o Intuniv tem pico de concentração 60% menor e biodisponibilidade 43% menor. Na troca, a versão anterior é suspensa e o médico refaz a titulação.
E se o tratamento for interrompido de repente?
Há risco de hipertensão rebote. O rótulo orienta não parar sem falar com o médico e reduzir a dose aos poucos, no máximo 1 mg a cada 3 a 7 dias.
Conclusão
O Intuniv, aprovado pela FDA e autorizado pela EMA, é uma opção não estimulante para o TDAH, com eficácia demonstrada em estudos de fase 3 de 6 a 17 anos. Exige titulação cuidadosa, monitorização de pressão e pulso e retirada gradual. Sem registro ativo localizado no Brasil, o acesso passa pela importação para uso próprio, sempre sob prescrição e acompanhamento médico.
Fontes
- DailyMed — rótulo de Intuniv (guanfacina) comprimidos de liberação prolongada, Takeda, setid b972af81-3a37-40be-9fe1-3ddf59852528, versão 44, revisão 06/2025.
- FDA — Drugs@FDA/openFDA, NDA 022037 (Intuniv), aprovação original em 02/09/2009; titular Takeda.
- EMA — Intuniv (guanfacina), EPAR, procedimento EMEA/H/C/003759; autorização em 17/09/2015.
- Biederman J et al., Pediatrics, 2008;121(1):e73-84. PMID 18166547. Registro NCT00152009.
- Sallee FR et al., J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 2009;48(2):155-65. PMID 19106767. Registro NCT00150618.
- Wilens TE et al., J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 2012;51(1):74-85.e2. PMID 22176941. Registro NCT00734578.
- Wilens TE et al., J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 2015;54(11):916-25.e2. PMID 26506582. Registro NCT01081132.
- Newcorn JH et al., J Child Psychol Psychiatry, 2016;57(6):717-28. PMID 26871297. Registro NCT01081145.
- ANVISA — consulta à base de medicamentos em 18/09/2026: nenhum medicamento com guanfacina com registro ativo localizado; cloridrato de guanfacina na lista DCB.
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