Jardiance (empagliflozina): inibidor de SGLT2 no diabetes tipo 2, na insuficiência cardíaca e na doença renal crônica

Resumo rápido

  • Jardiance é a marca original da empagliflozina, inibidor de SGLT2 da Boehringer Ingelheim, em comprimidos orais de uso diário.
  • Indicações pela FDA: controle glicêmico no diabetes tipo 2 (adultos e crianças a partir de 10 anos), redução de morte cardiovascular no diabetes tipo 2 com doença cardiovascular, insuficiência cardíaca e doença renal crônica em adultos.
  • Sem advertência em caixa no rótulo da FDA; a única contraindicação é a hipersensibilidade.
  • Registro ativo na ANVISA (1.0367.0172, vencimento 07/2029), com cerca de 20 genéricos e similares também ativos.
  • Não foi incorporada ao SUS (decisões de 2020, 2022 e 2023); a dapagliflozina, da mesma classe, foi incorporada e está no Farmácia Popular.

O que é Jardiance (empagliflozina)?

Jardiance é o nome comercial original da empagliflozina, medicamento oral da classe dos inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2), as gliflozinas. O titular é a Boehringer Ingelheim nos Estados Unidos (NDA 204629, aprovação da FDA em 2014), na União Europeia (EMEA/H/C/002677, autorização emitida em 22/05/2014) e no Brasil (registro ANVISA 1.0367.0172).

Mecanismo de ação

O SGLT2 é o principal transportador que reabsorve, nos rins, a glicose filtrada. Ao inibi-lo, a empagliflozina baixa o limiar renal de glicose e aumenta sua eliminação na urina: cerca de 64 g por dia com 10 mg e 78 g por dia com 25 mg em pacientes com diabetes tipo 2. Também reduz a reabsorção de sódio, o que pode aumentar a retroalimentação tubuloglomerular, reduzir a pressão intraglomerular, diminuir a pré-carga e a pós-carga do coração e atenuar a atividade simpática.

Indicações

Pelo rótulo vigente da FDA (revisão 01/2026), a empagliflozina é indicada:

  • na insuficiência cardíaca em adultos, para reduzir o risco de morte cardiovascular e de hospitalização por insuficiência cardíaca;
  • na doença renal crônica com risco de progressão em adultos, para reduzir o risco de declínio sustentado da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), doença renal em estágio terminal, morte cardiovascular e hospitalização;
  • no diabetes tipo 2 com doença cardiovascular estabelecida em adultos, para reduzir o risco de morte cardiovascular;
  • no diabetes tipo 2, como adjuvante à dieta e ao exercício, para o controle glicêmico em adultos e pacientes a partir de 10 anos.

Não é recomendada para controle glicêmico no diabetes tipo 1 (risco de cetoacidose) nem no tipo 2 com TFGe abaixo de 30 mL/min/1,73 m², em que tende a ser ineficaz; nem para tratar doença renal crônica em quem tem doença renal policística ou precisa, ou precisou recentemente, de imunossupressão intravenosa ou de mais de 45 mg de prednisona (ou equivalente) para doença renal.

Na União Europeia, pelo EPAR da EMA, as indicações são diabetes tipo 2 insuficientemente controlado em adultos e crianças a partir de 10 anos, insuficiência cardíaca crônica sintomática e doença renal crônica, estas duas em adultos. No Brasil, valem as indicações da bula registrada na ANVISA.

Evidências clínicas

Estudos de fase 3, randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo; números do rótulo da FDA.

Estudo População Desfecho primário: empagliflozina × placebo
EMPA-REG OUTCOME (NCT01131676) 7.020 adultos com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica Morte cardiovascular, infarto ou AVC não fatais: 10,5% × 12,1%; razão de riscos 0,86 (IC 95%: 0,74 a 0,99)
EMPEROR-Reduced (NCT03057977) 3.730 adultos com insuficiência cardíaca e fração de ejeção de até 40% Morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca: 19,4% × 24,7%; 0,75 (0,65 a 0,86)
EMPEROR-Preserved (NCT03057951) 5.988 adultos com insuficiência cardíaca e fração de ejeção acima de 40% Mesmo desfecho: 13,8% × 17,1%; 0,79 (0,69 a 0,90)
EMPA-KIDNEY (NCT03594110) 6.609 adultos com doença renal crônica, 44% com diabetes tipo 2 Progressão renal ou morte cardiovascular ou renal: 13,1% × 16,9%; 0,72 (0,64 a 0,82)
DINAMO (NCT03429543) Jovens de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2 Hemoglobina glicada em 26 semanas: diferença de −0,8 ponto percentual versus placebo (IC 95%: −1,5 a −0,2)

No EMPA-REG OUTCOME, o efeito veio da redução de morte cardiovascular (razão de riscos 0,62; IC 95%: 0,49 a 0,77), sem mudança em infarto ou AVC não fatais. Nos estudos EMPEROR, veio sobretudo da redução das hospitalizações por insuficiência cardíaca.

Posologia e administração

Via oral, comprimidos revestidos de 10 mg ou 25 mg, uma vez ao dia, pela manhã, com ou sem alimento. Pelo rótulo da FDA:

  • Insuficiência cardíaca, doença renal crônica e redução de morte cardiovascular: 10 mg uma vez ao dia.
  • Controle glicêmico (adultos e a partir de 10 anos): 10 mg; pode subir para 25 mg em quem tolera 10 mg e precisa de controle adicional.
  • Antes de iniciar: avaliar função renal e volemia, corrigindo depleção de volume.
  • Cirurgias e jejum prolongado: suspender, se possível, ao menos 3 dias antes do procedimento e retomar com o paciente estável e voltando a se alimentar.
  • Dose esquecida: tomar assim que possível, sem dobrar a seguinte.

Dose e duração são definidas pelo médico, sempre sob prescrição e acompanhamento médico.

Segurança

O rótulo da FDA não traz advertência em caixa, o alerta máximo do rótulo americano. A única contraindicação é a hipersensibilidade à empagliflozina ou aos excipientes, com relatos de angioedema. A diálise não é contraindicação no rótulo vigente, mas os estudos não incluíram adultos com TFGe abaixo de 20 mL/min/1,73 m² ou em diálise. Principais advertências:

  • Cetoacidose: risco muito maior no diabetes tipo 1 e casos fatais também no tipo 2; pode ocorrer com glicemia abaixo de 250 mg/dL.
  • Depleção de volume: hipotensão e relatos de lesão renal aguda; risco maior com TFGe abaixo de 60, em idosos e com diuréticos de alça.
  • Infecções geniturinárias: inclusive urossepse, pielonefrite e gangrena de Fournier, além de micoses genitais.
  • Hipoglicemia: com insulina ou secretagogos, como sulfonilureias; de 10 a 17 anos, risco maior independentemente da insulina.
  • Amputação de membros inferiores e reações graves de hipersensibilidade.

As reações mais comuns (5% ou mais) foram infecção urinária e micose genital em mulheres. O uso não é recomendado no segundo e no terceiro trimestres da gravidez, por efeitos renais vistos em animais, nem na amamentação.

Como funciona o acesso no Brasil

O Jardiance tem registro ativo na ANVISA (1.0367.0172, Boehringer Ingelheim, vencimento 07/2029), assim como as associações Jardiance Duo (1.0367.0178) e Glyxambi (1.0367.0176). Na consulta de 18/09/2026, havia ainda cerca de 20 genéricos e similares ativos, vários registrados em 2026:

  • Genéricos: EMS e Germed (ambos de 2022), Eurofarma (08/2026), Torrent, Prati-Donaduzzi, Dr. Reddy’s e Sanusphar, entre outros.
  • Similares: Glempa (EMS), Empaflo (Germed), Emprelia (Aché), Empatiq (Libbs), Emfloz (Cristália), Gluzera (Medquímica), EMP (Eurofarma), Epag (Torrent), Ampoldo (Camber), Ardic e Embard (Sanusphar).

Pela Lei nº 9.787/1999, o genérico é intercambiável com o medicamento de referência, respeitada a decisão expressa em contrário do prescritor.

SUS e Farmácia Popular. A Portaria SCTIE/MS nº 16/2020 não incorporou a empagliflozina para o diabetes tipo 2 e, no mesmo ato, incorporou a dapagliflozina. Na insuficiência cardíaca, a não incorporação veio pelas Portarias SCTIE/MS nº 144/2022 (fração de ejeção reduzida, NYHA II) e SECTICS/MS nº 16/2023 (fração de ejeção acima de 40%). O elenco do Farmácia Popular (atualizado em 31/08/2026) traz a dapagliflozina 10 mg para diabetes com doença cardiovascular, e não a empagliflozina.

Aquisição nacional. Com a marca original, genéricos e similares registrados, a empagliflozina é adquirida no mercado brasileiro, e não há motivo para importação.

Perguntas Frequentes

Para que serve a empagliflozina?

Para controle glicêmico no diabetes tipo 2, redução de morte cardiovascular no diabetes tipo 2 com doença cardiovascular, e tratamento de adultos com insuficiência cardíaca ou doença renal crônica com risco de progressão.

Quem não tem diabetes pode usar empagliflozina?

As indicações de insuficiência cardíaca e doença renal crônica não dependem de diabetes: metade dos participantes do EMPEROR-Reduced e 44% dos do EMPA-KIDNEY tinham diabetes tipo 2. A indicação é sempre do médico.

Existe empagliflozina genérica no Brasil?

Sim. Em 18/09/2026, a base da ANVISA mostrava genéricos ativos de vários fabricantes, como EMS, Germed e Eurofarma, além de similares.

A empagliflozina é fornecida pelo SUS ou pelo Farmácia Popular?

Não foi incorporada ao SUS nem consta do elenco do Farmácia Popular (atualizado em 31/08/2026): o Ministério da Saúde decidiu não incorporá-la para diabetes tipo 2 (2020) nem para insuficiência cardíaca (2022 e 2023). A dapagliflozina, da mesma classe, foi incorporada e está no programa.

Conclusão

A empagliflozina (Jardiance) é um inibidor de SGLT2 com indicações no diabetes tipo 2, na insuficiência cardíaca e na doença renal crônica, apoiadas por estudos de fase 3. No Brasil, tem registro ativo, genéricos e similares; a aquisição é nacional, sempre sob prescrição e acompanhamento médico.

Fontes

  1. DailyMed — rótulo de Jardiance (empagliflozina), revisão 01/2026; setid faf3dd6a-9cd0-39c2-0d2e-232cb3f67565.
  2. FDA — Drugs@FDA, NDA 204629 (Jardiance), Boehringer Ingelheim; aprovação original em 01/08/2014.
  3. EMA — EPAR de Jardiance, EMEA/H/C/002677, Boehringer Ingelheim International GmbH; autorização em 22/05/2014.
  4. ANVISA — consulta à base de medicamentos e aos dados abertos de registro em 18/09/2026: Jardiance 1.0367.0172 (ativo, vencimento 07/2029), Jardiance Duo 1.0367.0178, Glyxambi 1.0367.0176, genéricos e similares de empagliflozina.
  5. Zinman B et al., N Engl J Med, 2015;373(22):2117-2128. PMID 26378978. NCT01131676.
  6. Packer M et al., N Engl J Med, 2020;383(15):1413-1424. PMID 32865377. NCT03057977.
  7. Anker SD et al., N Engl J Med, 2021;385(16):1451-1461. PMID 34449189. NCT03057951.
  8. Grupo Colaborativo EMPA-KIDNEY (Herrington WG et al.), N Engl J Med, 2023;388(2):117-127. PMID 36331190. NCT03594110.
  9. Laffel LM et al., Lancet Diabetes Endocrinol, 2023;11(3):169-181. PMID 36738751. NCT03429543.
  10. Portaria SCTIE/MS nº 16, de 29/04/2020 (Relatório Conitec nº 524).
  11. Portaria SCTIE/MS nº 144, de 10/11/2022 (Relatório Conitec nº 778).
  12. Portaria SECTICS/MS nº 16, de 27/04/2023 (Relatório Conitec nº 811).
  13. Ministério da Saúde — Programa Farmácia Popular do Brasil, Elenco de Medicamentos e Insumos, atualizado em 31/08/2026.
  14. Lei nº 9.787, de 10 de fevereiro de 1999.

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