Resumo rápido
- O axitinibe (Inlyta) é um inibidor de tirosina quinase indicado no carcinoma de células renais avançado.
- Está registrado no Brasil sob o número 1.2110.0452, da Pfizer Brasil, com bula aprovada em 16 de junho de 2025.
- O escopo difere por agência: nos Estados Unidos há três indicações, incluindo duas combinações de primeira linha; na União Europeia e no Brasil, apenas a monoterapia de segunda linha.
- Não há advertência em quadro, e o rótulo do FDA traz “nenhuma” no campo de contraindicações.
- A CONITEC recomendou desfavoravelmente a incorporação dos esquemas de primeira linha ao SUS. A discussão de acesso aqui é de custeio, não de importação.
O que é o Inlyta (axitinibe)?
O axitinibe é um inibidor seletivo dos receptores de fator de crescimento endotelial vascular de tipos 1, 2 e 3. A marca é Inlyta nos três mercados de referência, o que evita a confusão de nome que ocorre com outros oncológicos.
Nos Estados Unidos, a aprovação original é de 27 de janeiro de 2012, sob a NDA 202324, da Pfizer. Na União Europeia, a autorização é de 3 de setembro de 2012, pelo procedimento EMEA/H/C/002406. No Brasil, o registro é o 1.2110.0452, da Pfizer Brasil, em comprimidos revestidos de 1 mg e 5 mg.
A grafia em português é axitinibe, com “e” final.
Mecanismo de ação
O axitinibe bloqueia os receptores de VEGF, responsáveis pela sinalização que induz a formação de novos vasos sanguíneos. Ao inibir a angiogênese, restringe o suprimento vascular do tumor. É essa mesma via que explica boa parte de seus efeitos adversos — hipertensão, proteinúria, hemorragia e comprometimento da cicatrização.
Indicações aprovadas — e a divergência entre agências
Este é um caso em que dizer “a indicação do Inlyta” no singular induz a erro.
Estados Unidos. O rótulo vigente traz três indicações: em combinação com avelumabe, primeira linha do carcinoma de células renais avançado; em combinação com pembrolizumabe, também primeira linha; e em monoterapia, no carcinoma de células renais avançado após falha de uma terapia sistêmica prévia. As duas combinações foram aprovadas em 2019 — pembrolizumabe em 19 de abril e avelumabe em 14 de maio — e entraram no próprio rótulo do Inlyta em 4 de junho de 2020.
União Europeia. O documento europeu do Inlyta traz apenas a monoterapia: tratamento de pacientes adultos com carcinoma de células renais avançado após falha de tratamento prévio com sunitinibe ou com uma citocina. As combinações existem na Europa, mas sob os documentos dos parceiros — avelumabe e pembrolizumabe —, não sob o rótulo do axitinibe.
Brasil. A bula do Inlyta indica a monoterapia no carcinoma de células renais avançado de células claras, após falha de sunitinibe ou de citocina. As combinações de primeira linha existem no país pelos rótulos dos parceiros.
Um ponto que convém esclarecer, porque circula como boato: nenhuma dessas combinações foi retirada ou restringida. O que houve foi um resultado de ensaio, não um ato regulatório — a análise final de sobrevida global do estudo JAVELIN Renal 101 não atingiu significância estatística, mas a indicação segue vigente em ambas as agências.
Evidências clínicas
O AXIS (NCT00678392), de fase 3 e aberto, randomizou 723 pacientes em segunda linha para axitinibe ou sorafenibe. A sobrevida livre de progressão por revisão independente foi de 6,7 meses contra 4,7 meses, com razão de risco de 0,67, intervalo de confiança de 95% entre 0,54 e 0,81 e p menor que 0,0001. A taxa de resposta objetiva foi de 19,4% contra 9,4%. A sobrevida global, porém, não foi significativa: 20,1 contra 19,2 meses, com razão de risco de 0,97.
O JAVELIN Renal 101 (NCT02684006) randomizou 886 pacientes em primeira linha para avelumabe com axitinibe ou sunitinibe. A sobrevida livre de progressão na população total foi de 13,8 contra 8,4 meses, com razão de risco de 0,69, intervalo de confiança de 95% entre 0,56 e 0,84 e p igual a 0,0002. A taxa de resposta objetiva foi de 51,4% contra 25,7%. Na análise final, com seguimento mediano de 73,7 meses, a sobrevida global foi de 44,8 contra 38,9 meses, com razão de risco de 0,88, intervalo entre 0,749 e 1,039 e p igual a 0,0669 — sem significância estatística.
O KEYNOTE-426 (NCT02853331) randomizou 861 pacientes em primeira linha para pembrolizumabe com axitinibe ou sunitinibe. A sobrevida global foi de 45,7 contra 40,1 meses, com razão de risco de 0,73 e intervalo de 95% entre 0,60 e 0,88; a sobrevida livre de progressão, de 15,1 contra 11,0 meses, com razão de risco de 0,69 e p igual a 0,0001; e a taxa de resposta objetiva, de 59% contra 36%. Na análise de cinco anos, a sobrevida global foi de 47,2 contra 40,8 meses.
A leitura honesta é que os três estudos mostram ganho consistente em sobrevida livre de progressão e em resposta, mas o benefício em sobrevida global só é estatisticamente demonstrado no KEYNOTE-426.
Posologia
A dose inicial é de 5 mg por via oral duas vezes ao dia, com intervalo aproximado de 12 horas, com ou sem alimento.
O escalonamento para 7 mg e depois 10 mg duas vezes ao dia é possível em pacientes que tolerem a dose sem reação adversa acima de grau 2, normotensos e sem uso de anti-hipertensivo. O intervalo entre os aumentos difere conforme o esquema: duas semanas na combinação com avelumabe e seis semanas ou mais na combinação com pembrolizumabe. O documento europeu adota como critério de pressão o valor de 150 por 90 mmHg. A redução se faz para 3 mg e depois 2 mg duas vezes ao dia.
Na insuficiência hepática moderada (Child-Pugh B), a dose inicial deve ser reduzida à metade — 2 mg duas vezes ao dia. Na classe C, o medicamento não foi estudado. Com inibidores potentes do CYP3A4 ou 3A5, quando o uso for inevitável, a dose também é reduzida à metade.
Segurança
O Inlyta não possui advertência em quadro (boxed warning), e o rótulo do FDA traz “nenhuma” no campo de contraindicações. As duas ausências estão registradas aqui de forma explícita, porque são informação.
Nesse ponto há uma diferença entre países que vale notar: os documentos europeu e brasileiro contraindicam o uso em caso de hipersensibilidade ao axitinibe ou aos excipientes, e a bula brasileira contraindica também durante a amamentação.
As advertências e precauções do rótulo vigente são numerosas e precisam ser levadas a sério: hipertensão; eventos tromboembólicos arteriais; eventos tromboembólicos venosos; hemorragia; insuficiência cardíaca; perfuração gastrointestinal e formação de fístula; disfunção tireoidiana; comprometimento da cicatrização de feridas; síndrome de leucoencefalopatia posterior reversível; proteinúria; hepatotoxicidade; uso em insuficiência hepática; eventos cardiovasculares adversos maiores; e toxicidade embriofetal.
Situação regulatória e como funciona o acesso
O axitinibe está registrado no Brasil, com bula vigente aprovada em junho de 2025. As combinações de primeira linha também existem no país, pelos rótulos do pembrolizumabe e do avelumabe.
Como o medicamento é registrado e comercializado, não é caso de importação. A discussão de acesso aqui é de custeio: quem paga.
E essa discussão tem um contorno claro. A CONITEC recomendou desfavoravelmente a incorporação do pembrolizumabe com axitinibe e dos demais esquemas de primeira linha para carcinoma de células renais, conforme o Relatório de Recomendação nº 660, de agosto de 2021, e a Portaria SCTIE/MS nº 55, de 25 de agosto de 2021. As Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Carcinoma de Células Renais, aprovadas pela Portaria Conjunta nº 20, de 27 de outubro de 2022, colocam entre as opções de primeira linha as citocinas, os antiangiogênicos — sunitinibe, sorafenibe, pazopanibe e bevacizumabe — e os inibidores da via mTOR, everolimo e tensirolimo. O documento também registra a não incorporação do cabozantinibe e do nivolumabe. Não foi localizada a presença do axitinibe na RENAME.
Na prática, isso significa que o acesso pelo SUS depende de discussão judicial de custeio, e que na saúde suplementar a discussão é de cobertura pela operadora. Em ambos os casos, a aquisição é nacional — não há assessoria de importação a prestar. Questões de custeio dependem de orientação médica e jurídica.
Perguntas Frequentes
O Inlyta está disponível no Brasil?
Sim. O registro é o 1.2110.0452, da Pfizer Brasil, com bula aprovada em 16 de junho de 2025.
Pode ser usado em primeira linha?
Depende do país. Nos Estados Unidos, as combinações com avelumabe e com pembrolizumabe são aprovadas em primeira linha. No Brasil e na União Europeia, a indicação do próprio Inlyta é de monoterapia após falha de terapia prévia; as combinações existem pelos rótulos dos parceiros. A decisão é do oncologista.
O SUS fornece axitinibe?
A CONITEC recomendou desfavoravelmente a incorporação dos esquemas de primeira linha, e a diretriz vigente elenca outras opções. Não foi localizada a presença do axitinibe na RENAME.
Existe advertência em quadro?
Não. O rótulo do FDA não tem quadro de advertência e traz “nenhuma” no campo de contraindicações.
Precisa importar?
Não. O medicamento é registrado e comercializado no Brasil. A questão, quando existe, é de cobertura e financiamento.
Conclusão
O axitinibe é uma opção estabelecida no carcinoma de células renais avançado, com ganho consistente em sobrevida livre de progressão e taxa de resposta, e benefício em sobrevida global demonstrado no esquema com pembrolizumabe. É medicamento oral, de uso domiciliar, com perfil de toxicidade que exige monitoramento de pressão arterial, função hepática, tireoide e proteinúria. No Brasil está registrado e disponível — o obstáculo real do paciente é o financiamento, não a existência do medicamento no país.
Fontes
- ANVISA — bula profissional do Inlyta (axitinibe), Pfizer Brasil, registro 1.2110.0452, aprovada em 16 de junho de 2025.
- FDA, DailyMed — bula do Inlyta, Pfizer Laboratories, revisão de julho de 2024.
- FDA, Drugs@FDA — NDA 202324, aprovação original em 27 de janeiro de 2012; suplemento 11, de 4 de junho de 2020, com as indicações em combinação.
- Agência Europeia de Medicamentos — Inlyta, EMEA/H/C/002406, autorização de 3 de setembro de 2012; resumo das características do medicamento, seções 4.1, 4.2 e 4.3.
- Rini BI et al., Lancet, 2011;378(9807):1931-1939, PMID 22056247 (AXIS, NCT00678392).
- Motzer RJ et al., Lancet Oncology, 2013;14(6):552-562, PMID 23598172 (AXIS, sobrevida global).
- Motzer RJ et al., New England Journal of Medicine, 2019;380(12):1103-1115, PMID 30779531 (JAVELIN Renal 101, NCT02684006).
- Choueiri TK et al., Annals of Oncology, 2025;36(4):387-392, PMID 39706335 (JAVELIN Renal 101, análise final).
- Rini BI et al., New England Journal of Medicine, 2019;380(12):1116-1127, PMID 30779529 (KEYNOTE-426, NCT02853331).
- Rini BI et al., Nature Medicine, 2025;31(10):3475-3484, PMID 40750932 (KEYNOTE-426, cinco anos).
- CONITEC — Relatório de Recomendação nº 660, agosto de 2021; Portaria SCTIE/MS nº 55, de 25 de agosto de 2021.
- Ministério da Saúde — Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Carcinoma de Células Renais, Portaria Conjunta nº 20, de 27 de outubro de 2022.
Sobre a Medicsupply
Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.
Precisa de mais informações sobre este medicamento?
Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp
Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.
