Depo-Estradiol (cipionato de estradiol): estrogênio injetável para sintomas vasomotores da menopausa e hipoestrogenismo por hipogonadismo

Resumo rápido

  • Depo-Estradiol é o cipionato de estradiol injetável da Pfizer (5 mg/mL, uso intramuscular), aprovado nos EUA em 1979 (ANDA 085470).
  • Indicações na bula norte-americana: sintomas vasomotores moderados a graves da menopausa e hipoestrogenismo decorrente de hipogonadismo.
  • A bula vigente mantém alerta em destaque sobre câncer de endométrio, riscos cardiovasculares, câncer de mama e demência provável.
  • O produto isolado está sem registro ativo localizado na base de medicamentos da ANVISA (consulta em 18/09/2026).
  • O acesso é por importação em nome do paciente, a partir da receita; há outras formas de reposição estrogênica registradas no país, a critério médico.

O que é Depo-Estradiol (cipionato de estradiol)?

É uma solução oleosa injetável de cipionato de estradiol, éster lipossolúvel do estradiol 17β: cada mL contém 5 mg do fármaco e clorobutanol como conservante, em óleo de semente de algodão (frasco de 5 mL). O titular nos EUA é a Pfizer (ANDA 085470, aprovação em 15/08/1979), e a bula é publicada pela Pharmacia & Upjohn Company LLC.

Mecanismo de ação

O estradiol é o principal estrogênio intracelular humano e age ligando-se a receptores nucleares dos tecidos sensíveis ao hormônio; por retroalimentação negativa, reduz a secreção hipofisária de LH e FSH, que ficam elevados após a menopausa. Em veículo oleoso, a absorção é lenta: uma única injeção intramuscular é absorvida ao longo de várias semanas. O metabolismo é sobretudo hepático, em parte pelo CYP3A4: indutores dessa enzima podem reduzir, e inibidores, aumentar os níveis de estrogênio.

Indicações

Pela bula aprovada pela FDA, Depo-Estradiol é indicado para sintomas vasomotores moderados a graves associados à menopausa e para hipoestrogenismo decorrente de hipogonadismo. A bula não fixa idade mínima para essas indicações.

Agência Cipionato de estradiol isolado
FDA (EUA) Aprovado: Depo-Estradiol 5 mg/mL, ANDA 085470 (Pfizer)
EMA (União Europeia) Sem autorização centralizada
ANVISA (Brasil) Sem registro ativo localizado (consulta em 18/09/2026); registro ativo só da associação com acetato de medroxiprogesterona

Evidências clínicas

A bula não apresenta ensaio pivotal randomizado do produto; a eficácia descrita vem de estudos clínicos comparativos, nos quais o cipionato teve efeitos estrogênicos qualitativamente iguais aos de outros ésteres de estradiol. Em mulheres na menopausa, uma injeção única de 5 mg teve efeito estrogênico de cerca de 3 a 4 semanas (citologia vaginal), e o alívio dos sintomas vasomotores começou em 1 a 5 dias e durou de 1 a 8 semanas (média de cerca de 5 semanas). Em um pequeno estudo farmacocinético (dose única intramuscular de 5 mg; 10 participantes com cipionato), o pico de estradiol veio em cerca de 4 dias, mais baixo que com valerato e benzoato, e os níveis ficaram elevados por cerca de 11 dias (Oriowo MA et al., Contraception, 1980;21(4):415-424. PMID 7389356).

Os alertas cardiovasculares, de câncer de mama e de demência vêm do Women’s Health Initiative (WHI, NCT00000611), ensaio de fase 3 que não testou o cipionato nem avaliou sintomas da menopausa. No braço de estrogênio mais progestagênio, 16.608 mulheres de 50 a 79 anos com útero receberam estrogênios conjugados orais mais acetato de medroxiprogesterona ou placebo; após 5,2 anos em média, esse braço foi interrompido. As razões de risco foram 1,29 para doença coronariana (IC 95% nominal 1,02–1,63), 1,26 para câncer de mama invasivo (1,00–1,59), 1,41 para AVC (1,07–1,85) e 2,13 para embolia pulmonar (1,39–3,25): 7 a 8 eventos a mais de cada tipo por 10 mil pessoas-ano, com menos câncer colorretal e fratura de quadril e sem mudança na mortalidade total (Rossouw JE et al., JAMA, 2002;288(3):321-333. PMID 12117397).

No subestudo WHIMS, com 4.532 mulheres de 65 anos ou mais, o esquema elevou o risco de demência provável (razão de risco 2,05; IC 95% 1,21–3,48) (Shumaker SA et al., JAMA, 2003;289(20):2651-2662. PMID 12771112). Segundo a bula, sem dados comparáveis para outras doses e formas de estrogênio, os riscos devem ser presumidos semelhantes.

Posologia e administração

  • Via: exclusivamente intramuscular.
  • Sintomas vasomotores moderados a graves: uso cíclico de curta duração, em geral 1 a 5 mg a cada 3 a 4 semanas, na menor dose que controle os sintomas, com tentativa de redução ou suspensão a cada 3 a 6 meses.
  • Hipoestrogenismo feminino por hipogonadismo: 1,5 a 2 mg por mês.
  • Mulheres com útero: associar progestagênio para reduzir o risco de câncer de endométrio; sem útero, não é necessário.

Dose e reavaliação periódica cabem ao médico, sob prescrição e acompanhamento.

Segurança

Alerta em destaque

A bula vigente (revisão de fevereiro de 2024) alerta que estrogênios aumentam o risco de câncer de endométrio e que sangramento vaginal anormal persistente ou recorrente deve ser investigado. Também afirma que estrogênios, com ou sem progestagênio, não devem ser usados para prevenir doença cardiovascular, e cita o WHI (aumento de infarto, AVC, câncer de mama invasivo, embolia pulmonar e trombose venosa profunda) e o WHIMS (demência provável a partir dos 65 anos, sem saber se o achado vale para mulheres mais jovens ou para estrogênio isolado). Recomenda a menor dose eficaz pelo menor tempo compatível com os objetivos do tratamento.

Em novembro de 2025, a FDA pediu aos fabricantes de terapia hormonal da menopausa que retirassem do alerta as menções a doença cardiovascular, câncer de mama e demência provável, mantendo o de câncer de endométrio nos estrogênios sistêmicos isolados. As primeiras bulas revisadas, de seis produtos, foram aprovadas em fevereiro de 2026; o Depo-Estradiol não estava entre elas, e sua bula no DailyMed segue com o texto integral.

Contraindicações

Segundo a bula: sangramento genital anormal não diagnosticado; câncer de mama ou neoplasia estrogênio-dependente, conhecidos ou suspeitos; trombose venosa profunda ou embolia pulmonar ativas ou prévias; doença tromboembólica arterial ativa ou recente (como AVC ou infarto no último ano); disfunção ou doença hepática; hipersensibilidade aos componentes; gravidez conhecida ou suspeita.

Advertências principais

  • Suspender diante de infarto, AVC, trombose venosa ou embolia pulmonar, confirmados ou suspeitos; se possível, suspender pelo menos 4 a 6 semanas antes de cirurgias com risco tromboembólico ou em imobilização prolongada.
  • A bula também alerta para doença da vesícula biliar, hipercalcemia grave em câncer de mama com metástase óssea, trombose vascular da retina, piora do angioedema hereditário e aumento de triglicerídeos, com risco de pancreatite, na hipertrigliceridemia prévia.
  • O conservante clorobutanol pode causar dependência.

Gravidez e lactação

O produto não deve ser usado na gestação. Na amamentação, estrogênios reduzem a quantidade e a qualidade do leite e passam para ele; a bula pede cautela.

Situação regulatória e como funciona o acesso

O cipionato de estradiol isolado está sem registro ativo localizado na base de medicamentos da ANVISA (consulta em 18/09/2026). Os registros ativos com a molécula são de anticoncepcionais injetáveis mensais que a associam ao acetato de medroxiprogesterona (como Cyclofemina): outra composição e outra finalidade. O país tem outras formas de reposição estrogênica registradas, como produtos à base de estradiol e de valerato de estradiol, e a escolha cabe ao médico.

Quando o produto isolado é prescrito, o caminho é a importação para uso próprio, em nome do paciente e a partir da receita médica. A Medicsupply presta assessoria de importação, sem vender medicamentos. Na ausência de registro vigente, pacientes também podem buscar o custeio ou o fornecimento pela via judicial (compra judicial), sempre com orientação médica e jurídica.

Prazos, modalidades e documentos

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China, Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme disponibilidade do fornecedor, modalidade de importação e eventual necessidade de autorização excepcional; não há prazo garantido para um caso específico, e a confirmação é do time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa (maioria dos casos); DSI, que está sendo substituída; DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma → fatura comercial → romaneio de carga → conhecimento aéreo (AWB) → DIR, DSI ou DUIMP.
  • Preço: fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete, comparado à tabela CMED quando há equivalente nacional.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; sem canal na América do Sul.

Perguntas Frequentes

O Depo-Estradiol tem registro na ANVISA?

O produto isolado está sem registro ativo localizado (consulta em 18/09/2026); a molécula só tem registro ativo associada ao acetato de medroxiprogesterona.

O anticoncepcional mensal com cipionato substitui o Depo-Estradiol?

Não é o mesmo produto: contém também acetato de medroxiprogesterona e tem finalidade contraceptiva. Troca é decisão médica.

Quem tem útero precisa de progestagênio?

Segundo a bula, sim, para reduzir o risco de câncer de endométrio.

A FDA retirou o alerta da terapia hormonal?

Pediu a revisão em 2025, mas a bula do Depo-Estradiol ainda traz o alerta completo.

Conclusão

Depo-Estradiol é um estrogênio injetável aprovado nos EUA, com evidência específica limitada e advertências apoiadas sobretudo no WHI. Sem registro ativo localizado na ANVISA para o produto isolado, o acesso depende de importação, sob prescrição e acompanhamento médico.

Fontes

  1. DailyMed — rótulo de Depo-Estradiol, Pharmacia & Upjohn Company LLC; setid 9a4229fd-fecd-4ac1-9c4f-6d442533457f, revisão 02/2024.
  2. Drugs@FDA — ANDA 085470 (Pfizer): aprovação em 15/08/1979; suplemento de rotulagem SUPPL-27 (21/02/2024).
  3. FDA — comunicado de 10/11/2025 sobre rotulagem das terapias hormonais da menopausa.
  4. FDA — anúncio de 12/02/2026: primeiras bulas revisadas (seis produtos).
  5. Rossouw JE et al., JAMA, 2002;288(3):321-333. PMID 12117397.
  6. NCT00000611 (Women’s Health Initiative), fase 3.
  7. Shumaker SA et al., JAMA, 2003;289(20):2651-2662. PMID 12771112.
  8. Oriowo MA et al., Contraception, 1980;21(4):415-424. PMID 7389356.
  9. EMA — relação de medicamentos de uso humano (18/09/2026): sem cipionato de estradiol.
  10. ANVISA — consulta em 18/09/2026: produto isolado sem registro ativo localizado; associação com acetato de medroxiprogesterona ativa (Cyclofemina 1.1036.0266; Naomi 1.1036.0271; Lyndaveluno 1.1036.0267; genérico 1.1036.0270); Depomes (1.0974.0108) inativo.

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