Resumo rápido
- Tonmya é a ciclobenzaprina em comprimido sublingual, aprovada pelo FDA em 15 de agosto de 2025 sob a NDA 219428, para tratamento da fibromialgia em adultos.
- É um produto diferente da ciclobenzaprina oral convencional, que é relaxante muscular de uso curto para espasmo musculoesquelético agudo.
- A dose é de 2,8 mg por via sublingual ao deitar nos primeiros 14 dias, subindo para 5,6 mg a partir do dia 15.
- Não há advertência em quadro. A associação com inibidores da MAO é contraindicada.
- O Tonmya não tem registro na ANVISA. A ciclobenzaprina oral convencional tem, e não é a mesma coisa.
São dois produtos diferentes — e essa é a informação central
A confusão entre as duas apresentações da ciclobenzaprina é a principal fonte de erro neste assunto.
A ciclobenzaprina oral convencional é um relaxante muscular de ação central, indicado como adjuvante ao repouso e à fisioterapia para alívio do espasmo muscular associado a condições musculoesqueléticas agudas e dolorosas. O uso é expressamente limitado a períodos curtos, de até duas ou três semanas. A bula registra ainda que o medicamento não se mostrou eficaz na espasticidade de doença cerebral ou medular, nem em crianças com paralisia cerebral — o texto fala em ausência de eficácia demonstrada, e não em prova de ineficácia. No Brasil essa apresentação está registrada — o Miosan, da Apsen, tem registro ANVISA 1.0118.0129, em comprimidos de 5 mg e 10 mg, com genéricos e similares disponíveis.
O Tonmya é outra coisa: comprimido sublingual de 2,8 mg, tomado uma vez ao dia ao deitar, com indicação aprovada para fibromialgia em adultos. Mesma molécula, forma farmacêutica nova, horário de administração definido e indicação diferente.
Uma consequência prática: a ciclobenzaprina oral registrada no Brasil não é a versão nacional do Tonmya. Trocar uma pela outra significa trocar dose, via, horário e finalidade terapêutica.
O que é Tonmya (ciclobenzaprina sublingual)?
Tonmya é a marca sob a qual a Tonix Pharmaceuticals obteve, em 15 de agosto de 2025, a aprovação do FDA para a ciclobenzaprina em comprimido sublingual de 2,8 mg. O produto era conhecido no desenvolvimento como TNX-102 SL. A classificação da submissão foi de nova forma farmacêutica, em revisão padrão.
A molécula é antiga: a primeira aprovação da ciclobenzaprina nos Estados Unidos é de 1977. O que é novo é a formulação, a indicação e o regime noturno em dose única.
Vale registrar o alcance da notícia: é a primeira aprovação do FDA especificamente para fibromialgia em mais de quinze anos — a anterior foi a do milnaciprano, em janeiro de 2009, precedida pela pregabalina e pela duloxetina.
Mecanismo de ação
A ciclobenzaprina é estruturalmente aparentada aos antidepressivos tricíclicos e atua no sistema nervoso central. Tem afinidade por receptores serotoninérgicos 5-HT2A, alfa-1-adrenérgicos, histamínicos H1 e muscarínicos.
A formulação sublingual foi desenhada para absorção transmucosa, evitando o metabolismo de primeira passagem e reduzindo a formação do metabólito de meia-vida longa associado à sedação diurna. A administração ao deitar é parte do racional terapêutico, e não uma conveniência: a hipótese estudada é a melhora do sono não restaurador que acompanha a fibromialgia.
Indicações aprovadas
O texto do rótulo é curto e literal: o Tonmya é indicado para o tratamento da fibromialgia em adultos.
Não há indicação pediátrica, não há indicação para espasmo muscular agudo nessa apresentação e não há indicação para transtorno de estresse pós-traumático — o programa da mesma molécula nessa condição teve estudos de fase 3 que não atingiram o desfecho primário.
Evidências clínicas
O conjunto submetido ao FDA reuniu três ensaios de fase 3, com 1.474 adultos de 18 a 65 anos que preenchiam os critérios do Colégio Americano de Reumatologia de 2016 — 735 no braço Tonmya e 739 no placebo. Os resultados precisam ser lidos com honestidade, porque dois desses três foram positivos e um não foi. E há um quarto ensaio de fase 3 da mesma molécula na fibromialgia, anterior e não incluído na submissão, que também não atingiu o desfecho primário.
O estudo RESILIENT (NCT05273749), de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, incluiu 457 participantes, sendo 231 no braço ativo e 226 no placebo. O desfecho primário era a variação, da linha de base até a semana 14, da média semanal dos escores diários de intensidade da dor. O resultado foi de −1,8 no braço ativo contra −1,2 no placebo, diferença de −0,7 ponto, com p menor que 0,001 e tamanho de efeito de 0,38. Desfechos secundários de impressão global de mudança, sintomas, distúrbio do sono, fadiga e qualidade do sono também foram favoráveis.
Nos outros dois estudos submetidos, um mostrou diferença de −0,4 ponto com p igual a 0,010, e o outro não atingiu significância estatística em relação ao placebo. No RESILIENT, a proporção de pacientes com melhora de 30% ou mais na dor foi de 45,9% no braço ativo contra 27,1% no placebo — diferença absoluta de cerca de 19 pontos percentuais.
Em termos práticos: o efeito é estatisticamente consistente nos estudos positivos e clinicamente modesto — uma diferença de 0,7 ponto numa escala de 0 a 10, com tamanho de efeito de 0,38, num programa em que parte relevante dos ensaios de fase 3 falhou. Apresentar isso como resolução da fibromialgia seria distorcer o dado.
Posologia
Dose inicial de 2,8 mg (um comprimido) por via sublingual, uma vez ao dia, ao deitar, do dia 1 ao dia 14. A partir do dia 15, a dose-alvo é de 5,6 mg (dois comprimidos) ao deitar. O máximo é de 5,6 mg ao dia.
A boca deve ser umedecida com água antes da administração, e o comprimido não deve ser engolido inteiro, cortado, triturado nem mastigado.
Em pacientes com 65 anos ou mais, a dose recomendada permanece em 2,8 mg ao deitar, por causa da maior exposição ao fármaco. Nenhum paciente dessa faixa etária foi incluído nos ensaios clínicos.
Segurança
O Tonmya não possui advertência em quadro (boxed warning), assim como as demais apresentações da ciclobenzaprina. A ausência está registrada aqui de forma explícita.
As contraindicações são as mesmas das outras apresentações da molécula: hipersensibilidade ao fármaco ou aos excipientes; uso concomitante de inibidores da MAO ou dentro de 14 dias após a suspensão desses medicamentos; fase aguda de recuperação de infarto do miocárdio; arritmias; bloqueio cardíaco ou distúrbios de condução; insuficiência cardíaca congestiva; e hipertireoidismo.
A associação com inibidores da MAO merece destaque próprio: a bula registra crises hiperpiréticas, convulsões e mortes. Também já foi relatada síndrome serotoninérgica potencialmente fatal com ciclobenzaprina em combinação com outros agentes serotoninérgicos — informação relevante para pacientes com fibromialgia, que frequentemente usam duloxetina, milnaciprano ou outros antidepressivos.
Os eventos adversos mais frequentes da formulação sublingual são locais e previsíveis: hipoestesia oral em 23% dos pacientes contra 0,7% no placebo, e sonolência em 6% contra 2%.
Situação regulatória e como funciona o acesso
- Estados Unidos: aprovado em 15 de agosto de 2025, NDA 219428.
- União Europeia: não há medicamento com ciclobenzaprina autorizado por procedimento centralizado, e não existe EPAR. Convém registrar o contexto: a Agência Europeia de Medicamentos nunca autorizou fármaco com indicação de fibromialgia — o milnaciprano recebeu parecer negativo do CHMP em 23 de julho de 2009, confirmado após reexame.
- Brasil: a ciclobenzaprina oral convencional está registrada. A formulação sublingual para fibromialgia não tem registro na ANVISA.
Como o Tonmya não tem registro vigente no país, o caminho previsto é a importação para uso próprio, conduzida em nome do paciente e iniciada pela prescrição médica. Por se tratar de medicamento sem registro na ANVISA, a via judicial também pode ser discutida; a informação consta aqui em caráter estritamente informativo, e a avaliação depende de orientação médica e jurídica no caso concreto. Não há incorporação pela CONITEC nem protocolo do SUS que contemple essa terapia na fibromialgia.
Prazos médios por origem
| Origem | Agência sanitária | Prazo médio |
|---|---|---|
| Estados Unidos | FDA | 10 dias |
| Canadá | Health Canada | 17 dias |
| Europa | EMA | 16 dias úteis |
| Ásia (Índia, China, Japão) | CDSCO, NMPA, PMDA | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de remessa e a eventual necessidade de Autorização Excepcional de Importação. A confirmação de prazo para um caso específico é feita pelo time de compras.
Modalidades e documentação
A maior parte das remessas para uso próprio segue por courier (remessa expressa). A DSI vem sendo substituída pela DUIMP, o novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite que as anuências corram em paralelo.
A cadeia documental é sempre a mesma: Proforma Invoice, Commercial Invoice, Packing List, AWB e, por fim, DIR, DSI ou DUIMP. O processo corre sempre em nome do paciente e começa pela receita médica.
A formação do valor final combina o preço do fornecedor internacional, o câmbio do dia, os impostos e taxas alfandegárias e o frete. A Medicsupply mantém canal direto com FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.
Perguntas Frequentes
A ciclobenzaprina que se compra na farmácia brasileira serve para fibromialgia?
A apresentação registrada no Brasil é a oral convencional, cuja indicação aprovada é o espasmo musculoesquelético agudo, por até duas ou três semanas. A indicação de fibromialgia foi aprovada para a formulação sublingual, que é outro produto. A decisão terapêutica é do médico assistente.
O Tonmya cura a fibromialgia?
Não. O efeito medido foi uma redução média de 0,7 ponto na dor em escala de 0 a 10, com tamanho de efeito de 0,38; a melhora de 30% ou mais ocorreu em 45,9% dos tratados contra 27,1% no placebo.
Por que o comprimido é tomado à noite?
A dose única ao deitar faz parte do regime aprovado. A formulação sublingual foi desenhada para reduzir a sedação diurna, e os desfechos secundários do ensaio pivotal incluíram melhora do distúrbio do sono e da fadiga.
Quem toma antidepressivo pode usar Tonmya?
Há risco de síndrome serotoninérgica na combinação com agentes serotoninérgicos, e o uso com inibidores da MAO é contraindicado. A avaliação é obrigatoriamente médica.
É possível trazer o Tonmya para o Brasil?
Sim, pela via de importação para uso próprio, com receita médica e documentação em nome do paciente. A Medicsupply presta assessoria nesse processo.
Conclusão
O Tonmya é a primeira aprovação do FDA especificamente para fibromialgia em mais de quinze anos, com benefício demonstrado em dois dos três estudos submetidos e magnitude modesta. Não é a ciclobenzaprina que se encontra na farmácia brasileira: é outra forma farmacêutica, outra dose, outro horário e outra indicação. Sem registro na ANVISA, o acesso hoje passa pela importação para uso próprio, sempre com prescrição e acompanhamento médico.
Fontes
- FDA, Drugs@FDA — NDA 219428, Tonmya (cloridrato de ciclobenzaprina, comprimido sublingual 2,8 mg), Tonix Pharmaceuticals, carta de aprovação de 15 de agosto de 2025.
- DailyMed — bula de Tonmya, seções de indicação, posologia, contraindicações, advertências, reações adversas, uso em idosos e estudos clínicos.
- DailyMed — bula do cloridrato de ciclobenzaprina, comprimido revestido de liberação imediata, e da cápsula de liberação prolongada de 15 mg e 30 mg.
- ANVISA — Lista A de Medicamentos de Referência: ciclobenzaprina, Apsen Farmacêutica, Miosan, registro 1.0118.0129, comprimidos de 5 mg e 10 mg.
- ANVISA — Farmacopeia Brasileira, monografia do cloridrato de ciclobenzaprina, IF116-01, 6ª edição.
- Lederman S et al., Pain Medicine, 2026;27(1):86-94, PMID 40627411 (RESILIENT, NCT05273749).
- Lederman S et al., Arthritis Care and Research, 2023;75(11):2359-2368, PMID 37165930 (RELIEF).
- Agência Europeia de Medicamentos — relatório público de parecer negativo do milnaciprano em fibromialgia, CHMP de 23 de julho de 2009, confirmado em reexame.
- Agência Europeia de Medicamentos — base de medicamentos autorizados: nenhum produto com ciclobenzaprina por procedimento centralizado.
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