Bevatas (bevacizumabe): biossimilar indiano sem registro no Brasil e como funciona o acesso

Resumo rápido

  • Bevatas é uma marca indiana de bevacizumabe, biossimilar do produto de referência Avastin, fabricada pela Intas Pharmaceuticals em Ahmedabad.
  • A marca Bevatas não tem registro na ANVISA. É comercializada na Índia, não no Brasil.
  • O bevacizumabe, como princípio ativo, está disponível no Brasil sob outras marcas registradas — inclusive o produto de referência e biossimilares nacionais.
  • O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia o VEGF-A, fator que estimula a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor.
  • O interesse pela marca indiana costuma ser de preço: o Bevatas foi lançado por uma fração do valor do produto de referência.

O que é o bevacizumabe

O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que se liga ao fator de crescimento endotelial vascular A, conhecido pela sigla VEGF-A, e o neutraliza.

Tumores sólidos precisam formar novos vasos sanguíneos para crescer além de certo tamanho — processo chamado angiogênese. O VEGF-A é um dos principais sinais que disparam essa formação. Ao bloqueá-lo, o bevacizumabe interfere no suprimento de sangue do tumor.

É usado em diversos tumores sólidos, entre eles o câncer colorretal metastático, o câncer de pulmão de células não pequenas de histologia não escamosa, o câncer de ovário, o câncer de colo do útero e o glioblastoma recorrente. As indicações exatas variam conforme a bula aprovada em cada país.

O que é o Bevatas

Bevatas é a marca sob a qual a Intas Pharmaceuticals comercializa seu biossimilar de bevacizumabe na Índia, lançado em 2017. As apresentações disponíveis no mercado indiano são de 100 mg e 400 mg para uso injetável.

Um biossimilar não é um genérico. Medicamentos biológicos são moléculas grandes, produzidas em células vivas, e não podem ser copiadas de forma idêntica. Um biossimilar precisa demonstrar similaridade em qualidade, eficácia e segurança em relação ao produto de referência, num processo de comparabilidade avaliado pela agência reguladora de cada país.

O que motiva o interesse pelo produto indiano é o custo: o Bevatas foi lançado por cerca de 40% do preço do produto disponível até então no mercado indiano.

Situação regulatória — o ponto central

A marca Bevatas não tem registro na ANVISA e não é comercializada no Brasil. O produto é autorizado e vendido na Índia.

Isso não significa que o bevacizumabe seja indisponível aqui. O princípio ativo tem registro no Brasil sob o produto de referência e sob biossimilares aprovados pela ANVISA. Quem procura o tratamento no país encontra o medicamento pelos canais regulares — sob outras marcas.

É uma distinção que muda tudo na prática: o que falta no Brasil é aquela marca específica, não a molécula.

Como funciona o acesso

Quando o paciente ou o médico têm interesse em um produto sem registro nacional, existe a importação de medicamento para uso próprio, prevista na regulamentação sanitária brasileira. O processo corre em nome do paciente, começa pela prescrição médica e exige relatório do médico assistente, documentação e trâmite formal junto à ANVISA.

Nesse caso específico, o motivo costuma ser o preço, já que existe equivalente registrado no país. A comparação de custo leva em conta o valor do fornecedor internacional, o câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias, frete e logística com controle de temperatura — e deve ser confrontada com o preço praticado no mercado nacional, incluindo a tabela CMED.

Por se tratar de produto sem registro nacional, a via judicial também aparece como caminho de acesso em alguns casos, sempre com laudo e prescrição do médico assistente e condução por advogado. Não há garantia de resultado, e a orientação sobre essa via é jurídica.

A Medicsupply atua como assessoria nesse processo: organiza a documentação, conduz o trâmite regulatório e acompanha a importação até a entrega, com controle de temperatura. Não realizamos venda de medicamentos nem indicação de tratamento — a prescrição é sempre do médico responsável.

Uso oftalmológico: uma ressalva importante

Existem estudos indianos avaliando o Bevatas por via intravítrea em retinopatia da prematuridade, oclusão venosa da retina e edema macular diabético. São estudos observacionais conduzidos naquele país.

Vale registrar que o uso intravítreo do bevacizumabe é off-label — não consta da bula aprovada, que cobre uso oncológico por via intravenosa. A própria Intas obteve autorização do órgão regulador indiano em 2025 para conduzir estudos de fase 2 e 3 de uma formulação oftálmica, o que confirma que essa via ainda está em investigação.

Segurança

O bevacizumabe tem perfil de segurança conhecido e exige acompanhamento. Entre os eventos descritos para a classe estão hipertensão arterial, proteinúria, risco aumentado de sangramento, retardo na cicatrização de feridas e, com menor frequência, perfuração gastrointestinal e eventos tromboembólicos.

A avaliação de risco, a indicação e o acompanhamento são do médico oncologista responsável, com base no quadro individual e na bula aprovada do produto efetivamente utilizado.

Perguntas frequentes

Bevatas tem registro no Brasil?

Não. A marca Bevatas é registrada e comercializada na Índia. No Brasil não há registro dessa marca na ANVISA.

Então não existe bevacizumabe no Brasil?

Existe. O princípio ativo tem registro no país sob o produto de referência e sob biossimilares aprovados. O que não está registrado é aquela marca indiana específica.

Biossimilar é a mesma coisa que genérico?

Não. Genérico é cópia idêntica de molécula sintética simples. Biossimilar é um medicamento biológico altamente similar ao de referência, que precisa demonstrar comparabilidade em qualidade, eficácia e segurança — não é idêntico, porque moléculas biológicas produzidas em células vivas não podem ser replicadas de forma exata.

Serve para uso no olho?

O uso intravítreo do bevacizumabe é off-label. A bula aprovada cobre uso oncológico por via intravenosa. Estudos com essa via existem, mas a decisão é do médico oftalmologista, fora de indicação em bula.

Por que alguém importaria se já existe no Brasil?

O motivo mais comum é o preço. A importação para uso próprio de medicamento com equivalente nacional é possível quando há vantagem de custo, e a comparação deve considerar todos os componentes do valor final, não apenas o preço no exterior.

Fontes

  1. Intas Pharmaceuticals — lançamento do Bevatas na Índia em 2017 como biossimilar de bevacizumabe, em apresentações de 100 mg e 400 mg.
  2. Chakraborty S, Sheth JU, Ganguly S, et al. Clin Ophthalmol. PMID 38205264 — estudo BIOS-ROP com o biossimilar indiano em retinopatia da prematuridade.
  3. Chakraborty S, Sheth JU, et al. Clin Ophthalmol. PMID 39398466 — estudo BIOS-RVO com o biossimilar indiano em oclusão venosa da retina.
  4. CDSCO (Índia) — autorização, em março de 2025, para condução de estudos de fase 2 e 3 de formulação oftálmica de bevacizumabe pela Intas, confirmando que a via intravítrea segue em investigação.
  5. ANVISA — consulta de registro de medicamentos: não há registro da marca Bevatas no Brasil. O bevacizumabe está registrado no país sob outras marcas.

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado. Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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