Erleada (apalutamida): inibidor do receptor de androgênio no câncer de próstata

Resumo rápido

  • A apalutamida é um inibidor do receptor de androgênio usado no câncer de próstata, sempre em combinação com terapia de privação androgênica.
  • É comercializada como Erleada, com registro na ANVISA aprovado em 15 de outubro de 2018, cuja detentora é a Janssen-Cilag Farmacêutica.
  • As indicações aprovadas no Brasil são o câncer de próstata não metastático resistente à castração e o câncer de próstata metastático sensível à castração.
  • A dose é de 240 mg por dia, correspondentes a quatro comprimidos revestidos de 60 mg, por via oral, com ou sem alimento.
  • É contraindicado para mulheres grávidas ou que possam engravidar, e não foi avaliado em crianças.

O que é a apalutamida

A apalutamida é um inibidor seletivo do receptor de androgênio. O câncer de próstata costuma depender de hormônios masculinos para crescer, e o tratamento hormonal busca justamente cortar esse estímulo.

A terapia de privação androgênica, feita por medicamento ou por orquiectomia, reduz a produção de testosterona. A apalutamida age em outro ponto: bloqueia o receptor onde o hormônio se encaixa dentro da célula tumoral. Por isso ela não substitui a privação androgênica — é usada junto com ela, que precisa ser mantida durante todo o tratamento.

Em modelos experimentais, essa inibição reduz a proliferação das células tumorais e aumenta a morte celular programada.

Para que é indicada

A bula brasileira traz duas indicações, ambas em combinação com terapia de privação androgênica:

  • Câncer de próstata não metastático resistente à castração — quando a doença progride apesar da privação androgênica, mas ainda não há metástase detectável.
  • Câncer de próstata metastático sensível à castração — quando já há metástase e a doença ainda responde à privação androgênica.

O medicamento é de uso adulto e masculino. Não é indicado para mulheres nem para crianças — a segurança e a eficácia em população pediátrica não foram avaliadas.

Evidência

A eficácia foi estabelecida em dois estudos de fase 3, randomizados e controlados por placebo, nos quais todos os participantes receberam concomitantemente análogos do hormônio liberador de gonadotrofina ou haviam sido submetidos a orquiectomia bilateral prévia.

O SPARTAN (NCT01946204) avaliou a doença não metastática resistente à castração. Foram 1.207 pacientes randomizados na proporção de dois para um entre apalutamida 240 mg ao dia com privação androgênica e placebo com privação androgênica. Os participantes tinham tempo de duplicação do PSA igual ou inferior a dez meses, e a ausência de metástases foi confirmada por cintilografia óssea e tomografia computadorizada.

O TITAN (NCT02489318) avaliou a doença metastática sensível à castração, no mesmo desenho de comparação com placebo somado à privação androgênica.

Posologia

A dose recomendada é de 240 mg por via oral, uma vez ao dia, correspondentes a quatro comprimidos revestidos de 60 mg. Os comprimidos devem ser deglutidos inteiros e podem ser tomados com ou sem alimento.

Diante de toxicidade de grau 3 ou superior, ou de efeito adverso intolerável, a bula prevê suspensão até melhora para grau 1 ou para o grau original, com retomada na mesma dose ou em dose reduzida — 180 mg ou 120 mg — conforme decisão médica.

A apresentação brasileira é em frasco com 120 comprimidos revestidos. O armazenamento é em temperatura ambiente, entre 15 °C e 30 °C, na embalagem original.

A terapia de privação androgênica deve ser mantida durante todo o tratamento. A indicação, o início e o monitoramento cabem a oncologista ou urologista.

Segurança

O Erleada é contraindicado em mulheres grávidas ou que possam engravidar. O medicamento não tem indicação feminina.

Em estudo dedicado de avaliação cardíaca, a apalutamida na dose de 240 mg uma vez ao dia não produziu variação média do intervalo QT superior a 20 milissegundos em relação ao valor basal.

Não existe antídoto específico para superdosagem. Não foram observadas toxicidades limitantes de dose em 480 mg por dia, o dobro da dose recomendada.

O acompanhamento de eventos adversos e a decisão sobre ajuste ou suspensão são do médico responsável, conforme o quadro individual.

Situação no Brasil e acesso

O Erleada tem registro vigente na ANVISA desde outubro de 2018, sob a Janssen-Cilag Farmacêutica, na forma de comprimido revestido de 60 mg. Por ter registro nacional, o acesso ocorre pelos canais regulares de distribuição no país.

Há, porém, um ponto que costuma aparecer na prática: a apalutamida não consta dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia do Ministério da Saúde. Isso significa que a disponibilidade pela via pública não é automática, e discussões de custeio junto a plano de saúde ou ao sistema público são frequentes em terapias nessa situação.

Nesses casos, o caminho inicial é a revisão administrativa junto à operadora ou ao órgão responsável, com laudo médico detalhado que justifique a indicação. A orientação sobre eventuais medidas judiciais cabe a advogado, e não há garantia de resultado.

Perguntas frequentes

Erleada tem registro no Brasil?

Sim. O registro foi aprovado pela ANVISA em 15 de outubro de 2018, e a detentora é a Janssen-Cilag Farmacêutica.

Substitui a terapia hormonal?

Não. A apalutamida é usada em combinação com a terapia de privação androgênica, que deve ser mantida durante todo o tratamento.

Qual é a dose?

240 mg por dia, em quatro comprimidos revestidos de 60 mg, por via oral, uma vez ao dia, com ou sem alimento.

Está disponível no SUS?

A apalutamida não consta dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia do Ministério da Saúde. A disponibilidade concreta deve ser verificada com o serviço que acompanha o paciente.

Mulheres podem usar?

Não. A indicação é exclusivamente para câncer de próstata, e o medicamento é contraindicado para mulheres grávidas ou que possam engravidar.

Fontes

  1. FDA — NDA 210951 (Erleada, apalutamida, Janssen Biotech): indicações em câncer de próstata resistente à castração não metastático e metastático sensível à castração.
  2. ANVISA — aprovação do registro do Erleada (apalutamida) em 15 de outubro de 2018, detentora Janssen-Cilag Farmacêutica, comprimido revestido de 60 mg, publicada no Diário Oficial da União.
  3. ANVISA — bula do Erleada (apalutamida): posologia de 240 mg ao dia, reduções de dose para 180 mg ou 120 mg, contraindicações e condições de conservação.
  4. ClinicalTrials.gov — NCT01946204 (SPARTAN): 1.207 pacientes com doença não metastática resistente à castração.
  5. ClinicalTrials.gov — NCT02489318 (TITAN): doença metastática sensível à castração.
  6. Smith MR, Saad F, Chowdhury S, et al. N Engl J Med. PMID 29420164 — resultados do SPARTAN.
  7. Chi KN, Agarwal N, Bjartell A, et al. N Engl J Med. PMID 31150574 — resultados do TITAN.

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