Phesgo: tratamento subcutâneo do câncer de mama HER2+

Resumo rápido

  • Phesgo é uma combinação de dose fixa de pertuzumabe, trastuzumabe e hialuronidase para injeção subcutânea, usada no tratamento do câncer de mama HER2-positivo.
  • A hialuronidase recombinante permite a administração por via subcutânea, substituindo as duas infusões intravenosas separadas de pertuzumabe e trastuzumabe.
  • Foi aprovado pela FDA (Estados Unidos) em junho de 2020, autorizado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em dezembro de 2020 e registrado pela Anvisa (Brasil) em dezembro de 2021.
  • É indicado nos cenários neoadjuvante, adjuvante e metastático do câncer de mama HER2-positivo, sempre em combinação com quimioterapia.
  • O detentor do registro é a Roche; nos Estados Unidos, a titular é a Genentech, empresa do grupo Roche.

O que é Phesgo?

Phesgo é um medicamento biológico que reúne, em uma única apresentação, dois anticorpos monoclonais já bem estabelecidos no tratamento do câncer de mama HER2-positivo — o pertuzumabe e o trastuzumabe — acrescidos de hialuronidase humana recombinante. Diferentemente das formulações tradicionais, que exigem duas infusões intravenosas separadas, Phesgo é aplicado por via subcutânea em poucos minutos, o que simplifica a administração. A tecnologia da hialuronidase é o que viabiliza essa via de aplicação. O câncer de mama HER2-positivo é aquele em que as células tumorais expressam em excesso a proteína HER2, associada a um comportamento mais agressivo da doença; por isso, as terapias direcionadas ao HER2 ocupam papel central nesse cenário.

Como o Phesgo funciona

Pertuzumabe e trastuzumabe atuam sobre a mesma proteína, o receptor HER2, mas em regiões (epítopos) diferentes. O trastuzumabe se liga a um domínio do receptor e o pertuzumabe impede que o HER2 se associe a outros receptores da mesma família (a dimerização). Essa ação combinada resulta em um bloqueio mais completo dos sinais que estimulam o crescimento tumoral do que o obtido com cada anticorpo isoladamente.

O terceiro componente, a hialuronidase recombinante, degrada temporariamente o ácido hialurônico presente no tecido subcutâneo. Isso permite dispersar e absorver um volume maior de medicamento sob a pele, tornando possível aplicar os dois anticorpos juntos por via subcutânea, no lugar de duas infusões intravenosas. A administração é feita na coxa. A dose inicial (de ataque) combina 1200 mg de pertuzumabe, 600 mg de trastuzumabe e 30.000 unidades de hialuronidase; as doses de manutenção, a cada três semanas, combinam 600 mg de pertuzumabe, 600 mg de trastuzumabe e 20.000 unidades de hialuronidase. A dose inicial leva cerca de oito minutos e as de manutenção, cerca de cinco minutos.

Indicações aprovadas

Phesgo é indicado para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo, nas seguintes situações, conforme a bula:

  • Tratamento neoadjuvante (antes da cirurgia) do câncer de mama HER2-positivo localmente avançado, inflamatório ou em estágio inicial, como parte de um esquema completo de tratamento, em combinação com quimioterapia.
  • Tratamento adjuvante (após a cirurgia) do câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial com alto risco de recorrência, em combinação com quimioterapia.
  • Câncer de mama metastático HER2-positivo, em pacientes que ainda não receberam terapia anti-HER2 ou quimioterapia para a doença metastática, em combinação com docetaxel.

Situação regulatória e evidências clínicas

A trajetória regulatória de Phesgo está bem documentada. A FDA concedeu a aprovação em 29 de junho de 2020 (registro BLA 761170, titular Genentech). A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorizou a comercialização na União Europeia em 21 de dezembro de 2020. No Brasil, a Anvisa registrou o produto em 13 de dezembro de 2021, sob responsabilidade da Roche — ou seja, Phesgo está regularizado e disponível no país.

A base de evidências vem de dois estudos principais. O FeDeriCa (NCT03493854) foi um estudo de fase 3, aberto, multicêntrico e de não inferioridade, que demonstrou que os níveis do medicamento no sangue (farmacocinética) obtidos com a formulação subcutânea não são inferiores aos das formulações intravenosas, com perfil de eficácia e segurança comparável no câncer de mama HER2-positivo inicial. O PHranceSCa (NCT03674112) foi um estudo de fase 2, aberto, de preferência do paciente, no qual a maioria dos participantes preferiu a via subcutânea à intravenosa. Ambos os estudos incluíram centros de pesquisa brasileiros.

Característica Phesgo (subcutâneo) Pertuzumabe + trastuzumabe (intravenoso)
Via de administração Injeção subcutânea, na coxa Duas infusões intravenosas separadas
Tempo de aplicação Poucos minutos (cerca de 5 a 8 minutos) Mais longo, frequentemente acima de uma hora
Composição Pertuzumabe + trastuzumabe + hialuronidase Pertuzumabe e trastuzumabe, sem hialuronidase
Farmacocinética Não inferior à via intravenosa (FeDeriCa) Referência do estudo
Preferência dos pacientes Maioria preferiu a via subcutânea (PHranceSCa)

Segurança e cuidados

A bula de Phesgo traz advertências em destaque (a sinalização de maior gravidade) para disfunção do ventrículo esquerdo (cardiomiopatia), toxicidade embriofetal e toxicidade pulmonar. Por isso, a função cardíaca deve ser avaliada antes e durante o tratamento, e o uso é contraindicado na gravidez, exigindo contracepção eficaz. Entre os eventos adversos mais comuns estão queda de cabelo (alopecia), náuseas, diarreia, anemia, fraqueza (astenia) e reações no local da injeção. Phesgo é um medicamento de uso hospitalar/especializado, aplicado exclusivamente sob prescrição e acompanhamento de equipe oncológica.

Perguntas Frequentes

Phesgo está disponível no Brasil?

Sim. Phesgo está registrado na Anvisa (registro nº 1.0100.0672) desde dezembro de 2021, sob responsabilidade da Roche, e é comercializado no país.

Phesgo é quimioterapia?

Não. Phesgo é composto por anticorpos monoclonais (terapia-alvo direcionada ao HER2). Ele é utilizado em combinação com quimioterapia, mas não é, em si, um quimioterápico.

Qual a diferença entre Phesgo e as infusões de pertuzumabe e trastuzumabe?

Phesgo reúne os mesmos dois anticorpos em uma única aplicação subcutânea, com o auxílio da hialuronidase, no lugar de duas infusões intravenosas separadas. A eficácia farmacocinética demonstrou-se não inferior à das formulações intravenosas.

Como Phesgo é administrado?

Por injeção subcutânea na coxa, em poucos minutos, a cada três semanas, com uma dose inicial mais alta seguida de doses de manutenção.

Conclusão

Phesgo representa uma evolução na forma de administrar a terapia anti-HER2, reunindo pertuzumabe e trastuzumabe em uma aplicação subcutânea rápida, com respaldo de estudos de fase 2 e fase 3. Está aprovado pela FDA, pela EMA e pela Anvisa, e encontra-se disponível no Brasil. Por se tratar de terapia oncológica de alto custo, o acesso no país pode ocorrer pelo sistema público de saúde ou por planos de saúde; em situações de negativa de cobertura, há pacientes que recorrem a vias administrativas ou judiciais — caminhos que devem sempre ser avaliados com orientação médica e jurídica especializada. A decisão terapêutica é individual e cabe ao médico oncologista responsável.

Fontes

  1. FDA (Estados Unidos) — registro BLA 761170, Phesgo (pertuzumabe, trastuzumabe e hialuronidase-zzxf), titular Genentech; informações de prescrição vigentes (aprovação em 29/06/2020).
  2. Agência Europeia de Medicamentos (EMA) — relatório público de avaliação (EPAR) de Phesgo; autorização de comercialização em 21/12/2020, titular Roche.
  3. Anvisa (Brasil) — registro nº 1.0100.0672, Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A.; aprovação em 13/12/2021.
  4. Estudo FeDeriCa (NCT03493854) — fase 3, aberto, multicêntrico, de não inferioridade. Tan AR, et al. Lancet Oncology, 2021;22(1):85-97. PMID 33357420.
  5. Estudo PHranceSCa (NCT03674112) — fase 2, aberto, de preferência do paciente. O’Shaughnessy J, et al. European Journal of Cancer, 2021;152:223-232. PMID 34049235.

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