Resumo rápido
- Komzifti é o nome comercial do ziftomenibe, um inibidor de menina de uso oral.
- Recebeu aprovação plena do FDA em 13 de novembro de 2025, sob a aplicação NDA 220305, das empresas Kura Oncology e Kyowa Kirin.
- É indicado para adultos com leucemia mieloide aguda recidivada ou refratária com mutação NPM1 suscetível que não tenham opções alternativas de tratamento satisfatórias.
- A dose é de 600 mg por via oral, uma vez ao dia, em jejum.
- A bula traz advertência em destaque para síndrome de diferenciação, que pode ser fatal e exige atendimento imediato.
- No estudo KOMET-001, a taxa combinada de resposta completa e resposta completa com recuperação hematológica parcial foi de 21,4%.
O que é Komzifti (ziftomenibe)?
Komzifti é o nome comercial do medicamento cujo princípio ativo é o ziftomenibe, molécula da classe dos inibidores de menina, apresentada em cápsulas de 200 mg para uso oral. Recebeu aprovação plena do FDA em 13 de novembro de 2025, sob a aplicação NDA 220305, e é desenvolvido e comercializado por Kura Oncology e Kyowa Kirin. É o primeiro inibidor de menina de administração oral única diária aprovado para leucemia mieloide aguda recidivada ou refratária com mutação NPM1. No Brasil, o status de registro junto à ANVISA deve ser verificado diretamente na agência. Em textos em inglês o princípio ativo aparece como ziftomenib. [1][3]
Como Komzifti (ziftomenibe) atua no organismo?
Conforme a bula, o ziftomenibe rompe farmacologicamente a interação entre as proteínas menina e KMT2A. Essa interação é necessária para a atividade oncogênica do NPM1 mutante, e seu bloqueio induz a diferenciação das células leucêmicas, evidenciada pelo aumento da expressão de marcadores de diferenciação. Em estudos não clínicos, o ziftomenibe demonstrou atividade antitumoral em modelos de leucemia com NPM1 mutado.
A bula define ainda o que caracteriza uma mutação NPM1 suscetível: aquela que resulta em perda do sinal de localização nucleolar e inserção de um novo sinal de exportação nuclear, levando ao acúmulo citoplasmático da proteína NPM1 mutante, que compromete a função celular normal e dirige a leucemogênese. [1]
Indicações: para quais condições médicas?
Komzifti é indicado para o tratamento de pacientes adultos com leucemia mieloide aguda recidivada ou refratária que apresentem uma mutação NPM1 suscetível e que não tenham opções alternativas de tratamento satisfatórias. Três elementos definem a elegibilidade: a doença recidivada ou refratária, ou seja, que retornou após resposta inicial ou não respondeu a terapias anteriores; a presença confirmada da mutação NPM1, que exige teste genético; e a ausência de alternativa terapêutica satisfatória. A bula registra que, no momento da aprovação, não havia teste aprovado pelo FDA especificamente para a detecção de mutações NPM1. A seleção do paciente e a prescrição cabem ao hematologista responsável. [1]
Posologia e administração
A dose recomendada é de 600 mg por via oral, uma vez ao dia, mantida até progressão da doença ou toxicidade inaceitável. A administração deve ser feita em jejum, pelo menos 1 hora antes ou 2 horas depois de uma refeição, sempre aproximadamente no mesmo horário do dia. As cápsulas devem ser engolidas inteiras, sem abrir, quebrar ou mastigar.
A bula estabelece duas condições importantes. Antes de iniciar, a contagem de leucócitos deve estar reduzida a menos de 25 × 10⁹/L. E, para pacientes sem progressão confirmada da doença nem toxicidade inaceitável, recomenda-se manter o tratamento por no mínimo 6 meses, para dar tempo ao surgimento de resposta clínica. Interrupções e reduções de dose são previstas em bula conforme reações adversas, e a suspensão definitiva é indicada em pacientes que não toleram 200 mg uma vez ao dia após a segunda redução. [1]
Evidências clínicas e estudos
A aprovação teve como base o estudo KOMET-001 (NCT04067336), ensaio de fase 1/2, aberto, de braço único e multicêntrico. Foram avaliados 112 adultos com leucemia mieloide aguda recidivada ou refratária com mutação NPM1, tratados com 600 mg uma vez ao dia. A taxa combinada de resposta completa e resposta completa com recuperação hematológica parcial foi de 21,4% (IC 95%: 14,2 a 30,2), com duração mediana dessas respostas de 5,0 meses. A duração mediana de exposição ao medicamento foi de 2,2 meses, variando de 0,1 a 21,5 meses.
Por se tratar de estudo de braço único, sem grupo comparador, esses valores descrevem o que foi observado na população estudada e não permitem comparação direta com outras condutas. [1][2]
Segurança: advertência em destaque e principais riscos
A bula de Komzifti traz uma advertência em destaque, o chamado boxed warning, para síndrome de diferenciação, que pode ser fatal. A síndrome está associada à proliferação e à diferenciação rápidas das células mieloides e pode ocorrer já a partir do terceiro dia de tratamento ou mais tardiamente. Os sinais e sintomas incluem febre, dor articular ou óssea, hipotensão, hipóxia, falta de ar ou dificuldade para respirar, tosse, dor no peito, ganho rápido de peso, inchaço em mãos, pés, tornozelos ou pernas, derrame pleural ou pericárdico, infiltrados pulmonares, lesão renal aguda, redução do volume urinário, tontura e erupções cutâneas. Diante de qualquer um desses sinais, o paciente deve procurar atendimento imediatamente. Se houver suspeita, a conduta prevista em bula é interromper o medicamento e iniciar corticoide oral ou intravenoso com monitoramento hemodinâmico e laboratorial até a resolução dos sintomas, retomando o tratamento com a melhora.
No estudo KOMET-001, a síndrome de diferenciação ocorreu em 29 dos 112 pacientes tratados, ou 26%, foi de grau 3 em 13% e resultou em óbito em dois pacientes. Considerando todos os pacientes com qualquer forma genética de leucemia mieloide aguda tratados com o medicamento em monoterapia nos estudos clínicos, a ocorrência foi de 25%.
A bula traz ainda duas outras advertências. O prolongamento do intervalo QTc exige monitoramento de eletrocardiograma e de eletrólitos, correção de hipocalemia e de hipomagnesemia antes do tratamento e interrupção do medicamento caso o QTc ultrapasse 500 ms. E há risco de toxicidade embriofetal, com potencial de dano ao feto quando administrado a gestante.
Quanto ao perfil geral, reações adversas graves foram relatadas em 79% dos pacientes, e reações adversas fatais ocorreram em 4 pacientes (4%), incluindo dois casos de síndrome de diferenciação, um de infecção e uma morte súbita. As reações adversas mais comuns, com incidência igual ou superior a 20%, foram infecção sem patógeno identificado, hemorragia, diarreia, náusea, fadiga, edema, infecção bacteriana, dor musculoesquelética, síndrome de diferenciação, prurido, neutropenia febril e elevação de transaminases. O tratamento exige monitoramento clínico e laboratorial contínuo, conduzido por equipe especializada em hematologia. [1]
Perguntas Frequentes
Qual a dose e como o medicamento é tomado?
600 mg por via oral, uma vez ao dia, em jejum — pelo menos 1 hora antes ou 2 horas depois de uma refeição —, sempre no mesmo horário. As cápsulas são engolidas inteiras. O tratamento é mantido até progressão da doença ou toxicidade inaceitável, com mínimo recomendado de 6 meses para quem não apresentar progressão nem toxicidade.
Quem pode usar Komzifti?
Adultos com leucemia mieloide aguda recidivada ou refratária que tenham uma mutação NPM1 suscetível confirmada por teste genético e que não disponham de opções alternativas de tratamento satisfatórias. A avaliação de elegibilidade é do hematologista.
O que é a síndrome de diferenciação e por que ela importa tanto?
É a advertência em destaque da bula e pode ser fatal. Ocorreu em 26% dos pacientes no estudo que sustentou a aprovação. Pode se manifestar já nos primeiros dias de tratamento com febre, falta de ar, tosse, dor óssea ou articular, ganho rápido de peso e inchaço nas extremidades. Qualquer um desses sinais exige contato imediato com a equipe médica, porque o manejo depende de interrupção do medicamento e início de corticoide.
Qual o objetivo do tratamento?
O controle da doença em pacientes elegíveis, buscando resposta hematológica. No estudo que sustentou a aprovação, cerca de um em cada cinco pacientes atingiu resposta completa ou resposta completa com recuperação hematológica parcial. Os resultados variam conforme o caso e devem ser acompanhados pelo médico.
Como funciona o acesso ao medicamento no Brasil?
A situação de registro junto à ANVISA deve ser verificada diretamente na agência. Quando o medicamento não está disponível comercialmente no país, o acesso pode se dar por importação, sempre mediante prescrição e avaliação de médico hematologista. Em determinadas situações pacientes recorrem à via judicial, o que exige orientação médica e jurídica adequada.
O papel de Komzifti no tratamento da LMA com mutação NPM1
Komzifti é a primeira terapia-alvo oral de administração única diária aprovada para adultos com leucemia mieloide aguda recidivada ou refratária com mutação NPM1, um cenário historicamente marcado por poucas opções e desfechos ruins. As mutações NPM1 estão entre as alterações genéticas mais comuns na leucemia mieloide aguda. O medicamento segue em desenvolvimento para uso em linhas mais precoces e em combinação com outras terapias. Seu uso exige confirmação da mutação por teste genético, acompanhamento hematológico contínuo e atenção permanente aos sinais de síndrome de diferenciação, que constituem o principal risco descrito em bula. [1][3]
Fontes
- [1] FDA — NDA 220305 (KOMZIFTI, ziftomenibe, Kura Oncology, Inc.). Bula vigente, aprovação inicial nos EUA em 2025, disponível no DailyMed.
- [2] ClinicalTrials.gov — NCT04067336 (KOMET-001).
- [3] Kura Oncology e Kyowa Kirin — comunicado conjunto de 13 de novembro de 2025 sobre a aprovação plena pelo FDA.
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