Resumo rápido
- Krystexxa é a marca do princípio ativo pegloticase, uma uricase recombinante peguilada administrada por infusão intravenosa.
- É indicado pelo FDA para o tratamento da gota crônica em pacientes adultos refratários à terapia convencional.
- Atua convertendo o ácido úrico em alantoína, um metabólito mais solúvel e facilmente eliminado, reduzindo rapidamente o ácido úrico no sangue.
- A dose registrada é de 8 mg por via intravenosa a cada 2 semanas; a bula vigente recomenda a coadministração com metotrexato para aumentar a proporção de respondedores.
- A bula do FDA traz uma advertência em destaque para anafilaxia, reações à infusão e, em pacientes com deficiência de G6PD, hemólise e meta-hemoglobinemia.
O que é Krystexxa (pegloticase)?
Krystexxa é o nome comercial do princípio ativo pegloticase, um medicamento biológico da classe das uricases. Trata-se de uma uricase recombinante conjugada a polietilenoglicol (peguilada), característica que prolonga sua permanência no organismo. Recebeu aprovação inicial do FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, em 2010, sob o registro biológico BLA 125293. O produto foi originalmente desenvolvido pela Savient Pharmaceuticals; atualmente, o titular do registro é a Amgen, que concluiu a aquisição da Horizon Therapeutics em outubro de 2023.
Mecanismo de ação
O ser humano e os primatas superiores não possuem uricase funcional; por isso, o ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas e pode se acumular, formando cristais nas articulações e nos tecidos (tofos). A pegloticase repõe essa atividade enzimática: catalisa a oxidação do ácido úrico em alantoína, um composto mais solúvel em água e prontamente excretado pelos rins. Com isso, o ácido úrico sérico cai de forma rápida e acentuada, favorecendo a redução dos depósitos de urato ao longo do tratamento.
Indicações aprovadas
Conforme a bula vigente do FDA, Krystexxa é indicado para o tratamento da gota crônica em pacientes adultos refratários à terapia convencional. Considera-se refratário o paciente cujo ácido úrico permanece elevado, ou cujos sinais e sintomas persistem, apesar do uso de terapias redutoras de urato convencionais (como alopurinol ou febuxostate) em dose adequada, ou que não tolera esses medicamentos. Não é um tratamento para gota comum, hiperuricemia assintomática ou crises isoladas — destina-se a uma população específica e de difícil controle, sempre sob avaliação de um médico especialista.
Posologia (conforme a bula)
A dose registrada é de 8 mg administrados por infusão intravenosa a cada 2 semanas, com tempo de infusão não inferior a 120 minutos, em ambiente de saúde. Recomenda-se pré-medicação com anti-histamínicos e corticosteroides para reduzir o risco de reações. A bula vigente passou a recomendar a coadministração de metotrexato 15 mg por via oral, uma vez por semana, com suplementação de ácido fólico, com o objetivo de aumentar a proporção de pacientes que mantêm resposta ao tratamento; o uso isolado é previsto quando o metotrexato é contraindicado ou não é clinicamente apropriado. A definição de dose, elegibilidade e monitoramento é responsabilidade do médico assistente.
Evidências clínicas e eficácia
A aprovação apoiou-se em dois estudos pivotais de fase 3, denominados C0405 e C0406, registrados em conjunto sob o identificador NCT00325195 (patrocínio da Savient Pharmaceuticals). Foram ensaios randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, com 6 meses de duração e três braços (pegloticase 8 mg a cada 2 semanas; 8 mg a cada 4 semanas; e placebo). O desfecho primário foi a proporção de pacientes que atingiram ácido úrico plasmático abaixo de 6 mg/dL durante pelo menos 80% do tempo nos meses 3 e 6.
| Estudo | Pegloticase 8 mg a cada 2 semanas | Placebo |
|---|---|---|
| C0405 | 47% de respondedores (20/43) | 0% (0/20) |
| C0406 | 38% de respondedores (16/42) | 0% (0/23) |
Em ambos os estudos, a superioridade da pegloticase sobre o placebo foi estatisticamente significativa (p<0,001). Os resultados foram publicados de forma conjunta por Sundy e colaboradores na revista JAMA, em 2011. Posteriormente, um estudo randomizado e controlado por placebo (conhecido como MIRROR) demonstrou que a associação com metotrexato aumenta a proporção de respondedores, embasando a atualização da bula em 2022.
Segurança e advertências
A bula do FDA traz uma advertência em destaque — o nível mais grave de alerta do rótulo — que abrange:
- Anafilaxia e reações à infusão, que podem ocorrer durante ou após qualquer infusão, inclusive a primeira, em geral nas primeiras 2 horas. Por isso, o medicamento deve ser administrado apenas em ambiente de saúde, por profissionais preparados para manejar essas reações, com pré-medicação.
- Monitoramento do ácido úrico sérico antes de cada infusão: recomenda-se suspender o tratamento quando os níveis voltam a subir acima de 6 mg/dL, sobretudo em duas medições consecutivas, pois a perda de resposta se associa a maior risco de reações.
- Hemólise e meta-hemoglobinemia em pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). É necessário rastrear essa deficiência antes de iniciar, e o medicamento é contraindicado nesses pacientes.
No início do tratamento, as crises de gota podem se tornar mais frequentes, sendo comum a prescrição de profilaxia. A formação de anticorpos contra o medicamento pode reduzir a eficácia ao longo do tempo. Eventos adversos, contraindicações e interações devem ser avaliados individualmente pelo médico.
Situação regulatória e acesso por importação no Brasil
Nos Estados Unidos, Krystexxa segue com registro ativo no FDA (BLA 125293). Na União Europeia, o medicamento chegou a receber autorização de comercialização em janeiro de 2013, mas essa autorização foi retirada em junho de 2016 a pedido da própria empresa titular, por razões comerciais — ou seja, não está comercializado no mercado europeu atualmente.
No Brasil, a existência de registro deve ser verificada diretamente junto à ANVISA. Quando um medicamento não possui registro comercial ativo no país, o acesso pode ocorrer por importação, mediante prescrição médica e cumprimento das exigências regulatórias. Em algumas situações, pacientes recorrem também à via judicial; trata-se de um caminho que exige orientação médica e jurídica individualizada e não representa garantia de fornecimento. A Medicsupply atua exatamente nesse ponto, como assessoria especializada em importação, apoiando o paciente e a família na organização documental e logística do processo.
Perguntas Frequentes
Krystexxa tem registro na ANVISA?
A situação de registro deve ser confirmada junto à ANVISA. Não localizamos registro comercial ativo no Brasil; nesse cenário, o acesso costuma se dar por importação, com prescrição médica e orientação adequada.
Para quem o medicamento é indicado?
Para adultos com gota crônica refratária à terapia convencional — pacientes que não respondem ou não toleram os tratamentos redutores de urato habituais. Não é indicado para gota comum nem para hiperuricemia sem sintomas.
Como é feita a administração?
Por infusão intravenosa a cada 2 semanas, em ambiente de saúde, com pré-medicação e, conforme a bula vigente, coadministração de metotrexato semanal. A condução é sempre médica.
O medicamento está disponível na Europa?
Não no mercado europeu atual. A autorização concedida em 2013 foi retirada em 2016 a pedido da empresa, por razões comerciais, e não por questões de segurança ou eficácia.
Conclusão
Krystexxa (pegloticase) é uma uricase peguilada de uso intravenoso voltada a um grupo específico: adultos com gota crônica refratária ao tratamento convencional. Sua eficácia em reduzir o ácido úrico foi demonstrada em estudos de fase 3, e seu uso exige monitoramento rigoroso pelo risco de reações graves. Como a disponibilidade comercial varia entre países, o acesso no Brasil pode depender de importação — processo que deve ser conduzido com prescrição médica e, quando aplicável, orientação jurídica. A Medicsupply oferece assessoria especializada para essa jornada.
Fontes
- FDA — BLA 125293 (Krystexxa, pegloticase). Bula vigente (titular Amgen Inc.); aprovação inicial nos Estados Unidos em 2010.
- Estudos pivotais de fase 3 C0405 e C0406 — ClinicalTrials.gov NCT00325195 (patrocínio Savient Pharmaceuticals).
- Sundy JS, Baraf HSB, Yood RA, et al. JAMA. 2011;306(7):711-720. PMID 21846852.
- Botson JK, et al. Arthritis & Rheumatology. 2023 (estudo MIRROR: metotrexato associado à pegloticase). PMID 36099211.
- EMA — autorização de comercialização na União Europeia concedida em 08/01/2013 e retirada em 30/06/2016 a pedido do titular, por razões comerciais.
- ANVISA — registro no Brasil a ser verificado.
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