Zypadhera (pamoato de olanzapina): antipsicótico injetável de ação prolongada para a esquizofrenia

Resumo rápido

  • O Zypadhera é o pamoato de olanzapina, antipsicótico atípico de ação prolongada aplicado no glúteo a cada 2 ou 4 semanas por profissional de saúde.
  • Na União Europeia, onde é autorizado desde 19/11/2008, é indicado na manutenção de adultos com esquizofrenia estabilizados com olanzapina oral; nos EUA, o pamoato de olanzapina foi aprovado em 11/12/2009 para a esquizofrenia.
  • Após cada injeção, o paciente fica ao menos 3 horas em observação, pelo risco de síndrome pós-injeção de delirium/sedação (menos de 0,1% das injeções e cerca de 2% dos pacientes nos estudos).
  • Nos estudos pivotais, o injetável superou o placebo na fase aguda e manteve de 84% a 95% dos pacientes sem exacerbação em 24 semanas, nas doses usuais.
  • No Brasil, o registro do Zypadhera está inativo (vencimento em 11/2015); como a olanzapina é da Lista C1 e a forma oral é comercializada, a importação é avaliada caso a caso.

O que é Zypadhera (pamoato de olanzapina)?

Zypadhera é a marca europeia do pamoato de olanzapina monoidratado (na Denominação Comum Brasileira, embonato de olanzapina monoidratado), forma de ação prolongada da olanzapina, antipsicótico atípico. O pamoato de olanzapina também é comercializado como Zyprexa Relprevv, nos Estados Unidos. Vem em pó e solvente para suspensão injetável de liberação prolongada, com o equivalente a 210 mg, 300 mg ou 405 mg de olanzapina por frasco. Na União Europeia e nos EUA, o titular é a Cheplapharm. Não se trata da olanzapina injetável de ação rápida (10 mg por frasco): os esquemas são diferentes, e as bulas alertam para o risco de confusão.

Mecanismo de ação

O mecanismo da olanzapina na esquizofrenia não é totalmente conhecido; o efeito pode decorrer do bloqueio dos receptores de dopamina D2 e de serotonina 5-HT2. O sal pamoato, praticamente insolúvel, dissolve-se devagar no músculo: a meia-vida efetiva é de cerca de 30 dias, contra cerca de 30 horas da forma oral, com pico na primeira semana. Após a troca da forma oral, o novo estado de equilíbrio pode levar cerca de 3 meses.

Indicações

União Europeia (EMA)

O Zypadhera (EMEA/H/C/000890) é indicado na manutenção de adultos com esquizofrenia suficientemente estabilizados durante o tratamento agudo com olanzapina oral. Não é recomendado acima de 65 anos, salvo com esquema oral eficaz e bem tolerado, nem deve ser iniciado acima de 75; abaixo de 18 anos, segurança e eficácia não foram estabelecidas.

Estados Unidos (FDA)

O rótulo norte-americano indica o pamoato de olanzapina no tratamento da esquizofrenia, com eficácia demonstrada em adultos; não foi estudado abaixo de 18 anos. O produto só circula por um programa de distribuição restrita (REMS), com cadastro de prescritor, serviço de saúde, paciente e farmácia, e não pode ser entregue diretamente ao paciente. Nas duas regiões, a tolerância à olanzapina oral deve ser estabelecida antes da primeira injeção, e o uso na psicose associada à demência em idosos não é aprovado nos EUA nem recomendado na Europa.

Evidências clínicas

Fase aguda: estudo HGJZ, de 8 semanas

No HGJZ, de fase 3 e duplo-cego (Lauriello e colaboradores, 2008), 404 adultos em fase aguda, com escore médio de 101 na escala de sintomas positivos e negativos (PANSS), receberam 210 mg ou 300 mg a cada 2 semanas, 405 mg a cada 4 semanas ou placebo, sem antipsicótico oral. O PANSS total caiu em média 22,5 pontos com 210 mg, 26,3 com 300 mg e 22,6 com 405 mg, contra 8,5 com placebo (p < 0,001 para todas as doses). O ganho de peso médio foi de 3,2 a 4,8 kg, contra 0,3 kg.

Manutenção: estudo HGKA e uso prolongado

No HGKA, duplo-cego (Kane e colaboradores, 2010), 1.065 pacientes estáveis com olanzapina oral foram sorteados para o injetável ou para manter a dose oral, por 24 semanas:

Grupo Pacientes Sem exacerbação em 24 semanas
300 mg a cada 2 semanas 141 95%
405 mg a cada 4 semanas 318 90%
150 mg a cada 2 semanas 140 84%
45 mg a cada 4 semanas (dose de referência) 144 69%
Olanzapina oral, 10 a 20 mg/dia 322 93%

As três doses usuais superaram a de 45 mg no tempo até a exacerbação, com eficácia semelhante à da forma oral. Em 2 anos, num estudo aberto com 524 pacientes (Detke e colaboradores, 2014), o injetável a cada 4 semanas (405 mg no início, depois ajustável) e a olanzapina oral não diferiram no tempo até a interrupção (645 contra 678 dias; p = 0,61) nem nas recaídas (20,1% contra 18,5%).

Posologia e administração

Pelo rótulo norte-americano e pela bula europeia, a dose segue a dose oral de olanzapina em uso:

Dose oral Primeiras 8 semanas Manutenção
10 mg/dia 210 mg a cada 2 semanas ou 405 mg a cada 4 semanas 150 mg a cada 2 semanas ou 300 mg a cada 4 semanas
15 mg/dia 300 mg a cada 2 semanas 210 mg a cada 2 semanas ou 405 mg a cada 4 semanas
20 mg/dia 300 mg a cada 2 semanas 300 mg a cada 2 semanas
  • Via: só intramuscular profunda no glúteo, nunca na veia nem sob a pele; aspira-se antes de injetar e, se vier sangue, a dose é descartada.
  • Observação: pelo menos 3 horas no serviço de saúde após cada injeção; o paciente sai alerta, orientado e acompanhado, e não dirige no resto do dia.
  • Grupos especiais: início com 150 mg a cada 4 semanas em pacientes debilitados, com tendência a hipotensão ou metabolismo mais lento; doses acima de 300 mg a cada 2 semanas ou de 405 mg a cada 4 semanas não foram avaliadas.
  • Conservação: sem geladeira; até 30 °C pelo rótulo norte-americano, e a bula europeia orienta não refrigerar nem congelar.

Segurança

O rótulo norte-americano traz quadro de advertência em destaque (tarja) para a síndrome pós-injeção de delirium/sedação e para o aumento da mortalidade em idosos com psicose associada à demência. Na União Europeia, são obrigatórios programa educativo para profissionais e cartão do paciente.

Síndrome pós-injeção de delirium/sedação

Nos estudos, ocorreu em menos de 0,1% das injeções e em cerca de 2% dos pacientes tratados por até 46 meses, com sinais de superdosagem de olanzapina, como sedação (até coma), confusão, fala arrastada e convulsão. O risco é maior na primeira hora e a maioria dos casos surgiu nas 3 primeiras, mas houve casos depois; a maioria dos pacientes foi internada, e todos tiveram recuperação substancial em até 72 horas. O risco se repete a cada aplicação. Na prática clínica, 338 eventos analisados até 2014 (Bushe e colaboradores, 2015) ocorreram em cerca de 0,07% das injeções, 91% na primeira hora, sem casos fatais.

Contraindicações, advertências e interações

O rótulo norte-americano não lista contraindicações; a bula europeia contraindica o uso em caso de hipersensibilidade e de risco conhecido de glaucoma de ângulo fechado. Entre as advertências estão hiperglicemia (às vezes com cetoacidose ou coma), alteração de lipídios e ganho de peso, com glicemia e lipídios em jejum no início e periodicamente; síndrome neuroléptica maligna, discinesia tardia, convulsões e sedação (8%, contra 2% com placebo); reação com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS), hipotensão ortostática, neutropenia e aumento da prolactina. Entre as reações adversas, há relatos raros de abscesso no local da injeção, em casos isolados com necessidade de cirurgia.

A carbamazepina aumenta em cerca de 50% a eliminação da olanzapina, e a fluvoxamina eleva seus níveis; álcool e diazepam potencializam a hipotensão ortostática. Recém-nascidos expostos no 3º trimestre podem ter sintomas extrapiramidais ou de abstinência; a olanzapina passa para o leite, e a bula europeia orienta não amamentar.

Situação regulatória e como funciona o acesso

Nos dados abertos da ANVISA (consulta em 09/10/2026), o registro do Zypadhera, da Eli Lilly do Brasil, consta como inativo (1.1260.0185, vencimento em 11/2015). Na lista da CMED de 09/10/2026, todas as apresentações de olanzapina são orais, várias comercializadas em 2025; o registro ativo da marca Zyprexa (olanzapina oral) está em nome da Biopas Brasil (1.8977.0009). Há também antipsicóticos injetáveis de ação prolongada registrados no país, como o palmitato de paliperidona e o decanoato de haloperidol. Quando viável, a importação para uso próprio, com receita, parte de onde o produto é autorizado, e, pelas bulas, a aplicação exige serviço de saúde com acesso a emergência e observação de 3 horas.

Lista C1: por que a importação é avaliada caso a caso

A olanzapina é o item 141 da Lista C1 da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I publicado com a RDC nº 1.036, de 09/07/2026), sujeita à Receita de Controle Especial em duas vias, e o controle alcança seus sais, como o pamoato. Segundo o manual da ANVISA de importação por pessoa física, o medicamento da Lista C1 não requer autorização prévia, desde que não exista semelhante registrado ou comercializado no Brasil; basta ter a receita médica e anexá-la ao pedido de licença (LPCO). Havendo semelhante no país, ainda que com outro nome comercial, o medicamento do exterior não pode ser importado. Como a olanzapina oral é registrada e comercializada, a importação do Zypadhera não pode ser presumida e é avaliada caso a caso. O produto importado é de uso pessoal e não pode ser comercializado.

Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça

No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.

Como há olanzapina oral e outros antipsicóticos de ação prolongada registrados no Brasil, o relatório médico detalhado precisa explicar por que essas alternativas não atendem ao paciente. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.

Como a Medicsupply conduz a importação

Para o Zypadhera, a Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos. O processo corre sempre em nome do paciente e começa pela receita médica. O prazo médio depende da origem do produto:

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
  • Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.

Perguntas Frequentes

O Zypadhera tem registro na ANVISA?

Não. O registro do Zypadhera (1.1260.0185) está inativo, com vencimento em 11/2015, e a CMED não lista olanzapina injetável, só comprimidos.

Preciso de autorização da ANVISA para importar?

Para a Lista C1, não há autorização prévia quando não existe semelhante registrado ou comercializado no Brasil; havendo, o produto do exterior não pode ser importado. Como a olanzapina oral é comercializada, a viabilidade é avaliada caso a caso.

Por que é preciso ficar 3 horas no serviço de saúde?

Pelo risco de síndrome pós-injeção, quadro semelhante à superdosagem de olanzapina que pode surgir após qualquer aplicação, sobretudo na primeira hora.

Qual a diferença para o comprimido de olanzapina?

O princípio ativo é o mesmo, mas o Zypadhera é aplicado no glúteo a cada 2 ou 4 semanas por profissional de saúde, depois de confirmada a tolerância à forma oral. A escolha é do médico.

Conclusão

O Zypadhera leva a olanzapina a uma injeção a cada 2 ou 4 semanas, autorizada na União Europeia para a manutenção da esquizofrenia em adultos estabilizados com a forma oral e aprovada nos EUA, com observação de 3 horas após cada aplicação. Sem registro ativo no Brasil e com a olanzapina na Lista C1, a importação para uso próprio, com receita, é avaliada caso a caso, e a Medicsupply pode assessorar esse processo.

Fontes

  1. FDA, rótulo de Zyprexa Relprevv (pamoato de olanzapina) (DailyMed), H2-Pharma LLC, versão 68, de 21/05/2026; setid 11544cba-64a9-49cb-8d74-da228053b252.
  2. FDA, Drugs@FDA — NDA 022173 (Zyprexa Relprevv), Cheplapharm, aprovação em 11/12/2009; suplementos S-040 (REMS) e S-043, de 07/05/2026.
  3. EMA — Zypadhera, EPAR, EMEA/H/C/000890: relatório público de avaliação e informação do produto, CHEPLAPHARM Registration GmbH; atualização de 01/07/2026.
  4. Lauriello J et al., J Clin Psychiatry, 2008;69(5):790-799. PMID 18452346 (HGJZ; ClinicalTrials.gov NCT00088478).
  5. Kane JM et al., Am J Psychiatry, 2010;167(2):181-189. PMID 20008947 (HGKA; ClinicalTrials.gov NCT00088491).
  6. Detke HC et al., J Clin Psychopharmacol, 2014;34(4):426-434. PMID 24781441 (HGLQ; ClinicalTrials.gov NCT00320489).
  7. Bushe CJ et al., BMC Psychiatry, 2015;15:65. PMID 25886006.
  8. ANVISA — Dados abertos de medicamentos: Zypadhera, registro 1.1260.0185, Eli Lilly do Brasil, inativo, vencimento 11/2015; Zyprexa, registro 1.8977.0009, Biopas Brasil, ativo; consulta em 09/10/2026.
  9. CMED/ANVISA — Lista de preços de medicamentos de 09/10/2026: olanzapina só em apresentações orais, várias comercializadas em 2025.
  10. ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998 (olanzapina, item 141 da Lista C1).
  11. ANVISA — Manual de importação por pessoa física (LI/LPCO), versão 1.2, de 25/02/2026, item 4.2.

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.

Precisa de mais informações sobre este medicamento?

Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.


💬 Fale pelo WhatsApp

Fale com nossa equipe pelo WhatsApp

Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.

Preencha os campos para liberar

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Zypadhera (pamoato de olanzapina): antipsicótico injetável de ação prolongada para a esquizofrenia

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

DEIXE UM COMENTÁRIO

Rolar para cima