Vascepa na prevenção de eventos cardiovasculares: o que mostram os estudos

O Vascepa é um medicamento à base de ácido graxo ômega-3 altamente purificado, indicado para redução de triglicerídeos e estudado na prevenção de eventos cardiovasculares. Diferente dos óleos de peixe tradicionais, o Vascepa passou por um processo de manufatura rigoroso e foi avaliado em estudos clínicos de grande porte, como o REDUCE-IT, que analisaram seu impacto em pacientes com risco cardiovascular elevado.

O que é o Vascepa e como ele se diferencia do óleo de peixe

O Vascepa não é um óleo de peixe comum. Trata-se de um derivado do peixe que passa por um processo de manufatura complexo, estabelecido pelo Food and Drug Administration (FDA). Esse processo tem como objetivo eliminar impurezas de forma eficaz, isolar o ingrediente ativo e proteger a molécula.

O produto da Amarin Corporation é composto por um ácido graxo ômega-3 conhecido como ácido eicosapentaenoico (EPA) na forma de etil-éster. De acordo com o FDA, o Vascepa é indicado como suplemento à dieta para auxiliar na redução dos níveis de triglicerídeos em pacientes adultos com hipertrigliceridemia grave, definida como triglicerídeos iguais ou superiores a 500 mg/dl.

Essa formulação purificada de EPA diferencia o Vascepa dos suplementos de óleo de peixe disponíveis no mercado, que costumam conter misturas de EPA, DHA e outros componentes, muitas vezes em doses menores e sem o mesmo controle de pureza.

Estudo REDUCE-IT: Vascepa na redução do risco cardiovascular

O REDUCE-IT foi um estudo global que incluiu 8.179 pacientes adultos em tratamento com estatinas e com risco cardiovascular elevado. Todos apresentavam LDL-C entre 41 e 100 mg/dl (média de 75 mg/dl), com controle prévio com estatinas, além de múltiplos fatores de risco cardiovasculares.

Entre as características dos pacientes do REDUCE-IT estavam triglicerídeos elevados entre 150 e 499 mg/dl (média de 216 mg/dl) e:

  • Doença cardiovascular conhecida, compondo a coorte de prevenção secundária, ou

  • Diabetes mellitus associado a pelo menos um outro fator de risco cardiovascular, compondo a coorte de prevenção primária.

Os participantes foram randomizados para receber 4 g/dia de Vascepa ou placebo, além do tratamento padrão com estatinas. O desfecho primário avaliou eventos adversos cardiovasculares maiores (EACM), que incluíam:

  • Morte cardiovascular

  • Infarto do miocárdio não fatal

  • Acidente vascular cerebral não fatal

  • Revascularização miocárdica

  • Angina instável com necessidade de internação

O estudo REDUCE-IT atingiu seu objetivo primário ao demonstrar redução relativa de 25% no risco de EACM no grupo que utilizou Vascepa em comparação ao grupo placebo, com alto grau de significância estatística (p < 0,001). O seguimento dos pacientes variou entre quatro e nove anos, o que confere robustez aos dados obtidos.

Vascepa e ômega-3: por que os resultados diferem dos óleos de peixe

Antes do REDUCE-IT, diversos estudos com ômega-3 não mostraram benefícios consistentes na prevenção de eventos cardiovasculares. Um exemplo é o estudo ASCEND, que avaliou 15.480 pacientes com diabetes em prevenção primária. Esses participantes foram randomizados para receber 1 g/dia de ômega-3 ou placebo.

No ASCEND, o desfecho primário incluía eventos cardiovasculares sérios, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral hemorrágico, ataque isquêmico transitório ou morte cardiovascular. O desfecho secundário considerava a necessidade de revascularização. O estudo não encontrou diferença significativa entre o grupo que recebeu ômega-3 e o grupo placebo nesses desfechos.

Uma diferença importante em relação ao Vascepa é que, no ASCEND, foi utilizado um ácido graxo ômega-3 similar ao encontrado em óleo de peixe comum, sem o mesmo grau de purificação do Vascepa, e em dose aproximadamente quatro vezes menor que a usada no REDUCE-IT. Essa combinação de dose mais baixa e formulação menos específica pode ajudar a explicar por que os resultados de Vascepa na prevenção de eventos cardiovasculares foram diferentes dos obtidos com óleos de peixe tradicionais.

Metanálises com ômega-3 e limitações na prevenção cardiovascular

Além de estudos individuais, metanálises também investigaram o papel dos ômega-3 na prevenção cardiovascular. Uma metanálise envolvendo 77.917 pacientes, distribuídos em 10 estudos randomizados, avaliou indivíduos com acidente vascular cerebral ou cardiopatia prévios ou com risco elevado de doença cardiovascular.

As doses avaliadas nesses estudos incluíam entre 226 e 1.800 mg de EPA e entre 0 e 1.700 mg de DHA ao dia, em diferentes combinações. Os resultados não demonstraram benefício claro na prevenção de doença cardiovascular com esse uso diário de ômega-3, sugerindo que a simples suplementação com combinações de EPA e DHA, nas formulações usuais, não é suficiente para reduzir de forma consistente o risco de eventos cardiovasculares.

Esse contraste reforça o papel diferenciado do Vascepa, que utiliza EPA purificado em dose mais elevada e em um contexto de uso complementar à terapia com estatinas em pacientes cuidadosamente selecionados.

Estudos em andamento e perspectivas futuras para o ômega-3

Apesar dos resultados positivos do Vascepa no REDUCE-IT, a discussão sobre o papel dos ômega-3 na prevenção cardiovascular continua em evolução. Estudos em andamento, como VITAL, DO-HEALTH e STRENGH, ainda buscam esclarecer melhor:

  • Em quais perfis de pacientes o uso de ômega-3 pode trazer mais benefício.

  • Quais formulações e doses são mais eficazes.

  • Como esses produtos se integram às terapias já consolidadas na prática clínica.

Os resultados desses estudos devem contribuir para orientar a conduta clínica sobre o uso de ômega-3 no futuro próximo, incluindo a definição mais clara do lugar de terapias como o Vascepa na prevenção de eventos cardiovasculares.

Conclusão:
O Vascepa surgiu como uma opção específica entre as terapias à base de ômega-3, com formulação purificada de EPA e indicação para redução de triglicerídeos em pacientes com hipertrigliceridemia grave. No estudo REDUCE-IT, o uso de 4 g/dia de Vascepa, associado ao tratamento com estatinas, esteve ligado a uma redução relativa de 25% em eventos cardiovasculares maiores em pacientes de alto risco, ao longo de quatro a nove anos de seguimento. Em contraste, estudos com óleos de peixe convencionais e doses mais baixas de ômega-3 não demonstraram o mesmo impacto. Novas pesquisas em andamento devem ajudar a delimitar de forma mais precisa o papel do Vascepa e de outras formulações de ômega-3 na prevenção cardiovascular, sempre dentro de uma abordagem baseada em evidências e acompanhamento médico especializado.

Com informações de Portal Afya — https://portal.afya.com.br/cardiologia/conheca-efeitos-do-vascepa-na-prevencao-de-eventos-cardiovasculares

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Augusto

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