A artrite psoriásica é uma doença inflamatória de evolução variável, capaz de atingir articulações periféricas, coluna, enteses e pele, e pode comprometer de forma relevante a qualidade de vida. Entre os tratamentos biológicos disponíveis, os anti-TNF ocupam posição histórica de destaque, mas o ustequinumabe, que atua na via de IL-12/IL-23 (p40), ganhou espaço por seus resultados cutâneos e por ser uma alternativa com mecanismo de ação diferente. O desafio é entender como essas terapias se comportam no mundo real, com pacientes mais heterogêneos do que os incluídos em ensaios clínicos.
O que o estudo PsABio buscou responder
Pesquisadores liderados por Laure Gossec analisaram dados de acompanhamento prolongado para comparar, em cenário de prática clínica, dois pontos centrais:
- Persistência do tratamento (por quanto tempo o paciente consegue manter a medicação inicial).
- Efetividade clínica ao longo do tempo, incluindo metas de baixa atividade e remissão.
A análise faz parte da coorte prospectiva multicêntrica PsABio (NCT02627768), desenhada para acompanhar pessoas com artrite psoriásica em uso de ustequinumabe ou inibidores de TNF (anti-TNF) como primeira, segunda ou terceira linha biológica, com avaliações a cada 6 meses por até 3 anos.
Metodologia em vida real: por que isso importa
Em estudos observacionais, a escolha do tratamento é feita pelo reumatologista e pelo paciente, refletindo preferências, comorbidades e histórico terapêutico. Isso aumenta a relevância prática dos achados, mas também exige ajustes estatísticos para reduzir diferenças basais entre os grupos. No PsABio, as comparações foram ajustadas por propensity score, um método usado para equilibrar características iniciais e tornar a comparação mais robusta.
Persistência em 3 anos: ustequinumabe e anti-TNF ficaram próximos
Ao todo, 895 pacientes foram incluídos (idade média 49,8 anos, 44,7% homens). Após 3 anos, a proporção de pacientes ainda no tratamento inicial foi semelhante: 49,9% no grupo ustequinumabe versus 47,8% no grupo anti-TNF.
Na análise de risco de interrupção ou troca do biológico inicial, não houve diferença estatisticamente relevante entre as estratégias: hazard ratio ajustado 0,87 (IC95% 0,68 a 1,11) para ustequinumabe versus anti-TNF. Em termos práticos, o resultado sugere persistência global comparável em cenário real.
Efetividade: metas clínicas favoreceram os anti-TNF
A efetividade foi avaliada com desfechos reconhecidos na artrite psoriásica, incluindo cDAPSA (baixa atividade e remissão) e MDA/VLDA (mínima e muito baixa atividade). No horizonte de 3 anos, uma proporção maior de pacientes em anti-TNF atingiu metas de controle clínico.
Pelo cDAPSA, os percentuais foram:
- Baixa atividade: 58,6% com ustequinumabe vs 69,8% com anti-TNF.
- Remissão: 31,4% com ustequinumabe vs 45,0% com anti-TNF.
Os odds ratios ajustados apontaram tendência a menor chance de atingir esses alvos no grupo ustequinumabe, mas com intervalos de confiança que se sobrepõem: 0,89 (IC95% 0,63 a 1,26) para baixa atividade e 0,72 (IC95% 0,50 a 1,05) para remissão.
Para MDA/VLDA, o padrão foi semelhante: 41,4%/19,2% com ustequinumabe versus 54,2%/26,9% com anti-TNF.
Segurança: perfil favorável e menos eventos adversos com ustequinumabe
Ambas as estratégias apresentaram um perfil de segurança considerado adequado no acompanhamento prolongado. Ainda assim, o estudo relata menor taxa de eventos adversos no grupo ustequinumabe quando comparado aos anti-TNF, incluindo eventos infecciosos. Esse ponto é particularmente relevante em prática clínica, onde comorbidades e histórico prévio de tratamento podem influenciar o risco individual.
Sugestões de links internos (Blog da Medicsupply):
- Artigos sobre artrite psoriásica e impacto sistêmico da inflamação.
- Conteúdos sobre DMARDs biológicos e diferenças entre mecanismos (anti-TNF, anti-IL-17, anti-IL-23).
- Materiais educativos sobre monitoramento de atividade de doença (conceitos como baixa atividade/remissão e importância de acompanhamento regular).
Os dados finais de 3 anos da coorte PsABio ajudam a preencher uma lacuna importante: como o ustequinumabe na artrite psoriásica se comporta fora de ensaios clínicos. O estudo indica persistência semelhante entre ustequinumabe e anti-TNF no mundo real, enquanto os anti-TNF alcançaram maiores taxas de metas clínicas (como baixa atividade e remissão). Em contrapartida, o ustequinumabe apresentou menor taxa de eventos adversos no acompanhamento. Em conjunto, os resultados reforçam que a escolha do biológico deve considerar objetivos clínicos, perfil de risco e características do paciente, sempre com acompanhamento especializado.
Com informações de Portal Afya: https://portal.afya.com.br/reumatologia/estudo-de-vida-real-sobre-uso-de-ustequinumabe-no-tratamento-da-artrite-psoriasica
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