Resumo rápido
- O Stilizan é a trifluoperazina, antipsicótico fenotiazínico licenciado na Turquia para a Recordati İlaç, em comprimidos revestidos de 1, 2 e 5 mg.
- A trifluoperazina é indicada na esquizofrenia na Turquia, nos EUA e no Reino Unido e, por curto prazo, na ansiedade; nos EUA, com até 6 mg/dia por no máximo 12 semanas.
- O rótulo norte-americano traz advertência em destaque (tarja) para maior mortalidade em idosos com psicose associada à demência.
- Revisão Cochrane de 2014 a considerou eficaz contra placebo, com mais sintomas extrapiramidais e evidência de qualidade baixa ou muito baixa.
- No Brasil, não há trifluoperazina com registro ativo; por ser da Lista C1 sem semelhante no país, a importação para uso próprio, com Receita de Controle Especial, dispensa autorização prévia.
O que é Stilizan (trifluoperazina)?
Stilizan é o nome comercial, na Turquia, da trifluoperazina, antipsicótico típico do grupo das fenotiazinas, licenciado desde 11/11/1970 e hoje em nome da Recordati İlaç. Nos EUA e no Reino Unido, circula como genérico; a marca original, Stelazine, aprovada nos EUA em 16/04/1959, foi descontinuada lá e tem registro inativo no Brasil. A esquizofrenia, uma das indicações, afeta cerca de 0,6% da população, segundo o protocolo do Ministério da Saúde.
Apresentações: Stilizan e genéricos
| Mercado | Produto | Apresentações |
|---|---|---|
| Turquia (TİTCK) | Stilizan (Recordati İlaç) | Comprimidos revestidos, com sacarose, de 1, 2 e 5 mg; ampola intramuscular de 1 mg/mL |
| EUA (FDA) | Genéricos (Sandoz, Mylan) | Comprimidos de 1, 2, 5 e 10 mg |
| Reino Unido (MHRA) | Genéricos | Comprimidos de 1 e 5 mg; soluções orais |
Mecanismo de ação
A trifluoperazina é uma fenotiazina de alta potência (ATC N05AB06), com ação antipsicótica, ansiolítica e antiemética; segundo a bula do paciente do Stilizan, reduz a ação da dopamina no cérebro. Pela bula técnica turca, a absorção oral é boa, mas com forte metabolismo de primeira passagem, e o fígado gera metabólitos ativos e inativos.
Indicações
Turquia (TİTCK) e Reino Unido (MHRA)
Pela bula técnica do Stilizan, em dose baixa, a trifluoperazina trata por curto prazo ansiedade, agitação e sintomas depressivos secundários à ansiedade, além do tratamento sintomático de náuseas e vômitos. Em dose alta, trata os sintomas da esquizofrenia e previne recaídas, serve para outras psicoses, sobretudo as paranoides, mas não para as depressivas, e, por curto prazo, para agitação psicomotora grave e comportamento impulsivo perigoso. A bula britânica tem indicações equivalentes.
Estados Unidos (FDA)
Os rótulos vigentes indicam a trifluoperazina na esquizofrenia e no tratamento de curto prazo da ansiedade generalizada não psicótica. Na ansiedade, não é a primeira escolha, por riscos que alternativas como os benzodiazepínicos não têm, e não deve passar de 6 mg/dia nem de 12 semanas, pelo risco de discinesia tardia persistente, possivelmente irreversível. Na União Europeia, não há autorização centralizada pela EMA.
Evidências clínicas
Aprovada nos EUA em 1959, a trifluoperazina não tem estudo pivotal no ClinicalTrials.gov; a evidência vem sobretudo de estudos antigos e pequenos.
Esquizofrenia: revisões Cochrane de 2014
| Comparação | Base | Resultados |
|---|---|---|
| Contra placebo (Koch e colaboradores) | 10 estudos, 686 participantes | Melhora do estado global em médio prazo: risco relativo de 4,61 (IC 95%: 1,54 a 13,84; 3 estudos); saída por recaída ou piora: 0,34 (IC 95%: 0,23 a 0,49; 2 estudos) |
| Contra antipsicóticos de baixa potência (Tardy e colaboradores) | 7 estudos, 422 participantes | Resposta em 26% contra 27% (3 estudos; risco relativo de 0,96, IC 95%: 0,59 a 1,56); rigidez em 45% contra 10% (1 estudo) |
As duas revisões apontam mais efeitos extrapiramidais com a trifluoperazina e evidência de qualidade moderada a muito baixa.
Ansiedade generalizada: estudo de 4 semanas
Num estudo multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo (Mendels e colaboradores, 1986), 415 pacientes ambulatoriais com transtorno de ansiedade generalizada receberam trifluoperazina (2 a 6 mg/dia) ou placebo por 4 semanas: todas as medidas de ansiedade melhoraram mais que com placebo (p < 0,001), com efeitos adversos semelhantes.
Posologia e administração
Os comprimidos são de uso oral, na menor dose eficaz definida pelo médico:
| Situação | Stilizan (bula turca) | Rótulo norte-americano |
|---|---|---|
| Ansiedade | 2 a 4 mg/dia, divididos; até 6 mg/dia | 1 ou 2 mg duas vezes ao dia; até 6 mg/dia, por no máximo 12 semanas |
| Esquizofrenia | 5 mg duas vezes ao dia; após 1 semana, até 15 mg/dia; depois, aumentos de até 5 mg a cada 3 dias ou mais | Início com 2 a 5 mg duas vezes ao dia; a maioria responde a 15 ou 20 mg/dia, e poucos precisam de 40 mg/dia ou mais |
| Crianças | 6 a 12 anos: até 4 mg/dia na ansiedade; abaixo de 12 anos: início de até 5 mg/dia na esquizofrenia | 6 a 12 anos, na esquizofrenia, internadas ou sob supervisão próxima: início com 1 mg uma ou duas vezes ao dia; em geral, até 15 mg/dia |
| Idosos | Metade da dose inicial | Doses na faixa mais baixa |
- Tomada: com água, com ou sem alimento (bula turca); na esquizofrenia, a dose ótima deve ser alcançada em 2 ou 3 semanas (rótulo norte-americano).
- Rins e fígado: a bula turca orienta não usar na insuficiência renal ou hepática.
Segurança
O rótulo norte-americano traz advertência em destaque (tarja): idosos com psicose associada à demência tratados com antipsicóticos têm maior risco de morte. Em 17 estudos controlados por placebo, sobretudo com atípicos, o risco foi de 1,6 a 1,7 vez o do placebo (cerca de 4,5% contra 2,6% em 10 semanas); a trifluoperazina não é aprovada para esse uso.
Contraindicações e advertências
Pelo rótulo norte-americano, é contraindicada na hipersensibilidade a fenotiazinas, no coma ou na depressão intensa do sistema nervoso por depressores, nas discrasias sanguíneas, na depressão da medula óssea e na lesão hepática prévia; a bula turca inclui a insuficiência cardíaca não controlada.
- Discinesia tardia: movimentos involuntários da língua, da face e da boca, potencialmente irreversíveis e sem tratamento conhecido; o risco cresce com a duração e a dose total.
- Síndrome neuroléptica maligna: febre alta, rigidez, alteração mental e instabilidade autonômica, potencialmente fatal; exige suspender o antipsicótico.
- Sintomas extrapiramidais: inquietação motora, distonia aguda e parkinsonismo; pela bula britânica, são raros com até 6 mg/dia e bem mais comuns em doses maiores.
- Sangue e fígado: trombocitopenia, anemia, agranulocitose e icterícia colestática; o uso é suspenso com neutrófilos abaixo de 1.000/mm³.
- Coração e quedas: hipotensão (que não se trata com epinefrina), prolongamento do QT, tromboembolismo venoso e quedas.
O rótulo norte-americano, sem frequências, lista sonolência, tontura, reações de pele, boca seca, insônia, falta de menstruação, fadiga, fraqueza muscular, visão borrada e reações extrapiramidais.
Interações, gestação e amamentação
Com lítio, houve síndrome encefalopática; a desferroxamina deve ser evitada; álcool e depressores somam efeitos; o propranolol eleva os níveis dos dois fármacos; fármacos que prolongam o QT elevam o risco de arritmia. Na gestação, as bulas pedem evitar o uso, sobretudo no 1º trimestre, salvo necessidade, e recém-nascidos expostos no 3º trimestre podem ter sintomas extrapiramidais ou de abstinência. As fenotiazinas passam para o leite, e a bula do paciente turca orienta não usar o Stilizan na amamentação, salvo critério médico.
Situação regulatória e como funciona o acesso
Nos dados abertos da ANVISA de 16/10/2026, não há registro ativo de trifluoperazina em nenhuma forma, nem das marcas Stilizan e Stelazine: o Stelazine, da GlaxoSmithKline Brasil, consta como inativo (1.0107.0150), assim como a associação com tranilcipromina (1.0107.0149, vencimento em 03/2004). A Lista CMED de 09/10/2026 não traz apresentação. A trifluoperazina é o item 200 da Lista C1 da Portaria SVS/MS nº 344/1998 (Anexo I publicado com a RDC nº 1.036, de 09/07/2026), sujeita à Receita de Controle Especial em duas vias. O acesso passa pela importação para uso próprio, em nome do paciente, com receita médica, a partir de países onde é autorizada, como Turquia, EUA e Reino Unido.
Lista C1: importação sem autorização prévia
Pelo manual da ANVISA de importação por pessoa física, o medicamento da Lista C1 não requer autorização prévia se não houver semelhante registrado ou comercializado no Brasil; basta anexar a receita ao pedido de licença (LPCO). É o caso da trifluoperazina, sem registro nem comercialização no país. O produto importado é de uso pessoal e não pode ser comercializado.
Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça
No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.
Aqui, o requisito de inexistência de substituto pesa contra o pedido: há vários antipsicóticos registrados, e o protocolo do SUS oferece risperidona, quetiapina, ziprasidona, olanzapina, clozapina, clorpromazina e haloperidol, sem superioridade demonstrada da trifluoperazina; o relatório médico precisa explicar por que essas opções não atendem ao paciente. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.
Como a Medicsupply conduz a importação
A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos, sempre em nome do paciente e a partir da receita médica: faz a conversa inicial com um especialista, orienta sobre as normas da ANVISA e os documentos, apoia a documentação, conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem e medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha tudo até a entrega. O prazo médio depende da origem:
| Origem | Prazo médio |
|---|---|
| EUA (FDA) | 10 dias |
| Canadá (Health Canada) | 17 dias |
| Europa (EMA) | 16 dias úteis |
| Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.
Perguntas Frequentes
O Stilizan tem registro na ANVISA?
Não. Não há trifluoperazina com registro ativo no Brasil; o do Stelazine (1.0107.0150) está inativo, e a CMED não lista apresentação.
Preciso de autorização da ANVISA para importar?
Não: sem semelhante registrado ou comercializado no país, o medicamento da Lista C1 dispensa autorização prévia, e a Receita de Controle Especial acompanha o pedido.
A trifluoperazina serve para ansiedade?
Só por curto prazo: na Turquia, em dose baixa; nos EUA, na ansiedade generalizada não psicótica, com até 6 mg/dia por no máximo 12 semanas e não como primeira escolha. A decisão é do médico.
Posso parar o Stilizan por conta própria?
Não é recomendado: a parada brusca pode causar suor, insônia, tremor, tontura, náusea ou vômitos; a redução é gradual, orientada pelo médico.
Conclusão
O Stilizan é a trifluoperazina, antipsicótico antigo para a esquizofrenia e o uso curto na ansiedade, com riscos conhecidos, como sintomas extrapiramidais e discinesia tardia. Sem registro ativo no Brasil e na Lista C1, a importação para uso próprio, com Receita de Controle Especial, dispensa autorização prévia; a Medicsupply pode assessorar esse processo.
Fontes
- TİTCK (Turquia) — Lista de produtos licenciados de 16/10/2026: Stilizan 1, 2 e 5 mg e ampola de 1 mg, Recordati İlaç San. ve Tic. A.Ş., licenças 106/16 a 106/19.
- TİTCK — Stilizan 2 mg e 5 mg, resumo das características do produto (KÜB), licenças 106/17 e 106/18, renovadas em 13/08/2015; bula do paciente (KT) de 1 mg.
- FDA — Trifluoperazina (cloridrato), bula vigente: ANDA 040209, Mylan Pharmaceuticals Inc.; DailyMed, revisão 01/2025.
- FDA — Drugs@FDA: NDA 011552 (Stelazine), GlaxoSmithKline, aprovação em 16/04/1959, descontinuado; ANDA 085785, 085786, 085788 e 085789 (Sandoz) e 040209 (Mylan); consulta em 16/10/2026.
- MHRA/eMC — Trifluoperazina 1 mg, resumo das características do produto: PL 12762/0030, Mercury Pharmaceuticals Ltd (ADVANZ Pharma); revisão de 28/12/2023.
- Koch K et al., Cochrane Database Syst Rev, 2014;(1):CD010226. PMID 24414883 (revisão sistemática).
- Tardy M et al., Cochrane Database Syst Rev, 2014;(7):CD009396. PMID 25003310 (revisão sistemática).
- Mendels J et al., J Clin Psychiatry, 1986;47(4):170-174. PMID 3514583.
- ANVISA — Dados abertos de medicamentos: Stelazine, 1.0107.0150, e trifluoperazina + tranilcipromina, 1.0107.0149, GlaxoSmithKline Brasil, inativos; Lista CMED de 09/10/2026, sem apresentação; consulta em 16/10/2026.
- ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização nº 101 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998 (trifluoperazina, item 200 da Lista C1).
- ANVISA — Manual de importação por pessoa física (LI/LPCO), versão 1.2, de 25/02/2026, item 4.2.
- Ministério da Saúde — PCDT da Esquizofrenia, Portaria SAS/MS nº 364, de 09/04/2013.
Sobre a Medicsupply
Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.
Precisa de mais informações sobre este medicamento?
Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp
Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.
