Resumo rápido
- O Procysbi é o bitartarato de cisteamina (mercaptamina, na Denominação Comum Brasileira) de liberação retardada, tomado a cada 12 horas; o Cystagon, de liberação imediata, a cada 6 horas.
- É indicado na cistinose nefropática: nos EUA, a partir de 1 ano (aprovação inicial em 30/04/2013); na União Europeia, desde setembro de 2013, para a forma comprovada.
- No estudo RP103-03, com 43 pacientes, não foi inferior ao Cystagon no controle da cistina dos glóbulos brancos, com mais efeitos gastrointestinais.
- A bula americana não tem advertência em destaque (tarja) e, desde 2022, alerta para a colonopatia fibrosante; a amamentação não é recomendada nos EUA e é contraindicada na Europa.
- Sem registro na ANVISA nem protocolo no SUS, o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica e cadeia fria.
O que é Procysbi (bitartarato de cisteamina)?
Procysbi é a marca do bitartarato de cisteamina (mercaptamina, DCB nº 5678) de liberação retardada, um depletor de cistina de uso oral. Nos EUA, o titular é a Horizon Therapeutics USA, do grupo Amgen (NDA 203389, cápsulas; NDA 213491, grânulos em sachê); na União Europeia, a Chiesi Farmaceutici S.p.A., só com cápsulas. A cisteamina oral também é comercializada como Cystagon, de liberação imediata (Mylan, nos EUA; Recordati Rare Diseases, na União Europeia). Os colírios de cloridrato de cisteamina, como Cystadrops e Cystaran, tratam os cristais na córnea e são outros produtos.
A cistinose nefropática
A cistinose é uma doença genética rara, autossômica recessiva, causada por mutações no gene CTNS, que codifica a cistinosina, proteína que retira a cistina dos lisossomos. Sem ela, a cistina se acumula e forma cristais em vários órgãos, sobretudo nos rins; estima-se 1 caso a cada 100.000 a 200.000 nascidos vivos. Os sinais surgem em geral no primeiro ano, com síndrome de Fanconi (perda de sais e nutrientes pela urina), muita urina, muita sede e déficit de crescimento; depois vêm fotofobia e hipotireoidismo e, a partir da adolescência, diabetes e problemas musculares, ósseos e neurológicos. Sem tratamento, a falência renal chega por volta dos 10 anos.
Procysbi × Cystagon: o que muda com a liberação retardada
Muda a formulação, não o princípio ativo: no Procysbi, a cisteamina tem revestimento resistente ao ácido do estômago e é liberada no intestino delgado, o que permite duas tomadas ao dia. O Cystagon obriga a uma dose noturna; segundo os autores do RP103-03, pacientes citam com frequência esse esquema e os efeitos adversos como motivos para não seguir o tratamento.
| Característica | Procysbi | Cystagon |
|---|---|---|
| Liberação | Retardada (gastrorresistente) | Imediata |
| Intervalo entre doses | 12 horas | 6 horas |
| Apresentações | Cápsulas de 25 e 75 mg; grânulos de 75 e 300 mg (só nos EUA) | Cápsulas de 50 e 150 mg |
| Meia-vida média | 253 minutos | 90 minutos |
Mecanismo de ação
A cisteamina é um aminotiol. Nos lisossomos, converte a cistina em cisteína e em um dissulfeto misto de cisteína e cisteamina, que saem do lisossomo mesmo sem a cistinosina. Assim, cai a cistina nas células, medida nos glóbulos brancos. Pela bula europeia, o tratamento iniciado cedo retarda a falência renal.
Indicações
Estados Unidos (FDA)
Pela bula americana vigente, o Procysbi é indicado na cistinose nefropática em adultos e crianças a partir de 1 ano; abaixo dessa idade, segurança e eficácia não foram estabelecidas. As cápsulas foram aprovadas em 30/04/2013, e os grânulos, em 14/02/2020.
União Europeia (EMA)
O Procysbi (EMEA/H/C/002465) é autorizado desde setembro de 2013 para a cistinose nefropática comprovada, sem idade mínima; em crianças de até cerca de 6 anos com risco de aspiração, as cápsulas são abertas e o conteúdo é misturado a alimento ou líquido.
Evidências clínicas
RP103-03: não inferioridade frente ao Cystagon
O RP103-03 (NCT01000961), estudo de fase 3 aberto, randomizado e cruzado, em 8 centros dos EUA e da Europa, incluiu 43 pacientes de 6 a 26 anos estáveis com Cystagon. Cada um usou cada formulação por 3 semanas. O desfecho principal foi a cistina nos glóbulos brancos (nmol de meia-cistina por mg de proteína). Na publicação, o pico foi de 0,62 com Procysbi e de 0,54 com Cystagon: diferença de 0,08 (IC de 95,8%: 0 a 0,16), dentro da margem de não inferioridade de 0,3. Na análise da bula americana (39 pacientes), foram 0,52 e 0,44 (IC de 95,8% da diferença: 0,01 a 0,15). A dose diária de Procysbi foi menor (82% da anterior na publicação; 91% na bula), e os efeitos gastrointestinais, cerca de três vezes mais frequentes.
RP103-04 e RP103-08: uso prolongado e crianças pequenas
Na extensão RP103-04 (NCT01197378), 40 pacientes seguiram com Procysbi: em 2 anos, a cistina média ficou sempre abaixo de 1, a função renal se manteve e a melhora da qualidade de vida persistiu; pela bula, 20 passaram de 5 anos de uso. O RP103-08 (NCT01744782), com centros em São Paulo e Chicago, tratou por até 18 meses 15 crianças de 1 a 5 anos sem uso prévio de cisteamina: a cistina caiu de 3,2 para 0,8, o escore Z da altura passou de −3,2 para 0,1 e a filtração glomerular estimada, de 55,9 para 63,8 mL/min/1,73 m². São estudos abertos, sem grupo de comparação. Uma revisão sistemática de 2025 achou evidência de baixa certeza de que a liberação retardada pouco ou nada difere da imediata na cistina, com leve aumento de eventos adversos, e apontou que começar cedo provavelmente preserva melhor a função renal.
Posologia e administração
Pela bula americana, o uso é oral, a cada 12 horas, a partir do diagnóstico:
- Início: sem uso prévio de cisteamina, 1/6 a 1/4 da manutenção de 1,3 g/m² por dia, em duas tomadas (acima de 50 kg, 1.000 mg a cada 12 horas); de 1 a 5 anos, aumentos de 10% a cada 2 semanas ou mais; a partir de 6 anos, manutenção em 4 a 6 semanas.
- Troca da liberação imediata: mesma dose diária total, dividida a cada 12 horas, com dosagem da cistina após 2 semanas.
- Alvo: cistina abaixo de 1 nmol de meia-cistina por mg de proteína (no método de leucócitos mistos), com ajustes de 10% e teto de 1,95 g/m² por dia; nos EUA, a coleta é 12 horas após a dose; na Europa, 30 minutos após a dose da manhã.
- Tomada: cápsula inteira, com suco (exceto de toranja) ou água; ou grânulos intactos em purê de maçã, geleia de frutas vermelhas ou suco, em até 30 minutos, ou por gastrostomia.
- Jejum: nos EUA, sem comida 2 horas antes e 30 minutos depois; na Europa, sem refeições e laticínios de 1 hora antes a 1 hora depois. Bicarbonato ou carbonato, com 1 hora de intervalo; sem álcool.
- Dose esquecida: tomar em até 8 horas; se faltar menos de 4 horas para a próxima, pular, sem dobrar.
Segurança
A bula americana não tem advertência em destaque (tarja). A contraindicação é a hipersensibilidade grave, inclusive anafilaxia, à cisteamina ou à penicilamina; na Europa, também a amamentação.
Advertências e reações adversas
- Pele e ossos: com doses altas de cisteamina de liberação imediata, houve lesões semelhantes às da síndrome de Ehlers-Danlos (pseudotumores moluscoides, estrias, osteopenia); o uso é interrompido e pode voltar em dose menor. Erupção grave suspende o uso de vez.
- Intestino: úlcera, sangramento e colonopatia fibrosante (estreitamento do cólon), relatada após a comercialização; nos EUA, se confirmada, troca-se de vez para a cisteamina de liberação imediata.
- Sistema nervoso: convulsões, sonolência, depressão, encefalopatia e hipertensão intracraniana benigna, que pede avaliação oftalmológica.
- Exames: leucopenia e fosfatase alcalina elevada, reversíveis.
No RP103-03, houve vômitos em 19% com Procysbi e 12% com a liberação imediata, náusea em 16% e 7%, dor abdominal em 14% e 0% e dor de cabeça em 9% e 0%. Odor no hálito e na pele também está entre as reações mais comuns.
Interações, gravidez e amamentação
Remédios que elevam o pH do estômago, como os com bicarbonato ou carbonato, podem liberar a cisteamina antes da hora, e a cistina deve ser monitorada. O álcool pode acelerar a liberação. Em ratos, a cisteamina foi teratogênica em doses menores que a de manutenção humana, sem dados em gestantes; a bula europeia pede que não seja usada na gravidez, sobretudo no primeiro trimestre, salvo se claramente necessária, com teste de gravidez negativo antes do início e contracepção. Na amamentação, o uso não é recomendado nos EUA e é contraindicado na Europa.
Situação regulatória e como funciona o acesso
Nos dados abertos de medicamentos da ANVISA (consulta em 09/10/2026), não há registro de cisteamina (mercaptamina) em nenhuma forma, nem das marcas Procysbi e Cystagon, e a Lista CMED de 09/10/2026 não traz apresentação. Não há protocolo clínico (PCDT) do SUS para a cistinose, e a cisteamina não consta da RENAME 2024 nem das listas da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026). O acesso passa pela importação para uso próprio, em nome do paciente, com receita médica, a partir dos EUA ou da Europa. O Procysbi fica em geladeira (2 °C a 8 °C) até a abertura do frasco e, depois, até 25 °C por até 30 dias (bula europeia), ou até a dispensação e, depois, entre 20 °C e 25 °C por até 4 meses (bula americana); a importação precisa preservar a cadeia fria.
Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça
No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.
Na cistinose, doença rara, o relatório médico detalhado é central: diagnóstico, cistina nos glóbulos brancos, função renal e justificativa da formulação, inclusive quanto a substituto registrado. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.
Como a Medicsupply conduz a importação
A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos, sempre em nome do paciente e a partir da receita médica: faz a conversa inicial com um especialista, orienta sobre as normas da ANVISA e os documentos, apoia a documentação, conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem e medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha tudo até a entrega. O prazo médio depende da origem:
| Origem | Prazo médio |
|---|---|
| EUA (FDA) | 10 dias |
| Canadá (Health Canada) | 17 dias |
| Europa (EMA) | 16 dias úteis |
| Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.
Perguntas Frequentes
O Procysbi tem registro na ANVISA?
Não. Nos dados abertos da ANVISA de 09/10/2026, não há registro de cisteamina, Procysbi ou Cystagon; o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
Quem usa Cystagon pode passar para o Procysbi?
Pela bula americana, a troca usa a mesma dose diária total, em duas tomadas, com nova dosagem da cistina após 2 semanas; a decisão é do nefrologista.
Crianças pequenas podem usar o Procysbi?
Nos EUA, a partir de 1 ano; se a criança não engole a cápsula, o conteúdo dela ou os grânulos são misturados em alimento; na Europa, não há idade mínima na indicação.
O SUS ou o plano de saúde são obrigados a fornecer a cisteamina?
Não há protocolo do SUS para a cistinose, e, pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecer medicamento sem registro na ANVISA. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF e exigem orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.
Conclusão
O Procysbi permite tomar a cisteamina duas vezes ao dia, e não quatro, sem inferioridade frente à liberação imediata no controle da cistina, mas com mais queixas gastrointestinais. Sem registro na ANVISA, o acesso passa pela importação em nome do paciente, com receita, cadeia fria e acompanhamento do nefrologista; a Medicsupply pode assessorar esse processo.
Fontes
- FDA — Procysbi, bula vigente: NDA 203389 (cápsulas) e NDA 213491 (grânulos), Horizon Therapeutics USA, Inc. (Amgen); openFDA, consulta em 09/10/2026.
- FDA — Drugs@FDA: NDA 203389, 213491, 020392 (Cystagon), 200740 (Cystaran) e 211302 (Cystadrops); consulta em 09/10/2026.
- EMA — Procysbi, EPAR EMEA/H/C/002465 e informação do produto (EU/1/13/861/001-002), Chiesi Farmaceutici S.p.A.; atualização de 16/09/2026.
- EMA — Cystagon (EMEA/H/C/000125) e Cystadrops (EMEA/H/C/003769), Recordati Rare Diseases.
- Langman CB et al., Clin J Am Soc Nephrol, 2012;7(7):1112-1120. PMID 22554716 (RP103-03; ClinicalTrials.gov NCT01000961).
- Langman CB et al., J Pediatr, 2014;165(3):528-533.e1. PMID 24948347 (RP103-04; ClinicalTrials.gov NCT01197378).
- Vaisbich MH et al., JIMD Rep, 2022;63(1):66-79. PMID 35028272 (RP103-08; ClinicalTrials.gov NCT01744782).
- Ledinger D et al., Orphanet J Rare Dis, 2025;20(1):463. PMID 40877952 (revisão sistemática).
- ANVISA — Dados abertos de medicamentos e Lista CMED de 09/10/2026: sem registro ou apresentação de cisteamina.
- ANVISA — Lista consolidada de DCB (versão vigente, IN nº 473, de 02/10/2026): mercaptamina, nº 5678.
- ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização nº 101 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
- Ministério da Saúde — Lista de PCDT e RENAME 2024.
Sobre a Medicsupply
Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.
Precisa de mais informações sobre este medicamento?
Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp
Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.
