Molsidomina (Corvasal): antianginoso doador de óxido nítrico para prevenir as crises de angina

Resumo rápido

  • A molsidomina é um antianginoso oral que libera óxido nítrico; na França, a marca de referência é o Corvasal, e o Molsidomine Biogaran é um de seus genéricos.
  • Serve para prevenir as crises de angina, não para interromper uma crise já iniciada.
  • Nunca foi aprovada pela FDA nem tem autorização centralizada na União Europeia; é autorizada país a país, como na França, na Alemanha e na Bélgica.
  • No Brasil, os registros que constam dos dados abertos da ANVISA estão inativos (vencidos em 2001 e 2003); não é substância controlada, e o acesso é por importação para uso próprio, com receita médica.
  • É contraindicada com sildenafila, tadalafila, vardenafila e riociguate, pelo risco de queda grave da pressão; cefaleia e hipotensão são os efeitos adversos mais comuns.

O que é Corvasal (molsidomina)?

Corvasal é a marca de referência da molsidomina na França, em comprimidos de 2 mg (autorizados em 12/12/1980) e de 4 mg (29/12/1987), com a Cheplapharm Arzneimittel GmbH como titular. A molsidomina também tem as marcas Corvaton (Alemanha, Bélgica e Luxemburgo) e Coruno (Bélgica e Luxemburgo), a depender do país. O Molsidomine Biogaran é um genérico francês do Corvasal, de 2 mg e 4 mg, autorizado em 13/09/2000, e há genéricos de outros laboratórios. É vendida sob receita médica.

Mecanismo de ação

A molsidomina, da classe das sidnoniminas, é um pró-fármaco: no fígado, vira linsidomina (SIN-1), que libera óxido nítrico (NO) de forma espontânea, sem depender de enzimas. O NO relaxa a musculatura dos vasos, sobretudo das veias, o que reduz o retorno de sangue ao coração e o consumo de oxigênio do miocárdio; também dilata as artérias coronárias maiores e inibe de forma reversível a agregação das plaquetas. Segundo a bula alemã, por liberar o NO sem via enzimática, a molsidomina não induz tolerância farmacológica.

Indicações

França

O comprimido de 2 mg é indicado no tratamento preventivo da crise de angina em todas as suas formas, e o de 4 mg, na angina grave que não responde às doses usuais de molsidomina; nenhum dos dois se presta a tratar a crise. Em 23/09/2015, a Comissão de Transparência da autoridade de saúde francesa (HAS) manteve como importante o benefício clínico do Corvasal, que tem reembolso no sistema de saúde francês.

Alemanha

Na Alemanha, a indicação é mais restrita: prevenção e tratamento prolongado da angina de peito quando outros medicamentos não são indicados, não foram tolerados ou não foram suficientemente eficazes, e em pacientes de idade mais avançada.

Não há aprovação da FDA: em 09/10/2026, o Drugs@FDA e o openFDA não tinham registro de molsidomina. Na lista europeia de datas de referência para relatórios de segurança (EMA, 23/09/2026), ela aparece só com produtos autorizados nacionalmente, sem autorização centralizada.

Evidências clínicas

Boa parte dos estudos é antiga ou foi conduzida por autores ligados à empresa belga Therabel.

Angina estável: a formulação de 16 mg

Num estudo duplo-cego e cruzado com 533 pacientes com angina estável (Messin e colaboradores, 2005), a molsidomina de liberação prolongada de 16 mg uma vez ao dia e a de 8 mg duas vezes ao dia melhoraram o teste de esforço em relação ao placebo, após a primeira dose e após 2 semanas, e reduziram as crises e o uso de nitrato sublingual. A de 16 mg não foi inferior à de 8 mg e foi superior entre 14 e 24 horas após a tomada; só a hipotensão foi significativamente mais frequente com ela do que com placebo. Num estudo aberto de 1 ano, com 320 pacientes, 91,6% concluíram; houve eventos relacionados ao medicamento em 9,1%, sobretudo cefaleia (suspensão por cefaleia em 1,9%), e nenhum evento grave relacionado.

Infarto agudo e angioplastia: sem benefício clínico

No ESPRIM, 4.017 pacientes com infarto agudo receberam linsidomina na veia por 48 horas e depois 16 mg de molsidomina por dia, por 12 dias, ou placebo. A mortalidade em 35 dias foi de 8,4% com o tratamento e 8,8% com placebo (p = 0,66), e, em seguimento médio de 13 meses, de 14,7% e 14,2%, respectivamente; só a cefaleia foi significativamente mais frequente com o tratamento. No ACCORD, com 700 pacientes submetidos a angioplastia com balão, linsidomina seguida de molsidomina reduziu a reestenose angiográfica em relação ao diltiazem (38,0% contra 46,5%; p = 0,026), sem diferença em morte, infarto ou nova revascularização (32,2% contra 32,4%).

MEDCOR: função do endotélio após angioplastia

No MEDCOR, estudo duplo-cego de fase 4, pacientes com angina estável e disfunção endotelial após angioplastia receberam 16 mg de molsidomina uma vez ao dia ou placebo, por 12 meses. O índice de função endotelial subiu em média 39% com molsidomina e 75% com placebo (p = 0,143); só um marcador inflamatório (relação atividade/antígeno da mieloperoxidase) caiu significativamente mais com a molsidomina (p = 0,020). Pelo registro do estudo, 14 dos 32 pacientes com molsidomina não concluíram, 9 por evento adverso, contra 4 dos 32 com placebo.

Posologia e administração

O uso é por via oral, e o esquema segue a bula do país de origem:

  • França, 2 mg: na angina de esforço, meio a 1 comprimido 3 vezes ao dia, em geral nas refeições (3 a 6 mg por dia); na angina de repouso ou de esforço grave, 1 comprimido 4 vezes ao dia (8 mg).
  • França, 4 mg: 1 comprimido 3 vezes ao dia (12 mg), e um 4º comprimido (16 mg) pode ser necessário em algumas anginas instáveis refratárias; a dose eficaz é alcançada aos poucos, pelo risco de cefaleia.
  • Alemanha: com 2 mg, em geral 1 comprimido 2 vezes ao dia (4 mg), até 2 comprimidos 4 vezes ao dia (16 mg); com a liberação prolongada de 8 mg, 1 a 2 vezes ao dia, até 3 vezes (24 mg). Os comprimidos são engolidos sem mastigar, com líquido, com ou sem alimento.
  • Ajustes: aumento gradual na doença do fígado; a bula alemã sugere dose inicial menor também na doença dos rins, na insuficiência cardíaca descompensada e com outros medicamentos vasoativos. As bulas consultadas não trazem esquema para crianças.

Segurança

Não há quadro de advertência em destaque (tarja): a molsidomina não tem bula da FDA, e as bulas europeias consultadas não trazem esse alerta. Pelas bulas francesa e alemã, as contraindicações são:

  • hipotensão acentuada com choque ou insuficiência circulatória aguda; na Alemanha, também pressão sistólica abaixo de 100 mmHg;
  • uso com inibidores da PDE5 (sildenafila, tadalafila, vardenafila) ou com estimuladores da guanilato ciclase solúvel, como o riociguate;
  • hipersensibilidade ao fármaco ou aos componentes; na Alemanha, também a amamentação.

Advertências e efeitos adversos

A bula alemã pede cautela na cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, na pericardite constritiva, no tamponamento cardíaco, com pressões de enchimento baixas (como no infarto agudo) e na estenose aórtica ou mitral; no infarto recente, o uso exige circulação estabilizada e vigilância estrita. Idosos e pessoas com pressão baixa ou hipovolemia pedem atenção; os comprimidos contêm lactose, e a capacidade de dirigir pode cair no início do tratamento e com álcool.

Os efeitos mais frequentes são cefaleia, em geral no início e passageira, e queda da pressão, que raramente chega a colapso; há ainda tontura, taquicardia reflexa, náusea, reações alérgicas e queda das plaquetas. Em ratos, doses altas por longo período causaram tumores malignos na região etmoturbinal do nariz (em camundongos, não), sem mecanismo genotóxico; como a relevância para humanos não foi esclarecida, a bula alemã mantém a suspeita de efeito cancerígeno.

Interações, gravidez e amamentação

Anti-hipertensivos, outros vasodilatadores, antidepressivos tricíclicos, neurolépticos e álcool podem baixar demais a pressão, e a associação com alcaloides do ergot deve ser evitada. A bula francesa considera ilógico associar a molsidomina a nitratos de ação prolongada e admite o uso com betabloqueadores. Na gravidez, França e Alemanha orientam evitar o uso; na amamentação, a bula alemã a proíbe, por passagem para o leite, e a francesa a desaconselha.

Situação regulatória e como funciona o acesso

Nos dados abertos da ANVISA (consulta em 09/10/2026), não há registro ativo de molsidomina: o da Sanofi-Aventis Farmacêutica (1.1300.0256) venceu em 08/2001, e o dos Laboratórios Baldacci (1.0146.0067), em 09/2003. Nenhuma apresentação consta da lista CMED de 09/10/2026, e a molsidomina não está em nenhuma lista da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026), ou seja, não é controlada. O acesso passa pela importação para uso próprio, em nome do paciente, com receita médica, a partir da Europa; os comprimidos são conservados abaixo de 25 °C, sem refrigeração.

Alternativas registradas no Brasil

Há antianginosos com registro ativo na ANVISA, como betabloqueadores (atenolol, propranolol, metoprolol), bloqueadores dos canais de cálcio (anlodipino, diltiazem, verapamil), nitratos (mononitrato e dinitrato de isossorbida), trimetazidina, ivabradina e ranolazina. A importação faz sentido quando o cardiologista vê a molsidomina como a melhor opção, por exemplo para quem já a usava na Europa ou não tolerou as alternativas; a escolha é médica e individual.

Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça

No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.

Como há antianginosos registrados no Brasil, o relatório médico precisa explicar por que as alternativas não atendem ao paciente. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.

Como a Medicsupply conduz a importação

Para a molsidomina, a Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos. O processo corre sempre em nome do paciente e começa pela receita médica. O prazo médio depende da origem do produto:

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
  • Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.

Perguntas Frequentes

A molsidomina tem registro na ANVISA?

Não. Os registros que constam dos dados abertos da ANVISA, da Sanofi-Aventis Farmacêutica e dos Laboratórios Baldacci, estão inativos (consulta em 09/10/2026); o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.

Molsidomine Biogaran e Corvasal são o mesmo medicamento?

Têm o mesmo princípio ativo e as mesmas doses de 2 mg e 4 mg: o Molsidomine Biogaran é um genérico, e o Corvasal, o medicamento de referência do mesmo grupo genérico na base pública francesa.

Posso tomar molsidomina com remédios para disfunção erétil?

Não. Sildenafila, tadalafila e vardenafila são contraindicadas com a molsidomina, pelo risco de queda forte e súbita da pressão, com desmaio ou evento coronariano agudo.

O SUS ou o plano de saúde fornecem a molsidomina?

O SUS não pode dispensar medicamento sem registro na ANVISA (Lei 8.080/1990, art. 19-T), e, pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecê-lo. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF e exigem orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.

Conclusão

A molsidomina é um antianginoso doador de óxido nítrico usado na Europa para prevenir as crises de angina, com o Corvasal como referência na França e o Molsidomine Biogaran entre os genéricos; não trata a crise e não mostrou benefício clínico no infarto agudo. Sem registro ativo na ANVISA nem aprovação da FDA, o acesso passa pela importação para uso próprio, com receita e acompanhamento do cardiologista; a Medicsupply pode assessorar esse processo.

Fontes

  1. ANSM (França) — Base pública de medicamentos: Corvasal 2 mg (CIS 68131878) e 4 mg (CIS 67646277), Cheplapharm Arzneimittel GmbH, bula de 12/08/2026 e parecer da Comissão de Transparência de 23/09/2015; Molsidomine Biogaran 2 mg (CIS 62011103) e 4 mg (CIS 65707219), Biogaran.
  2. Alemanha — Bula profissional (Fachinformation) de Corvaton 2 mg, Corvaton forte 4 mg e Corvaton retard 8 mg, Cheplapharm Arzneimittel GmbH, outubro de 2023.
  3. EMA — Base de dados do artigo 57 (EMA/518502/2018 Rev.89, 21/09/2026): molsidomina só com autorizações nacionais, como Corvasal (França, Cheplapharm), Corvaton (Alemanha, Cheplapharm; Bélgica e Luxemburgo, Therabel) e Coruno (Bélgica e Luxemburgo, Therabel).
  4. EMA — Lista de datas de referência da União (EURD), EMA/630645/2012 Rev.164, 23/09/2026: molsidomina, PSUSA/00002084/203112, só produtos autorizados nacionalmente.
  5. FDA — Drugs@FDA e openFDA (consulta em 09/10/2026): nenhum registro de molsidomina.
  6. Messin R et al., Int J Cardiol, 2005;98(1):79-89. PMID 15676171.
  7. Messin R et al., Adv Ther, 2006;23(4):601-614. PMID 17050502.
  8. ESPRIM Group, Lancet, 1994;344(8915):91-97. PMID 7912393 (ESPRIM).
  9. Lablanche JM et al., Circulation, 1997;95(1):83-89. PMID 8994421 (ACCORD).
  10. Barbato E et al., Atherosclerosis, 2015;240(2):351-354. PMID 25875387 (MEDCOR; ClinicalTrials.gov NCT01363661).
  11. ANVISA — Dados abertos de medicamentos: Molsidomina, registros 1.1300.0256 (Sanofi-Aventis Farmacêutica) e 1.0146.0067 (Laboratórios Baldacci), inativos; lista CMED de 09/10/2026 sem molsidomina; consulta em 09/10/2026.
  12. ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
  13. Lei nº 8.080/1990, art. 19-T, incluído pela Lei nº 12.401/2011 e com exceções da Lei nº 14.313/2022.

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.

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