Pesquisa aponta nova aplicação para o Xolair
Um medicamento amplamente utilizado no tratamento da asma pode representar um avanço relevante no manejo das alergias alimentares. Um estudo recente revelou que o omalizumabe, comercializado como Xolair, foi capaz de reduzir de forma significativa a gravidade das reações alérgicas em pessoas com múltiplas alergias alimentares. Os resultados trazem novas perspectivas para pacientes que convivem com o risco constante de exposição acidental a alimentos potencialmente perigosos, como amendoim, leite, ovo e trigo.
Os dados foram publicados no New England Journal of Medicine e analisaram crianças, adolescentes e um pequeno número de adultos com histórico de alergias alimentares múltiplas. Com base em uma análise provisória do estudo, a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, ampliou recentemente a aprovação do medicamento para incluir pessoas com alergias alimentares.
Como o Xolair atua no organismo
O Xolair é um anticorpo monoclonal que age bloqueando a imunoglobulina E (IgE), anticorpo diretamente envolvido no desenvolvimento das reações alérgicas. Quando uma pessoa alérgica entra em contato com determinado alimento, a IgE desencadeia uma resposta imunológica que pode variar de sintomas leves até a anafilaxia, uma reação grave e potencialmente fatal.
Ao se ligar à IgE, o omalizumabe reduz a capacidade do organismo de reagir de forma intensa ao alérgeno. Segundo especialistas, esse mecanismo explica por que o medicamento pode oferecer proteção mesmo quando há exposição simultânea a diferentes alimentos alergênicos.
Detalhes do estudo clínico
A pesquisa, financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, incluiu 180 participantes com alergia ao amendoim e a pelo menos outros dois alimentos. Entre os alérgenos avaliados estavam amendoim, caju, ovo, leite, nozes, avelã e trigo, considerados alguns dos mais comuns, especialmente na infância.
Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um recebeu injeções de omalizumabe a cada duas ou quatro semanas, durante um período de 16 a 20 semanas, enquanto o outro grupo recebeu placebo. A maioria dos participantes tinha até 17 anos, incluindo crianças a partir de 1 ano de idade, faixa etária na qual a prevalência de alergia alimentar é mais elevada.
Resultados observados pelos pesquisadores
Após 16 semanas de tratamento, cerca de 67% dos participantes que receberam o Xolair conseguiram tolerar pelo menos 600 miligramas de proteína de amendoim, o equivalente a aproximadamente dois a três amendoins. No grupo placebo, apenas cerca de 7% alcançaram esse nível de tolerância.
Além disso, aproximadamente 44% dos pacientes tratados com omalizumabe conseguiram consumir doses ainda maiores de proteína de amendoim sem apresentar reações graves. O estudo também demonstrou maior tolerância a outros alimentos alergênicos, como leite, ovo e caju, quando comparado ao grupo que recebeu placebo.
Os pesquisadores destacam que os dados sugerem um efeito mais abrangente do medicamento, capaz de reduzir a gravidade das reações mesmo em pacientes com múltiplas alergias alimentares.
Segurança, custos e limitações
Os efeitos colaterais mais relatados incluíram reações no local da injeção e febre, consistentes com o perfil de segurança já conhecido do Xolair em pacientes asmáticos. Um ponto considerado relevante foi a inclusão de crianças pequenas, grupo no qual a segurança do medicamento ainda não havia sido amplamente estudada.
Apesar dos resultados positivos, o estudo apresenta limitações. A maioria dos participantes era branca e não hispânica, e apenas três adultos foram incluídos, o que pode limitar a extrapolação dos dados para outras populações.
Especialistas também ressaltam que o tratamento tem custo elevado e não elimina a alergia alimentar. O benefício está relacionado ao uso contínuo do medicamento, o que levanta discussões sobre duração do tratamento e custo-benefício, especialmente em casos mais leves.
Perspectivas futuras
Os autores do estudo afirmam que ainda são necessárias novas pesquisas para identificar quais pacientes se beneficiam mais do uso do omalizumabe e por quanto tempo o tratamento deve ser mantido. A decisão pelo uso do Xolair deve ser individualizada e discutida entre pacientes, familiares e médicos especialistas.
Os resultados reforçam o potencial do medicamento como uma alternativa adicional no manejo das alergias alimentares graves, oferecendo maior segurança frente a exposições acidentais e reduzindo o risco de reações severas.
Com informações da CNN Brasil — https://www.cnnbrasil.com.br/saude/remedio-para-asma-pode-reduzir-reacao-alergica-causada-por-alimentos-diz-estudo/
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