Insuficiência adrenal é comum após adrenalectomia e requer avaliação com Cosintropina

A insuficiência adrenal no período pós-operatório é uma complicação comum entre adultos submetidos à adrenalectomia unilateral para o tratamento da secreção autônoma leve de cortisol. Dados recentes indicam que mais da metade desses pacientes apresenta queda significativa na produção hormonal após a cirurgia, exigindo acompanhamento rigoroso e, em muitos casos, tratamento temporário com glicocorticoides.

Estudo revela alta incidência de insuficiência adrenal

Os dados foram publicados no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism e derivam de um estudo retrospectivo conduzido em cinco centros médicos dos Estados Unidos. A análise incluiu 281 adultos diagnosticados com secreção autônoma leve de cortisol que passaram por adrenalectomia unilateral entre janeiro de 2013 e agosto de 2024.

Do total de participantes, 54,4% desenvolveram insuficiência adrenal após o procedimento cirúrgico e necessitaram de tratamento com glicocorticoides. A maioria da amostra era composta por mulheres (80%), com idade mediana de 57 anos.

Critérios diagnósticos e avaliação hormonal

Os pesquisadores consideraram como insuficiência adrenal os casos em que houve diagnóstico clínico associado a exames laboratoriais compatíveis. Entre os critérios utilizados estavam níveis basais de cortisol inferiores a 10 µg/dL e resposta inadequada ao teste de estímulo com cosintropina, definida por cortisol estimulado abaixo de 18 µg/dL.

Quando os resultados dos testes eram discordantes, a decisão de iniciar a reposição hormonal ficava a cargo do médico assistente, considerando sintomas clínicos e características individuais do paciente.

Idade influencia risco pós-cirúrgico

Um dos achados mais relevantes do estudo foi a associação entre idade e risco de insuficiência adrenal. A cada 10 anos adicionais de idade, a probabilidade de diagnóstico reduziu em 33%. Essa relação chamou a atenção das autoras do estudo, Irina Bancos, da Mayo Clinic, e Oksana Hamidi, da UT Southwestern Medical Center.

Segundo as pesquisadoras, pacientes mais jovens apresentaram níveis mais elevados de cortisol após o teste de supressão com dexametasona e valores mais baixos de ACTH, sugerindo uma forma mais pronunciada da secreção autônoma leve de cortisol.

Concordância entre testes e achados adicionais

Entre os participantes, 60,1% apresentaram cortisol basal reduzido e 57,6% tiveram resposta inadequada no teste de cosintropina. Em 78% dos casos, os dois exames foram concordantes no diagnóstico de insuficiência adrenal.

Pacientes com nódulos bilaterais apresentaram maior frequência de resultados discordantes quando comparados àqueles com nódulo unilateral, o que reforça a complexidade da avaliação hormonal nesses casos.

Recuperação é comum, mas exige acompanhamento

Apesar da alta incidência inicial, a recuperação da função adrenal foi observada em 70,6% dos pacientes durante um acompanhamento mediano de 15,4 meses. A recuperação ocorreu em:

  • 41% após 3 meses
  • 60% após 6 meses
  • 73% em 1 ano
  • 84% em 18 meses

O tempo de recuperação variou conforme a gravidade da insuficiência adrenal, sendo mais curto nos quadros leves e mais prolongado nos casos considerados graves.

Implicações clínicas e conduta pós-operatória

As autoras destacam a importância de testes hormonais frequentes no pós-operatório. A avaliação precoce permite identificar rapidamente a recuperação da função adrenal e reduzir o tempo de uso de glicocorticoides, evitando efeitos adversos associados à exposição prolongada.

Outro ponto enfatizado é a necessidade de evitar o uso de dexametasona ou outros esteroides durante a cirurgia ou anestesia, pois essas substâncias podem interferir na interpretação dos testes hormonais. A integração entre endocrinologistas, anestesistas e cirurgiões é considerada essencial para otimizar o manejo pós-operatório.

A insuficiência adrenal é uma complicação frequente após adrenalectomia unilateral em pacientes com secreção autônoma leve de cortisol, especialmente entre adultos mais jovens. Embora a maioria recupere a função adrenal em até um ano, o estudo reforça a necessidade de monitoramento hormonal sistemático e individualizado para garantir segurança clínica e evitar tratamentos desnecessários.

Com informações de Healio — https://www.healio.com/news/endocrinology/20251001/adrenal-insufficiency-common-after-unilateral-adrenalectomy

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Augusto

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