Calquence (acalabrutinibe): inibidor de BTK na leucemia linfocítica crônica e acesso no Brasil

Resumo rápido

  • Calquence é o nome comercial do medicamento cujo princípio ativo é o acalabrutinibe.
  • Trata-se de um inibidor covalente e seletivo da tirosina quinase de Bruton (BTK), classificado como de segunda geração.
  • É utilizado no tratamento de cânceres hematológicos de células B, como a Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) e o Linfoma de Células do Manto (LCM).
  • Atua bloqueando a BTK, proteína essencial na sinalização de sobrevivência e proliferação das células B malignas.
  • É desenvolvido pela AstraZeneca e administrado por via oral, com formulações em cápsulas e em comprimidos.

O que é Calquence (Acalabrutinibe)? Definição direta

Calquence é um medicamento de prescrição cujo princípio ativo é o acalabrutinibe. Pertence à classe dos inibidores de tirosina quinase, atuando de forma covalente e seletiva sobre a tirosina quinase de Bruton (BTK). Desenvolvido pela AstraZeneca, é administrado por via oral: existe a formulação em cápsulas e também a formulação em comprimidos, esta última na forma de acalabrutinibe maleato. Por ser uma terapia-alvo, e não uma quimioterapia tradicional, o acalabrutinibe age de maneira mais direcionada sobre as vias que sustentam as células doentes.

Como o acalabrutinibe atua? Mecanismo de ação

O acalabrutinibe inibe de forma seletiva e covalente a tirosina quinase de Bruton (BTK). A BTK é uma proteína central na via de sinalização do receptor de células B, participando da proliferação, da sobrevivência e da migração das células B. Ao bloquear a BTK, o acalabrutinibe interrompe essa cascata de sinalização, comprometendo a sobrevivência das células malignas e dificultando sua disseminação. A alta seletividade pela BTK tende a reduzir a inibição de outras quinases, característica que pode contribuir para o perfil de tolerabilidade observado com o medicamento.

Para que serve Calquence? Indicações terapêuticas

Calquence é indicado para o tratamento de pacientes adultos com Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), podendo ser empregado tanto em pacientes recém-diagnosticados quanto naqueles que já receberam tratamento anterior. Também possui indicação para o Linfoma de Células do Manto (LCM) em pacientes que receberam pelo menos uma terapia prévia, sob a modalidade de aprovação acelerada. A aprovação e as indicações específicas podem variar entre os órgãos reguladores, como a ANVISA no Brasil, o FDA nos Estados Unidos e a EMA na Europa. Quando o acesso ao medicamento é negado ou dificultado na rede pública ou em planos de saúde, alguns pacientes recorrem a tratamentos judiciais para obtê-lo. [1]

Evidências clínicas e eficácia do Calquence

A eficácia e a segurança do acalabrutinibe foram avaliadas em estudos clínicos controlados. O estudo de fase 3 ELEVATE-TN, conduzido em pacientes com LLC não tratada, mostrou que o acalabrutinibe, isolado ou combinado ao obinutuzumabe, foi superior à combinação obinutuzumabe-clorambucila em sobrevida livre de progressão, servindo de base para a aprovação na LLC de primeira linha. No LCM recidivado ou refratário, o estudo de fase 2 ACE-LY-004 relatou taxa de resposta global de aproximadamente 81%, sustentando a aprovação acelerada nessa condição. Mais recentemente, o estudo de fase 3 AMPLIFY avaliou o acalabrutinibe associado ao venetoclax, com ou sem obinutuzumabe, em pacientes com LLC não tratada sem del(17p)/TP53, embasando a aprovação da combinação com venetoclax. O estudo ASCEND, por sua vez, comparou o acalabrutinibe a terapias padrão em LLC recidivada ou refratária. [2][3][4][5][6]

Calquence vs. outros inibidores de BTK: diferenciais

Aspecto Calquence (Acalabrutinibe) Imbruvica (Ibrutinibe)
Geração Inibidor de BTK de segunda geração Inibidor de BTK de primeira geração
Seletividade Maior seletividade pela BTK Seletividade menor pela BTK
Perfil cardiovascular Menor incidência relatada de fibrilação atrial e hipertensão em estudos comparativos Maior incidência relatada de eventos como fibrilação atrial e hipertensão
Via de administração Oral Oral

Segurança e efeitos colaterais de Calquence (Acalabrutinibe)

Os efeitos colaterais comuns descritos com o acalabrutinibe incluem dor de cabeça, diarreia, dor muscular (mialgia), fadiga e náuseas. Entre os eventos adversos graves podem estar a fibrilação atrial, hemorragias, infecções e citopenias, ou seja, a diminuição de células sanguíneas. É importante monitorar o paciente quanto a sinais de sangramento, infecções e alterações cardíacas. O médico deve ser informado sobre todos os medicamentos em uso, incluindo os de venda livre, devido ao potencial de interações medicamentosas.

Perguntas Frequentes

Calquence é uma quimioterapia?

Não. Calquence é uma terapia-alvo que atua de forma mais específica sobre a BTK, diferentemente da quimioterapia tradicional.

Como Calquence é administrado?

A administração é por via oral. A posologia usual da formulação em cápsulas é duas vezes ao dia, e o medicamento pode ser tomado com ou sem alimentos.

Qual é o objetivo do tratamento com Calquence?

O objetivo do tratamento é o controle da doença, buscando a remissão e o aumento da sobrevida livre de progressão, conforme a avaliação do médico.

Quem define a dose e a duração do tratamento?

A dose e a duração são determinadas pelo médico, com base na condição do paciente e na resposta ao tratamento.

É possível obter Calquence por via judicial?

Quando há negativa de fornecimento, pacientes podem recorrer a tratamentos judiciais; a compra judicial é um caminho utilizado para viabilizar o acesso ao medicamento em determinadas situações.

Conclusão: o papel de Calquence no tratamento oncológico

Calquence (acalabrutinibe) ocupa um papel relevante no tratamento da Leucemia Linfocítica Crônica e de outras malignidades de células B, como o Linfoma de Células do Manto. Sua seletividade pela BTK e o perfil de tolerabilidade observado o tornam uma opção considerada em diferentes cenários clínicos, com o objetivo de controlar a doença e prolongar a sobrevida livre de progressão. As indicações e aprovações variam entre ANVISA, FDA e EMA, e o acesso, em alguns casos, envolve tratamentos judiciais ou compra judicial. A decisão terapêutica deve ser sempre tomada em conjunto com um médico especialista, considerando o perfil individual de cada paciente.

Situação no Brasil

O Calquence é registrado na ANVISA sob o nº 116180269, da AstraZeneca, com registro concedido em dezembro de 2019 para a apresentação em cápsula dura e em outubro de 2024 para o comprimido revestido.

Por haver registro vigente, não se trata de caso de importação. A dificuldade de acesso costuma ser de custeio: quando o fornecimento pelo SUS ou pela operadora de saúde não ocorre, o caminho é a solicitação administrativa e, havendo negativa, a discussão judicial da cobertura — que se apoia no registro sanitário vigente e em laudo médico fundamentado. Sempre com orientação médica e jurídica individualizada.

Registro no Brasil

O Calquence tem registro na ANVISA sob o nº 116180269, da AstraZeneca: a apresentação em cápsula dura de 100 mg foi registrada em dezembro de 2019 e o comprimido revestido de 100 mg em outubro de 2024. A existência de registro vigente é o argumento central em discussões de cobertura, já que a Lei dos Planos de Saúde vincula a obrigação de cobertura ao registro sanitário.

Fontes

  1. [1] FDA — NDA 210259 (cápsulas); NDA 216387 (comprimidos, acalabrutinibe maleato) (Calquence, AstraZeneca)
  2. [2] ClinicalTrials.gov — NCT02475681
  3. [3] Sharman JP, Egyed M, Jurczak W, et al. Acalabrutinib with or without obinutuzumab versus chlorambucil and obinutuzumab for treatment-naive chronic lymphocytic leukaemia (ELEVATE-TN): a randomised, controlled, phase 3 trial. Lancet. 2020;395(10232):1278-1291 (PMID 32305093)
  4. [4] ClinicalTrials.gov — NCT02213926
  5. [5] Wang M, Rule S, Zinzani PL, et al. Lancet. 2018;391(10121):659-667. (PMID 29241979)
  6. [6] ClinicalTrials.gov — NCT03836261

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