Niraparibe ajuda a adiar a reincidência do câncer de ovário no Brasil

Uma nova opção terapêutica para o câncer de ovário passa a integrar o arsenal disponível no Brasil. O niraparibe, medicamento aprovado em março deste ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já está disponível para comercialização no país e tem se destacado por sua capacidade de adiar a recorrência da doença após o tratamento inicial. Estudos clínicos publicados em uma das mais respeitadas revistas médicas do mundo indicam que a droga pode beneficiar um amplo grupo de pacientes, incluindo aquelas sem mutações genéticas conhecidas.

Aprovação regulatória e base científica

O niraparibe é uma terapia oral indicada para o tratamento de manutenção do câncer de ovário. Sua eficácia foi demonstrada em dois estudos clínicos publicados no The New England Journal of Medicine, referência internacional em pesquisa médica. Os trabalhos analisaram tanto pacientes recém-diagnosticadas quanto mulheres com doença recorrente que responderam previamente à quimioterapia à base de platina.

Comercializado sob o nome Zejula, o medicamento é desenvolvido pela farmacêutica britânica GSK e pertence à classe dos inibidores da PARP, enzima fundamental para a reparação do DNA das células tumorais.

Como age o niraparibe no organismo

Segundo o oncologista Fernando Maluf, presidente do Instituto Vencer o Câncer, os inibidores da PARP atuam impedindo que as células cancerígenas reconstruam seu DNA após os danos causados pela cirurgia e pela quimioterapia. Esse bloqueio compromete a sobrevivência do tumor e ajuda a manter a doença controlada por mais tempo.

Tradicionalmente, esse tipo de medicamento apresenta melhores resultados em pacientes com mutações nos genes BRCA, alterações genéticas associadas a maior risco de câncer de ovário e mama. No entanto, o niraparibe demonstrou um diferencial importante ao apresentar eficácia também em pacientes sem essas mutações.

Resultados em diferentes perfis de pacientes

De acordo com Vanessa Fabricio, diretora médica de Oncologia da GSK, o medicamento mostrou benefício em todas as pacientes que responderam à quimioterapia inicial, independentemente do perfil genético. No estudo mais recente, publicado em 2019, mulheres com mutação no gene BRCA que utilizaram o niraparibe apresentaram redução de 60% no risco de progressão da doença ou morte. Já na população geral, essa redução foi de 38%, em comparação com o grupo que recebeu placebo.

Em um estudo anterior, de 2016, que avaliou pacientes com recorrência do câncer de ovário, os resultados foram ainda mais expressivos. Mulheres com mutações no BRCA tiveram redução de 73% no risco de progressão ou morte, enquanto aquelas sem alterações genéticas apresentaram diminuição de 55%.

Terapia de manutenção e qualidade de vida

Os especialistas ressaltam que o niraparibe não substitui a quimioterapia. O medicamento é utilizado como terapia de manutenção, iniciada após o término da cirurgia e da quimioterapia. Nesse contexto, o objetivo é prolongar o período em que a doença permanece controlada.

A taxa de recidiva do câncer de ovário após o tratamento inicial é considerada elevada, podendo chegar a 85% dos casos. No entanto, no estudo de 2016, o uso do niraparibe ampliou significativamente o tempo de sobrevida sem progressão da doença. Enquanto pacientes do grupo placebo apresentaram retorno do câncer em cerca de 5,5 meses, aquelas que receberam o medicamento permaneceram, em média, 21 meses sem progressão.

Impacto do câncer de ovário no Brasil e no mundo

O câncer de ovário é conhecido pelo diagnóstico tardio e pelos altos índices de letalidade em estágios avançados. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que mais de 4 mil brasileiras morreram em decorrência da doença apenas em 2019. Já informações da American Cancer Society indicam que, quando o câncer de ovário epitelial invasivo se dissemina para outros órgãos, a taxa de sobrevida em cinco anos é de aproximadamente 31%.

Embora os números ainda sejam desafiadores, especialistas avaliam que o cenário do câncer de ovário vem passando por mudanças importantes. O avanço das terapias de manutenção, como o niraparibe, representa uma evolução significativa em um campo onde cirurgia e quimioterapia pouco se modificaram nas últimas décadas. A expectativa é que essas novas drogas contribuam para alterar a história natural da doença, oferecendo mais tempo e melhor qualidade de vida às pacientes.

Com informações de Revista Galileu — https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2021/08/nova-droga-no-brasil-ajuda-adiar-reincidencia-do-cancer-de-ovario.html

Blog da Medicsupply — Informação confiável sobre saúde, medicamentos e inovação científica.
Medicsupply — Assessoria na Importação de Medicamentos
📱 (11) 5085-5856 | (11) 5085-5888
🌐 www.medicsupply.com.br

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

DEIXE UM COMENTÁRIO

Niraparibe ajuda a adiar a reincidência do câncer de ovário no Brasil

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Augusto

Augusto

DEIXE UM COMENTÁRIO

Rolar para cima