Combinação terapêutica inaugura nova abordagem no tratamento inicial da doença
Os avanços mais recentes da oncologia vêm redesenhando o tratamento de diversos tipos de câncer, especialmente os hematológicos. Embora milhões de pacientes já se beneficiem de terapias modernas, a doença continua apresentando desafios, com subtipos mais agressivos e resistentes às abordagens tradicionais. Nesse cenário, o desenvolvimento de medicamentos eficazes e bem tolerados tornou-se prioridade para ampliar o tempo livre de progressão e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Esses temas estiveram no centro das discussões da 59ª edição do Congresso da Sociedade Americana de Hematologia, realizado em Atlanta, que reuniu mais de 30 mil especialistas de todo o mundo. Entre os destaques apresentados, uma nova estratégia terapêutica voltada ao linfoma de Hodgkin chamou a atenção por representar um avanço significativo no tratamento de primeira linha da doença.
Terapias-alvo ganham protagonismo na oncologia moderna
As chamadas terapias-alvo buscam atacar o câncer em nível molecular, explorando características específicas das células malignas. Diferentemente da quimioterapia convencional, que age de forma indiscriminada sobre células em rápida divisão, essas terapias são desenhadas para atingir apenas os alvos biológicos associados ao tumor, reduzindo danos às células saudáveis.
No caso do linfoma de Hodgkin, essa abordagem representa uma mudança importante. O tratamento padrão da doença pouco evoluiu desde a década de 1970 e, atualmente, cerca de 30% dos pacientes não respondem adequadamente à terapia inicial, o que aumenta a necessidade de esquemas mais intensivos e tóxicos.
Brentuximab vedotin mostra resultados inéditos em primeira linha
Um dos estudos mais aguardados do congresso foi o Echelon-1, conduzido por Joseph M. Connors, diretor clínico do British Columbia Cancer Agency Center, no Canadá. A pesquisa avaliou o uso do brentuximab vedotin, um conjugado anticorpo-fármaco, associado à quimioterapia no tratamento inicial do linfoma de Hodgkin avançado.
O brentuximab vedotin atua ligando-se ao receptor CD30, presente nas células desse tipo de câncer. A partir dessa ligação, o medicamento consegue levar o agente terapêutico diretamente à célula doente, promovendo sua destruição. É a primeira vez que uma droga baseada em uma característica biológica específica do linfoma de Hodgkin é utilizada logo no início do tratamento.
Redução do risco de progressão e menor toxicidade pulmonar
O estudo envolveu 1.134 pacientes com linfoma de Hodgkin avançado e sem tratamento prévio. Os participantes foram divididos aleatoriamente entre o regime padrão ABVD, que inclui adriamicina, bleomicina, vinblastina e dacarbazina, e o esquema experimental AVD associado ao brentuximab vedotin.
Os resultados mostraram que os pacientes tratados com a nova combinação tiveram uma redução de 23% no risco de progressão da doença ou morte, em comparação ao tratamento tradicional. Outro ponto relevante foi a retirada da bleomicina do esquema terapêutico experimental, substância associada a toxicidade pulmonar grave e, em alguns casos, fatal.
Embora a nova combinação tenha apresentado maior incidência de neuropatia, os pesquisadores observaram menos episódios de febre e neutropenia, complicações frequentes e potencialmente graves em pacientes submetidos à quimioterapia.
Segundo Connors, os dados representam o primeiro esforço bem-sucedido em mais de 30 anos para melhorar os resultados do tratamento de primeira linha em pacientes com linfoma de Hodgkin avançado, sem elevar a toxicidade da quimioterapia a níveis inaceitáveis.
Especialistas brasileiros destacam avanços e desafios
O oncologista e hematologista Daniel Tabak, que acompanhou a apresentação dos resultados, ressaltou que a imuno-oncologia vem transformando o tratamento do câncer em escala global. Para ele, a possibilidade de retirar a bleomicina do esquema terapêutico representa um avanço relevante, especialmente pela redução do risco pulmonar.
Avaliação semelhante foi feita pelo hematologista Guilherme Perini, do Hospital Albert Einstein. Apesar de reconhecer a robustez do estudo e os ganhos em termos de toxicidade, ele destacou que o custo do brentuximab vedotin pode dificultar sua incorporação à realidade brasileira, tornando o acesso ao tratamento um desafio adicional.
Personalização do tratamento redefine o combate ao câncer
Os resultados apresentados no congresso reforçam uma tendência crescente na oncologia: a personalização do tratamento com base na biologia da doença e nas características individuais do paciente. O uso de marcadores moleculares permite esquemas terapêuticos mais precisos, eficazes e toleráveis.
Essa mudança de paradigma já vem sendo observada em outros cânceres hematológicos, como mieloma múltiplo e leucemias, reduzindo a dependência exclusiva da quimioterapia e, em muitos casos, evitando procedimentos mais agressivos, como o transplante de medula óssea.
Avanço científico com impacto direto na qualidade de vida
A introdução do brentuximab vedotin no tratamento inicial do linfoma de Hodgkin representa um marco na evolução terapêutica da doença. Ao combinar eficácia superior com um perfil de segurança mais favorável, a nova abordagem aponta para um futuro em que o controle do câncer caminhe lado a lado com a preservação da qualidade de vida dos pacientes.
Embora desafios econômicos ainda limitem a ampla adoção dessa estratégia em alguns países, os dados do estudo Echelon-1 consolidam o papel das terapias-alvo como protagonistas no tratamento oncológico contemporâneo.
Com informações de Correio Braziliense —
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/01/03/interna_ciencia_saude,651040/novo-tratamento-para-linfoma-de-hodking.shtml
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