Medicamento já autorizado em outros países mostra ganho relevante de sobrevida
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para o mieloma múltiplo, o tipo de câncer no sangue mais comum no Brasil e no mundo. A decisão amplia as opções terapêuticas para pacientes que apresentam recaída da doença ou não obtiveram resposta satisfatória aos tratamentos anteriores. O medicamento, já aprovado em países como Reino Unido e membros da União Europeia, demonstrou redução significativa do risco de progressão da doença e de morte em estudos clínicos de fase avançada.
O mieloma múltiplo é um câncer hematológico caracterizado pela proliferação descontrolada de plasmócitos malignos na medula óssea. Essas células, responsáveis pela produção de anticorpos, passam a comprometer a formação normal das células sanguíneas quando se tornam cancerígenas. Como consequência, os pacientes ficam mais suscetíveis à anemia, infecções recorrentes, dor óssea, fadiga intensa e, em muitos casos, insuficiência renal.
Globalmente, o mieloma múltiplo representa cerca de 10% dos cânceres hematológicos. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 7.600 novos casos diagnosticados a cada ano. Apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas, a doença ainda é considerada incurável, com grande parte dos pacientes enfrentando recaídas frequentes e redução progressiva da resposta clínica a cada nova linha de tratamento.
Blenrep representa nova classe terapêutica para a doença
O medicamento aprovado pela Anvisa é o Blenrep, nome comercial do belantamabe mafodotina. Trata-se de uma terapia conjugada que combina um anticorpo monoclonal direcionado ao antígeno de maturação das células B, conhecido como BCMA, com a mafodotina, uma carga citotóxica.
Esse mecanismo permite que o medicamento se ligue de forma seletiva às células do mieloma múltiplo. Após a ligação, a substância citotóxica é liberada no interior da célula tumoral, induzindo sua morte. A proposta da terapia é potencializar a eficácia do tratamento ao direcionar a ação do fármaco especificamente às células doentes.
De acordo com a GSK Brasil, responsável pelo medicamento, a aprovação marca a chegada de uma nova classe terapêutica já a partir da segunda linha de tratamento, oferecendo uma alternativa inovadora para pacientes com doença ativa após terapias iniciais.
Resultados dos estudos DREAMM-7 e DREAMM-8
A decisão regulatória da Anvisa foi fundamentada principalmente nos resultados de dois estudos clínicos de fase 3: DREAMM-7 e DREAMM-8. Ambos tiveram participação relevante do Brasil, com pacientes recrutados em oito centros de pesquisa distribuídos pelo país.
O estudo DREAMM-7 avaliou o belantamabe mafodotina em combinação com bortezomibe e dexametasona em pacientes com mieloma múltiplo recaído ou refratário. Os dados mostraram que a terapia reduziu em 59% o risco de progressão da doença ou morte quando comparada ao regime padrão com daratumumabe, considerado uma referência no tratamento da doença.
Já o estudo DREAMM-8 analisou o uso do medicamento em associação com pomalidomida e dexametasona em pacientes previamente tratados com lenalidomida. Nesse cenário, foi observada uma redução de 51% no risco de progressão ou morte em comparação ao tratamento padrão, além de uma tendência positiva em sobrevida global.
Especialistas envolvidos nos estudos destacam que os resultados evidenciam um benefício clínico expressivo e reforçam o papel do Brasil no cenário internacional de pesquisa clínica em hematologia.
Perfil de segurança e acompanhamento oftalmológico
Durante os estudos clínicos, eventos adversos oculares foram relatados com frequência entre os pacientes tratados com belantamabe mafodotina. Essas alterações estão relacionadas à carga citotóxica do medicamento e incluem o surgimento de microcistos na córnea.
No DREAMM-7, os eventos oculares ocorreram em 79% dos pacientes que receberam o esquema com belantamabe mafodotina, enquanto no DREAMM-8 a taxa chegou a 89%. Especialistas explicam que esses efeitos colaterais são, em grande parte, manejáveis por meio de ajustes na dosagem e acompanhamento oftalmológico regular a cada ciclo do tratamento. Em situações específicas, pode ser necessária a suspensão temporária ou definitiva do medicamento.
Avanço relevante no tratamento do mieloma múltiplo
A aprovação do Blenrep pela Anvisa representa um avanço importante no tratamento do mieloma múltiplo no Brasil. Ao incorporar uma abordagem que combina imunoterapia e terapia-alvo, o medicamento amplia as possibilidades terapêuticas para pacientes que enfrentam recaídas da doença. Os resultados clínicos indicam ganhos consistentes em sobrevida livre de progressão, reforçando a relevância da inovação científica no cuidado com pacientes onco-hematológicos.
Com informações da CNN Brasil — https://www.cnnbrasil.com.br/saude/anvisa-aprova-novo-tratamento-para-cancer-no-sangue-entenda/
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