Vendido como Dayvigo, fármaco da Eisai se destaca por eficácia e tolerabilidade
Uma nova alternativa para o tratamento da insônia foi aprovada no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu aval ao lemborexante, medicamento desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e comercializado internacionalmente sob o nome Dayvigo. O fármaco chama atenção por atuar em um sistema cerebral diferente dos remédios tradicionalmente utilizados e por ter sido considerado o mais eficaz e bem tolerado em uma ampla análise científica publicada na revista The Lancet.
A aprovação marca a chegada de uma nova classe terapêutica ao país, em um cenário no qual milhões de brasileiros convivem com dificuldades persistentes para dormir e recorrem, muitas vezes, a medicamentos associados a riscos de dependência e efeitos adversos a longo prazo.
Aprovação da Anvisa e expectativa de chegada ao mercado brasileiro
Com o registro concedido pela Anvisa, o lemborexante está autorizado para uso em adultos no tratamento da insônia. A Eisai informou que está se preparando para introduzir o medicamento no mercado brasileiro, embora ainda não haja data oficial de lançamento nem definição de preço. Um dos passos pendentes é a fixação do valor máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Nos Estados Unidos, onde o lemborexante foi aprovado em 2019, a caixa com 30 comprimidos é comercializada por cerca de 300 dólares. A posologia aprovada prevê dose inicial de 5 mg, administrada uma vez por noite, pouco antes de dormir, com intervalo mínimo de sete horas antes do horário de despertar. A dose pode ser ajustada para até 10 mg, de acordo com a resposta clínica e a tolerabilidade, sempre sob acompanhamento médico.
Reconhecimento científico em estudo internacional
O medicamento ganhou destaque após ser avaliado em uma revisão conduzida por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido. O estudo analisou 36 opções farmacológicas utilizadas no tratamento da insônia e concluiu que o lemborexante apresentou o melhor equilíbrio entre eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade. Os resultados foram publicados na revista The Lancet, uma das principais publicações científicas da área médica.
Especialistas apontam que esse reconhecimento reforça o potencial do fármaco como uma alternativa mais segura em relação às terapias tradicionais, embora ressaltem a importância do monitoramento contínuo para avaliar efeitos raros no uso prolongado.
Como funciona o novo mecanismo de ação no cérebro
O lemborexante pertence à classe dos antagonistas da hipocretina, também conhecida como orexina. Esse neurotransmissor desempenha papel central na regulação do ciclo sono-vigília. A descoberta dessa via ocorreu a partir de estudos sobre a narcolepsia, condição na qual há deficiência de hipocretina e episódios súbitos de sono.
Ao bloquear os receptores de hipocretina, o medicamento reduz o estado de vigília, facilitando tanto o início quanto a manutenção do sono. Essa abordagem difere dos benzodiazepínicos e das chamadas drogas Z, amplamente utilizadas no Brasil, que atuam estimulando o neurotransmissor GABA e promovem uma redução mais generalizada da atividade do sistema nervoso central.
Limitações dos tratamentos tradicionais para insônia
Desde a década de 1960, os benzodiazepínicos se consolidaram como uma das classes de medicamentos mais prescritas para distúrbios do sono e transtornos de ansiedade. Com o tempo, porém, surgiram evidências consistentes de riscos como dependência, prejuízo cognitivo e eventos adversos graves, especialmente quando associados ao álcool.
As drogas Z, desenvolvidas a partir dos anos 1980 com a proposta de maior seletividade, também demonstraram potencial de dependência e efeitos indesejáveis, como comportamentos anormais durante o sono. Esse histórico impulsionou a busca por tratamentos que atuem de forma mais específica nos mecanismos da vigília, como os antagonistas da hipocretina.
Insônia no Brasil e critérios para uso de medicamentos
Dados da Associação Brasileira do Sono indicam que cerca de dois terços da população brasileira relatam algum grau de dificuldade para dormir. A insônia crônica, caracterizada por sintomas frequentes por pelo menos três meses, atinge aproximadamente 15% dos adultos, segundo levantamentos epidemiológicos.
As diretrizes reforçam que o tratamento inicial deve priorizar medidas não farmacológicas, como higiene do sono e a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I), considerada padrão-ouro. O uso de medicamentos é reservado para casos selecionados, com impacto funcional relevante e sempre seguindo o princípio da menor dose eficaz, pelo menor tempo necessário, com acompanhamento médico.
Um avanço com potencial impacto no cuidado do sono
A aprovação do lemborexante pela Anvisa representa um avanço importante no tratamento da insônia no Brasil. Com um mecanismo de ação inovador e respaldo científico robusto, o medicamento pode preencher uma lacuna terapêutica para pacientes que não respondem adequadamente às opções tradicionais. Especialistas destacam, no entanto, que sua utilização deve ser criteriosa e integrada a estratégias não farmacológicas, reforçando a importância de uma abordagem ampla e individualizada do distúrbio do sono.
Com informações de Folha de Pernambuco — https://www.folhape.com.br/noticias/insonia-anvisa-aprova-remedio-com-acao-inedita-no-cerebro-eleito-o/438095/
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