A taquicardia fetal sustentada é uma condição rara, porém potencialmente grave, associada a risco de insuficiência cardíaca e hidropisia fetal quando não tratada de forma adequada. O tratamento costuma envolver terapia antiarrítmica transplacentária, com a digoxina sendo amplamente utilizada como primeira linha. No entanto, evidências recentes indicam que a resposta à monoterapia é limitada em parte dos casos, o que reforça a necessidade de estratégias terapêuticas mais eficazes.
Um estudo publicado no periódico Heart Rhythm avaliou os resultados da associação entre digoxina e flecainida no tratamento da taquicardia fetal e demonstrou melhora expressiva nas taxas de reversão do ritmo cardíaco, quando comparada à digoxina isolada.
Abordagem clínica da taquicardia fetal
A taquicardia supraventricular fetal sustentada, especialmente na ausência de hidropisia, costuma ser inicialmente tratada com digoxina oral administrada à gestante. Essa conduta baseia-se no histórico de uso da droga e em seu perfil de segurança relativamente bem estabelecido. Em situações em que não há resposta clínica ou ocorre progressão para hidropisia fetal, a flecainida passa a ser adicionada ao esquema terapêutico.
Apesar do uso frequente dessa estratégia na prática clínica, ainda existem incertezas relacionadas à farmacocinética transplacentária, à relação entre dose e concentração materna e aos possíveis efeitos adversos para mãe e feto.
Desenho do estudo e características da amostra
A análise incluiu 28 gestantes tratadas inicialmente com monoterapia oral de digoxina para taquicardia fetal entre junho de 2007 e janeiro de 2023. O estudo teve caráter retrospectivo e buscou avaliar a relação entre exposição materna à medicação, resposta terapêutica fetal e ocorrência de efeitos colaterais.
As pacientes foram acompanhadas ao longo da gestação, com monitoramento das concentrações maternas de digoxina e, nos casos em que houve falha da monoterapia, também de flecainida. A evolução clínica fetal foi avaliada por meio da reversão para ritmo sinusal.
Resultados de eficácia da monoterapia e da associação medicamentosa
Dos 28 casos analisados, apenas nove fetos, o equivalente a 32%, apresentaram reversão para ritmo sinusal com o uso exclusivo de digoxina. O tempo mediano para resposta foi de 4,5 dias. Nos demais casos, a adição de flecainida oral, em dose diária de 300 mg, elevou a taxa total de sucesso terapêutico para 93%, com reversão do ritmo em 26 fetos.
Os dados indicam que a combinação de flecainida e digoxina é substancialmente mais eficaz do que a monoterapia com digoxina no controle da taquicardia fetal persistente, independentemente da idade gestacional no início do tratamento.
Segurança, efeitos adversos e ajustes de dose
Os efeitos colaterais foram mais frequentes entre as gestantes que receberam terapia combinada, sendo as náuseas o evento adverso mais relatado. Ainda assim, os sintomas foram considerados controláveis por meio de ajustes de dose, sem comprometimento do sucesso terapêutico.
Durante toda a gestação, os níveis maternos de digoxina permaneceram estáveis, com pouca variação entre as pacientes. Não houve diferença significativa entre as concentrações de digoxina em gestantes cujos fetos responderam à monoterapia e aquelas cujos fetos necessitaram da adição de flecainida.
Transferência placentária e dados farmacocinéticos
A razão entre os níveis fetais e maternos de digoxina foi semelhante tanto no grupo tratado apenas com digoxina quanto no grupo que recebeu a associação, sem diferença estatisticamente significativa. No caso da flecainida, a razão mediana entre as concentrações no feto e na mãe foi de 0,82, indicando transferência placentária relevante e consistente com a maior eficácia clínica observada.
Impacto clínico e implicações do estudo
Os resultados reforçam que a associação de flecainida e digoxina representa uma opção terapêutica mais eficaz para o tratamento da taquicardia fetal quando a monoterapia não é suficiente. Embora esteja associada a maior incidência de efeitos adversos maternos, a terapia combinada mostrou perfil de segurança aceitável quando monitorada adequadamente.
O estudo contribui para o avanço do conhecimento sobre a farmacoterapia da taquicardia fetal e fornece subsídios importantes para a tomada de decisão clínica em casos persistentes ou complicados.
Com informações de Medical Dialogues
https://medicaldialogues.in/cardiology-ctvs/news/flecainide-and-digoxin-combo-significantly-improves-fetal-tachycardia-treatment-outcomes-study-149885
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