Upadacitinibe mostra eficácia na doença pulmonar intersticial

O upadacitinibe, um inibidor da Janus quinase (JAK), pode representar uma nova alternativa terapêutica para pacientes com doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica. Resultados de um ensaio clínico apresentados durante o congresso anual de 2025 da European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR) indicam que o medicamento foi capaz de reduzir a deterioração da função pulmonar em comparação ao tratamento com micofenolato de mofetila.

A doença pulmonar intersticial é uma das complicações mais graves da esclerose sistêmica e está associada à progressiva perda da capacidade respiratória. Por esse motivo, novas estratégias terapêuticas vêm sendo investigadas para retardar a progressão da doença.

Upadacitinibe reduz perda da função pulmonar

Os dados apresentados mostram que pacientes tratados com upadacitinibe apresentaram menor deterioração da capacidade vital forçada (CVF) ao longo de 24 semanas de tratamento quando comparados aos pacientes que receberam micofenolato de mofetila, um dos imunossupressores frequentemente utilizados na prática clínica.

Após um ano de acompanhamento, a diferença anual na deterioração da CVF entre os grupos foi de 20,9 mL por ano, favorecendo o tratamento com upadacitinibe. O resultado atingiu significância estatística limítrofe, com p = 0,05.

A pesquisadora responsável pelo estudo, Dra. Manal Hassanien, Ph.D., da Universidade de Assiut, no Egito, destacou que o medicamento demonstrou impacto relevante na progressão da doença pulmonar.

Segundo a pesquisadora, os dados indicam que o upadacitinibe foi capaz de reduzir a deterioração da capacidade vital forçada em pacientes com esclerose sistêmica associada à doença pulmonar intersticial.

Possíveis benefícios além do pulmão

Além da preservação da função pulmonar, os pesquisadores também observaram algum benefício na resposta cutâneaem pacientes com a forma difusa da esclerose sistêmica.

De acordo com a Dra. Manal, o tratamento apresentou um perfil de segurança considerado aceitável, o que reforça o potencial do medicamento como opção terapêutica em estudos futuros.

A apresentação dos resultados ocorreu durante o EULAR 2025, um dos principais eventos científicos internacionais voltados à reumatologia.

Situação atual dos tratamentos aprovados

Atualmente, as opções terapêuticas aprovadas especificamente para tratar a doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica ainda são limitadas.

Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou dois medicamentos com essa indicação:

  • Nintedanibe
  • Tocilizumabe

O upadacitinibe, por sua vez, já possui aprovação da FDA para diversas doenças inflamatórias e autoimunes, incluindo:

  • Artrite reumatoide
  • Artrite psoriásica
  • Espondilite anquilosante
  • Espondiloartrite axial não radiográfica
  • Dermatite atópica
  • Doença de Crohn
  • Retocolite ulcerativa
  • Arterite de células gigantes
  • Artrite idiopática juvenil poliarticular

Apesar dessas aprovações, o uso do medicamento especificamente para esclerose sistêmica com doença pulmonar intersticial ainda está em investigação clínica.

Evidências emergentes sobre inibidores da Janus quinase

Especialistas destacam que o interesse científico no uso de inibidores da Janus quinase para doenças autoimunes complexas tem aumentado nos últimos anos.

Comentando o estudo a pedido do Medscape, a Dra. Iulia Szabo, Ph.D., reumatologista da Universitatea de Medicină și Farmacie “Iuliu Hațieganu” (UMF Cluj), na Romênia, classificou os resultados como “realmente promissores”.

Segundo ela, revisões sistemáticas anteriores já apontaram evidências encorajadoras para o uso de outros inibidores da JAK, como o tofacitinibe, no tratamento da esclerose sistêmica e de suas complicações pulmonares.

No entanto, grande parte dessas evidências ainda se baseia em dados experimentais ou estudos in vitro, o que reforça a necessidade de ensaios clínicos adicionais para confirmar a eficácia e segurança dessas terapias em larga escala.

Os resultados apresentados no EULAR 2025 sugerem que o upadacitinibe pode reduzir a progressão da doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica, demonstrando menor perda da função pulmonar em comparação ao micofenolato de mofetila.

Embora os achados sejam considerados promissores por especialistas, estudos adicionais e acompanhamentos de longo prazo ainda são necessários para confirmar o papel do medicamento nessa indicação específica.

Caso os resultados sejam confirmados em pesquisas futuras, o upadacitinibe poderá ampliar o número de opções terapêuticas disponíveis para pacientes que convivem com essa condição complexa e potencialmente debilitante.

Com informações de Medscape — https://portugues.medscape.com/verartigo/6512913

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Eloiza M8K

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