O tratamento da asma com antagonistas dos receptores de leucotrienos voltou ao centro do debate científico após um estudo de grande porte indicar que essa classe de medicamentos não esteve associada ao aumento do risco de doença neuropsiquiátrica. A conclusão tem peso relevante porque o tema vinha gerando preocupação desde o alerta emitido pela Food and Drug Administration dos Estados Unidos sobre possíveis reações dessa natureza, especialmente no uso do montelucaste. Agora, dados de mais de 60 mil pacientes ajudam a ampliar a discussão com foco em adultos e idosos, grupo menos explorado em pesquisas anteriores.
Estudo amplia investigação sobre segurança no tratamento da asma
Os antagonistas dos receptores de leucotrienos são usados no tratamento da asma por sua eficácia no controle da inflamação das vias aéreas. Mesmo assim, dúvidas sobre a segurança neuropsiquiátrica desses medicamentos persistiram nos últimos anos.
Segundo os autores do estudo, liderados pela Dra. Ji-Su Shim, da Ewha Womans University, na Coreia do Sul, as evidências disponíveis até então eram limitadas. Parte das pesquisas anteriores havia concentrado a análise em crianças e adolescentes. Além disso, muitos trabalhos avaliaram apenas um fármaco da classe, o montelucaste.
Esse recorte restrito dificultava uma conclusão mais abrangente sobre o tratamento da asma em diferentes perfis de pacientes. Por isso, o novo levantamento buscou observar a associação entre esses medicamentos e eventos neuropsiquiátricos em uma população adulta mais ampla.
Banco de dados nacional reuniu mais de 61 mil pacientes
A pesquisa foi publicada em dezembro de 2021 no periódico Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice. Para a análise, os pesquisadores recorreram a um banco de dados nacional de seguros de saúde da Coreia do Sul.
Foram identificados 61.571 pacientes com asma, todos com pelo menos 40 anos de idade, acompanhados entre janeiro de 2002 e dezembro de 2015. Outro critério adotado foi a ausência de uso prévio de antagonistas dos receptores de leucotrienos antes do início da observação.
Os participantes realizaram exames de triagem entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010. Esse momento definiu o início do período de acompanhamento, encerrado em 31 de dezembro de 2015.
A média de idade da população estudada foi de 61 anos. O tempo médio de seguimento também foi expressivo, o que fortalece a análise dos desfechos ao longo do tempo. Entre os usuários de antagonistas dos receptores de leucotrienos, o acompanhamento médio foi de aproximadamente 47,6 meses. Entre os não usuários, o período médio foi de 46,5 meses.
Montelucaste, pranlucaste e zafirlucaste entraram na análise
Um dos diferenciais do estudo foi incluir mais de um medicamento da classe, o que amplia a relevância dos achados para o tratamento da asma. No total da população estudada:
- 11,1% utilizaram pranlucaste
- 11% fizeram uso de montelucaste
- 0,4% receberam zafirlucaste
Ao longo do acompanhamento, 12.168 pacientes usaram algum antagonista dos receptores de leucotrienos. A presença de diferentes fármacos permitiu observar o comportamento da classe terapêutica de forma mais completa, e não apenas de um medicamento isolado.
Esse ponto é importante porque parte da preocupação regulatória e clínica se concentrou no montelucaste. Ao incorporar outros representantes da mesma classe, os pesquisadores puderam avaliar o tratamento da asma com maior abrangência.
Resultado não mostrou aumento significativo do risco
O principal achado do estudo foi a ausência de diferença significativa no risco de doenças neuropsiquiátricas de diagnóstico recente entre usuários e não usuários desses medicamentos.
A razão de risco observada foi de 1,01, com valor de P = 0,952. Na prática, isso indica que o uso de antagonistas dos receptores de leucotrienos não esteve associado a um aumento estatisticamente significativo desse tipo de evento na população analisada.
Os autores ajustaram o modelo para diversos fatores que poderiam interferir no resultado, incluindo:
- Idade e sexo
- Tabagismo (maços-ano)
- Consumo de álcool
- Atividade física
- Índice de massa corporal
- Comorbidades e outras doenças respiratórias
- Uso de outros medicamentos para asma
Esse ajuste torna a análise mais robusta e confiável, reduzindo a influência de variáveis externas.
O que os achados representam para a prática clínica
Os dados ajudam a contextualizar melhor os alertas regulatórios e a necessidade de vigilância no uso desses medicamentos. O estudo não invalida a importância de monitorar possíveis eventos adversos, mas sugere que o risco neuropsiquiátrico pode não ser maior nessa população do que se temia.
Para médicos, pesquisadores e pacientes, o trabalho contribui para uma avaliação mais equilibrada sobre o tratamento da asma. Em vez de uma associação baseada em evidências limitadas, passa a existir um conjunto de dados mais amplo envolvendo adultos e idosos.
Além disso, os resultados ampliam o entendimento sobre a segurança dos antagonistas dos receptores de leucotrienos em contextos reais de uso, fora de ambientes controlados de estudos clínicos restritos.
O estudo sul-coreano reforça que o tratamento da asma com antagonistas dos receptores de leucotrienos não apresentou aumento significativo do risco de doença neuropsiquiátrica em uma coorte com mais de 61 mil pacientes. Publicado no fim de 2021, o trabalho acrescenta evidências importantes ao debate sobre a segurança dessa classe terapêutica, especialmente em adultos com 40 anos ou mais. Os achados não eliminam a necessidade de acompanhamento clínico, mas oferecem uma base mais sólida para decisões informadas no manejo da asma.
Com informações de Medscape — https://portugues.medscape.com/verartigo/6507342
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