Felbamato mostra uso sustentado e perfil de segurança em epilepsia pediátrica

Felbamato mostra uso sustentado e perfil de segurança em epilepsia pediátrica

Análise retrospectiva indica manutenção da terapia com Felbamato em crianças com epilepsia refratária

O tratamento da epilepsia pediátrica refratária permanece como um desafio significativo na prática clínica, sobretudo em crianças que não apresentam resposta adequada a múltiplos fármacos antiepilépticos. Nesse cenário, o felbamato, apesar de seu uso mais restrito nas últimas décadas, volta a ser avaliado a partir de dados recentes. Um estudo apresentado na Sociedade Americana de Epilepsia analisou a persistência do tratamento e o perfil de segurança do felbamato em uma coorte pediátrica contemporânea, trazendo novos elementos para a discussão sobre seu papel terapêutico.

Felbamato no contexto da epilepsia pediátrica resistente

O felbamato é indicado para o tratamento de crises focais e da síndrome de Lennox-Gastaut, uma forma grave de epilepsia caracterizada por crises frequentes e de difícil controle. Apesar de sua eficácia reconhecida, o uso do medicamento diminuiu ao longo do tempo devido à associação com toxicidades hematológicas e hepáticas idiossincráticas raras, porém potencialmente graves.

Ainda assim, crianças com epilepsia resistente a medicamentos frequentemente esgotam as opções terapêuticas disponíveis. Nesses casos, compreender o desempenho atual do felbamato torna-se particularmente relevante, especialmente em populações como a síndrome de Lennox-Gastaut, nas quais o controle das crises permanece insatisfatório mesmo com politerapia.

Metodologia e desenho do estudo com Felbamato

O estudo incluiu retrospectivamente pacientes com menos de 21 anos tratados com felbamato no Hospital Infantil da Filadélfia entre 2013 e 2023. Informações demográficas e clínicas foram coletadas manualmente a partir dos prontuários médicos.

Definição de falha terapêutica

O tempo até a falha do tratamento foi avaliado por meio de curvas de sobrevida de Kaplan-Meier. A falha foi definida como a interrupção do felbamato ou a necessidade de introdução de outro medicamento anticonvulsivante ao esquema terapêutico.

Características da população avaliada

Ao todo, 27 pacientes foram incluídos na análise, sendo 15 do sexo feminino. O período mediano de acompanhamento foi de 45 meses, com variação entre 0,4 e 94 meses.

Os tipos de epilepsia observados foram:

  • Epilepsia focal em 30% dos pacientes
  • Epilepsia generalizada em 30%
  • Epilepsia mista em 33%
  • Epilepsia indeterminada em 7%

A síndrome de Lennox-Gastaut esteve presente na maioria dos casos, correspondendo a 73% da amostra.

A idade média no início do tratamento com felbamato foi de 10,3 anos, com variação entre 1,8 e 17,8 anos. No momento da introdução do medicamento, os pacientes utilizavam uma mediana de três fármacos antiepilépticos concomitantes e já haviam sido expostos anteriormente a uma mediana de 5,5 medicamentos diferentes, refletindo uma população altamente resistente ao tratamento.

Persistência do tratamento com felbamato

O tempo mediano até a falha do tratamento com felbamato foi de 12,5 meses, com intervalo de confiança de 95% entre 5,7 e 26 meses.

Taxas de manutenção da terapia

A probabilidade de permanência em tratamento sem falha terapêutica foi:

  • 52% aos 12 meses
  • 34% aos 24 meses

Durante o período de observação, 52% dos pacientes interromperam o uso do felbamato.

Motivos para descontinuação

Entre os casos de interrupção do tratamento:

  • 43% ocorreram por falta de eficácia
  • 29% por problemas de tolerabilidade
  • 21% por combinação de baixa eficácia e tolerabilidade

Um paciente interrompeu o uso do felbamato após alcançar controle completo das crises.

Perfil de segurança e eventos adversos

Os efeitos colaterais observados foram pouco frequentes e considerados reversíveis. Durante o tratamento com felbamato:

  • Três pacientes desenvolveram leucopenia
  • Um paciente apresentou anemia
  • Um paciente apresentou elevação das transaminases

Todas as alterações laboratoriais desapareceram após a suspensão do medicamento, e nenhum evento adverso pôde ser atribuído de forma conclusiva ao felbamato.

De forma relevante, não foram registrados casos de anemia aplástica nem de insuficiência hepática durante o período analisado.

Conclusão sobre o Felbamato

Os resultados desta coorte pediátrica contemporânea indicam que o felbamato pode apresentar uso sustentado e um perfil de segurança aceitável em crianças e adolescentes com epilepsia refratária. Mais da metade dos pacientes permaneceu em tratamento por pelo menos um ano sem falha terapêutica, e as interrupções ocorreram com maior frequência por falta de eficácia do que por preocupações relacionadas à segurança.

Embora eventos adversos graves tenham sido raros e reversíveis, os dados reforçam a importância da seleção criteriosa dos pacientes e da monitorização clínica contínua ao considerar o felbamato como opção terapêutica em contextos específicos.

Com informações de Medical Dialogues: https://medicaldialogues.in/pediatrics-neonatology/news/felbamate-shows-sustained-use-and-safety-in-pediatric-epilepsy-study-160992

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Augusto

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