EMA recomenda terapia gênica para mieloma múltiplo

Ciltacabtagene autoleucel mostra altas taxas de resposta em pacientes previamente tratados

A terapia gênica para mieloma múltiplo avança no cenário regulatório europeu. A Agência Europeia de Medicamentos recomendou a autorização condicional de comercialização do ciltacabtagene autoleucel para adultos com mieloma múltiplo recidivante e refratário que já receberam ao menos três linhas de tratamento e apresentaram progressão da doença. A decisão representa um passo importante para pacientes com opções terapêuticas limitadas.

Recomendação da EMA e indicação clínica

A recomendação foi adotada pelo Comitê de Medicamentos para Uso Humano da Agência Europeia de Medicamentos. O parecer é baseado na avaliação científica do Comitê de Terapias Avançadas, responsável por medicamentos de base celular e gênica.

O produto, comercializado como Carvykti pela Janssen, é uma terapia com células CAR-T. O tratamento envolve a coleta das células T do próprio paciente, que são modificadas em laboratório para reconhecer e atacar células do mieloma múltiplo. Após esse processo, as células são reinfundidas, caracterizando uma terapia personalizada.

A indicação contempla pacientes que já utilizaram as três principais classes terapêuticas da doença:

  • Agentes imunomoduladores
  • Inibidores de proteassoma
  • Anticorpos monoclonais

Quando o câncer se torna resistente a essas abordagens, as alternativas disponíveis são reduzidas. Nesse contexto, a terapia gênica para mieloma múltiplo surge como opção inovadora.

Resultados do estudo CARTITUDE-1

A base da recomendação regulatória é o estudo de fase 1b/2 CARTITUDE-1.

O ensaio incluiu 97 pacientes que haviam recebido mediana de seis regimes terapêuticos prévios, variando de três a 18 tratamentos. Todos receberam uma única infusão do ciltacabtagene autoleucel.

Os dados em 18 meses indicaram:

  • Taxa de resposta global de 98%
  • Resposta completa ou rigorosa em 78% dos pacientes
  • Resposta duradoura em aproximadamente 84% dos participantes
  • Sobrevida global estimada em 81% na análise mais recente

Em 69% dos casos avaliados inicialmente, os pacientes alcançaram resposta completa. Isso significa que exames clínicos e laboratoriais não detectaram sinais ativos da doença após o tratamento.

De acordo com o investigador principal do estudo, Sundar Jagannath, do Tisch Cancer Institute da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, as respostas observadas demonstraram durabilidade ao longo do acompanhamento, inclusive em pacientes fortemente pré-tratados.

Perfil de segurança e medidas de controle

Apesar da elevada taxa de resposta, os eventos adversos foram frequentes. Entre os principais efeitos relatados estão:

  • Toxicidade neurológica
  • Citopenia prolongada
  • Infecções graves

A síndrome de liberação de citocinas foi o evento mais comum. Essa condição inflamatória sistêmica está associada à ativação e proliferação das células CAR-T.

No estudo, a síndrome ocorreu em 95% dos pacientes. Casos de grau 3 ou superior foram registrados em 5%, e houve um relato de grau 5. Os sintomas podem incluir febre alta, manifestações semelhantes às de infecção e alterações neurológicas, podendo evoluir para quadros graves.

Como parte da autorização condicional, foram exigidas medidas adicionais de minimização de riscos. Apenas centros qualificados poderão administrar a terapia gênica para mieloma múltiplo, com equipes treinadas para identificar e tratar prontamente complicações como a síndrome de liberação de citocinas e neurotoxicidade.

Caminho regulatório e designações especiais

O ciltacabtagene autoleucel recebeu apoio pelo programa PRIORity MEdicines da EMA, destinado a medicamentos com potencial para atender necessidades médicas não supridas. A designação PRIME foi concedida em abril de 2019.

O medicamento também obteve status de medicamento órfão no início de 2020. Após o parecer positivo do comitê científico, a decisão final sobre a autorização de comercialização caberá à Comissão Europeia. O Comitê de Medicamentos Órfãos avaliará se a designação será mantida.

Nos Estados Unidos, a terapia foi aprovada pela Food and Drug Administration em fevereiro, com base nos resultados do CARTITUDE-1.

Mieloma múltiplo na Europa

O mieloma múltiplo é o segundo câncer hematológico mais comum. Na Europa, a incidência varia de 4,5 a 6 casos por 100 mil habitantes por ano, com taxa de mortalidade estimada em 4,1 por 100 mil.

Embora a sobrevida tenha melhorado nas últimas décadas, a doença ainda é considerada geralmente incurável. Dados do NICE indicam que:

  • 82,7% dos pacientes sobrevivem pelo menos um ano após o diagnóstico
  • 52,3% vivem cinco anos ou mais
  • A estimativa de sobrevida em dez anos é de 29,1%

Com o avanço da doença, as recaídas tendem a se tornar menos responsivas aos tratamentos disponíveis, o que reforça a relevância de novas estratégias como a terapia gênica para mieloma múltiplo.

A recomendação da EMA para o ciltacabtagene autoleucel amplia as perspectivas terapêuticas para pacientes com mieloma múltiplo recidivante e refratário. Os resultados clínicos demonstram respostas profundas e duradouras em uma população com histórico de múltiplas falhas terapêuticas.

A autorização condicional permitirá o acompanhamento contínuo de eficácia e segurança, enquanto a Comissão Europeia avalia a decisão final para comercialização em toda a União Europeia. O avanço reforça o papel das terapias avançadas no enfrentamento de doenças hematológicas complexas.

Com informações de Medscape — https://www.medscape.com/viewarticle/ema-recommends-personalised-gene-therapy-multiple-myeloma-2022a1000sos?_gl=1*asvhlt*_gcl_au*MTYwODY1Mjc0Ni4xNzcwMzc4MDc1Ljc3ODI4Nzc5MC4xNzcyMjExNTE4LjE3NzIyMTE1NTI.

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Eloiza M8K

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