Bizengri (zenocutuzumabe): terapia-alvo para cânceres com fusão do gene NRG1 — indicações e acesso por importação

Resumo rápido

  • O Bizengri (zenocutuzumabe) é um anticorpo biespecífico intravenoso contra HER2 e HER3, aprovado pela FDA em 04/12/2024 — segundo a agência, a primeira terapia-alvo aprovada para fusões do gene NRG1.
  • Nos EUA, é indicado a adultos com câncer de pulmão de não pequenas células, adenocarcinoma de pâncreas ou colangiocarcinoma avançados (irressecáveis ou metastáticos), com fusão NRG1 e progressão durante ou após tratamento sistêmico prévio; o colangiocarcinoma entrou na bula americana em 08/05/2026.
  • No estudo eNRGy (NCT02912949), a taxa de resposta confirmada por revisão central foi de 33% no pulmão, 40% no pâncreas e 36,8% no colangiocarcinoma.
  • A dose é de 750 mg a cada 2 semanas, em infusão de 4 horas com pré-medicação; o rótulo tem advertência em destaque (tarja) para toxicidade embriofetal.
  • Não há registro na ANVISA nem autorização na União Europeia (consultas em 23/09/2026): o acesso passa pela importação para uso próprio, com receita médica.

O que é Bizengri (zenocutuzumabe)?

Bizengri é o nome comercial do zenocutuzumabe (nos EUA, zenocutuzumab-zbco), anticorpo biespecífico do tipo IgG1, humanizado e com baixo teor de fucose, que se liga aos receptores HER2 e HER3. É uma solução injetável de 375 mg em 18,75 mL (20 mg/mL), em frasco de dose única, diluída antes da infusão intravenosa; cada dose usa dois frascos.

Desenvolvido pela Merus com o código MCLA-128, recebeu aprovação acelerada da FDA em 04/12/2024 (BLA 761352). O rótulo americano vigente, revisado em 05/2026, traz a Partner Therapeutics como fabricante e detentora da licença nos EUA; a marca pertence à Merus B.V., subsidiária integral da Genmab A/S.

Mecanismo de ação

A neuregulina 1 (NRG1) é uma proteína que se liga ao receptor HER3; com isso, o HER3 forma um par com o HER2 e ativa vias de crescimento e proliferação celular. Na fusão do gene NRG1, parte desse gene se une a outro gene, e a alteração passa a ativar a via HER3/HER2/PI3K, impulsionando o tumor.

Segundo o rótulo, o zenocutuzumabe se liga à porção externa do HER2 e do HER3, impede a formação do par HER2:HER3 e bloqueia a ligação da NRG1 ao HER3, com redução da proliferação celular e da sinalização pela via PI3K-AKT-mTOR. Também medeia citotoxicidade celular dependente de anticorpo, em que células de defesa destroem a célula marcada pelo anticorpo. O estudo que descreveu a molécula chamou esse modo de ação de “ancorar e bloquear”: a ligação ao HER2 orienta o bloqueio do ligante no HER3.

Indicações

A indicação depende, ao mesmo tempo, do tipo de tumor e da fusão NRG1: não é uma aprovação para qualquer tumor sólido com a alteração.

Estados Unidos (FDA)

Adultos com doença avançada irressecável ou metastática, portadora de fusão do gene NRG1 e com progressão durante ou após terapia sistêmica prévia, em três tipos de tumor: câncer de pulmão de não pequenas células, adenocarcinoma de pâncreas e colangiocarcinoma (câncer dos ductos biliares). As indicações de pulmão e pâncreas foram concedidas em aprovação acelerada, com base em taxa e duração de resposta, e a manutenção pode depender da confirmação do benefício clínico em estudo confirmatório; a de colangiocarcinoma, aprovada em 08/05/2026, não traz essa ressalva no rótulo. A segurança e a eficácia em crianças não foram estabelecidas.

União Europeia e Brasil

Não há autorização de comercialização na União Europeia (relatório de medicamentos da EMA) nem registro na ANVISA (dados abertos da agência), ambos consultados em 23/09/2026.

Quem é candidato

O rótulo pede a fusão NRG1 identificada em amostra do tumor e a avaliação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) antes do início. O medicamento não foi estudado em pessoas com histórico de doença cardíaca clinicamente significativa ou FEVE abaixo de 50%, e tumores com outras alterações genéticas tratáveis por terapia-alvo não entraram no eNRGy. A maioria tinha tratamento prévio: no pulmão, 95% já tinham recebido platina e 64%, imunoterapia anti-PD-1/PD-L1; no pâncreas, 97% já tinham usado FOLFIRINOX, gencitabina com taxano ou ambos; no colangiocarcinoma, 14 de 19, cisplatina com gencitabina.

O teste que define a indicação

A fusão é identificada por teste molecular de amostra do tumor. Ainda não há teste aprovado pela FDA para essa finalidade; a validação de testes diagnósticos é compromisso pós-aprovação, com relatório final previsto para 03/2028. No eNRGy, as fusões foram detectadas por sequenciamento de nova geração, a maioria em RNA (84% no pulmão e 90% no pâncreas). Numa série do Memorial Sloan Kettering, houve 48 casos entre 76.531 pacientes (60% de pulmão, 21% de pâncreas e 10% de mama); o RNA foi superior ao DNA na detecção, os tumores de pulmão não tinham outra alteração condutora e os de pâncreas não tinham mutação no gene KRAS.

Evidências clínicas

As três indicações vêm do eNRGy (NCT02912949), estudo de fase 1/2, aberto, multicêntrico e sem grupo de comparação, com coortes por tipo de tumor. Todos receberam 750 mg a cada 2 semanas; os tumores foram avaliados a cada 8 semanas, e a resposta (completa ou parcial) foi confirmada por revisão central independente e cega, pelos critérios RECIST 1.1.

Tumor com fusão NRG1 Pacientes Taxa de resposta (IC 95%) Resposta completa Duração da resposta Respostas de 6 meses ou mais
Pulmão (não pequenas células) 64 33% (22% a 46%) 1,6% mediana de 7,4 meses 43%
Adenocarcinoma de pâncreas 30 40% (23% a 59%) 3,3% de 3,7 a 16,6 meses 67%
Colangiocarcinoma 19 36,8% (16,3% a 61,6%) 5,3% de 2,8 a 12,9 meses 28,6%

Na publicação principal (Schram et al., 2025), com 204 pacientes de 12 tipos de tumor, a resposta avaliada pelos investigadores foi de 30% entre 158 avaliáveis, com duração mediana de 11,1 meses e sobrevida livre de progressão mediana de 6,8 meses; no pulmão, 29% (27 de 93), e no pâncreas, 42% (15 de 36). No colangiocarcinoma (Cleary et al., 2026), a sobrevida livre de progressão mediana foi de 9,2 meses.

Ao aprovar, a FDA comparou os resultados de pulmão e pâncreas com as opções após a primeira linha: no pulmão, a maior taxa de resposta relatada é de cerca de 23% (docetaxel com ramucirumabe); no pâncreas refratário, 7,7% (irinotecano lipossomal com fluoruracila). Sem randomização, não há comparação direta de sobrevida. A confirmação exigida envolve ao menos 100 pacientes de pulmão e 50 de pâncreas avaliáveis, seguidos por 12 meses ou mais após a resposta.

Posologia e administração

Esquema e pré-medicação

A dose recomendada é de 750 mg por infusão intravenosa a cada 2 semanas, até progressão da doença ou toxicidade inaceitável. Os dois frascos são diluídos em soro fisiológico (volume final de 250 mL) e infundidos em 4 horas, com filtro em linha. Antes de cada infusão, o rótulo prevê dexametasona 10 mg (opcional após a primeira), paracetamol 1.000 mg e um anti-histamínico H1, como a dexclorfeniramina 5 mg. Não há redução de dose: as reações adversas são manejadas com interrupção ou suspensão.

Monitoramento durante o tratamento

A aplicação deve ocorrer em local com equipamento de reanimação e equipe treinada, com observação durante a infusão e por pelo menos 1 hora após a primeira. A FEVE é medida antes do início e periodicamente: valor abaixo de 45%, ou de 45% a 49% com queda absoluta de 10 pontos percentuais ou mais, leva à interrupção; insuficiência cardíaca sintomática, à suspensão definitiva. Os frascos são conservados entre 2 °C e 8 °C, protegidos da luz, sem congelar nem agitar.

Segurança

Advertência em destaque: toxicidade embriofetal

O rótulo traz advertência em destaque (tarja) porque a exposição na gravidez pode causar dano ao feto; com um anticorpo dirigido ao HER2, há relatos de redução do líquido amniótico (oligoidrâmnio) com hipoplasia pulmonar fatal, alterações esqueléticas e morte neonatal. A situação de gravidez deve ser verificada antes do início, e mulheres com potencial reprodutivo precisam de contracepção eficaz durante o tratamento e por 2 meses após a última dose — período em que o rótulo também orienta não amamentar. O rótulo não lista contraindicações.

Outras advertências do rótulo

Reações à infusão, hipersensibilidade e anafilaxia: no eNRGy, 13% tiveram reação infusional, todas de grau 1 ou 2, e 91% delas na primeira infusão; reação de grau 4 ou qualquer reação de hipersensibilidade ou anafilaxia exige suspensão definitiva. Doença pulmonar intersticial ou pneumonite: ocorreu em 1,1%; diante da suspeita, o medicamento é interrompido de imediato, e o grau 2 ou maior confirmado leva à suspensão definitiva. Disfunção do ventrículo esquerdo: queda de FEVE de grau 2 em 2% e insuficiência cardíaca sem queda de FEVE em 1,7%, com um óbito.

As reações mais comuns (10% ou mais) foram diarreia, dor musculoesquelética, cansaço, náusea, reação infusional, falta de ar, erupção cutânea, prisão de ventre, vômitos, dor abdominal e inchaço.

Situação regulatória e como funciona o acesso

Como o zenocutuzumabe não tem registro na ANVISA nem autorização na União Europeia, o acesso passa pela importação para uso próprio do produto aprovado pela FDA, em nome do paciente e com receita médica. A infusão dura 4 horas e exige estrutura para reações graves; por isso, a aplicação é feita em serviço de saúde equipado, e o transporte precisa manter a refrigeração exigida no rótulo.

Compra judicial: custeio de um medicamento sem registro

No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF fixou que a falta de registro na ANVISA, em regra, impede que a Justiça determine o fornecimento do medicamento. A exceção exige mora irrazoável da ANVISA na análise do pedido de registro (acima do prazo da Lei 13.411/2016) e três condições: pedido de registro no Brasil, dispensado para medicamentos órfãos de doenças raras e ultrarraras; registro em renomadas agências reguladoras no exterior; e inexistência de substituto terapêutico registrado no país. Essas ações devem ser propostas contra a União, e o Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamento experimental. No Tema 990, o STJ definiu que operadoras de plano de saúde não são obrigadas a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.

O pedido precisa de relatório médico detalhado — diagnóstico, laudo da fusão NRG1, tratamentos anteriores e progressão — e de receita, além de orientação jurídica individualizada; não há garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.

Como a Medicsupply conduz a importação

Para o Bizengri, a Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos. O processo corre sempre em nome do paciente e começa pela receita médica. O prazo médio depende da origem do produto:

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
  • Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.

Perguntas Frequentes

O zenocutuzumabe serve para qualquer tumor com fusão NRG1?

Não. A FDA o aprovou para câncer de pulmão de não pequenas células, adenocarcinoma de pâncreas e colangiocarcinoma avançados em adultos, após tratamento sistêmico prévio. O eNRGy também incluiu outros tumores com a fusão, mas eles não fazem parte da bula.

Como saber se o tumor tem fusão NRG1?

Por teste molecular de uma amostra do tumor, solicitado pelo oncologista. Nos estudos, o sequenciamento de RNA identificou a maioria dos casos; ainda não há teste aprovado pela FDA para essa finalidade.

O Bizengri tem registro na ANVISA?

Não. Na consulta aos dados abertos da ANVISA em 23/09/2026, não havia registro com a marca Bizengri nem com o princípio ativo zenocutuzumabe. O medicamento é aprovado pela FDA, nos EUA.

Com que frequência o medicamento é aplicado?

A cada 2 semanas, em infusão intravenosa de 4 horas com pré-medicação, em serviço preparado para reações à infusão, até progressão ou toxicidade inaceitável.

O plano de saúde é obrigado a fornecer?

Pelo Tema 990 do STJ, as operadoras não são obrigadas a fornecer medicamento sem registro na ANVISA. A via judicial contra a União segue as condições do Tema 500 do STF e exige avaliação jurídica caso a caso.

Conclusão

O Bizengri (zenocutuzumabe) foi a primeira terapia-alvo aprovada pela FDA para fusões do gene NRG1, hoje indicada em câncer de pulmão de não pequenas células, adenocarcinoma de pâncreas e colangiocarcinoma avançados após tratamento prévio, com base em taxas de resposta de um estudo sem grupo de comparação. Sem registro na ANVISA, o caminho passa pelo teste que comprova a fusão, pela prescrição do oncologista e pela importação em nome do paciente; a via judicial fica restrita às hipóteses fixadas pelo STF.

Fontes

  1. FDA, rótulo de Bizengri (DailyMed), Partner Therapeutics, revisão 05/2026; setid 203daea4-fc87-40a4-a92f-ba2351b16de1
  2. FDA, Drugs@FDA — BLA 761352 (Bizengri), aprovação acelerada em 04/12/2024, Merus N.V.
  3. FDA — Carta de aprovação do suplemento BLA 761352/S-010 (colangiocarcinoma), Partner Therapeutics, 08/05/2026
  4. FDA — Revisão multidisciplinar do BLA 761352 (Bizengri), 2024
  5. ClinicalTrials.gov NCT02912949 (eNRGy)
  6. Schram AM et al., N Engl J Med, 2025;392(6):566-576. PMID 39908431.
  7. Cleary JM et al., J Clin Oncol, 2026, publicação online antecipada (JCO-25-03128). PMID 42385125.
  8. Schram AM et al., J Natl Cancer Inst, 2026;118(5):847-855. PMID 41390931.
  9. Geuijen CAW et al., Cancer Cell, 2018;33(5):922-936.e10. PMID 29763625.
  10. EMA — Relatório de medicamentos de uso humano: sem autorização de Bizengri (zenocutuzumabe), consulta em 23/09/2026
  11. ANVISA — Dados abertos de medicamentos: nenhum registro de Bizengri ou zenocutuzumabe, consulta em 23/09/2026
  12. STF — Tema 500 da repercussão geral, RE 657.718, julgado em 22/05/2019
  13. STJ — Tema 990 dos recursos repetitivos, REsp 1.712.163/SP, 2018

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.

Precisa de mais informações sobre este medicamento?

Nossa equipe especializada está pronta para ajudar. Fale conosco pelo WhatsApp.


💬 Fale pelo WhatsApp

Fale com nossa equipe pelo WhatsApp

Preencha nome e WhatsApp para iniciar o atendimento sobre este medicamento.

Preencha os campos para liberar

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

Bizengri (zenocutuzumabe): terapia-alvo para cânceres com fusão do gene NRG1 — indicações e acesso por importação

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

DEIXE UM COMENTÁRIO

Rolar para cima