Antiviral contra CMV pode reduzir inflamação em pessoas com HIV

Mesmo com o controle eficaz da replicação viral proporcionado pela terapia antirretroviral, pessoas que vivem com HIV continuam apresentando níveis elevados de inflamação crônica. Esse processo inflamatório persistente está associado a maior risco de doenças cardiovasculares, fragilidade e outras condições relacionadas ao envelhecimento precoce. Novos dados apresentados recentemente sugerem que o uso de um antiviral direcionado ao citomegalovírus, o CMV, pode ajudar a atenuar esses efeitos e melhorar marcadores imunológicos relevantes.

Inflamação crônica e o papel do CMV em pessoas com HIV

O CMV é um vírus amplamente disseminado na população mundial e pertence à família dos herpesvírus. Na maioria das pessoas com sistema imunológico preservado, a infecção permanece assintomática. No entanto, em indivíduos imunocomprometidos, como aqueles que vivem com HIV, o CMV pode contribuir para ativação imune contínua, mesmo quando o HIV está suprimido.

Estudos anteriores já haviam relacionado a coinfecção pelo CMV a maior risco de fragilidade, alterações cardiovasculares e pior recuperação imunológica ao longo do tempo. Essa associação tem despertado interesse em estratégias que controlem o CMV de forma segura e prolongada.

Avaliação do letermovir em estudo clínico

Pesquisadores liderados por Sara Gianella Weibel, da University of California San Diego, conduziram um ensaio clínico para avaliar se o letermovir, antiviral já utilizado na prevenção do CMV em transplantes, poderia impactar marcadores de inflamação e envelhecimento imunológico em pessoas com HIV.

O estudo incluiu adultos com HIV, todos em uso de terapia antirretroviral eficaz e com infecção prévia por CMV. Os participantes foram divididos entre aqueles que receberam letermovir associado ao tratamento habitual e aqueles que seguiram apenas com a terapia antirretroviral. A análise inicial avaliou biomarcadores inflamatórios e parâmetros imunológicos ao longo de 48 semanas.

Redução progressiva de marcadores inflamatórios

Embora uma análise precoce tenha identificado aumento transitório de um marcador inflamatório específico, o acompanhamento prolongado revelou um cenário diferente. Ao longo do tempo, os participantes que utilizaram letermovir apresentaram reduções consistentes em diversos indicadores associados à inflamação sistêmica, como proteínas relacionadas a risco cardiovascular e processos inflamatórios crônicos.

Também foi observada diminuição sustentada de citocinas pró-inflamatórias ligadas a maior mortalidade e envelhecimento acelerado. Segundo os pesquisadores, esse efeito pode estar relacionado ao bloqueio da replicação do CMV, que normalmente interfere no funcionamento do sistema imune para se manter latente no organismo.

Impacto na função imunológica

Além da redução da inflamação, o uso do letermovir esteve associado a melhora em parâmetros clássicos de recuperação imunológica. Houve aumento mais expressivo da contagem de células CD4, especialmente entre participantes que iniciaram o estudo com níveis mais baixos. A relação CD4/CD8, considerada um indicador importante de equilíbrio imunológico, também apresentou melhora significativa.

Esses achados ganham relevância quando comparados a dados de outra análise apresentada no mesmo congresso, que mostrou que pessoas com HIV e soropositividade para CMV tendem a apresentar recuperação imunológica incompleta ao longo dos anos, mesmo com supressão viral sustentada.

Benefícios funcionais e segurança

O estudo também avaliou desfechos funcionais relacionados à capacidade física. Testes simples, como o de levantar repetidamente de uma cadeira, indicaram melhora no desempenho dos participantes que receberam o antiviral. Esses ganhos funcionais acompanharam a melhora dos marcadores imunológicos, sugerindo possível impacto clínico no envelhecimento saudável.

Em relação à segurança, o letermovir foi bem tolerado. Os eventos adversos relatados foram, em sua maioria, leves, como dor de cabeça e diarreia, sem registro de complicações graves associadas ao uso do medicamento.

Limitações e perspectivas futuras

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores reconhecem limitações importantes, como o número reduzido de participantes e a interrupção precoce do estudo. Outro desafio relevante é o custo elevado do letermovir, que inviabiliza seu uso rotineiro em larga escala no contexto do HIV.

Ainda assim, os dados reforçam a hipótese de que o controle do CMV assintomático pode representar uma nova abordagem para reduzir inflamação crônica e melhorar a qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV, especialmente em grupos mais vulneráveis, como mulheres e indivíduos com baixa contagem de CD4.

Os resultados apresentados indicam que o letermovir pode desempenhar um papel relevante na redução da inflamação e na melhora da função imunológica em pessoas com HIV sob tratamento eficaz. Embora mais estudos sejam necessários para confirmar esses achados e avaliar custo-benefício, a estratégia de suprimir o CMV surge como uma possível via para enfrentar complicações associadas ao envelhecimento precoce nessa população.

Com informações de Aidsmap – https://www.aidsmap.com/news/mar-2025/cmv-antiviral-may-reduce-inflammation-and-improve-immune-function-people-hiv

Blog da Medicsupply — Informação confiável sobre saúde, medicamentos e inovação científica.
Medicsupply — Assessoria na Importação de Medicamentos
📱 (11) 5085-5856 | (11) 5085-5888
🌐 www.medicsupply.com.br

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe

DEIXE UM COMENTÁRIO

Antiviral contra CMV pode reduzir inflamação em pessoas com HIV

GOSTOU DESTE ARTIGO? COMPARTILHE!

Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Compartilhe
Augusto

Augusto

DEIXE UM COMENTÁRIO

Rolar para cima