O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune complexa, marcada por inflamação crônica e manifestações clínicas variadas, como artrite, lesões cutâneas e comprometimento de órgãos internos. Evidências acumuladas apontam o interferon tipo I como um dos principais mediadores da patogênese da doença. Nesse cenário, terapias direcionadas a vias imunológicas específicas vêm ganhando destaque. Um ensaio clínico de fase 2 avaliou o litifilimab, um anticorpo monoclonal anti-BDCA2, como estratégia terapêutica para pacientes com LES e artrite ativa.
O papel do BDCA2 e do interferon tipo I no LES
As células dendríticas plasmocitoides são uma das principais fontes de interferon tipo I, citocina associada à ativação imunológica persistente observada no LES. Essas células expressam exclusivamente o receptor BDCA2, que atua como regulador negativo da produção de interferon.
A ligação de anticorpos ao BDCA2 reduz a liberação de interferon tipo I, além de modular a produção de citocinas e quimiocinas inflamatórias. Essa base biológica sustenta o desenvolvimento do litifilimab, um anticorpo monoclonal IgG1 humanizado, administrado por via subcutânea, projetado para interferir diretamente nesse eixo imunológico.
Desenho do estudo clínico LILAC
O estudo LILAC foi um ensaio clínico de fase 2, multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em 55 centros distribuídos pela Ásia, Europa, América Latina e Estados Unidos. A parte A do estudo incluiu adultos com LES que apresentavam artrite ativa associada a manifestações cutâneas.
Após modificações no protocolo original, os participantes passaram a ser randomizados para receber litifilimab na dose de 450 mg ou placebo, administrados por via subcutânea ao longo de 24 semanas. O desfecho primário foi redefinido como a alteração em relação ao valor basal no número total de articulações ativas, considerando articulações dolorosas e edemaciadas.
Resultados sobre atividade articular
Na análise primária, os pacientes tratados com litifilimab apresentaram uma redução média maior no número total de articulações ativas em comparação com o grupo placebo ao final de 24 semanas. A diferença observada entre os grupos atingiu significância estatística, indicando um efeito favorável do anticorpo sobre a artrite associada ao LES.
Apesar do resultado positivo, os autores destacam que a magnitude do efeito foi modesta e que análises post hoc mostraram variações quando ajustadas para desequilíbrios demográficos, como a maior proporção de mulheres no grupo tratado.
Avaliação da atividade cutânea e global da doença
A maioria dos desfechos secundários relacionados à atividade cutânea, avaliados pelo índice CLASI-A, não apresentou diferenças estatisticamente consistentes entre litifilimab e placebo. Ainda assim, uma proporção maior de pacientes no grupo tratado alcançou reduções clinicamente relevantes na pontuação cutânea.
Em relação à atividade global do LES, medida pelo índice SRI-4, observou-se uma taxa de resposta superior no grupo litifilimab. Esses achados sugerem um possível benefício sistêmico, embora o estudo não tenha sido dimensionado para conclusões definitivas sobre esses desfechos.
Perfil de segurança do litifilimab
O tratamento com litifilimab foi associado principalmente a eventos adversos leves ou moderados. Entre os eventos relatados com maior frequência estiveram diarreia, nasofaringite, infecção do trato urinário e cefaleia.
Casos isolados de infecções virais, incluindo herpes zoster e ceratite herpética, foram observados no grupo tratado, mas também ocorreram eventos semelhantes no grupo placebo. Não foram identificadas alterações laboratoriais clinicamente relevantes nem sinais significativos de imunogenicidade.
Conclusão sobre o estudo com o litifilimab
Os resultados da parte A do estudo LILAC indicam que o litifilimab promoveu uma redução maior da atividade articular em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico ao longo de 24 semanas, quando comparado ao placebo. Embora os efeitos sobre outros domínios da doença tenham sido menos consistentes, o estudo reforça o potencial terapêutico do bloqueio do BDCA2.
Ensaios clínicos de fase 3, já em andamento, serão determinantes para esclarecer a eficácia clínica e a segurança do litifilimab em populações maiores e por períodos mais longos.
Com informações de New England Journal of Medicine — https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2118025
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