Resumo rápido
- Linzess é a marca americana da linaclotida, peptídeo que ativa a guanilato ciclase C e aumenta a secreção de líquido no intestino; vem em cápsulas de 72, 145 e 290 mcg.
- Nos Estados Unidos, é indicado na síndrome do intestino irritável com constipação (SII-C) em adultos e a partir de 7 anos, na constipação idiopática crônica em adultos e na constipação funcional a partir de 2 anos.
- Na União Europeia, como Constella (290 mcg), é indicado só na SII-C moderada a grave em adultos.
- A bula americana tem advertência em destaque (tarja): risco de desidratação grave abaixo de 2 anos, idade em que o uso é contraindicado; a diarreia é a reação adversa mais comum.
- Sem registro na ANVISA e fora do SUS, o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
O que é Linzess (linaclotida)?
Linzess é a marca, nos Estados Unidos, da linaclotida, peptídeo de 14 aminoácidos aparentado à guanilina e à uroguanilina humanas. O registro na FDA (NDA 202811), aprovado em 30/08/2012, é da AbbVie, que comercializa o produto com a Ironwood Pharmaceuticals, dona da marca. A linaclotida também é comercializada como Constella, a depender do país; na União Europeia, o Constella é autorizado desde 26/11/2012, com titular AbbVie Deutschland GmbH & Co. KG.
Na SII-C, a dor abdominal recorrente acompanha a constipação; na constipação idiopática crônica, predominam evacuações raras, esforço e fezes endurecidas, sem os critérios de SII-C; na criança, a constipação funcional pode envolver retenção das fezes, evacuação dolorosa ou endurecida e incontinência fecal.
Mecanismo de ação
A linaclotida e seu metabólito ativo se ligam à guanilato ciclase C (GC-C) na superfície interna do intestino e agem ali mesmo. O aumento do GMP cíclico estimula a secreção de cloreto e bicarbonato para a luz intestinal, sobretudo pelo canal CFTR, o que aumenta o líquido no intestino e acelera o trânsito. Em modelos animais, o GMP cíclico fora das células reduziu a atividade dos nervos da dor visceral. A absorção é desprezível: nas doses de uso, o fármaco não é medido no sangue e é degradado no próprio intestino.
Indicações
Estados Unidos (FDA)
Pela bula vigente, de 21/05/2026, o Linzess é indicado na SII-C em adultos e a partir de 7 anos, na constipação idiopática crônica em adultos e na constipação funcional a partir de 2 anos. A aprovação de 30/08/2012 cobria os adultos; vieram depois a constipação funcional de 6 a 17 anos (12/06/2023), a SII-C a partir de 7 anos (04/11/2025) e a constipação funcional a partir de 2 anos (21/05/2026).
União Europeia (EMA)
O Constella (EMEA/H/C/002490) é indicado no tratamento sintomático da SII-C moderada a grave em adultos, só na dose de 290 mcg; não tem indicação na constipação idiopática crônica nem deve ser usado em crianças e adolescentes. O uso pressupõe descartar doenças orgânicas, e, sem melhora após 4 semanas, o paciente deve ser reavaliado.
Evidências clínicas
SII-C em adultos
Em dois estudos de fase 3 com 290 mcg ao dia, o desfecho combinado da FDA (pelo menos 30% menos dor abdominal e uma evacuação espontânea completa a mais por semana, na mesma semana, em ao menos 6 de 12 semanas) foi atingido por 33,6% com linaclotida e 21,0% com placebo no estudo de 12 semanas com retirada (NCT00948818; 800 pacientes) e por 33,7% contra 13,9% no de 26 semanas (NCT00938717; 804 pacientes). Na retirada, quem trocou a linaclotida por placebo teve os sintomas de volta perto do nível inicial em até 1 semana, sem piora em relação ao início. Em outro estudo (NCT03573908; 614 pacientes), o escore de inchaço, desconforto e dor caiu 1,9 ponto com linaclotida e 1,2 com placebo.
Constipação idiopática crônica em adultos
Em dois estudos de 12 semanas (NCT00730015 e NCT00765882; 1.276 pacientes), ter pelo menos 3 evacuações espontâneas completas por semana, uma a mais que no início, em ao menos 9 de 12 semanas foi alcançado por 21,2% e 16,0% com 145 mcg, contra 3,3% e 6,0% com placebo; 290 mcg não trouxe ganho adicional consistente. Com 72 mcg (NCT02291679; 1.223 pacientes), a resposta foi de 13,4%, contra 4,7% com placebo.
Crianças e adolescentes
Na constipação funcional de 6 a 17 anos (NCT04026113; 328 tratados), 72 mcg por 12 semanas aumentaram as evacuações espontâneas em 2,22 por semana, contra 1,05 com placebo (diferença de 1,17; IC 95% 0,65–1,69). No mesmo protocolo, a coorte de SII-C de 7 a 17 anos não teve placebo: entre 53 avaliados com 145 mcg, 30% responderam ao desfecho combinado de dor e evacuação. De 2 a 5 anos (NCT05652205; 123 crianças), o aumento foi de 2,1 evacuações espontâneas por semana com 72 mcg e de 1,4 com placebo (diferença de 0,7; IC 95% 0,03–1,31).
Posologia e administração
Pela bula americana, o uso é oral, uma vez ao dia:
- Doses: SII-C, 290 mcg em adultos e 145 mcg dos 7 aos 17 anos; constipação idiopática crônica, 145 mcg (ou 72 mcg, conforme o quadro e a tolerância); constipação funcional, 72 mcg a partir de 2 anos.
- Tomada: em jejum, pelo menos 30 minutos antes de uma refeição, em horário regular; a dose esquecida é pulada, sem dobrar a seguinte.
- Cápsula: engolida inteira, sem triturar nem mastigar; se preciso, é aberta, e os grânulos são tomados com purê de maçã ou água; por sonda nasogástrica ou de gastrostomia, só com água.
O Constella europeu só tem 290 mcg, também antes de uma refeição, sem ajuste para idosos nem para insuficiência renal ou hepática. O Linzess vem em frascos de 30 cápsulas, a 25 °C (15 a 30 °C); o Constella, em frascos de 10, 28 ou 90, até 30 °C, com uso em até 18 semanas após aberto. Os frascos ficam bem fechados, com o dessecante, e não exigem refrigeração.
Segurança
A bula americana traz advertência em destaque (tarja): risco de desidratação grave em menores de 2 anos (em camundongos recém-nascidos, uma dose equivalente à de adultos causou mortes por desidratação), faixa em que o uso é contraindicado. As duas bulas contraindicam a obstrução mecânica do trato gastrointestinal, conhecida ou suspeita, e a europeia, também a hipersensibilidade ao fármaco.
Advertências e reações adversas
A diarreia costuma começar nas duas primeiras semanas; na SII-C, foi grave em 2% dos adultos e levou 5% a interromper o tratamento. Após a comercialização, houve diarreia grave com tontura, desmaio, pressão baixa e queda de potássio ou sódio, com internação ou hidratação venosa; nesse caso, suspende-se a dose e reidrata-se o paciente. Outras reações frequentes são dor, flatulência e distensão abdominais; foram descritos ainda anafilaxia, angioedema, urticária e sangramento retal. A bula europeia registra casos de perfuração intestinal em pacientes com fragilidade da parede intestinal (dor abdominal intensa, persistente ou que piora exige atendimento imediato e suspensão do uso) e não recomenda o uso na doença de Crohn e na retocolite ulcerativa.
| Estudos | Diarreia: linaclotida | Diarreia: placebo |
|---|---|---|
| SII-C, adultos, 290 mcg | 20% | 3% |
| Constipação crônica, 145 mcg | 16% | 5% |
| Constipação crônica, 72 mcg | 19% | 7% |
| Constipação funcional, 6 a 17 anos | 4% | 2% |
Interações, gravidez e amamentação
Não há estudos de interação, e a exposição no sangue é desprezível. A bula europeia alerta que inibidores da bomba de prótons, laxantes e anti-inflamatórios não esteroides podem aumentar o risco de diarreia e que diarreia intensa ou prolongada pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais (recomenda-se método adicional) e de fármacos de margem estreita, como a levotiroxina. Na gravidez, os dados são insuficientes, e a bula europeia prefere evitar o uso; na amamentação, o fármaco não foi detectado no leite.
Situação regulatória e como funciona o acesso
Nos dados abertos da ANVISA (consulta em 09/10/2026), não há registro de linaclotida, nem pela substância nem pelas marcas Linzess e Constella, e a lista CMED de 09/10/2026 não traz nenhuma apresentação. A linaclotida não consta das listas da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026), ou seja, não é controlada. Não há PCDT do SUS para a síndrome do intestino irritável nem para a constipação crônica, e a Lei 8.080/1990 (art. 19-T) veda ao SUS dispensar medicamento sem registro, salvo exceções restritas. O acesso é pela importação para uso próprio, em nome do paciente, com receita médica, dos Estados Unidos (Linzess) ou da Europa (Constella, só 290 mcg).
O que há registrado no Brasil
Nenhum agonista da guanilato ciclase C tem registro no país (a plecanatida, aprovada nos EUA, também não). Há opções de outras classes: a prucaloprida (Resolor, Laboratórios Bagó do Brasil; registro 1.5626.0033, ativo, vencimento 05/2027), agonista do receptor 5-HT4 autorizado na Europa para a constipação crônica de adultos sem alívio com laxantes e comercializado em 2025, segundo a CMED; e laxantes como lactulose, lactitol e macrogol. Lubiprostona (Amitiza) e tegaserode (Zelmac) têm registros inativos.
Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça
No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.
Na linaclotida, o requisito do substituto terapêutico será examinado diante das opções registradas, como a prucaloprida e os laxantes; o relatório médico precisa detalhar diagnóstico, tratamentos já tentados e por que eles não atendem. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.
Como a Medicsupply conduz a importação
A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos: depois de uma conversa inicial com um especialista, orienta o processo conforme as normas da ANVISA e os documentos necessários, apoia a documentação (prescrição médica e requisitos regulatórios), conduz a importação com fornecedores que têm as licenças exigidas no país de origem, com medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha até a entrega. Tudo corre em nome do paciente, começa pela receita médica e fica documentado, da compra no exterior à entrega. O prazo médio depende da origem do produto:
| Origem | Prazo médio |
|---|---|
| EUA (FDA) | 10 dias |
| Canadá (Health Canada) | 17 dias |
| Europa (EMA) | 16 dias úteis |
| Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) | 16 dias úteis |
Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.
- Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
- Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
- Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
- Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.
Perguntas Frequentes
O Linzess tem registro na ANVISA?
Não. Nos dados abertos da ANVISA de 09/10/2026, não há registro de linaclotida nem das marcas Linzess e Constella; o acesso é por importação em nome do paciente, com receita médica.
Linzess e Constella são o mesmo medicamento?
Têm o mesmo princípio ativo. O Linzess, americano, tem 72, 145 e 290 mcg e indicações mais amplas, inclusive pediátricas; o Constella, europeu, só tem 290 mcg, para a SII-C moderada a grave em adultos.
A linaclotida pode ser usada em crianças?
Nos Estados Unidos, sim: na constipação funcional a partir de 2 anos e na SII-C a partir de 7 anos. Abaixo de 2 anos, é contraindicada pelo risco de desidratação grave; na Europa, o Constella não deve ser usado antes dos 18 anos.
O SUS ou o plano de saúde fornecem a linaclotida?
Sem registro na ANVISA, ela não é dispensada pelo SUS, e, pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecê-la. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF e exigem orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado.
Conclusão
O Linzess (linaclotida) é um agonista da guanilato ciclase C indicado nos Estados Unidos na SII-C a partir de 7 anos, na constipação idiopática crônica de adultos e na constipação funcional a partir de 2 anos; na Europa, como Constella, só na SII-C de adultos. Sem registro na ANVISA, o acesso passa pela importação em nome do paciente, com receita médica; a Medicsupply pode assessorar esse processo.
Fontes
- FDA — Linzess (linaclotida) cápsulas, bula vigente (DailyMed/openFDA), versão 39 de 21/05/2026; NDA 202811, AbbVie Inc.
- FDA — Drugs@FDA: NDA 202811 (aprovação de 30/08/2012 e suplementos S-010, S-021, S-022 e S-023) e NDA 208745 (Trulance, plecanatida).
- EMA — Constella (linaclotida), EPAR e informação do produto, EMEA/H/C/002490, AbbVie Deutschland GmbH & Co. KG.
- Chey WD et al., Am J Gastroenterol, 2012;107(11):1702-1712. PMID 22986437 (ClinicalTrials.gov NCT00938717).
- Rao S et al., Am J Gastroenterol, 2012;107(11):1714-1724. PMID 22986440 (ClinicalTrials.gov NCT00948818).
- Lembo AJ et al., N Engl J Med, 2011;365(6):527-536. PMID 21830967 (ClinicalTrials.gov NCT00730015 e NCT00765882).
- Schoenfeld P et al., Am J Gastroenterol, 2018;113(1):105-114. PMID 29091082 (ClinicalTrials.gov NCT02291679).
- Di Lorenzo C et al., Lancet Gastroenterol Hepatol, 2024;9(3):238-250. PMID 38211604 (ClinicalTrials.gov NCT04026113).
- ClinicalTrials.gov — NCT04026113 (coorte de SII-C de 7 a 17 anos) e NCT05652205 (constipação funcional de 2 a 5 anos).
- EMA — Resolor (prucaloprida), EPAR, EMEA/H/C/001012.
- ANVISA — Dados abertos de medicamentos e lista CMED de 09/10/2026: linaclotida sem registro; Resolor (1.5626.0033) ativo.
- ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização nº 101 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
- Conitec — Lista de PCDT (consulta em 09/10/2026); Lei nº 8.080/1990, art. 19-T (incluído pela Lei nº 12.401/2011).
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