Corgard (nadolol): betabloqueador não seletivo para angina e hipertensão, recomendado em diretrizes no QT longo e na TVPC

Resumo rápido

  • O Corgard é uma marca do nadolol, betabloqueador não seletivo em comprimidos de uma tomada ao dia, aprovado nos EUA, hoje como genérico, para a angina do peito e a hipertensão.
  • A diretriz europeia ESC 2022 recomenda betabloqueador, idealmente não seletivo (nadolol ou propranolol), na síndrome do QT longo com intervalo QT prolongado e na taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica (TVPC): é diretriz, não indicação de bula.
  • Nos EUA, a FDA retirou a aprovação do Corgard a pedido da titular, com efeito em 19/12/2024; na França, o Corgard 80 mg tem autorização válida.
  • A bula americana traz advertência em destaque contra a suspensão abrupta: a retirada é gradual, em 1 a 2 semanas.
  • No Brasil, o único registro (Corgard, da Bristol-Myers Squibb) está inativo, e o nadolol não está na CMED nem na RENAME; o acesso é por importação em nome do paciente, com receita.

O que é Corgard (nadolol)?

Corgard é a marca com que o nadolol, betabloqueador não seletivo de uso oral em comprimidos sulcados, foi aprovado pela FDA em 10/12/1979 (NDA 018063). O nadolol também é comercializado como Apo-Nadolol e Mint-Nadolol, no Canadá, e como genérico nos EUA, em 20, 40 e 80 mg. Na França, o Corgard 80 mg é da Cheplapharm France.

Nos EUA, a FDA retirou a aprovação do Corgard a pedido da titular, a US WorldMeds, que informou não comercializá-lo mais, com efeito em 19/12/2024. Em 12/12/2025, publicou no Federal Register que os comprimidos de 20, 40 e 80 mg não saíram do mercado por razões de segurança ou eficácia, o que preserva os genéricos.

Mecanismo de ação

O nadolol compete com as catecolaminas pelos receptores beta-1 (sobretudo no coração) e beta-2 (sobretudo em brônquios e vasos): reduz a frequência e o débito cardíacos, baixa a pressão e torna mais lenta a condução entre átrios e ventrículos; ao diminuir o consumo de oxigênio do coração, ajuda na angina. A absorção oral, de cerca de 30%, não muda com alimento; o nadolol não é metabolizado pelo fígado e sai inalterado, sobretudo pelos rins, com meia-vida de 20 a 24 horas, o que permite uma tomada ao dia. Na TVPC, em que esforço ou emoção desencadeiam a arritmia, o betabloqueio reduz a resposta do coração ao estímulo adrenérgico.

Indicações

Estados Unidos (FDA)

Pela bula americana, hoje a dos genéricos, o nadolol é indicado no tratamento prolongado da angina do peito e no tratamento da hipertensão. Segurança e eficácia em crianças não foram estabelecidas.

França (Corgard 80 mg)

Autorizado em 03/07/1980 e com autorização nacional válida, o Corgard tem bula mais ampla na França: hipertensão; prevenção da angina de esforço; sintomas das cardiomiopatias obstrutivas; certos distúrbios do ritmo supraventriculares (taquicardias, flutter e fibrilação atriais, taquicardias juncionais) ou ventriculares (extrassístoles e taquicardias ventriculares); e manifestações cardiovasculares do hipertireoidismo. Não há autorização centralizada da EMA para o nadolol.

Diretrizes: síndrome do QT longo e TVPC

Nem a bula americana nem a francesa citam o QT longo ou a TVPC: esse uso vem das diretrizes. A ESC 2022 recomenda betabloqueadores, idealmente não seletivos (nadolol ou propranolol), no QT longo com intervalo QT prolongado documentado (classe I, nível B) e em todos os pacientes com diagnóstico clínico de TVPC (classe I, nível C); em portadores de mutação com exame normal, eles devem ser considerados (classe IIa).

Evidências clínicas

Na hipertensão, a bula americana resume que, em estudos controlados, 40 a 320 mg por dia reduziram a pressão por cerca de 24 horas, mas que não há estudos controlados de redução de risco cardiovascular com o próprio nadolol. No QT longo e na TVPC, as comparações entre betabloqueadores vêm de registros observacionais.

Síndrome do QT longo: registro de Rochester

No registro de QT longo de Rochester (EUA), com 1.530 pacientes, a razão de risco (HR) do primeiro evento cardíaco (síncope, parada cardíaca abortada ou morte súbita), em comparação com o período sem betabloqueador, foi de 0,51 com nadolol (IC 95% 0,35–0,74) e de 0,65 com propranolol (0,46–0,90); com atenolol e metoprolol, a redução não atingiu significância estatística, mas os autores concluíram que, no conjunto, os quatro tiveram eficácia semelhante no primeiro evento. No tipo 2 (LQT2), só o nadolol reduziu o risco de forma significativa (HR 0,40; IC 95% 0,16–0,98); no tipo 1, os quatro foram semelhantes.

TVPC: coorte internacional de crianças

Em dois registros internacionais, 329 crianças com TVPC e variante no gene RYR2, que tiveram síncope ou parada cardíaca antes do tratamento, foram acompanhadas por mediana de 6,7 anos; 216 começaram com betabloqueador não seletivo, sobretudo nadolol (140) ou propranolol (70), e 111 com beta-1 seletivo. Com os beta-1 seletivos, o risco de morte súbita, parada cardíaca, choque apropriado do cardiodesfibrilador ou síncope foi cerca de duas vezes maior (HR 2,04; IC 95% 1,31–3,17); em comparação com o nadolol, foi maior com atenolol, bisoprolol e metoprolol, sem diferença com o propranolol. Os autores concluem que o nadolol, ou o propranolol se ele não estiver disponível, deve ser o preferido nessas crianças; o estudo é observacional.

Posologia e administração

Pela bula americana, o nadolol é tomado por via oral, uma vez ao dia, com ou sem alimento, e a dose é individualizada:

  • Angina: 40 mg uma vez ao dia, com aumentos de 40 a 80 mg a cada 3 a 7 dias; manutenção usual de 40 ou 80 mg, podendo chegar a 160 ou 240 mg.
  • Hipertensão: 40 mg uma vez ao dia, com aumentos de 40 a 80 mg; manutenção usual de 40 ou 80 mg, podendo chegar a 240 ou 320 mg.
  • QT longo e TVPC: sem esquema em bula; a tabela de antiarrítmicos da ESC 2022 indica 40 a 120 mg por dia, e a dose, sobretudo em crianças, é definida pelo especialista.

Na insuficiência renal, o intervalo entre as doses aumenta conforme a depuração de creatinina:

Depuração de creatinina (mL/min/1,73 m²) Intervalo entre as doses
Acima de 50 24 horas
31 a 50 24 a 36 horas
10 a 30 24 a 48 horas
Abaixo de 10 40 a 60 horas

Os comprimidos ficam em temperatura ambiente, protegidos do calor e da luz.

Segurança

A bula americana traz quadro de advertência em destaque (tarja): após a suspensão abrupta de betabloqueadores, houve piora da angina e, em alguns casos, infarto. Ao interromper o uso prolongado, a dose deve ser reduzida em 1 a 2 semanas, com monitoramento, e a bula considera prudente fazer o mesmo em quem trata só a hipertensão, já que a doença coronariana pode passar despercebida. As contraindicações americanas são asma brônquica, bradicardia sinusal e bloqueio de condução maior que o de primeiro grau, choque cardiogênico e insuficiência cardíaca manifesta; a bula francesa acrescenta, entre outras, DPOC, angina de Prinzmetal, fenômeno de Raynaud e feocromocitoma não tratado.

Advertências e reações adversas

  • Coração e pulmões: pode precipitar insuficiência cardíaca; quem tem doença broncoespástica, em geral, não deve usar betabloqueador.
  • Hipoglicemia: a bula atual alerta que o betabloqueador pode esconder sinais como a taquicardia e aumentar o risco de hipoglicemia grave ou prolongada, sobretudo em diabéticos, crianças e pessoas em jejum ou com vômitos.
  • Outras situações: não suspender de rotina antes de cirurgia de grande porte; pode mascarar sinais de hipertireoidismo; quem já teve anafilaxia grave pode não responder às doses usuais de adrenalina.

Na bula, frequência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto é comum; abaixo de 40 ou com sintomas, má circulação periférica (tipo Raynaud) e tontura ou fadiga ocorreram, cada uma, em cerca de 2 a cada 100 pacientes.

Interações, gravidez e amamentação

Há interações com anestésicos gerais, antidiabéticos e insulina, reserpina e digitálicos, com risco de hipotensão, bradicardia ou alteração da glicemia. Na gravidez, não há estudos adequados: a bula americana reserva o uso aos casos em que o benefício justifique o risco ao feto, a francesa pede monitorar o crescimento fetal, e recém-nascidos de mães em uso de nadolol no parto tiveram bradicardia e hipoglicemia. A ESC 2022 recomenda manter o betabloqueador na gravidez e no pós-parto em mulheres com QT longo ou TVPC (classe I), e a escolha do fármaco cabe ao cardiologista com o obstetra. O nadolol passa para o leite: a bula americana pede escolher entre amamentar e tratar, e a francesa desaconselha amamentar.

Situação regulatória e como funciona o acesso

Nos dados abertos da ANVISA de 09/10/2026, o único registro de nadolol é o do Corgard (Bristol-Myers Squibb, 1.0180.0011), inativo, com vencimento em 04/2013, e a CMED da mesma data não lista nenhuma apresentação. O nadolol não consta das listas da Portaria SVS/MS 344/98 (Anexo I atualizado pela RDC nº 1.036, de 09/07/2026), ou seja, não é controlado. Não está na RENAME 2024, que inclui o propranolol no componente básico, e não há protocolo clínico (PCDT) do SUS para QT longo ou TVPC. Com receita do cardiologista, o acesso é por importação para uso próprio, em nome do paciente, a partir dos EUA, do Canadá ou da França; os comprimidos não exigem refrigeração.

Compra judicial: quando o tratamento é pedido na Justiça

No Tema 500 da repercussão geral (RE 657.718, julgado em 22/05/2019), o STF definiu que, como regra, a falta de registro na ANVISA impede o fornecimento de medicamento por decisão judicial. A exceção depende de mora irrazoável da agência na análise do pedido de registro (prazo superior ao da Lei 13.411/2016) e de três requisitos: pedido de registro no Brasil (salvo medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras), registro em renomadas agências reguladoras no exterior e inexistência de substituto terapêutico registrado no país; a ação é proposta contra a União. Pelo Tema 990 do STJ, os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA.

Como o propranolol é registrado e está na RENAME, o relatório médico precisa explicar por que ele não atende ao caso, com diagnóstico, exames e eventos. Cada caso exige orientação médica e jurídica individualizada, sem garantia de resultado. É comum a ação trazer orçamentos de fornecedores, e a Medicsupply pode fornecer a cotação da importação.

Como a Medicsupply conduz a importação

A Medicsupply atua como assessoria de importação, sem vender medicamentos: orienta desde a conversa inicial com um especialista, apoia a documentação exigida pela ANVISA, conduz a importação com fornecedores licenciados no país de origem, com medicamentos rastreáveis até o fabricante, e acompanha até a entrega. O processo corre sempre em nome do paciente, começa pela receita médica e fica documentado. O prazo médio depende da origem:

Origem Prazo médio
EUA (FDA) 10 dias
Canadá (Health Canada) 17 dias
Europa (EMA) 16 dias úteis
Ásia: Índia, China e Japão (CDSCO, NMPA, PMDA) 16 dias úteis

Os prazos variam conforme a disponibilidade do fornecedor, a modalidade de importação e a eventual necessidade de autorização excepcional; nenhum prazo é prometido a um caso específico, e a confirmação cabe ao time de compras.

  • Modalidades: remessa expressa internacional, usada na maioria dos casos; DSI, que está sendo substituída; e DUIMP, novo modelo do Siscomex que unifica DI, LI e DSI e permite anuências em paralelo.
  • Documentos: fatura pró-forma, fatura comercial, romaneio de carga, conhecimento aéreo (AWB) e declaração de importação (DIR, DSI ou DUIMP), sempre em nome do paciente.
  • Formação do valor: preço do fornecedor internacional, câmbio do dia, impostos e taxas alfandegárias e frete; quando há equivalente nacional, compara-se com a tabela CMED.
  • Alcance: canal direto com fornecedores sob FDA, EMA, CDSCO, NMPA, PMDA e Health Canada; não há canal na América do Sul.

Perguntas Frequentes

O nadolol tem registro na ANVISA?

Não há registro ativo: o do Corgard (Bristol-Myers Squibb, 1.0180.0011) está inativo, com vencimento em 04/2013, e a CMED não lista nadolol. O acesso é por importação, com receita médica.

Posso trocar o nadolol por outro betabloqueador?

Só com o cardiologista. A ESC 2022 prefere nadolol ou propranolol no QT longo e na TVPC, e, em crianças com TVPC que já tinham tido síncope ou parada cardíaca, beta-1 seletivos como atenolol e metoprolol se associaram a mais eventos. O nadolol também não deve ser interrompido de forma abrupta.

Crianças podem usar nadolol?

A bula americana não estabelece segurança e eficácia em crianças, mas as diretrizes recomendam betabloqueador no QT longo e na TVPC, com dados pediátricos na TVPC. A dose é do especialista, e a bula alerta para hipoglicemia, sobretudo em crianças e em quem está em jejum ou com vômitos.

O SUS ou o plano de saúde fornecem o nadolol?

O nadolol não está na RENAME, e não há PCDT para QT longo ou TVPC; pelo Tema 990 do STJ, os planos não são obrigados a fornecer medicamento sem registro na ANVISA. Pedidos judiciais seguem o Tema 500 do STF, sem garantia de resultado.

Conclusão

O nadolol (Corgard) é um betabloqueador não seletivo, aprovado nos EUA, hoje como genérico, para angina e hipertensão e recomendado pela ESC, ao lado do propranolol, no QT longo e na TVPC, como uso de diretriz. Sem registro ativo na ANVISA, o acesso passa pela importação em nome do paciente, com receita e acompanhamento de especialista em arritmias; a Medicsupply pode assessorar esse processo.

Fontes

  1. FDA — Drugs@FDA (openFDA): Corgard, NDA 018063, e genéricos de nadolol (consulta em 09/10/2026); Federal Register: 89 FR 91410 (19/11/2024) e 90 FR 57768 (12/12/2025).
  2. DailyMed — Bula do nadolol comprimidos USP (ANDA 203455, InvaGen/Cipla; revisão de 01/2024); Drugs@FDA — rotulagem do Corgard aprovada em 22/12/2023 (NDA 018063, suplemento 65).
  3. ANSM (França) — Base de dados pública de medicamentos: Corgard 80 mg (CIS 62092895), Cheplapharm France; RCP de 21/05/2025.
  4. EMA — Lista de medicamentos do procedimento centralizado (relatório de 09/10/2026): nenhum com nadolol.
  5. Health Canada — Base de dados de produtos farmacêuticos: Apo-Nadolol e Mint-Nadolol comercializados; consulta em 09/10/2026.
  6. Zeppenfeld K et al., Eur Heart J, 2022;43(40):3997-4126. PMID 36017572 (diretriz ESC 2022).
  7. Abu-Zeitone A et al., J Am Coll Cardiol, 2014;64(13):1352-1358. PMID 25257637.
  8. Peltenburg PJ et al., Circulation, 2022;145(5):333-344. PMID 34874747.
  9. ANVISA — Dados abertos de medicamentos e lista de preços da CMED, de 09/10/2026: Corgard 1.0180.0011 inativo; nenhuma apresentação de nadolol.
  10. ANVISA — RDC nº 1.036, de 09/07/2026: atualização nº 101 do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998.
  11. Ministério da Saúde — RENAME 2024 (2ª edição, 2025) e lista de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

Sobre a Medicsupply

Medicsupply é uma empresa brasileira especializada em assessoria para importação de medicamentos, equipamentos e produtos médico-hospitalares, com mais de 34 anos de atuação no mercado.

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