Medicamento Mozobil vira alvo de ação judicial em tratamento de linfoma

O acesso a medicamentos de alto custo ainda representa um desafio significativo no tratamento de doenças graves no Brasil. Um caso ocorrido em Sorocaba (SP) evidencia essa realidade: uma paciente com linfoma precisou recorrer à Justiça para tentar obter o medicamento Mozobil, essencial para a realização de um transplante de medula óssea.

Diagnóstico e evolução do linfoma

A jovem, de 26 anos, recebeu o diagnóstico de linfoma em 2016 após perceber alterações físicas, como nódulos na região do pescoço. O linfoma é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável por parte da defesa do organismo.

Após a confirmação da doença, o início do tratamento foi adiado, o que impactou a progressão do quadro. Meses depois, ela iniciou sessões de quimioterapia. Ao longo do tratamento, foram realizados diferentes ciclos terapêuticos.

Os primeiros resultados indicaram redução dos nódulos cervicais. No entanto, novos focos da doença foram identificados em outros órgãos, como o baço, exigindo continuidade e intensificação da quimioterapia.

Indicação de transplante de medula óssea

Diante da resposta parcial ao tratamento, a equipe médica indicou a realização de um transplante de medula óssea do tipo autólogo. Nesse procedimento, o próprio paciente é o doador das células-tronco.

Esse tipo de transplante é utilizado quando o organismo ainda apresenta condições de fornecer células saudáveis, que serão coletadas antes de um regime intensivo de quimioterapia.

Segundo especialistas, o transplante autólogo segue etapas bem definidas:

  • Estimulação da produção de células-tronco
  • Coleta dessas células no sangue periférico
  • Armazenamento das células coletadas
  • Aplicação de quimioterapia em alta dose
  • Reinfusão das células no paciente

Esse processo permite a reconstrução do sistema hematológico após o tratamento intensivo.

Dificuldade na coleta de células-tronco

Durante a preparação para o transplante, foi identificado um obstáculo importante: a paciente não apresentava quantidade suficiente de células-tronco circulantes.

Esse cenário pode ocorrer em pacientes submetidos a múltiplos ciclos de quimioterapia, que acabam comprometendo a capacidade da medula óssea de produzir e liberar essas células.

Sem a quantidade mínima necessária, o transplante não pode ser realizado com segurança.

Papel do Mozobil no tratamento

Diante dessa limitação, foi indicada a utilização do Mozobil, medicamento utilizado para mobilizar células-tronco da medula óssea para a corrente sanguínea.

O fármaco atua como um agente estimulador, facilitando a coleta dessas células por meio de um procedimento chamado aférese, no qual o sangue do paciente é filtrado para separar os componentes necessários.

Esse processo aumenta significativamente as chances de sucesso na coleta, permitindo que o transplante autólogo seja viável.

Judicialização do acesso ao medicamento

Apesar da relevância clínica, o medicamento não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para esse tipo de indicação, o que levou a paciente a buscar alternativas.

Com custo estimado em cerca de R$ 40 mil para o tratamento completo, a família iniciou campanhas para arrecadação de recursos e, paralelamente, ingressou com uma ação judicial solicitando o fornecimento do medicamento.

A estratégia jurídica incluiu um pedido de tutela antecipada, recurso que visa garantir o acesso imediato ao tratamento diante da urgência do quadro clínico.

Mesmo com a solicitação judicial, houve atraso no cumprimento da decisão, o que levou à adoção de medidas adicionais para assegurar o direito ao tratamento.

Desafios estruturais no acesso ao tratamento

O caso também evidencia limitações estruturais no sistema de saúde. Embora a paciente tenha realizado grande parte do tratamento pelo SUS, o transplante foi encaminhado para um hospital da rede privada, único na região com capacidade para realizar o procedimento.

Situações como essa reforçam a complexidade do acesso integral ao tratamento oncológico, que muitas vezes depende de recursos fora da rede pública ou de decisões judiciais.

A necessidade de recorrer à Justiça para obter medicamentos essenciais destaca um desafio persistente no sistema de saúde brasileiro: a desigualdade no acesso a terapias de alto custo. O uso do Mozobil, fundamental para viabilizar o transplante de medula óssea, evidencia como avanços científicos podem esbarrar em barreiras estruturais. O caso reforça a importância de políticas públicas que ampliem o acesso a tratamentos inovadores, especialmente em doenças graves como o linfoma.

Com informações de G1 — https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2019/05/19/jovem-com-cancer-entra-na-justica-para-comprar-remedio-que-ajuda-no-transplante-de-medula-ossea.ghtml

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Eloiza M8K

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