A exploração científica dos oceanos tem revelado caminhos promissores para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o cancro. Entre os protagonistas dessa abordagem está a farmacêutica espanhola PharmaMar, que há décadas investiga compostos derivados de invertebrados marinhos. Com uma das maiores coleções biológicas do mundo dedicada à área, a empresa aposta em fármacos marinhos como alternativa inovadora para enfrentar uma doença cuja incidência continua a crescer globalmente.
O potencial dos fármacos marinhos na oncologia
A ideia de utilizar o mar como fonte de moléculas terapêuticas não é recente, mas ganhou consistência com os avanços da biotecnologia. A PharmaMar baseia sua estratégia na identificação de compostos naturais produzidos por organismos marinhos que possam interferir no crescimento tumoral.
Desde 2007, a empresa realizou cerca de 200 expedições em 35 países, recolhendo amostras de invertebrados em diferentes ecossistemas. Esse esforço resultou na criação de um banco com aproximadamente 500 mil amostras em Madrid, considerado um dos maiores do mundo no segmento de fármacos marinhos.
O processo de desenvolvimento desses medicamentos é longo e rigoroso, podendo levar entre 10 e 15 anos. Cada etapa exige validação científica e cumprimento de normas internacionais relacionadas à biodiversidade e ao uso de recursos naturais.
Da recolha à síntese: como nascem os fármacos marinhos
A investigação começa com a recolha controlada de organismos marinhos, sempre em parceria com autoridades locais. As amostras são limitadas a pequenas quantidades e passam por um processo detalhado de catalogação e georreferenciação, requisito essencial para registro e eventual patente.
Nos laboratórios, os cientistas sintetizam as moléculas presentes nesses organismos e avaliam seu potencial antitumoral. Os testes iniciais concentram-se em tumores frequentes, como:
- cancro do cólon
- cancro da mama
- cancro do pulmão
- cancro do pâncreas
Segundo dados apresentados pela empresa, cerca de 70% das amostras não demonstram eficácia nas fases iniciais. Ainda assim, são preservadas para futuras investigações, já que novas tecnologias podem revelar propriedades ainda não identificadas.
Trabectedina: marco inicial dos fármacos marinhos
Um dos principais avanços na área dos fármacos marinhos foi a descoberta da trabectedina. A molécula foi isolada a partir do invertebrado ecteinascidia turbinata, encontrado no Caribe, e posteriormente sintetizada em laboratório.
O medicamento derivado, Yondelis, foi aprovado na Europa em 2007 para o tratamento do sarcoma dos tecidos moles. Esse foi o primeiro fármaco antitumoral de origem marinha desenvolvido por uma empresa espanhola a alcançar aprovação internacional.
A relevância da trabectedina vai além do seu uso clínico. Ela abriu caminho para o desenvolvimento de novas moléculas com mecanismos de ação distintos, reforçando o papel dos fármacos marinhos na oncologia.
Novas moléculas ampliam o campo terapêutico
A partir da mesma linha de investigação, surgiram outros compostos relevantes. Entre eles está a lurbinectedina, utilizada no tratamento do cancro do pulmão de células pequenas, e o ecubectedin, atualmente em fase de ensaios clínicos para tumores sólidos.
Outro destaque é a plitidepsina, conhecida comercialmente como Aplidin, derivada do invertebrado aplidium albicans, encontrado no Mediterrâneo. O fármaco tem aplicação no tratamento do mieloma múltiplo.
Segundo os investigadores, o objetivo é desenvolver medicamentos com mecanismos de ação inovadores, capazes de atuar em vias biológicas diferentes das terapias convencionais. Essa diversidade pode ser decisiva para superar resistências e ampliar as opções de tratamento.
Crescimento dos casos reforça a urgência por inovação
O avanço dos fármacos marinhos ocorre num contexto de aumento expressivo dos casos de cancro em todo o mundo. Em 2020, foram registados cerca de 18 milhões de novos diagnósticos. A projeção para 2040 aponta para 28 milhões de casos anuais.
Diante desse cenário, a busca por novas soluções terapêuticas torna-se cada vez mais urgente. A biodiversidade marinha, ainda pouco explorada, surge como uma fonte estratégica para descobertas científicas com potencial impacto na saúde global.
As investigações continuam em diversas regiões, incluindo áreas do Atlântico como os Açores e as Ilhas Desertas, reforçando o compromisso com a identificação de novos compostos bioativos.
Os fármacos marinhos representam uma fronteira relevante na investigação oncológica contemporânea. A experiência da PharmaMar demonstra que a biodiversidade dos oceanos pode contribuir para o desenvolvimento de medicamentos inovadores, com mecanismos de ação diferenciados. Embora o processo seja longo e desafiador, os resultados já alcançados indicam que o fundo do mar pode desempenhar um papel importante no futuro do tratamento do cancro.
Com informações de Jornal de Notícias — https://www.jn.pt/nacional/artigo/no-fundo-do-mar-procura-se-a-cura-para-o-cancro/17767273
Blog da Medicsupply — Informação confiável sobre saúde, medicamentos e inovação científica.
Medicsupply — Assessoria na Importação de Medicamentos
📱 (11) 5085-5856 | (11) 5085-5888
🌐 www.medicsupply.com.br
