Caso inédito na síndrome de Kasabach-Merritt pode abrir novo caminho terapêutico
O tratamento pré-natal com sirolimus permitiu controlar um tumor vascular raro e agressivo ainda durante a gestação, garantindo o nascimento seguro de um bebé em França. O caso, conduzido por Chris Minella no Hospital Universitário de Estrasburgo, é apontado como o primeiro relato mundial da administração deste fármaco durante a gravidez para tratar a síndrome de Kasabach-Merritt.
Diagnóstico de tumor raro na 32ª semana
Na 32ª semana de gestação, médicos de Mulhouse identificaram um tumor vascular de nove centímetros no lado direito do pescoço do feto. O quadro foi diagnosticado como síndrome de Kasabach-Merritt, uma condição rara e potencialmente fatal.
Essa doença caracteriza-se pelo crescimento acelerado de tumores vasculares que podem comprimir estruturas vitais. No caso identificado, havia risco concreto de obstrução da traqueia ao nascimento, o que poderia impedir a respiração imediata do recém-nascido.
Diante da gravidade, o caso foi encaminhado para a Unidade de Diagnóstico Pré-Natal do Hospital Universitário de Estrasburgo, onde Chris Minella assumiu a coordenação clínica.
Cirurgia descartada e decisão por tratamento pré-natal com sirolimus
A equipa multidisciplinar, composta por radiologistas, pediatras e especialistas do Hospital Universitário de Lyon, avaliou as possibilidades terapêuticas.
A cirurgia foi excluída desde o início por dois fatores principais:
- Elevada vascularização do tumor, com risco significativo de hemorragia
- Impossibilidade de remoção completa da massa tumoral
Além disso, aguardar o parto sem intervenção representava risco elevado. Caso o tumor continuasse a crescer, poderia bloquear as vias respiratórias no momento do nascimento.
A alternativa encontrada foi o tratamento pré-natal com sirolimus, um medicamento conhecido por inibir a formação de novos vasos sanguíneos. O fármaco já é utilizado em outros contextos médicos, incluindo tumores vasculares, mas nunca havia sido administrado durante a gravidez para esse tipo específico de condição.
A medicação foi administrada por via oral à mãe, atravessando a placenta e alcançando o feto.
Monitorização rigorosa durante a gestação
A decisão de iniciar o tratamento pré-natal com sirolimus exigiu acompanhamento clínico intensivo.
Os principais pontos de atenção incluíram:
- Monitorização semanal da contagem de glóbulos brancos da mãe
- Avaliação constante da evolução tumoral
- Acompanhamento fetal especializado
Segundo Minella, o perfil de segurança do sirolimus já era conhecido em outras indicações, o que permitiu uma análise criteriosa dos riscos e benefícios.
O resultado confirmou a estratégia adotada. O tumor deixou de crescer após o início da terapia.
Nascimento seguro e evolução clínica
O bebé, chamado Issa, nasceu por cesariana em 14 de novembro de 2025, na 39ª semana de gestação, no Hospital Universitário de Estrasburgo.
Uma equipa composta por pediatras e otorrinolaringologistas esteve de prontidão para qualquer emergência respiratória. No entanto, o recém-nascido apresentou-se estável e respirou normalmente ao nascer.
Issa recebeu alta hospitalar cerca de um mês depois.
Atualmente, com aproximadamente três meses de vida, apresenta apenas uma ligeira inflamação na região inferior do rosto e mantém desenvolvimento considerado adequado para a idade.
O tratamento com sirolimus continua, com exames semanais. Está prevista a realização de ressonância magnética no sexto mês de vida para avaliar a regressão tumoral e a eventual necessidade de terapias complementares.
Impacto científico e perspectivas futuras
O caso representa um possível avanço no tratamento de tumores vasculares fetais graves.
De acordo com Chris Minella, a experiência poderá contribuir para melhorar o prognóstico em situações semelhantes e reduzir o risco de desfechos fatais.
Os resultados deverão ser publicados em revista científica especializada, permitindo que a comunidade médica internacional avalie a aplicação do tratamento pré-natal com sirolimus em diagnósticos comparáveis.
Se confirmada em estudos adicionais, a abordagem adotada em Estrasburgo poderá consolidar-se como nova estratégia terapêutica para casos selecionados de síndrome de Kasabach-Merritt diagnosticados ainda no útero.
O tratamento pré-natal com sirolimus demonstrou ser uma alternativa viável diante de um tumor vascular fetal de alto risco, evitando complicações respiratórias potencialmente fatais após o nascimento. O caso reforça a importância da atuação multidisciplinar, do diagnóstico precoce e da inovação terapêutica baseada em evidências. A publicação científica dos resultados poderá ampliar o acesso a essa estratégia e contribuir para redefinir protocolos em situações semelhantes.
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