Uma nova alternativa terapêutica para miomas uterinos passa a integrar as opções disponíveis no sistema de saúde do Reino Unido. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) recomendou o uso do linzagolix para o tratamento de longo prazo de sintomas moderados a graves associados a essa condição, que afeta uma parcela significativa das mulheres ao longo da vida reprodutiva. A decisão representa um avanço ao oferecer uma opção oral diária capaz de reduzir sintomas incapacitantes e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Miomas uterinos e impacto na saúde feminina
Os miomas uterinos, também conhecidos como fibroides ou leiomiomas, são tumores benignos formados por tecido muscular e fibroso do útero. De acordo com dados apresentados pelo NICE, cerca de dois terços das mulheres desenvolvem ao menos um mioma ao longo da vida, e aproximadamente um terço manifesta sintomas clínicos relevantes.
Essas formações surgem com maior frequência durante a idade reprodutiva, especialmente entre os 16 e os 50 anos, período em que os níveis de estrogênio estão mais elevados. Embora a causa exata ainda não seja totalmente esclarecida, essa associação hormonal é amplamente reconhecida. Após a menopausa, os miomas tendem a diminuir de tamanho, e o risco é menor entre mulheres que já tiveram filhos.
Sintomas e possíveis complicações
Grande parte dos miomas é pequena e assintomática, sendo identificada de forma incidental em exames ginecológicos de rotina ou exames de imagem. No entanto, quando os sintomas estão presentes, o impacto pode ser significativo.
Entre as manifestações mais comuns estão:
- Menorragia, que pode evoluir para anemia
- Dismenorreia
- Dor abdominal ou lombar
- Aumento da frequência urinária
- Constipação
- Dor ou desconforto durante a relação sexual
Além disso, os miomas podem estar associados à dificuldade para engravidar e a complicações na gestação, como dor intensa, parto prematuro e aborto espontâneo.
Tratamentos convencionais disponíveis
Segundo o National Health Service (NHS), o tratamento inicial dos miomas sintomáticos inclui abordagens medicamentosas, como sistemas intrauterinos à base de progesterona, contraceptivos orais, ácido tranexâmico, anti-inflamatórios não esteroides e progesterona administrada por via oral ou injetável.
Quando essas opções não proporcionam alívio adequado, a paciente pode ser encaminhada ao ginecologista, que pode indicar análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Em quadros mais graves, procedimentos cirúrgicos, incluindo a histerectomia, podem ser considerados, especialmente quando há comprometimento importante da qualidade de vida.
Linzagolix como nova opção terapêutica oral
Nas orientações de avaliação de tecnologia, o NICE destacou o linzagolix como um antagonista do GnRH administrado por via oral, oferecendo uma alternativa prática aos agonistas injetáveis tradicionalmente utilizados. Ensaios clínicos comparando o medicamento ao placebo demonstraram eficácia na redução do sangramento menstrual intenso e no volume dos miomas.
As taxas de resposta observadas variaram de 56,4% a 93,9%, dependendo do regime de dose adotado. Esses resultados sustentaram a recomendação do medicamento como opção eficaz para o controle dos sintomas.
Flexibilidade de uso e terapia hormonal associada
Um dos principais benefícios apontados por especialistas é a flexibilidade do linzagolix. O medicamento pode ser administrado em doses de 100 mg ou 200 mg, com ou sem terapia de reposição hormonal. A reposição, feita com baixas doses de estrogênio e progesterona, tem o objetivo de proteger contra a perda de densidade mineral óssea e reduzir possíveis efeitos adversos.
O NICE também já recomenda uma terapia combinada semelhante, baseada no relugolix associado a estradiol e acetato de noretindrona, em um único comprimido diário, para o tratamento de sintomas moderados a graves de miomas uterinos.
Recomendação para uso de longo prazo
A recomendação do linzagolix é restrita ao tratamento de longo prazo, geralmente por períodos superiores a seis meses, em mulheres em idade reprodutiva com sintomas moderados a graves. O esquema indicado inclui:
- 200 mg uma vez ao dia por seis meses, seguidos de
- 100 mg uma vez ao dia sem terapia hormonal, ou
- 200 mg uma vez ao dia com terapia de reposição hormonal
Para Jonathan Benger, diretor clínico e vice-presidente executivo do NICE, os sintomas dos miomas podem ser debilitantes e, quando não tratados, levar à infertilidade e a um impacto substancial na qualidade de vida. Segundo ele, a possibilidade de uso com ou sem terapia hormonal permite cuidados mais personalizados.
Conclusão
A incorporação do linzagolix às recomendações do NICE representa um avanço relevante no manejo dos miomas uterinos. A disponibilidade de um medicamento oral de uso diário e prolongado amplia as alternativas não cirúrgicas, oferecendo maior flexibilidade terapêutica e potencial melhoria na qualidade de vida de milhares de mulheres afetadas pela condição.
Com informações de Medscape em Português — https://portugues.medscape.com/verartigo/6511673
Blog da Medicsupply — Informação confiável sobre saúde, medicamentos e inovação científica.
Medicsupply — Assessoria na Importação de Medicamentos
📱 (11) 5085-5856 | (11) 5085-5888
🌐 www.medicsupply.com.br
