Medicamento de longa duração (lenacapavir) amplia estratégias de prevenção e recebe endosso internacional
A aprovação do lenacapavir injetável como opção de profilaxia pré-exposição ao HIV representa um avanço relevante nas estratégias de prevenção da infecção no Brasil. A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária adiciona ao cenário da saúde pública um antirretroviral de longa ação, administrado apenas duas vezes ao ano, com potencial para ampliar a adesão à PrEP e reduzir novas infecções pelo vírus.
O que muda com a aprovação do lenacapavir
O lenacapavir passa a integrar o conjunto de opções de profilaxia pré-exposição ao HIV disponíveis no país, funcionando como alternativa aos esquemas orais já utilizados. Segundo a Anvisa, o medicamento é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que apresentem risco aumentado de infecção pelo HIV.
Antes do início do uso, é obrigatória a confirmação de resultado negativo para o vírus. A proposta do medicamento injetável é atender especialmente pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário de comprimidos, oferecendo uma proteção contínua com apenas duas aplicações anuais.
Evidências científicas e eficácia clínica
A aprovação regulatória é sustentada por estudos clínicos publicados em 2024 no New England Journal of Medicine. Um dos principais trabalhos acompanhou mais de 2 mil mulheres cisgênero em Uganda e na África do Sul e não registrou nenhum caso de infecção pelo HIV entre as participantes que receberam o lenacapavir.
Em um estudo posterior, realizado no mesmo ano com 3.265 pessoas de diferentes gêneros, apenas dois voluntários que utilizaram o medicamento contraíram o vírus. Diante da elevada eficácia observada, um dos ensaios clínicos foi interrompido de forma antecipada, após os resultados superarem os critérios de eficácia pré-estabelecidos.
Os dados foram apresentados pela Gilead Sciences, desenvolvedora do medicamento, durante a Conferência Internacional sobre Aids realizada em 2024, na Alemanha.
Recomendações internacionais e cenário global
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde atualizou suas diretrizes e passou a recomendar o lenacapavir como opção adicional de PrEP. A organização classificou o medicamento como a alternativa mais eficaz disponível atualmente para prevenção do HIV, atrás apenas de uma eventual vacina.
A recomendação ocorre em um momento considerado crítico pela OMS. Segundo a entidade, os esforços globais de prevenção ao HIV apresentam sinais de estagnação, com cerca de 1,3 milhão de novas infecções registradas no último ano. Além do lenacapavir, as novas diretrizes também incentivam o uso ampliado de testes rápidos para diagnóstico do HIV.
Impacto em saúde pública e desafios de acesso
O UNAIDS avaliou o lenacapavir como uma ferramenta com potencial para acelerar o cumprimento da meta de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030, conforme estabelecido na Agenda 2030 da ONU.
Apesar do impacto positivo, o programa das Nações Unidas alertou para o desafio do acesso global. O custo anual estimado do medicamento no mercado internacional é elevado, o que torna essencial a adoção de políticas que garantam acesso equitativo, especialmente em países de baixa e média renda.
Situação regulatória do lenacapavir e próximos passos no Brasil
Nos Estados Unidos, o medicamento já recebeu aprovação da Food and Drug Administration para prevenção do HIV-1. No Brasil, a decisão da Anvisa representa um marco regulatório, mas a incorporação ao sistema público de saúde dependerá de avaliações adicionais.
Comercialmente conhecido como Sunlenca, o lenacapavir é visto por especialistas como um complemento estratégico às opções de PrEP já disponíveis no Sistema Único de Saúde, que incluem esquemas orais de uso diário ou sob demanda.
Conclusão sobre a aprovação do lenacapavir
A aprovação do lenacapavir injetável consolida uma nova etapa na prevenção do HIV, baseada em medicamentos de longa duração e elevada eficácia. O respaldo científico e o apoio de organismos internacionais reforçam seu potencial impacto em saúde pública. O principal desafio será assegurar acesso amplo, sustentável e alinhado às estratégias de prevenção combinada, ampliando a proteção de populações em maior risco.
Com informações de g1: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/12/anvisa-aprova-lenacapavir-injetavel-para-prevencao-do-hiv.ghtml
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