Miastenia Gravis: Terapia Tradicional Ainda é Primeira Linha?

Terapia tradicional na miastenia gravis: eficácia comprovada

Durante o encontro, Benjamin Claytor, MD, da Cleveland Clinic, defendeu que a terapia tradicional permanece altamente eficaz para a maioria dos pacientes com miastenia gravis. Segundo ele, medicamentos como corticosteróides, azatioprina, micofenolato e rituximabe atendem a critérios fundamentais de tratamento.

Entre os principais pontos destacados estão:

  • Acessibilidade financeira
  • Administração conveniente, geralmente por via oral
  • Possibilidade de remissão sustentada
  • Redução gradual da dose ao longo do tempo

Claytor citou um estudo da Duke University, publicado em 2023, que acompanhou 367 pacientes tratados com terapias tradicionais após o ano 2000. Os dados mostraram que 72% atingiram manifestações mínimas da doença em menos de dois anos, em mediana.

Outras análises indicam que 45% dos pacientes alcançam controle mínimo dos sintomas em seis meses, percentual que pode ultrapassar 60% após dois anos de acompanhamento.

Ele também destacou que a prednisona apresenta início de ação rápido, geralmente em menos de duas semanas. Pelo menos 75% dos pacientes com doença leve a moderada respondem a doses baixas.

Corticosteroides e imunossupressores: benefícios e limitações

Apesar dos efeitos adversos associados aos corticosteróides, Claytor afirmou que a redução progressiva da dose é possível conforme a gravidade diminui. Ele mencionou ainda o uso de cálcio e vitamina D como suporte à saúde óssea.

Os imunossupressores não esteróides aumentam a probabilidade de atingir o status de manifestação mínima da miastenia gravis e podem permitir a retirada gradual dos esteróides.

Outras estratégias tradicionais incluem:

  • Imunoglobulina intravenosa
  • Plasmaférese

Essas abordagens são utilizadas principalmente em crises ou como complemento quando outras terapias não produzem resposta adequada.

Sobre o rituximabe, Claytor observou que pacientes mais jovens e aqueles com doença recente parecem responder melhor. Embora seja um medicamento de custo elevado, ele ressaltou que permanece economicamente inferior aos agentes mais novos quando poucas doses são necessárias.

Críticas à imunossupressão ampla na miastenia gravis

Apresentando a visão oposta, Amanda C. Guidon, MD, MPH, do Massachusetts General Hospital e da Harvard Medical School, destacou fragilidades da terapia tradicional na miastenia gravis.

Ela citou dados de um registro publicado em 2019 que indicam que muitos pacientes permanecem negativamente impactados pela doença, mesmo sob tratamento convencional.

Entre os principais desafios apontados estão:

  • Tempo prolongado até benefício clínico
  • Dificuldade de prever resposta individual
  • Impossibilidade de determinar previamente a dose minimamente eficaz
  • Maior risco de infecções graves devido à imunossupressão ampla

Guidon destacou que 20% a 30% dos pacientes apresentam resistência aos esteróides. Além disso, efeitos adversos podem ser significativos, incluindo diabetes induzido por corticosteróides, condição que pode persistir mesmo após a suspensão do tratamento.

Segundo ela, muitos pacientes relatam que os efeitos colaterais tornam-se mais difíceis de lidar do que os próprios sintomas da miastenia gravis.

Novas terapias direcionadas e perspectivas futuras

O debate também envolve medicamentos mais recentes, como eculizumab, efgartigimod, rozanolixizumab e zilucoplan, que atuam de forma mais específica sobre alvos imunológicos.

Entretanto, Claytor argumentou que os dados atuais ainda não demonstram taxas de controle sustentado superiores às obtidas com terapias tradicionais.

Guidon defendeu que o futuro do tratamento da miastenia gravis deve contemplar terapias que:

  • Induzam remissão duradoura
  • Permitam redução progressiva
  • Sejam administradas por via oral ou por autoinjeções pouco frequentes
  • Não exijam monitoramento laboratorial frequente
  • Apresentem segurança na gestação e lactação
  • Não aumentem o risco de câncer a longo prazo

O que o debate revela sobre o tratamento da miastenia gravis

O confronto de perspectivas demonstra que a miastenia gravis continua sendo uma condição complexa, com resposta terapêutica variável entre os pacientes.

A terapia tradicional mantém respaldo em décadas de experiência clínica e dados consistentes de eficácia. Ao mesmo tempo, os novos medicamentos buscam reduzir os riscos associados à imunossupressão ampla.

O cenário atual indica que a escolha terapêutica deve considerar gravidade da doença, perfil clínico e tolerabilidade individual. O debate reforça a necessidade de estudos comparativos de longo prazo para definir o posicionamento definitivo das novas abordagens no manejo da miastenia gravis.


Com informações de Medscape — https://www.medscape.com/viewarticle/myasthenia-gravis-where-does-traditional-therapy-fit-2024a1000k2g?_gl=1*1lbi2u*_gcl_au*MTYwODY1Mjc0Ni4xNzcwMzc4MDc1LjY5MjA3NTA1Ny4xNzcwOTIzMDQyLjE3NzA5MjU2ODE.


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Eloiza M8K

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