Melhorando o humor e a ansiedade: o papel da cariprazina no TDM

Evidências indicam benefício no manejo da ansiedade residual em pacientes que não respondem plenamente aos antidepressivos

O transtorno depressivo maior (TDM) frequentemente se apresenta associado a sintomas de ansiedade, condição que agrava o curso da doença e dificulta a obtenção de remissão completa. Estudos clínicos demonstram que uma parcela significativa dos pacientes mantém ansiedade residual mesmo após tratamento antidepressivo adequado. Diante desse cenário, cresce o interesse por estratégias terapêuticas capazes de atuar simultaneamente sobre o humor deprimido e a ansiedade. Um ensaio clínico recente avaliou o uso adjuvante da cariprazina como alternativa promissora para esse desafio clínico.

Ansiedade como fator complicador no transtorno depressivo maior

Dados do estudo Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression (STAR*D) indicam que quase metade dos pacientes com TDM apresenta sintomas clinicamente relevantes de ansiedade, quadro frequentemente descrito como “depressão ansiosa”. Essa associação está relacionada a piores desfechos terapêuticos, incluindo menor resposta aos antidepressivos tradicionais, maior tempo até a melhora clínica e risco aumentado de recaída.

Além disso, pacientes com ansiedade comórbida apresentam maior comprometimento funcional e maior vulnerabilidade a novos episódios depressivos, mesmo após melhora parcial do humor. Esses fatores reforçam a necessidade de abordagens terapêuticas que considerem a ansiedade como um componente central do TDM, e não apenas como um sintoma secundário.

Desenho do estudo clínico com cariprazina adjuvante

O estudo analisado corresponde a uma avaliação post hoc de um ensaio clínico multicêntrico de fase 3 que investigou a cariprazina como tratamento adjuvante em adultos com TDM, diagnosticados segundo os critérios do DSM-5. Todos os participantes apresentavam resposta inadequada ao uso isolado de antidepressivos.

Ao longo de seis semanas, 751 pacientes foram randomizados para receber cariprazina nas doses de 1,5 mg ou 3,0 mg por dia, ou placebo. Os sintomas de ansiedade foram avaliados por meio do fator Ansiedade/Somatização da Escala de Avaliação de Hamilton para Depressão (HAM-D) e da Escala de Avaliação de Ansiedade de Hamilton (HAM-A).

Na linha de base, 83,5% dos participantes apresentavam sintomas significativos de ansiedade segundo o HAM-D, enquanto 98,8% apresentavam ao menos ansiedade leve conforme o HAM-A. Aproximadamente 35% já apresentavam sintomas graves de ansiedade no início do estudo, evidenciando a alta carga ansiosa dessa população.

Resultados sobre sintomas depressivos e ansiosos

Entre os pacientes com depressão ansiosa, a redução dos sintomas depressivos, medida pela escala MADRS, foi significativamente maior no grupo tratado com cariprazina 1,5 mg/dia em comparação ao placebo. Em pacientes sem ansiedade proeminente, também houve melhora associada à cariprazina, embora sem significância estatística.

No que se refere à ansiedade, ambas as doses de cariprazina demonstraram reduções superiores nos escores do fator ansiedade/somatização do HAM-D quando comparadas ao placebo. Esses efeitos foram observados independentemente da gravidade inicial da ansiedade, com maior magnitude em pacientes com sintomas graves. Um achado relevante foi a ausência de piora da ansiedade nos grupos tratados, aspecto clínico importante para a segurança do manejo terapêutico.

Implicações clínicas e base farmacológica

A ansiedade residual é um dos principais obstáculos à remissão sustentada no TDM. Além de dificultar o controle completo dos sintomas, ela impacta negativamente o funcionamento psicossocial e a qualidade de vida dos pacientes. Os resultados deste estudo reforçam o potencial da cariprazina como opção adjuvante para pacientes que não alcançam resposta adequada apenas com antidepressivos.

Do ponto de vista farmacológico, a cariprazina se diferencia de outros antipsicóticos atípicos por sua alta afinidade pelo receptor dopaminérgico D3, cerca de dez vezes maior do que pelo receptor D2. Essa característica pode estar relacionada aos efeitos observados na redução dos sintomas de ansiedade, hipótese que ainda requer confirmação em estudos futuros, mas que é consistente com evidências pré-clínicas disponíveis.

Conclusão

Os achados do estudo indicam que a cariprazina adjuvante pode contribuir para a redução simultânea dos sintomas depressivos e ansiosos em pacientes com transtorno depressivo maior, inclusive naqueles com ansiedade grave. Ao abordar um dos sintomas residuais mais desafiadores do TDM, essa estratégia terapêutica reforça a importância de abordagens integradas e individualizadas no tratamento da depressão.


Com informações de MGH Psychiatry News — https://mghpsychnews.org/improving-both-mood-and-anxiety-what-cariprazine-brings-to-the-treatment-of-major-depressive-disorder/

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Eloiza M8K

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